Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Media

Regulação da Imprensa gera polémica no Reino Unido

O uso incorrecto da liberdade de expressão pode causar grandes danos aos cidadãos, como é patente nos casos de difamação e violação de privacidade. Por outro lado, uma regulação da Imprensa mal avaliada nos seus termos pode ser prejudicial a todos os envolvidos. Este debate sobre um possível conflito de valores está de novo aberto no Reino Unido, onde vai ser implementada, por lei, uma instância intermédia que pode substituir os tribunais em casos de queixa contra órgãos de comunicação. Vários jornais de referência e a associação Repórteres sem Fronteiras estão contra.

Os jornais The Guardian, Financial Times, Independent, Evening Standard e a ONG Repórteres sem Fronteiras, entre outros, estão unidos contra esta lei, que “obriga os órgãos que se recusarem a juntar-se ao novo organismo de regulação a pagar todas as despesas de processos judiciais, independentemente da decisão do caso ser contra ou a seu favor”  - segundo notícia do DN – Media, que citamos.

Num artigo que toma posição contra a medida agora em fase de implementação, The Guardian afirma: 
"Aquilo a que chegámos é uma forma de regulação da Imprensa  - tornada possível por uma peça medieval de absurdo constitucional, a Royal Charter -  que consiste em pequenas cenouras e grandes cacetes. (...)  Os que se recusam a aderir a [este] sistema de regulação ficariam sujeitos a uma forma de justiça anti-natural: os jornais não-cooperantes enfrentam o pagamento das custas dos processos de ambos os lados, mesmo nos casos que ganhem. Isto teria um efeito profundamente restritivo sobre o jornalismo de investigação e contribuiria para tornar inimputáveis os ricos e os poderosos. Os editores seriam obrigados a pensar muito antes de confrontarem alguém com bolsos muito fundos..." (...)

Este jornal dá, no entanto, voz a defensores da nova instituição reguladora, como o actor Hugh Grant, e noticia a realização, por iniciativa do London Press Club, de um debate sobre esta questão, agendado para 13 de Fevereiro; antes disso, a 26 de Janeiro, haverá outro painel sobre um tema mais urgente:  "Trump, Brexit... a verdade, a confiança e os meios de comunicação".

Mais informação no DN – Media e em The Guardian

 

 

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
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