Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

Menos ansiedade com as falsas notícias e mais combate ao mau jornalismo

O segundo problema a respeito das notícias falsas, além da sua efectiva existência, é a dificuldade crescente em identificar o que o termo significa exactamente. Divulgado por muitos intervenientes em diversos episódios de polémica pública, acabou por adquirir demasiados sentidos, tornando-se ele próprio arma de arremesso. O jornalista David Uberti, da equipa da Columbia Journalism Review, propõe às redacções uma estratégia de resposta que se concentre mais em “combater o mau jornalismo” e menos nas fakenews.

A sua reflexão começa pela necessidade de descrições mais precisas do problema que temos: chamar-lhe mentiras, propaganda, engano. E cita Margaret Sullivan, do The Washington Post, quando afirmou:

“O rótulo foi cooptado para significar qualquer número de coisas completamente diferentes: ou ‘conversa da treta’ liberal; ou opinião de centro-esquerda; ou simplesmente qualquer coisa no espaço das notícias que o observador não gosta de ouvir.”

Também os sites conservadores o adoptaram, para designar, precisamente, a chamada mainstream media  - o que significa os grandes jornais de referência que o denunciam e combatem. Pelo que David Uberti sugere que, “embora a Imprensa deva, realmente definir esta variante específica de lixo digital de modo mais claro, o debate, no seu conjunto, está a desenvolver-se em terreno naturalmente desfavorável. Há muitos actores a jogar sem regras”. (...)

A sua opinião é que, em vez de ceder ao “pânico das falsas notícias”, o jornalismo responsável se debruce sobre as suas próprias falhas e situações em que também deu falsas notícias. E cita alguns exemplos, incluindo jornais como The Washington Post e o New York Post.

“A desconfiança que a Direita tem em relação à mainstream media já vem de há décadas, enquanto a Esquerda, com jornalismo terrível sobre armas de destruição maciça de memória não muito distante, avalia alguma da recente reportagem sobre a Rússia como sendo de um chauvinismo semelhante. E toda a gente no meio é deixada a divagar sobre se a Imprensa está a ser injusta quando apoia ou quando ataca o Presidente-eleito, enquanto os jornais regionais, que melhor conhecem as comunidades, continuam a atrofiar-se.”

O seu conselho, a concluir, é:

“Se tanto as falsas notícias como as más reportagens ameaçam, ambas, a exactidão da informação que chega ao público, os jornalistas só têm poder real de alterar uma das duas.”

 

O artigo de David Uberti, na íntegra, na CJR

 

 

Connosco
Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN Ver galeria

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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Composição Fotográfica
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27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set