null, 21 de Julho, 2019
Media

Notícias "à la carte" como terapêutica para a saturação informativa

Parar de ler notícias é recomendado por psicólogos que estudam os efeitos negativos para a saúde causados pelas más notícias. Mas as empresas noticiosas funcionam no pressuposto de que toda a gente precisa de ser constantemente informada. Uma espécie de solução intermédia seria fazer pausas voluntárias de noticiário, e voltar com um plano de consumo bem estruturado. E, claro, já há jornalistas a pensar nisso.

É este o tema de uma reflexão feita pela jornalista norte-americana Melody Kramer, no Poynter.org, que começa por dizer que, desde as eleições presidenciais nos EUA, muitas pessoas que conhece “fizeram uma pausa de notícias, das redes sociais ou uma combinação das duas coisas”. 

Uma sugestão que adianta seria um website onde o utente pudesse dizer durante quanto tempo desejava ficar sem notícias, e que tipo de noticiário gostaria de encontrar no regresso. Isto podia funcionar, diz a autora, por meio de newsletters onde ficasse claro que queria tirar uma “folga” de tantos dias, ou semanas, ou meses, e depois disso ser actualizado com que frequência. 

Melody Kramer adianta o nome de Aram Zucker-Scharff, do Salon Media Group, que já está a trabalhar nesta ideia, incluindo a possibilidade de tocar na tecla pause em determinado tópico, para continuar, por exemplo, a “seguir as notícias desportivas enquanto faz um intervalo de política”. 

“Devíamos tornar fácil às pessoas fazerem um regresso lento ao noticiário, sem terem de agarrar tudo imediatamente”  -  diz ainda, sugerindo rubricas como o “Explique-me como se eu tivesse cinco anos”, do Reddit

“E se as pessoas não quiserem noticiário, que mais lhes podemos dar?” Neste ponto, Melody Kramer sugere coisas como clubes de leitura de livros, por exemplo. Mas é quando a questão se põe à própria classe que produz as notícias, os jornalistas, que as coisas parecem menos simples. 

“Se você trabalha no noticiário, evidentemente, nem sempre é possível desligar-se.” E remete então para outros artigos publicados por si, sobre como ter esse cuidado consigo mesmo e de que modo os jornalistas tratam as suas férias: “Divirta-se (se tiver tempo)!” 


O artigo original, no Poynter.org, onde colhemos também a imagem incluída

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China