Sábado, 5 de Dezembro, 2020
Media

Regulação da Imprensa gera polémica no Reino Unido

O uso incorrecto da liberdade de expressão pode causar grandes danos aos cidadãos, como é patente nos casos de difamação e violação de privacidade. Por outro lado, uma regulação da Imprensa mal avaliada nos seus termos pode ser prejudicial a todos os envolvidos. Este debate sobre um possível conflito de valores está de novo aberto no Reino Unido, onde vai ser implementada, por lei, uma instância intermédia que pode substituir os tribunais em casos de queixa contra órgãos de comunicação. Vários jornais de referência e a associação Repórteres sem Fronteiras estão contra.

Os jornais The Guardian, Financial Times, Independent, Evening Standard e a ONG Repórteres sem Fronteiras, entre outros, estão unidos contra esta lei, que “obriga os órgãos que se recusarem a juntar-se ao novo organismo de regulação a pagar todas as despesas de processos judiciais, independentemente da decisão do caso ser contra ou a seu favor”  - segundo notícia do DN – Media, que citamos.

Num artigo que toma posição contra a medida agora em fase de implementação, The Guardian afirma: 
"Aquilo a que chegámos é uma forma de regulação da Imprensa  - tornada possível por uma peça medieval de absurdo constitucional, a Royal Charter -  que consiste em pequenas cenouras e grandes cacetes. (...)  Os que se recusam a aderir a [este] sistema de regulação ficariam sujeitos a uma forma de justiça anti-natural: os jornais não-cooperantes enfrentam o pagamento das custas dos processos de ambos os lados, mesmo nos casos que ganhem. Isto teria um efeito profundamente restritivo sobre o jornalismo de investigação e contribuiria para tornar inimputáveis os ricos e os poderosos. Os editores seriam obrigados a pensar muito antes de confrontarem alguém com bolsos muito fundos..." (...)

Este jornal dá, no entanto, voz a defensores da nova instituição reguladora, como o actor Hugh Grant, e noticia a realização, por iniciativa do London Press Club, de um debate sobre esta questão, agendado para 13 de Fevereiro; antes disso, a 26 de Janeiro, haverá outro painel sobre um tema mais urgente:  "Trump, Brexit... a verdade, a confiança e os meios de comunicação".

Mais informação no DN – Media e em The Guardian

 

 

Connosco
União Europeia implementa medidas para proteger jornalistas... Ver galeria

A Comissão Europeia quer criminalizar o discurso e o incitamento ao ódio na internet, nomeadamente contra jornalistas. A instituição justificou a medida com o aumento das “ameaças físicas e ‘online’ e ataques a jornalistas” na UE, com frequentes “campanhas de difamação e de intimidação geral e interferências politicamente motivadas”.

“Os jornalistas são alvos de assédio, discurso de ódio e campanhas de difamação, por vezes até iniciadas por actores políticos, na Europa e fora, e as mulheres jornalistas são particularmente visadas”, reforçou a Comissão Europeia, notando que, por vezes, isso conduz “à autocensura e à redução do espaço para o debate público sobre questões importantes”.

Bruxelas recordou, igualmente, que, “nos últimos anos, a Europa tem testemunhado ataques brutais aos meios de comunicação social livres”, numa alusão aos assassinatos dos jornalistas Daphne Caruana Galizia, em Malta, e de Jan Kuciak, na Eslováquia.

Por isso mesmo, a Comissão Europeia vai, também, apresentar uma recomendação sobre a segurança dos jornalistas, visando “assegurar uma melhor implementação pelos Estados-membros das normas da recomendação do Conselho da Europa”.

... E lança plano de recuperação para os "media" e fórum europeu Ver galeria

A Comissão Europeia apresentou um plano de recuperação para os “media” europeus, cujas medidas deverão ser aplicadas no primeiro semestre de 2022.

Desta forma, “a Comissão facilitará um melhor acesso ao financiamento, estimulando os empréstimos, bem como o financiamento de capital próprio”.

Estas acções deverão ser complementadas com diálogos bilaterais, de forma a “aumentar o conhecimento do mercado dos meios de comunicação social europeus entre os investidores”.

Bruxelas diz, ainda, querer “prestar apoio dedicado, sob a forma de subsídios para parcerias de colaboração com os meios de comunicação social”, para promover o jornalismo colaborativo e transfronteiriço.

Outra das medidas propostas é a criação de um fórum europeu, para envolver as partes interessadas, incluindo autoridades reguladoras, representantes de jornalistas, organismos de autorregulamentação, sociedade civil e organizações internacionais.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



ver mais >
Opinião
As eleições americanas, bem como a pandemia provocada pelo  covid-19, têm sido dois poderosos ímanes na  cobertura mediática, e campo fértil para  o exercício do jornalismo, desde o que é   servido com rigor, àquele que obedece  apenas aos cânones  ideológicos de quem escreve. Houve tempo em que se cultivava o sagrado principio da separação da opinião e da...
No final de 2016 a Newspaper Association Of America, que representava cerca de 2000 publicações nos Estados Unidos e no Canadá, anunciou a sua transformação em News Media Alliance, reflectindo a evolução do sector e passando a incorporar as diversas plataformas em que os grupos produtores de informação qualificada se desdobraram ao longo dos últimos anos, coexistindo o papel com os formatos digitais, mas também video,...
Jornalistas: nem heróis nem vilões
Francisco Sarsfield Cabral
No  jornal “Público” de sábado,  J. Pacheco Pereira elogiou Vicente Jorge Silva porque “fez uma coisa rara entre nós – fez obra. Não tanto como jornalista, mas como criador no terreno da comunicação social”. E destacou o papel do jornal madeirense “Comércio do Funchal”, que, apesar da censura, conseguiu criticar o regime então vigente. Até ao 25 de Abril este jornal logrou,...
De acordo com Carlos Camponez , o «jornalismo de proximidade», porque realmente está mais próximo dos leitores da comunidade onde se integra, pode desempenhar um papel fundamental, «assumindo uma perspetiva de compromisso no incentivo à vida pública». Neste contexto, aquele investigador aponta para a ideia da criação de uma agenda do cidadão, o que, por sua vez, «obriga a que os media invistam em técnicas...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
09
Dez
11
Dez
19
Dez
Estratégias de Facebook
10:00 @ Cenjor
04
Jan
Design Editorial
10:00 @ Cenjor
23
Fev
Westminster Forum Projects: O futuro da BBC
10:00 @ Conferência "online"