null, 17 de Dezembro, 2017
Media

Quebra de receitas obriga os media a procurar alternativas

A quebra nas fontes de sustento tradicionais  - como a receita da venda, das assinaturas ou da publicidade -  está a levar muitos meios de comunicação a procurar alternativas. E algumas são surpreendentes. Já há jornais a recorrer ao comércio electrónico e à organização de eventos. 

Este tema é tratado num artigo publicado em Media-tics, que começa pelo princípio:

“O negócio de um jornal foi sempre o de pesquisar informação, tratá-la adequadamente e publicá-la num produto físico que se vendia em lojas ou em quiosques. Para além disso, as suas páginas eram completadas com anúncios publicitários, até chegar ao ponto em que a publicidade se tornou a via mais importante para obter receitas.”

Vieram depois, como conta o texto que citamos, os jornais gratuitos, que já dependiam exclusivamente da publicidade, mas todos os outros media, radiofónicos ou televisivos, continuavam a viver deste modelo. Até que chegou a Internet.

 

A primeira impressão foi a de que o modelo podia adaptar-se tecnologicamente sem quebra de receitas, visto que a publicidade também circula no digital, mas não contaram com a Google e o Facebook, que se tornaram, no dizer de Gideon Spanier, director de meios da revista Campaign, um “duopólio na publicidade digital”. Encurtando razões, tornou-se arriscado, para os editores, dependerem exclusivamente da publicidade.

 

O texto dá o exemplo de duas alternativas possíveis, já experimentadas. A primeira foi seguida pela editora Dennis Publishing, que publica mais de 35 revistas e websites. Em 2014 adquiriu o concessionário online BuyaCar  - em parte porque alguns dos seus títulos tratavam muito de temas da indústria automóvel.

“Agora vendem 200 carros por mês, o que significa 16% da receita total da empresa, que a viu aumentar dos 59 milhões de libras em 2009 para os 93 em 2016.”

 

Outro caso é o da Hearst Magazines, que em 2016 lançou Hearst Live, para organização de eventos relacionados com algumas das marcas que já são anunciadas nas suas revistas.

 

O artigo citado termina com uma reflexão irónica sobre as “muitas possibilidades para sobreviver” que se apresentam aos media:

“Talvez não sejam estritamente relacionadas com o jornalismo. Mas, afinal, meter publicidade ou dar de brinde uma cafeteira por ter completado uma caderneta de cupões também não eram. Ou talvez sim.”


O artigo original, em Media-tics

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

Sobre a “decadência das redacções”, a dúvida de ser jornalista Ver galeria

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O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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