Quarta-feira, 8 de Abril, 2020
Media

“Le Canard Enchaîné” - o “pato” a quem os ministros atendem o telefone

“Le Canard Enchaîné” é um pato realista. O famoso semanário satírico francês sabe que terá, um destes dias, de passar a ser digital, mas vai adiando até poder... E gaba-se disso. Assim como se gaba de ser independente de todos os poderes, incluindo o económico, porque não inclui publicidade. Não se incomoda de fazer jornalismo de investigação. Mas acautela o seu rigor e credibilidade. “Se telefonarmos a um ministro, por exemplo, ele responde.”

A passar um século de vida, com uma redacção de três dezenas de jornalistas e 400 mil exemplares em papel, vendidos todas as semanas, Le Canard Enchaîné é um exemplo de sobrevivência no meio de uma tempestade com muitas vítimas; por exemplo, embora tenha sofrido alguma queda nas vendas, continua a dar lucro  - cerca de três milhões de euros em 2015, sem aumentar o preço (1,20 euros) desde 1993. O editor-chefe, Érik Empatz, foi entrevistado pela Rádio Renascença e, sem querer dar lições aos outros, explica os segredos do sucesso:

 

“Desde o início que nunca tivemos publicidade. Não dependemos dos grandes grupos económicos, como foi acontecendo com outros jornais franceses que foram comprados. Penso que é isso que nos torna fortes.”

 E noutro ponto:

“Se tivéssemos apenas um conselho a deixar, seria este: a independência de um jornal começa na caixa registadora.Quero dizer com isto que devemos tentar ser o mais independentes possíveis em termos financeiros. A independência financeira dá uma força que agrada aos leitores.” 

Em relação às novas tecnologias, faz um reparo:

“Não cometemos um erro que muitos jornais em França  – e noutros países –  cometeram, quer sejam diários ou semanários. A maioria precipitou-se e foi a correr para a Internet. Passaram a disponibilizar os artigos de forma gratuita. E, depois, graças a esta ‘fórmula gratuita’, perderam uma boa parte dos seus leitores.” 

Mas é realista:

“Por enquanto, a Internet não está no topo das nossas prioridades porque as nossas vendas em papel ainda são muito boas. (...) Se, um dia, passarmos apenas a estar disponíveis na Internet, o que deverá acontecer no futuro  – provavelmente, num futuro muito próximo –, isso será também porque em França há uma diminuição muito acentuada dos pontos de venda. Existem cada vez menos quiosques, desapareceram muitos nos últimos anos. E isso é muito preocupante.” 

O outro “segredo” de Érik Empatz é defender o rigor do semanário, sobretudo em matéria de reportagem de investigação:

“Não publicamos informações se não tivermos provas suficientes que as sustentem. Somos muitas vezes ultrapassados pela concorrência porque consideramos que não tínhamos provas suficientes para publicar determinada história. Mas é o facto de não abdicarmos desse rigor, em detrimento da velocidade de publicação, que, no fim das contas, nos garante a reputação de sermos exactos e precisos nas investigações que levamos a cabo.” 


A entrevista à RR, na íntegra. Pesquisar no arquivo do CPI "Le Canard Enchaîné soma e segue cem anos depois"

Connosco
O essencial em jornalismo em tempo de pandemia Ver galeria

A imprensa, em todo o mundo,  está a adaptar-se à nova realidade, desencadeada pela pandemia do coronavírus, e a trabalhar, maioritariamente, por via remota.


Os jornalistas parecem querer zelar pela saúde dos leitores e, nos “media” os avisos e as advertências repetem-se: ficar em casa para conter a disseminação do vírus, evitar aglomerados de pessoas, sair só em caso de emergência, ou para adquirir bens essenciais.

Ainda assim, alguns profissionais, nos Estados Unidos parecem não seguir a conduta que promovem, realizando reportagens no exterior e expondo-se à contaminação do vírus,  destaca Alexandria Nelson, num artigo publicado no “Columbia Journalism Review”

De acordo com a autora, os repórteres estão a pôr em causa a saúde pública,  deslocando-se, por exemplo, a praias para dar conta de cidadãos que não estão a cumprir as normas de isolamento. Os jornalistas querem, assim, distinguir-se dos restantes concidadãos. 

Moncloa recua e levanta restrições aos jornalistas Ver galeria

A Moncloa vai deixar de  “amordaçar” a imprensa. Depois da pressão exercida pelos “media”, o governo espanhol vai permitir que os jornalistas façam perguntas, por videochamada, durante as conferências de imprensa do primeiro-ministro Pedro Sánchez.

A decisão surge na sequência de uma denúncia conjunta de centenas jornalistas espanhóis, que se opuseram ao “modus operandi” das conferências de imprensa, controladas pelo Secretário de Estado da Comunicação, Miguel Angel Oliver.

Depois de a polémica se ter arrastado ao longo de várias semanas Oliver enviou, finalmente, uma nota às redações para informar que “a metodologia utilizada nas conferências de imprensa irá mudar”. 

O Governo garante, agora, que vai implementar um sistema seguro de videoconferência que terá rondas de perguntas. A selecção das questões será concretizada por um “mecanismo aleatório, público e verificável”.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Opinião
O Presidente do Governo espanhol deixou cair a mordaça que tinha imposto aos jornalistas nas videoconferências por causa do coronavírus.  A oposição de centenas de profissionais - que não se curvaram e souberam unir-se contra a censura dissimulada que estava a ser seguida pelo secretário de estado da Comunicação Social, ao filtrar as perguntas que mais convinham ao governo -, bem como a posição firme tomada...
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun