Quinta-feira, 21 de Novembro, 2019
Media

Independência da redacção de "Le Monde" defendida em editorial

O diário francês Le Monde declara, em editorial do seu director, Jérôme Fenoglio, que a independência do grupo, "um privilégio e uma responsabilidade",  está salvaguardada. Os direitos que protegem as suas redacções  - confiados, desde há anos, a "uma minoria de bloqueio" -  passam a estar inscritos nos próprios estatutos da empresa: "Inalienáveis, aumentados em alguns pontos, estes direitos já não serão limitados no tempo."

Esta linguagem suscita, naturalmente, uma reacção entre a dúvida e o desejo de que seja mesmo assim. Numa era em que todos os jornais de referência enfrentam as suas crises de dependência económica, de mudanças de accionistas, de quebra de receitas, o voto de todos os profissionais responsáveis é de que as boas soluções se consolidem e fiquem como exemplo possível para outros. 

O editorial de Jérôme Fenoglio afirma que, no projecto de acordo assinado em 12 de Janeiro, "a desconexão entre os direitos políticos e morais dos jornalistas e a evolução do capital clarifica a repartição de poderes entre as duas partes". 

E mais adiante:

"Longe das lógicas de predação ou desmantelamento que se têm visto noutros media, os diversos títulos do grupo puderam realizar a sua revolução digital. Contra a tentação da Informação low cost e da sangria dos efectivos, a redacção de Le Monde não perdeu nem a alma nem a substância. (…)  Os jornalistas conservam o pleno domínio dos seus escritos e da sua imagem, incluindo esta independência, da qual é garante o director, o recrutamento de novos membros da redacção." 

Mas Jérôme Fenoglio não se exime de alertar, sobre a situação presente do jornal:

"O maior perigo seria considerá-la como definitivamente adquirida. Em matéria de independência da Imprensa, uma noção eminentemente instável, não existe o risco zero. Nenhuma estrutura económica, nenhum sistema de protecção, nenhuma carta pode garantir uma resistência total a todas as formas de intervenção, de jogos de influência, de pressão, se os princípios não forem sustentados por uma virtude individual e colectiva: a coragem." 

E remata o editorial declarando "a nossa ambição de constituir um ponto de referência num mundo sem bússola, confortado todos os dias pelo mais precioso dos apoios: a confiança dos nossos leitores." 

O texto é acompanhado por ou outro, de três parágrafos, que explica o "modelo económico equilibrado" de Le Monde, bem como por descrições mais pormenorizadas da evolução recente na relação de forças da empresa.

Connosco
O risco do jornalismo de dados produzir gráficos enganosos Ver galeria

As visualizações de dados podem ser enganosas. No seu novo livro, "How Charts Lie",Alberto Cairo, não poupa palavras para expor os perigos de visualizações de dados mal projectadas. 

O autor identifica cinco grandes categorias de desenhos de gráficos, que não são o que parecem à primeira vista, desde os que contêm dados insuficientes até aos que, deliberadamente, ocultam ou enganam o espectador. 

Os jornalistas podem proteger-se de serem "enganados" pelos gráficos, aceitando que são tão vulneráveis quanto o público em geral.

Cairo descreve os gráficos como argumentos feitos visualmente, que precisam de ser avaliados e verificados com o mesmo cuidado que qualquer outro dado ao qual recorremos para escrever uma história. 

O número crescente de ferramentas de visualização de dados gratuitas e de baixo custo, como Datawrapper e Flourish, tornaram as histórias baseadas em dados acessíveis, até mesmo às pequenas redacções.

"Pensamos no New York Times como o padrão ouro da visualização de dados, mas, na Flórida, o Tampa Bay Times tem apenas duas ou três pessoas a realizar esse tipo de trabalho e estão a fazer peças vencedoras do Pulitzer", explica o autor. 

O artigo de Corinne Podger, publicado no site do IJNet, analisa os riscos dos enganos do jornalismo de dados.

Jornalismo tecnológico requer soluções no mundo digital Ver galeria

A postura dos jornalistas em relação aos meios tecnológicos tem vindo a sofrer algumas alterações. 

Os jornalistas têm adoptado novamente uma atitude de “watchdog” em relação a Silicon Valley, tendo começado a produzir reportagens sobre negligência e outros problemas gerados por estas empresas. Começaram a debater questões sociais e técnicas, como o caso das campanhas de desinformação e os efeitos discriminatórios de algoritmos. 

Porém, é importante que os jornalistas não só ajudem a compreender os problemas tecnológicos, mas que identifiquem, também, as possíveis soluções e os efeitos positivos da tecnologia na sociedade. 

Os autores do texto, publicado no site Columbia Journalism Review, sugerem que seja adoptado um jornalismo de soluções como um movimento a seguir na cobertura de temas tecnológicos. Este género de jornalismo propõe realizar reportagens centradas nas respostas aos problemas sociais reportados, minimizando a ideia feita de que os jornalistas apenas estão presentes quando ocorrem escândalos. 

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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