Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Media

Director do "Washington Post" defende ser necessário "abraçar a mudança"

Martin Baron, director do Washington Post, falou, em Madrid, sobre os meios de comunicação tradicionais, a transição tecnológica e os grandes desafios que se colocam ao jornalismo neste momento. É necessário “abraçar a mudança”  – afirmou - sabendo, no entanto, que “todas as ferramentas tecnológicas do mundo não podem substituir o bom jornalismo”. Sobre a presente conjuntura política, depois das eleições nos EUA, disse que os jornalistas precisam de coragem, que a verdade é o maior desafio que o jornalismo enfrenta, acima do económico ou do tecnológico, e que “é necessário que existam meios que apostem na verdade”.

Martin Baron foi o convidado da quinta edição de “Conversaciones con”, realizada na Fundação Rafael del Pino, em Madrid. Segundo a síntese publicada pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, o jornalista norte-americano  - tornado famoso pelo papel que teve como editor do Boston Globe, apoiando a equipa de investigação Spotlight -  declarou que Donald Trump representa um desafio difícil para o jornalismo e que teremos de estar vigilantes para não começarmos a perder direitos e liberdades adquiridas. Como afirmou, “não há democracia forte sem uma Imprensa livre e independente”.

  

Sobre as mudanças trazidas pela revolução digital, reconhece que elas “ameaçam a sobrevivência dos meios tradicionais”, mas que vão continuar a dar-se, e com maior velocidade, pelo que é necessário aceitá-las e investir nelas. Declarou que “as redes sociais são vitais” e que os jornalistas deverão “escutar mais e melhor”, e ir aonde estão as pessoas, para lhes fazer chegar a Informação.

 

Martin Baron entrou em diversos pontos concretos, afirmando que “temos de criar novos projectos tecnológicos, que funcionem com os leitores e os anunciantes”, e que serão necessárias alianças “com empresas tecnológicas como o Facebook, Snapchat ou outras que apareçam”.

 

Sobre a questão da verdade, afirmou que nos EUA “apenas 32% da população acredita que a informação publicada pelos media é verdadeira; e, no caso dos Republicanos, este número cai para os 14% depois das últimas eleições presidenciais”.

 

 Concluindo, declarou que não se pode permitir “que a mentira se imponha acima dos factos” e que os jornalistas não devem cair na auto-censura “por medo ao poder”, mas “continuar contando a verdade”.

 

  

O artigo no site da APM e o vídeo da conferência de Martin Baron

 

 

 

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O caso do novo secretário de Estado com a tutela da comunicação social é assaz curioso. Nuno Artur Silva foi dono, até há dias, das Produções Fictícias, empresa que incluía a RTP no seu portfólio de clientes, facto que não o inibiu de aceitar  ser administrador daquele operador público, com a responsabilidade dos conteúdos. Cumprido o primeiro mandato, sem abdicar da...
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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