Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Independência da redacção de "Le Monde" defendida em editorial

O diário francês Le Monde declara, em editorial do seu director, Jérôme Fenoglio, que a independência do grupo, "um privilégio e uma responsabilidade",  está salvaguardada. Os direitos que protegem as suas redacções  - confiados, desde há anos, a "uma minoria de bloqueio" -  passam a estar inscritos nos próprios estatutos da empresa: "Inalienáveis, aumentados em alguns pontos, estes direitos já não serão limitados no tempo."

Esta linguagem suscita, naturalmente, uma reacção entre a dúvida e o desejo de que seja mesmo assim. Numa era em que todos os jornais de referência enfrentam as suas crises de dependência económica, de mudanças de accionistas, de quebra de receitas, o voto de todos os profissionais responsáveis é de que as boas soluções se consolidem e fiquem como exemplo possível para outros. 

O editorial de Jérôme Fenoglio afirma que, no projecto de acordo assinado em 12 de Janeiro, "a desconexão entre os direitos políticos e morais dos jornalistas e a evolução do capital clarifica a repartição de poderes entre as duas partes". 

E mais adiante:

"Longe das lógicas de predação ou desmantelamento que se têm visto noutros media, os diversos títulos do grupo puderam realizar a sua revolução digital. Contra a tentação da Informação low cost e da sangria dos efectivos, a redacção de Le Monde não perdeu nem a alma nem a substância. (…)  Os jornalistas conservam o pleno domínio dos seus escritos e da sua imagem, incluindo esta independência, da qual é garante o director, o recrutamento de novos membros da redacção." 

Mas Jérôme Fenoglio não se exime de alertar, sobre a situação presente do jornal:

"O maior perigo seria considerá-la como definitivamente adquirida. Em matéria de independência da Imprensa, uma noção eminentemente instável, não existe o risco zero. Nenhuma estrutura económica, nenhum sistema de protecção, nenhuma carta pode garantir uma resistência total a todas as formas de intervenção, de jogos de influência, de pressão, se os princípios não forem sustentados por uma virtude individual e colectiva: a coragem." 

E remata o editorial declarando "a nossa ambição de constituir um ponto de referência num mundo sem bússola, confortado todos os dias pelo mais precioso dos apoios: a confiança dos nossos leitores." 

O texto é acompanhado por ou outro, de três parágrafos, que explica o "modelo económico equilibrado" de Le Monde, bem como por descrições mais pormenorizadas da evolução recente na relação de forças da empresa.

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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