Segunda-feira, 25 de Março, 2019
Media

Crítica de uma auto-crítica mediática como tema de reflexão

Estamos a fazer auto-crítica, ou auto-flagelação, ou auto-justificação? A surpresa e o escândalo perante resultados que não confirmaram as previsões deixaram em crise a auto-imagem de muitos dos seus intérpretes: os jornalistas em primeiro lugar, os especialistas em sondagens, os comentadores e os politólogos, e os próprios políticos, naturalmente. Esses resultados mais visíveis são o referendo do Brexit, a eleição de Donald Trump e, em França, a qualificação de Fillon nas “primárias” da direita. Matéria suficiente para uma crítica da auto-crítica, tema de uma reflexão de fundo assinada por Julien Salingue, co-animador do Observatório dos Media Acrimed.

Este ensaio, que constitui o texto de introdução do dossier “Auto-crítica mediática”, publicado na revista Médiacritique(s), faz o percurso penoso do caminho seguido por aquilo que o autor descreve como “uma sequência intensiva de auto-crítica” ou, pelo menos, “de aparente auto-crítica dos media feita dentro dos media”. O retrato que faz é abundante em exemplos citados e pouco brando na ironia. 

Sobre as sondagens, os exemplos recolhidos falam de uma Imprensa “obnubilada pela pretensão absurda de prever o futuro” e das mesmas sondagens como uma “droga dura”, de que seriam dependentes, em primeiro lugar, os políticos e os jornalistas. Mas também são mencionados os que as defendem, desde que “afinem permanentemente os seus dispositivos de inquérito” face à natureza “cada vez mais flutuante e volátil” do eleitorado. 

Outro tema é o da “desconexão” entre a Imprensa e as classes populares. É citado um texto do New York Times, em que Nicholas Kristof admite que “nós, os media tradicionais, estamos desconectados da classe trabalhadora americana; passamos demasiado tempo a discutir com senadores, e não o suficiente a ir ao encontro dos metalúrgicos no desemprego”. 

Deste ponto chega-se depressa a um terreno em que os próprios jornalistas se batem em defesa do seu ofício. É citado o editorialista Thomas Legrand, que rejeita a crítica de que é “a Imprensa que não compreende o povo, só porque se empenha em desconstruir o mundo simplista e binário proposto pelos demagogos”.


Mas outro texto, publicado no Charlie Hebdo, responde:

“Não é que os jornalistas não tenham feito o seu trabalho, é que esse trabalho não conseguiu convencer senão os que já estavam convencidos. A última notícia má é que não são os jornalistas que estão cortados do mundo, mas o mundo que se cortou dos jornalistas.” 

Neste ponto, Julien Salingue ironiza: “Os jornalistas não teriam, então, o povo que merecem!”... 

O seu ensaio recolhe outras citações, que põem em causa outros meios de salvação, como o “regresso ao terreno”, a verificação de factos, a recusa das “bolhas mediáticas” das redes sociais, chegando a um artigo que contesta: “Não há bolha nenhuma. E também não há imparcialidade jornalística, que ficaria acima da subjectividade das redes sociais.” (...) 

A crítica chega então à “editocracia” dos editorialistas, “persuadidos de serem os iluminadores do povo”, e à auto-justificação dos media tradicionais. 

Julien Salingue propõe, finalmente, uma crítica mais "radical", como a que se pratica no Acrimed, e que avalie as raízes dos problemas: “a overdose de sondagens e sondologia, o primado do jornalismo de comentário em detrimento do jornalismo de investigação, a ausência flagrante de pluralismo com uma ‘editocracia’ que partilha entre si o essencial das emissões ou das páginas de ‘debate’, as lógicas de concorrência ou de medição de audiências que favorecem a produção de uma informação low-cost e a sua ‘circulação circular’”...


O texto original, na íntegra, no Acrimed

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José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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