Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

Menos ansiedade com as falsas notícias e mais combate ao mau jornalismo

O segundo problema a respeito das notícias falsas, além da sua efectiva existência, é a dificuldade crescente em identificar o que o termo significa exactamente. Divulgado por muitos intervenientes em diversos episódios de polémica pública, acabou por adquirir demasiados sentidos, tornando-se ele próprio arma de arremesso. O jornalista David Uberti, da equipa da Columbia Journalism Review, propõe às redacções uma estratégia de resposta que se concentre mais em “combater o mau jornalismo” e menos nas fakenews.

A sua reflexão começa pela necessidade de descrições mais precisas do problema que temos: chamar-lhe mentiras, propaganda, engano. E cita Margaret Sullivan, do The Washington Post, quando afirmou:

“O rótulo foi cooptado para significar qualquer número de coisas completamente diferentes: ou ‘conversa da treta’ liberal; ou opinião de centro-esquerda; ou simplesmente qualquer coisa no espaço das notícias que o observador não gosta de ouvir.”

Também os sites conservadores o adoptaram, para designar, precisamente, a chamada mainstream media  - o que significa os grandes jornais de referência que o denunciam e combatem. Pelo que David Uberti sugere que, “embora a Imprensa deva, realmente definir esta variante específica de lixo digital de modo mais claro, o debate, no seu conjunto, está a desenvolver-se em terreno naturalmente desfavorável. Há muitos actores a jogar sem regras”. (...)

A sua opinião é que, em vez de ceder ao “pânico das falsas notícias”, o jornalismo responsável se debruce sobre as suas próprias falhas e situações em que também deu falsas notícias. E cita alguns exemplos, incluindo jornais como The Washington Post e o New York Post.

“A desconfiança que a Direita tem em relação à mainstream media já vem de há décadas, enquanto a Esquerda, com jornalismo terrível sobre armas de destruição maciça de memória não muito distante, avalia alguma da recente reportagem sobre a Rússia como sendo de um chauvinismo semelhante. E toda a gente no meio é deixada a divagar sobre se a Imprensa está a ser injusta quando apoia ou quando ataca o Presidente-eleito, enquanto os jornais regionais, que melhor conhecem as comunidades, continuam a atrofiar-se.”

O seu conselho, a concluir, é:

“Se tanto as falsas notícias como as más reportagens ameaçam, ambas, a exactidão da informação que chega ao público, os jornalistas só têm poder real de alterar uma das duas.”

 

O artigo de David Uberti, na íntegra, na CJR

 

 

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

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O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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