Segunda-feira, 25 de Março, 2019
Media

Quebra de receitas obriga os media a procurar alternativas

A quebra nas fontes de sustento tradicionais  - como a receita da venda, das assinaturas ou da publicidade -  está a levar muitos meios de comunicação a procurar alternativas. E algumas são surpreendentes. Já há jornais a recorrer ao comércio electrónico e à organização de eventos. 

Este tema é tratado num artigo publicado em Media-tics, que começa pelo princípio:

“O negócio de um jornal foi sempre o de pesquisar informação, tratá-la adequadamente e publicá-la num produto físico que se vendia em lojas ou em quiosques. Para além disso, as suas páginas eram completadas com anúncios publicitários, até chegar ao ponto em que a publicidade se tornou a via mais importante para obter receitas.”

Vieram depois, como conta o texto que citamos, os jornais gratuitos, que já dependiam exclusivamente da publicidade, mas todos os outros media, radiofónicos ou televisivos, continuavam a viver deste modelo. Até que chegou a Internet.

 

A primeira impressão foi a de que o modelo podia adaptar-se tecnologicamente sem quebra de receitas, visto que a publicidade também circula no digital, mas não contaram com a Google e o Facebook, que se tornaram, no dizer de Gideon Spanier, director de meios da revista Campaign, um “duopólio na publicidade digital”. Encurtando razões, tornou-se arriscado, para os editores, dependerem exclusivamente da publicidade.

 

O texto dá o exemplo de duas alternativas possíveis, já experimentadas. A primeira foi seguida pela editora Dennis Publishing, que publica mais de 35 revistas e websites. Em 2014 adquiriu o concessionário online BuyaCar  - em parte porque alguns dos seus títulos tratavam muito de temas da indústria automóvel.

“Agora vendem 200 carros por mês, o que significa 16% da receita total da empresa, que a viu aumentar dos 59 milhões de libras em 2009 para os 93 em 2016.”

 

Outro caso é o da Hearst Magazines, que em 2016 lançou Hearst Live, para organização de eventos relacionados com algumas das marcas que já são anunciadas nas suas revistas.

 

O artigo citado termina com uma reflexão irónica sobre as “muitas possibilidades para sobreviver” que se apresentam aos media:

“Talvez não sejam estritamente relacionadas com o jornalismo. Mas, afinal, meter publicidade ou dar de brinde uma cafeteira por ter completado uma caderneta de cupões também não eram. Ou talvez sim.”


O artigo original, em Media-tics

Connosco
José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
A realidade choca. Um trabalho de investigação jornalística, publicado no Expresso,  apurou que Portugal tem 95 políticos a comentar nos media. É algo absolutamente inédito em qualquer parte do mundo, da Europa aos EUA. Nalguma coisa teríamos de ser inovadores, infelizmente, da pior maneira. É um “assalto”, que condiciona a opinião pública e constitui um simulacro de pluralismo, já que  o elenco...
Augusto Cid, uma obra quase monumental
António Gomes de Almeida
Com o falecimento de Augusto Cid, desaparece um dos mais conhecidos desenhadores de Humor portugueses, com uma obra que pode considerar-se quase monumental. Desenhou milhares de cartoons, fez livros, e até teve a suprema honra de ver parte da sua obra apreendida – depois do 25 de Abril (!) – e tornou-se conhecido, entre outras, por estas duas razões: pelas piadas sibilinas lançadas contra o general Ramalho Eanes, e por fazer parte do combativo grupo das...
Uma edição fraca
Manuel Falcão
Já se sabe que a revista “Monocle” é uma grande utilizadora criativa do conceito de conteúdos patrocinados, frequentemente dissimulados de forma editorial elegante e sedutora. O grafismo da revista continua contemporâneo, apesar de não ter tido muitas evoluções desde que foi lançada em 2007. Em contrapartida, o espaço ocupado por conteúdos patrocinados tem vindo sempre a aumentar, por vezes demais, até se...
Duas atitudes face ao jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
No recente encontro em Roma, no Vaticano, sobre o dramático caso dos abusos sexuais por elementos do clero católico, a vários níveis, ouviram-se vozes agradecendo a jornalistas que investigaram e divulgaram abusos. É uma justa atitude.  Dir-se-á que alguns jornalistas terão procurado o escândalo e, também, denegrir a imagem da Igreja. Talvez. Mas o verdadeiro escândalo é que padres, bispos e cardeais, em vez de...
Jornalismo a meia-haste
Graça Franco
Atropelados pela ditadura do entretenimento, podemos enquanto “informadores” desde já colocar a bandeira a meia-haste. O jornalismo não está a morrer. Está a cometer suicídio em direto. Temi que algum jornalista se oferecesse para partilhar a cadeia com Armando Vara, só para ver como este se sentia “já lá dentro”. A porta ia-se fechando, em câmara lenta, e o enxame de microfones não largava a presa. O...
Agenda
30
Mar
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
31
Mar
Radiodays Europe
09:00 @ Lausanne, Suiça
01
Abr
Digital Media Europe 2019
09:00 @ Viena,Áustria
08
Abr
25
Abr
Social Media Camp
09:00 @ Victoria, Canada