Sábado, 18 de Janeiro, 2020
Media

Programa de TV em Espanha pioneiro na “verificação de factos”

Informar com rigor é o primeiro dever de qualquer jornalista. Em caso de erro involuntário, ou de imprecisão, o segundo dever é o de corrigir o seu próprio texto. A profusão de situações em que já não se sabe bem se o engano foi involuntário ou intencional, muito ampliada pela velocidade da revolução digital, deu mais protagonismo à necessidade de verificação constante dos factos. Uma jornalista espanhola que participa, desde o início, no desenvolvimento desta disciplina no país vizinho, conta como tem sido. O trabalho de Natalia Hernández vem publicado na mais recente edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Segundo um estudo do Reuters Institute, que a autora cita, o chamado fact-checking chegou à Europa em 2005, sendo o blog do Channel 4 News, para cobrir as eleições gerais no Reino Unido, um dos primeiros exemplos de verificação de factos deste lado do Atlântico. 

Em Espanha apareceu um pouco mais tarde, em 2013, quando Ana Pastor, usando a sua experiência na CNN, passou a apresentar El Objetivo no canal La Sexta (onde é redactora Natalia Hernández).O programa mistura “entrevistas duras e incisivas”, segundo esta explica, com “reportagens e secções que permitem a todo o momento controlar os representantes políticos” pelo que disseram ou fizeram. 

O formato do programa é inovador, “sem mesas de painel ou debates de opinião”. Ana Pastor e Natalia Hernández apresentam juntas a secção “Provas de Verificação”, expondo os dados e vídeos num monitor de grande dimensão.

Natalia Hernández descreve o modo de trabalho da equipa e afirma:

“Uma vez decidida a nossa aposta, interessa-nos saber se o político é reincidente. E também contrapor a opinião do seu opositor sobre o mesmo assunto. Nestes casos é muito comum encontrar falta de rigor e manipulação. Cada um usa os dados segundo o seu capricho. Retorcem-se muito os números, ainda mais em campanha eleitoral.”  

A investigação procura sempre as fontes oficiais e os melhores peritos em cada matéria, “para que nos indiquem possíveis interpretações sobre o assunto”.

O Poynter Institute dinamizou uma rede de organismos de fact-checking (entre os quais se conta este programa El Objetivo), que já conta 35 membros, de 27 países, em torno de um compromisso de transparência sobre a sua metodologia, fontes e uma “política de correcções aberta e honesta”.

 

O artigo de Natalia Hernández, na íntegra, no site da APM

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
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