Sábado, 25 de Maio, 2019
Memória

Um "Foguetão" visionário: ler jornais na palma da mão

Uma revista de banda desenhada, publicada em Lisboa em 1961, já imaginava a leitura de jornais, no ano 2000, num aparelho que cabia na palma da mão. Mas ia mais longe: desenhava o mecanismo, por dentro e por fora, e identificava a função de cada peça. Ainda não tinha chegado a tecnologia digital, e a proposta tinha pormenores que hoje não se confirmam. Mas que se parece com um telemóvel, é indiscutível. 

A revista chamava-se “Foguetão – Semanário Juvenil para o Ano 2000”, e os 13 números da sua curta existência publicaram-se entre Maio e Julho de 1961. Era propriedade da ENP, que detinha o Diário de Notícias, e foi dirigida por Adolfo Simões Muller, que também deixou o nome ligado à Nau Catrineta, suplemento do DN, e a outras publicações infanto-juvenis.  

Na página 6 do nº 11, saído a 13 de Julho, um artigo de previsão científica tinha por título “O jornal do ano 2000 caberá na palma da mão”.  

Vale a pena abrir a revista, disponibilizada pela Hemeroteca Digital, e ampliar o texto, que descreve um cidadão saindo de casa, pela manhã, e procurando o jornal do dia:

O que ele encontra não será um ardina, mas um distribuidor automático que, a troco de uma moeda, lhe fornece “uma espécie de disco”. O comprador tira da algibeira “qualquer coisa parecida com uma cigarreira. (…) Na tampa dessa caixa, um écran que ocupa metade da superfície. Por baixo, uma rede muito fina. Nos cantos superiores, dois botões. De lado, uma fenda.”  

O “disco” que se introduz nessa fenda é, no fundo, uma cassette de “fita muito estreita e de pouca espessura, com cerca de 300 metros de comprimento”. A cigarreira parece-se com um televisor de bolso: “no écran, as imagens começam a surgir e, através da rede, ouve-se a voz de um locutor”. 

A fita magnética tem as possibilidades de avançar ou recuar depressa, passando de uma rubrica para outra, e o indicador para parar no que nos interessa é descrito deste modo:

“Uma tira de cor no écran previne-nos do género de rubrica que passa: azul para a política, vermelho para os casos de rua, verde para as histórias de quadradinhos (pois então!), amarela para o desporto, etc.”  

Os smartphones que hoje temos fazem-nos sorrir das soluções desta previsão, mas o seu autor, socorrendo-se de tecnologias já existentes, não se enganou muito no aspecto geral.

 

Mais informação sobre o Foguetão e a edição que contém este artigo, na pág. 6

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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