Sexta-feira, 25 de Maio, 2018
Memória

Um "Foguetão" visionário: ler jornais na palma da mão

Uma revista de banda desenhada, publicada em Lisboa em 1961, já imaginava a leitura de jornais, no ano 2000, num aparelho que cabia na palma da mão. Mas ia mais longe: desenhava o mecanismo, por dentro e por fora, e identificava a função de cada peça. Ainda não tinha chegado a tecnologia digital, e a proposta tinha pormenores que hoje não se confirmam. Mas que se parece com um telemóvel, é indiscutível. 

A revista chamava-se “Foguetão – Semanário Juvenil para o Ano 2000”, e os 13 números da sua curta existência publicaram-se entre Maio e Julho de 1961. Era propriedade da ENP, que detinha o Diário de Notícias, e foi dirigida por Adolfo Simões Muller, que também deixou o nome ligado à Nau Catrineta, suplemento do DN, e a outras publicações infanto-juvenis.  

Na página 6 do nº 11, saído a 13 de Julho, um artigo de previsão científica tinha por título “O jornal do ano 2000 caberá na palma da mão”.  

Vale a pena abrir a revista, disponibilizada pela Hemeroteca Digital, e ampliar o texto, que descreve um cidadão saindo de casa, pela manhã, e procurando o jornal do dia:

O que ele encontra não será um ardina, mas um distribuidor automático que, a troco de uma moeda, lhe fornece “uma espécie de disco”. O comprador tira da algibeira “qualquer coisa parecida com uma cigarreira. (…) Na tampa dessa caixa, um écran que ocupa metade da superfície. Por baixo, uma rede muito fina. Nos cantos superiores, dois botões. De lado, uma fenda.”  

O “disco” que se introduz nessa fenda é, no fundo, uma cassette de “fita muito estreita e de pouca espessura, com cerca de 300 metros de comprimento”. A cigarreira parece-se com um televisor de bolso: “no écran, as imagens começam a surgir e, através da rede, ouve-se a voz de um locutor”. 

A fita magnética tem as possibilidades de avançar ou recuar depressa, passando de uma rubrica para outra, e o indicador para parar no que nos interessa é descrito deste modo:

“Uma tira de cor no écran previne-nos do género de rubrica que passa: azul para a política, vermelho para os casos de rua, verde para as histórias de quadradinhos (pois então!), amarela para o desporto, etc.”  

Os smartphones que hoje temos fazem-nos sorrir das soluções desta previsão, mas o seu autor, socorrendo-se de tecnologias já existentes, não se enganou muito no aspecto geral.

 

Mais informação sobre o Foguetão e a edição que contém este artigo, na pág. 6

Connosco
Os jornalistas têm o dever de resistir à manipulação Ver galeria

A opinião pública é hoje atingida pelo “maior caudal informativo da História”, mas esta informação chega aos cidadãos “cheia de verdades e mentiras, de realidade e ficção, de razões e emoções, muitas vezes parcial e sem contexto”. Um relativismo crescente provoca “que se confunda o verosímil com o verdadeiro, sem qualquer verificação”; e “dilui as fronteiras entre a verdade e a mentira, reduzindo a zero o valor moral da primeira e a recusa da segunda”.

Por estes motivos, “o jornalismo do futuro, sem o qual não podemos imaginar uma sociedade aberta com cidadãos livres, enfrenta agora o desafio de restaurar o valor e o mérito da verdade”. É esta a reflexão estruturante de um trabalho do jornalista Fernando González Urbaneja, na 35ª edição da revista Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Mário Centeno: “Há sempre alternativas”, mas “os riscos estão sempre presentes” Ver galeria

O exercício de cargos de governo “é uma missão de serviço público” e, portanto, de “representação de escolhas colectivas”, as quais devem ser feitas entre opções bem clarificadas perante a sociedade. Porque “há sempre alternativas”. Mas é também verdade que a alternativa pode significar opções de “regresso a algo por que Portugal já passou”, sabendo que “os riscos estão sempre presentes”. Foi esta a linha de discurso de Mário Centeno, Ministro das Finanças, orador convidado no jantar-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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