Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Director do "Washington Post" defende ser necessário "abraçar a mudança"

Martin Baron, director do Washington Post, falou, em Madrid, sobre os meios de comunicação tradicionais, a transição tecnológica e os grandes desafios que se colocam ao jornalismo neste momento. É necessário “abraçar a mudança”  – afirmou - sabendo, no entanto, que “todas as ferramentas tecnológicas do mundo não podem substituir o bom jornalismo”. Sobre a presente conjuntura política, depois das eleições nos EUA, disse que os jornalistas precisam de coragem, que a verdade é o maior desafio que o jornalismo enfrenta, acima do económico ou do tecnológico, e que “é necessário que existam meios que apostem na verdade”.

Martin Baron foi o convidado da quinta edição de “Conversaciones con”, realizada na Fundação Rafael del Pino, em Madrid. Segundo a síntese publicada pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, o jornalista norte-americano  - tornado famoso pelo papel que teve como editor do Boston Globe, apoiando a equipa de investigação Spotlight -  declarou que Donald Trump representa um desafio difícil para o jornalismo e que teremos de estar vigilantes para não começarmos a perder direitos e liberdades adquiridas. Como afirmou, “não há democracia forte sem uma Imprensa livre e independente”.

  

Sobre as mudanças trazidas pela revolução digital, reconhece que elas “ameaçam a sobrevivência dos meios tradicionais”, mas que vão continuar a dar-se, e com maior velocidade, pelo que é necessário aceitá-las e investir nelas. Declarou que “as redes sociais são vitais” e que os jornalistas deverão “escutar mais e melhor”, e ir aonde estão as pessoas, para lhes fazer chegar a Informação.

 

Martin Baron entrou em diversos pontos concretos, afirmando que “temos de criar novos projectos tecnológicos, que funcionem com os leitores e os anunciantes”, e que serão necessárias alianças “com empresas tecnológicas como o Facebook, Snapchat ou outras que apareçam”.

 

Sobre a questão da verdade, afirmou que nos EUA “apenas 32% da população acredita que a informação publicada pelos media é verdadeira; e, no caso dos Republicanos, este número cai para os 14% depois das últimas eleições presidenciais”.

 

 Concluindo, declarou que não se pode permitir “que a mentira se imponha acima dos factos” e que os jornalistas não devem cair na auto-censura “por medo ao poder”, mas “continuar contando a verdade”.

 

  

O artigo no site da APM e o vídeo da conferência de Martin Baron

 

 

 

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


ver mais >
Opinião
Sobre a liberdade de expressão em Portugal
Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
O panorama dos media
Manuel Falcão
Se olharmos para o top dos programas mais vistos na televisão generalista em 2018 vemos um claro domínio das transmissões desportivas, seguidas a grande distância pelos reality shows e, ainda mais para trás, pelas telenovelas. No entanto as transmissões televisivas produzem apenas picos de audiência e contribuem relativamente pouco para as médias e para planos continuados. O dilema das televisões generalistas está na...
Informar ou depender…
Dinis de Abreu
O título deste texto corresponde a um livro publicado nos anos 70 por Francisco Balsemão, numa altura em que já se ‘contavam espingardas’ para pôr termo ao Estado Novo, como veio a acontecer com o derrube de Marcello Caetano, em 25 de Abril de 74.  A obra foi polémica à época e justamente considerada um ‘grito de alma’, assinada por quem começara a sua vida profissional num jornal controlado pela família...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...