Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Os Media americanos entram na era dos “factos alternativos”

Já tínhamos a “pós-verdade”, os “pós-factos” e as fakenews. Esqueçam. Agora temos os “factos alternativos”. No seu primeiro confronto com os meios de comunicação, a Administração “pós-campanha eleitoral” dos primeiros dois dias de mandato do Presidente Donald Trump introduziu mais uma expressão no léxico necessário ao entendimento da nova era.

Os “factos factuais”, se nos é permitido improvisar mais um neologismo, são as imagens fotográficas, por meios aéreos, das multidões presentes na rua, na investidura de Barack Obama em 2009, e agora na de Donald Trump. 

Publicadas lado a lado por The New York Times, suscitaram um comentário do Presidente na sede da CIA, declarando estar “em guerra com os media”, que se encontram entre “os seres humanos mais desonestos do planeta”, e depois o diálogo entre Chuck Todd, na NBC, e a assessora Kellyanne Conway, na Casa Branca, que inaugurou a nova designação.

O diário francês Le Monde, que aqui citamos, faz uma síntese irónica deste mau começo de relação entre a nova Administração e os media, acrescentando-lhe um artigo mais recente, segundo o qual vários jornalistas norte-americanos afirmam que têm uma escolha a fazer, entre “dizer a verdade” ou “manter o acesso à Presidência”, mas que já não é possível ter os dois...  

Também a Columbia Journalism Review tem como seu primeiro artigo do dia “Don´t let Trump get away with ‘alternative facts’” (Não deixem Trump safar-se com os ‘factos alternativos’), e o Poynter.org, entre outros artigos sobre esta polémica, publica “Don’t ridicule ‘alternative facts’. Fact-check them” (“Não ridicularizem os ‘factos alternativos’. Façam o fact-checking deles.”

 

Os dois textos de Le Monde e os da CJR e do Poynter.org

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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