Quinta-feira, 21 de Novembro, 2019
Memória

Um "Foguetão" visionário: ler jornais na palma da mão

Uma revista de banda desenhada, publicada em Lisboa em 1961, já imaginava a leitura de jornais, no ano 2000, num aparelho que cabia na palma da mão. Mas ia mais longe: desenhava o mecanismo, por dentro e por fora, e identificava a função de cada peça. Ainda não tinha chegado a tecnologia digital, e a proposta tinha pormenores que hoje não se confirmam. Mas que se parece com um telemóvel, é indiscutível. 

A revista chamava-se “Foguetão – Semanário Juvenil para o Ano 2000”, e os 13 números da sua curta existência publicaram-se entre Maio e Julho de 1961. Era propriedade da ENP, que detinha o Diário de Notícias, e foi dirigida por Adolfo Simões Muller, que também deixou o nome ligado à Nau Catrineta, suplemento do DN, e a outras publicações infanto-juvenis.  

Na página 6 do nº 11, saído a 13 de Julho, um artigo de previsão científica tinha por título “O jornal do ano 2000 caberá na palma da mão”.  

Vale a pena abrir a revista, disponibilizada pela Hemeroteca Digital, e ampliar o texto, que descreve um cidadão saindo de casa, pela manhã, e procurando o jornal do dia:

O que ele encontra não será um ardina, mas um distribuidor automático que, a troco de uma moeda, lhe fornece “uma espécie de disco”. O comprador tira da algibeira “qualquer coisa parecida com uma cigarreira. (…) Na tampa dessa caixa, um écran que ocupa metade da superfície. Por baixo, uma rede muito fina. Nos cantos superiores, dois botões. De lado, uma fenda.”  

O “disco” que se introduz nessa fenda é, no fundo, uma cassette de “fita muito estreita e de pouca espessura, com cerca de 300 metros de comprimento”. A cigarreira parece-se com um televisor de bolso: “no écran, as imagens começam a surgir e, através da rede, ouve-se a voz de um locutor”. 

A fita magnética tem as possibilidades de avançar ou recuar depressa, passando de uma rubrica para outra, e o indicador para parar no que nos interessa é descrito deste modo:

“Uma tira de cor no écran previne-nos do género de rubrica que passa: azul para a política, vermelho para os casos de rua, verde para as histórias de quadradinhos (pois então!), amarela para o desporto, etc.”  

Os smartphones que hoje temos fazem-nos sorrir das soluções desta previsão, mas o seu autor, socorrendo-se de tecnologias já existentes, não se enganou muito no aspecto geral.

 

Mais informação sobre o Foguetão e a edição que contém este artigo, na pág. 6

Connosco
O risco do jornalismo de dados produzir gráficos enganosos Ver galeria

As visualizações de dados podem ser enganosas. No seu novo livro, "How Charts Lie",Alberto Cairo, não poupa palavras para expor os perigos de visualizações de dados mal projectadas. 

O autor identifica cinco grandes categorias de desenhos de gráficos, que não são o que parecem à primeira vista, desde os que contêm dados insuficientes até aos que, deliberadamente, ocultam ou enganam o espectador. 

Os jornalistas podem proteger-se de serem "enganados" pelos gráficos, aceitando que são tão vulneráveis quanto o público em geral.

Cairo descreve os gráficos como argumentos feitos visualmente, que precisam de ser avaliados e verificados com o mesmo cuidado que qualquer outro dado ao qual recorremos para escrever uma história. 

O número crescente de ferramentas de visualização de dados gratuitas e de baixo custo, como Datawrapper e Flourish, tornaram as histórias baseadas em dados acessíveis, até mesmo às pequenas redacções.

"Pensamos no New York Times como o padrão ouro da visualização de dados, mas, na Flórida, o Tampa Bay Times tem apenas duas ou três pessoas a realizar esse tipo de trabalho e estão a fazer peças vencedoras do Pulitzer", explica o autor. 

O artigo de Corinne Podger, publicado no site do IJNet, analisa os riscos dos enganos do jornalismo de dados.

Jornalismo tecnológico requer soluções no mundo digital Ver galeria

A postura dos jornalistas em relação aos meios tecnológicos tem vindo a sofrer algumas alterações. 

Os jornalistas têm adoptado novamente uma atitude de “watchdog” em relação a Silicon Valley, tendo começado a produzir reportagens sobre negligência e outros problemas gerados por estas empresas. Começaram a debater questões sociais e técnicas, como o caso das campanhas de desinformação e os efeitos discriminatórios de algoritmos. 

Porém, é importante que os jornalistas não só ajudem a compreender os problemas tecnológicos, mas que identifiquem, também, as possíveis soluções e os efeitos positivos da tecnologia na sociedade. 

Os autores do texto, publicado no site Columbia Journalism Review, sugerem que seja adoptado um jornalismo de soluções como um movimento a seguir na cobertura de temas tecnológicos. Este género de jornalismo propõe realizar reportagens centradas nas respostas aos problemas sociais reportados, minimizando a ideia feita de que os jornalistas apenas estão presentes quando ocorrem escândalos. 

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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