Sexta-feira, 4 de Dezembro, 2020
Media

Notícias "à la carte" como terapêutica para a saturação informativa

Parar de ler notícias é recomendado por psicólogos que estudam os efeitos negativos para a saúde causados pelas más notícias. Mas as empresas noticiosas funcionam no pressuposto de que toda a gente precisa de ser constantemente informada. Uma espécie de solução intermédia seria fazer pausas voluntárias de noticiário, e voltar com um plano de consumo bem estruturado. E, claro, já há jornalistas a pensar nisso.

É este o tema de uma reflexão feita pela jornalista norte-americana Melody Kramer, no Poynter.org, que começa por dizer que, desde as eleições presidenciais nos EUA, muitas pessoas que conhece “fizeram uma pausa de notícias, das redes sociais ou uma combinação das duas coisas”. 

Uma sugestão que adianta seria um website onde o utente pudesse dizer durante quanto tempo desejava ficar sem notícias, e que tipo de noticiário gostaria de encontrar no regresso. Isto podia funcionar, diz a autora, por meio de newsletters onde ficasse claro que queria tirar uma “folga” de tantos dias, ou semanas, ou meses, e depois disso ser actualizado com que frequência. 

Melody Kramer adianta o nome de Aram Zucker-Scharff, do Salon Media Group, que já está a trabalhar nesta ideia, incluindo a possibilidade de tocar na tecla pause em determinado tópico, para continuar, por exemplo, a “seguir as notícias desportivas enquanto faz um intervalo de política”. 

“Devíamos tornar fácil às pessoas fazerem um regresso lento ao noticiário, sem terem de agarrar tudo imediatamente”  -  diz ainda, sugerindo rubricas como o “Explique-me como se eu tivesse cinco anos”, do Reddit

“E se as pessoas não quiserem noticiário, que mais lhes podemos dar?” Neste ponto, Melody Kramer sugere coisas como clubes de leitura de livros, por exemplo. Mas é quando a questão se põe à própria classe que produz as notícias, os jornalistas, que as coisas parecem menos simples. 

“Se você trabalha no noticiário, evidentemente, nem sempre é possível desligar-se.” E remete então para outros artigos publicados por si, sobre como ter esse cuidado consigo mesmo e de que modo os jornalistas tratam as suas férias: “Divirta-se (se tiver tempo)!” 


O artigo original, no Poynter.org, onde colhemos também a imagem incluída

Connosco
União Europeia implementa medidas para proteger jornalistas... Ver galeria

A Comissão Europeia quer criminalizar o discurso e o incitamento ao ódio na internet, nomeadamente contra jornalistas. A instituição justificou a medida com o aumento das “ameaças físicas e ‘online’ e ataques a jornalistas” na UE, com frequentes “campanhas de difamação e de intimidação geral e interferências politicamente motivadas”.

“Os jornalistas são alvos de assédio, discurso de ódio e campanhas de difamação, por vezes até iniciadas por actores políticos, na Europa e fora, e as mulheres jornalistas são particularmente visadas”, reforçou a Comissão Europeia, notando que, por vezes, isso conduz “à autocensura e à redução do espaço para o debate público sobre questões importantes”.

Bruxelas recordou, igualmente, que, “nos últimos anos, a Europa tem testemunhado ataques brutais aos meios de comunicação social livres”, numa alusão aos assassinatos dos jornalistas Daphne Caruana Galizia, em Malta, e de Jan Kuciak, na Eslováquia.

Por isso mesmo, a Comissão Europeia vai, também, apresentar uma recomendação sobre a segurança dos jornalistas, visando “assegurar uma melhor implementação pelos Estados-membros das normas da recomendação do Conselho da Europa”.

... E lança plano de recuperação para os "media" e fórum europeu Ver galeria

A Comissão Europeia apresentou um plano de recuperação para os “media” europeus, cujas medidas deverão ser aplicadas no primeiro semestre de 2022.

Desta forma, “a Comissão facilitará um melhor acesso ao financiamento, estimulando os empréstimos, bem como o financiamento de capital próprio”.

Estas acções deverão ser complementadas com diálogos bilaterais, de forma a “aumentar o conhecimento do mercado dos meios de comunicação social europeus entre os investidores”.

Bruxelas diz, ainda, querer “prestar apoio dedicado, sob a forma de subsídios para parcerias de colaboração com os meios de comunicação social”, para promover o jornalismo colaborativo e transfronteiriço.

Outra das medidas propostas é a criação de um fórum europeu, para envolver as partes interessadas, incluindo autoridades reguladoras, representantes de jornalistas, organismos de autorregulamentação, sociedade civil e organizações internacionais.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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