Quarta-feira, 8 de Abril, 2020
Media

Quebra de receitas obriga os media a procurar alternativas

A quebra nas fontes de sustento tradicionais  - como a receita da venda, das assinaturas ou da publicidade -  está a levar muitos meios de comunicação a procurar alternativas. E algumas são surpreendentes. Já há jornais a recorrer ao comércio electrónico e à organização de eventos. 

Este tema é tratado num artigo publicado em Media-tics, que começa pelo princípio:

“O negócio de um jornal foi sempre o de pesquisar informação, tratá-la adequadamente e publicá-la num produto físico que se vendia em lojas ou em quiosques. Para além disso, as suas páginas eram completadas com anúncios publicitários, até chegar ao ponto em que a publicidade se tornou a via mais importante para obter receitas.”

Vieram depois, como conta o texto que citamos, os jornais gratuitos, que já dependiam exclusivamente da publicidade, mas todos os outros media, radiofónicos ou televisivos, continuavam a viver deste modelo. Até que chegou a Internet.

 

A primeira impressão foi a de que o modelo podia adaptar-se tecnologicamente sem quebra de receitas, visto que a publicidade também circula no digital, mas não contaram com a Google e o Facebook, que se tornaram, no dizer de Gideon Spanier, director de meios da revista Campaign, um “duopólio na publicidade digital”. Encurtando razões, tornou-se arriscado, para os editores, dependerem exclusivamente da publicidade.

 

O texto dá o exemplo de duas alternativas possíveis, já experimentadas. A primeira foi seguida pela editora Dennis Publishing, que publica mais de 35 revistas e websites. Em 2014 adquiriu o concessionário online BuyaCar  - em parte porque alguns dos seus títulos tratavam muito de temas da indústria automóvel.

“Agora vendem 200 carros por mês, o que significa 16% da receita total da empresa, que a viu aumentar dos 59 milhões de libras em 2009 para os 93 em 2016.”

 

Outro caso é o da Hearst Magazines, que em 2016 lançou Hearst Live, para organização de eventos relacionados com algumas das marcas que já são anunciadas nas suas revistas.

 

O artigo citado termina com uma reflexão irónica sobre as “muitas possibilidades para sobreviver” que se apresentam aos media:

“Talvez não sejam estritamente relacionadas com o jornalismo. Mas, afinal, meter publicidade ou dar de brinde uma cafeteira por ter completado uma caderneta de cupões também não eram. Ou talvez sim.”


O artigo original, em Media-tics

Connosco
O essencial em jornalismo em tempo de pandemia Ver galeria

A imprensa, em todo o mundo,  está a adaptar-se à nova realidade, desencadeada pela pandemia do coronavírus, e a trabalhar, maioritariamente, por via remota.


Os jornalistas parecem querer zelar pela saúde dos leitores e, nos “media” os avisos e as advertências repetem-se: ficar em casa para conter a disseminação do vírus, evitar aglomerados de pessoas, sair só em caso de emergência, ou para adquirir bens essenciais.

Ainda assim, alguns profissionais, nos Estados Unidos parecem não seguir a conduta que promovem, realizando reportagens no exterior e expondo-se à contaminação do vírus,  destaca Alexandria Nelson, num artigo publicado no “Columbia Journalism Review”

De acordo com a autora, os repórteres estão a pôr em causa a saúde pública,  deslocando-se, por exemplo, a praias para dar conta de cidadãos que não estão a cumprir as normas de isolamento. Os jornalistas querem, assim, distinguir-se dos restantes concidadãos. 

Moncloa recua e levanta restrições aos jornalistas Ver galeria

A Moncloa vai deixar de  “amordaçar” a imprensa. Depois da pressão exercida pelos “media”, o governo espanhol vai permitir que os jornalistas façam perguntas, por videochamada, durante as conferências de imprensa do primeiro-ministro Pedro Sánchez.

A decisão surge na sequência de uma denúncia conjunta de centenas jornalistas espanhóis, que se opuseram ao “modus operandi” das conferências de imprensa, controladas pelo Secretário de Estado da Comunicação, Miguel Angel Oliver.

Depois de a polémica se ter arrastado ao longo de várias semanas Oliver enviou, finalmente, uma nota às redações para informar que “a metodologia utilizada nas conferências de imprensa irá mudar”. 

O Governo garante, agora, que vai implementar um sistema seguro de videoconferência que terá rondas de perguntas. A selecção das questões será concretizada por um “mecanismo aleatório, público e verificável”.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


ver mais >
Opinião
O Presidente do Governo espanhol deixou cair a mordaça que tinha imposto aos jornalistas nas videoconferências por causa do coronavírus.  A oposição de centenas de profissionais - que não se curvaram e souberam unir-se contra a censura dissimulada que estava a ser seguida pelo secretário de estado da Comunicação Social, ao filtrar as perguntas que mais convinham ao governo -, bem como a posição firme tomada...
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
Em toda a parte, ou quase, a pandemia causada pelo coronavírus fechou em casa muitos milhões de pessoas, para evitarem ser contaminadas. Um dos efeitos desse confinamento foi terem aumentado as audiências de televisão. Por outro lado, as pessoas precisam de informação, por isso o estado de emergência em Portugal mantém abertos os quiosques, que vendem jornais.   Melhores tempos para a comunicação social? Nem por isso,...
No Brasil uma empresa de mídia afixou uma campanha, de grande formato, com uma legenda: “Eu tô aqui porque sou um outdoor. E você, tá fazendo o quê na rua?”. Este é o melhor exemplo que vi nos últimos dias sobre a necessidade de manter a comunicação e reforçar as mensagens. Em Portugal e no estrangeiro sucedem-se adiamentos e cancelamentos de campanhas. Mas há também marcas que resolveram até...
Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun