null, 21 de Julho, 2019
Media

Plataformas digitais transformam os conteúdos e o jornalismo em meros brindes

Quando as empresas prestadoras de serviços acabam por se tornar proprietárias dos seus clientes, e quando ocupam o seu espaço até fazerem deles seus “inquilinos”, ainda podemos dizer que o negócio foi de interesse recíproco? E se estivermos a falar da relação entre os jornais e as plataformas de distribuição? Esta reflexão é o tema de um longo estudo fazendo o ponto de situação deste conflito de interesses, que conduz a uma “servidão voluntária” da Imprensa, a troco da miragem de uma audiência ilusória.

O estudo, publicado no Acrimed, começa por chamar a atenção para o facto, “público mas pouco conhecido”, de que Jeff Bezos, fundador da Amazon, é, desde Outubro de 2013, também o proprietário do jornal norte-americano The Washington Post. E que esta “aquisição de um jornal por um oligarca do digital ilustra uma tendência actual: que, desde há uns anos, actores como Google, Apple, Facebook e Amazon (chamados os GAFA) estão a investir em força, directa ou indirectamente, na Imprensa”. 

Depois, outra diferença, muito recente: até há uns meses, a utilização das redes sociais pelos jornais franceses funcionava como uma retransmissão dos seus artigos pelo Facebook, Twitter e outras menos conhecidas; o leitor encontrava a referência ao artigo e, quando fazia clic, era reenviado para o site correspondente. 

Agora, as mesmas redes tornaram-se espaços de publicação, onde os jornais colocam directamente os seus “conteúdos”. O “isco” era a promessa de conquistarem novas audiências, mas neste processo os jornais abdicaram, no fundo, da propriedade do seu produto. O Facebook, como a Google e o Snaptchat, “são soberanos nos seus espaços” e é a Imprensa que “fica dependente das condições que lhe são impostas”. Onde está a garantia, por exemplo, de que o leitor que encontra artigos de Le Monde no Snapchat continuará a ir ao site próprio do diário? 

Bem documentado, e incidindo, naturalmente, no caso francês, o estudo de Benjamin Lagues descreve um momento em que vários editores europeus tentaram travar a Google mas acabaram por ser derrotados e forçados a recuar, na Espanha, na Alemanha e na Bélgica. 

Em França, as empresas que fornecem o acesso à Internet estão a tornar-se, também, as proprietárias de jornais  -  “como a Free, por intermédio do seu director Xavier Niel, que detém, com Bergé e Pigasse, o grupo Le Monde (incluindo L’Obs, Télérama, Courrier International) e a SFR, por intermédio de Patrick Drahi, que detém o grupo L’Express e o título Libération”. 

O autor conclui:

“A falta de reacção dos governantes perante as práticas dos actores do digital já não é surpresa. Caminho andado, o jornalismo tornou-se, para estes gigantes, o que era antes a cafeteira ou o rádio-despertador de cabeceira oferecido pela Télérama: um simples brinde.”

 

O artigo original, na íntegra, no site Acrimed

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China