Terça-feira, 27 de Junho, 2017
Media

Plataformas digitais transformam os conteúdos e o jornalismo em meros brindes

Quando as empresas prestadoras de serviços acabam por se tornar proprietárias dos seus clientes, e quando ocupam o seu espaço até fazerem deles seus “inquilinos”, ainda podemos dizer que o negócio foi de interesse recíproco? E se estivermos a falar da relação entre os jornais e as plataformas de distribuição? Esta reflexão é o tema de um longo estudo fazendo o ponto de situação deste conflito de interesses, que conduz a uma “servidão voluntária” da Imprensa, a troco da miragem de uma audiência ilusória.

O estudo, publicado no Acrimed, começa por chamar a atenção para o facto, “público mas pouco conhecido”, de que Jeff Bezos, fundador da Amazon, é, desde Outubro de 2013, também o proprietário do jornal norte-americano The Washington Post. E que esta “aquisição de um jornal por um oligarca do digital ilustra uma tendência actual: que, desde há uns anos, actores como Google, Apple, Facebook e Amazon (chamados os GAFA) estão a investir em força, directa ou indirectamente, na Imprensa”. 

Depois, outra diferença, muito recente: até há uns meses, a utilização das redes sociais pelos jornais franceses funcionava como uma retransmissão dos seus artigos pelo Facebook, Twitter e outras menos conhecidas; o leitor encontrava a referência ao artigo e, quando fazia clic, era reenviado para o site correspondente. 

Agora, as mesmas redes tornaram-se espaços de publicação, onde os jornais colocam directamente os seus “conteúdos”. O “isco” era a promessa de conquistarem novas audiências, mas neste processo os jornais abdicaram, no fundo, da propriedade do seu produto. O Facebook, como a Google e o Snaptchat, “são soberanos nos seus espaços” e é a Imprensa que “fica dependente das condições que lhe são impostas”. Onde está a garantia, por exemplo, de que o leitor que encontra artigos de Le Monde no Snapchat continuará a ir ao site próprio do diário? 

Bem documentado, e incidindo, naturalmente, no caso francês, o estudo de Benjamin Lagues descreve um momento em que vários editores europeus tentaram travar a Google mas acabaram por ser derrotados e forçados a recuar, na Espanha, na Alemanha e na Bélgica. 

Em França, as empresas que fornecem o acesso à Internet estão a tornar-se, também, as proprietárias de jornais  -  “como a Free, por intermédio do seu director Xavier Niel, que detém, com Bergé e Pigasse, o grupo Le Monde (incluindo L’Obs, Télérama, Courrier International) e a SFR, por intermédio de Patrick Drahi, que detém o grupo L’Express e o título Libération”. 

O autor conclui:

“A falta de reacção dos governantes perante as práticas dos actores do digital já não é surpresa. Caminho andado, o jornalismo tornou-se, para estes gigantes, o que era antes a cafeteira ou o rádio-despertador de cabeceira oferecido pela Télérama: um simples brinde.”

 

O artigo original, na íntegra, no site Acrimed

Connosco
Uma foto icónica partilhada por jornais e redes sociais Ver galeria

Há imagens que valem por mil palavras. Esta que reproduzimos acima é uma delas, registada pelo bombeiro Pedro Brás, no segundo dia do incêndio de Pedrogão Grande, quando 13 companheiros se deitaram no chão exaustos, no combate aos fogos.

A foto foi reproduzida, originalmente, pelos jornais espanhóis El Mundo e El Pais e, também, entre outros, pelo site electrónico Observador, doqual retiramos este documento.

Mais tarde, a imagem percorreu mundo, através das redes sociais e tornou-se icónica de uma luta desigual contra uma calamidade em que morreram 64 habitantes de Pedrogão Grande e 254 ficaram feridos, segundo as ultimas estimativas.

A foto foi tirada na manhã de 18 de Junho, e ganhou estatuto de viral. É uma imagem que “fala por si”, representando, simbolicamente, a homenagem a todos os bombeiros que estiveram envolvidos na contenção do  terrível sinistro.

Em pouco tempo, registaram-se cerca de 80 mil partilhas na rede social Facebook, e a  foto ganhou expressão, também, no Twitter e noutros  meios de comunicação social espalhados pelo mundo.

Dirigentes europeus intimam redes sociais a envolverem-se na luta contra o extremismo online Ver galeria
O Clube

 
O Prémio de Jornalismo da Lusofonia é a nova iniciativa promovida pelo Clube Português de Imprensa (CPI) em parceria com o Jornal Tribuna de Macau (JTM), no quadro das comorações que assinalam o 35º aniversário daquele diário de língua portuguesa em Macau.

Com o valor de 10 mil euros e periodicidade anual, o Prémio será atribuído por um Júri constituído por representantes do CPI, do JTM e por personalidades de reconhecido mérito na área do jornalismo ou que se tenham distinguido na defesa, divulgação ou ensino da Língua Portuguesa no Mundo.

Trata-se, pois, de um novo Prémio que, de acordo com o respectivo Regulamento (que inserimos noutro espaço deste site) se destina “a jornalistas e à Imprensa de Língua Portuguesa de todo o Mundo, em suporte papel ou digital”. 


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Opinião
Que terá movido o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a questionar o jornal espanhol El Mundo sobre a identidade de  um seu correspondente que cobriu os incêndios de Pedrogão Grande?   Diz a direcção do Sindicato, no respectivo site,  que “ decidiu pedir informações sobre as dúvidas levantadas acerca do suposto jornalista Sebastião Pereira(…)” . O Sindicato levou os seus esforços de...
Dados os muitos terabytes de prosa – sólidamente negativa – com que os media globais saudaram a decisão do presidente Trump, anunciada em discurso na Casa Branca no passado dia 1 de Junho, de retirar os EUA. do Acordo de Paris, seria de esperar uma cobertura exaustiva do tema, ou seja, que nenhum aspecto ou complexidade dessa terrível ameaça para a saúde do planeta escapasse à atenção dos “opinion leaders”, em...
Trump, Macron e a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente Trump está em guerra aberta com a comunicação social americana. E esta, na sua grande maioria, não gosta de Trump. Vários presidentes anteriores foram muito criticados pela Imprensa dos EUA – Reagan, por exemplo. Mas o grau de hostilidade que agora existe entre a Casa Branca e os jornalistas é de nível excepcionalmente alto.

Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Fim de semana alucinante, sábado épico, jornada inédita. Muito se tem chamado a este 13 de maio, dia de Fátima, do Santo Padre, do anjo Vitória e do arcanjo Sobral. As notícias, as reportagens, os diretos. O frenesim tem sido imenso. Aliás já começou há uns dias. Amanhã, depois do nascer do sol, era bom que houvesse alguma reflexão sobre o que se passou. Será que tanta agitação na...
Agenda
11
Jul
Exposição de Jornais Centenários em Bruxelas
09:00 @ Parlamento Europeu, Bruxelas
12
Jul
Curso de Verão “Jornalismo de Investigação”
09:00 @ Universidade Internacional Menéndez Pelayo, Santander
13
Jul
Westminster Media Forum
09:00 @ Central London, Londres
27
Jul
Festival de Jornalismos de Verão
09:00 @ Couthures, França