null, 17 de Novembro, 2019
Media

Menos ansiedade com as falsas notícias e mais combate ao mau jornalismo

O segundo problema a respeito das notícias falsas, além da sua efectiva existência, é a dificuldade crescente em identificar o que o termo significa exactamente. Divulgado por muitos intervenientes em diversos episódios de polémica pública, acabou por adquirir demasiados sentidos, tornando-se ele próprio arma de arremesso. O jornalista David Uberti, da equipa da Columbia Journalism Review, propõe às redacções uma estratégia de resposta que se concentre mais em “combater o mau jornalismo” e menos nas fakenews.

A sua reflexão começa pela necessidade de descrições mais precisas do problema que temos: chamar-lhe mentiras, propaganda, engano. E cita Margaret Sullivan, do The Washington Post, quando afirmou:

“O rótulo foi cooptado para significar qualquer número de coisas completamente diferentes: ou ‘conversa da treta’ liberal; ou opinião de centro-esquerda; ou simplesmente qualquer coisa no espaço das notícias que o observador não gosta de ouvir.”

Também os sites conservadores o adoptaram, para designar, precisamente, a chamada mainstream media  - o que significa os grandes jornais de referência que o denunciam e combatem. Pelo que David Uberti sugere que, “embora a Imprensa deva, realmente definir esta variante específica de lixo digital de modo mais claro, o debate, no seu conjunto, está a desenvolver-se em terreno naturalmente desfavorável. Há muitos actores a jogar sem regras”. (...)

A sua opinião é que, em vez de ceder ao “pânico das falsas notícias”, o jornalismo responsável se debruce sobre as suas próprias falhas e situações em que também deu falsas notícias. E cita alguns exemplos, incluindo jornais como The Washington Post e o New York Post.

“A desconfiança que a Direita tem em relação à mainstream media já vem de há décadas, enquanto a Esquerda, com jornalismo terrível sobre armas de destruição maciça de memória não muito distante, avalia alguma da recente reportagem sobre a Rússia como sendo de um chauvinismo semelhante. E toda a gente no meio é deixada a divagar sobre se a Imprensa está a ser injusta quando apoia ou quando ataca o Presidente-eleito, enquanto os jornais regionais, que melhor conhecem as comunidades, continuam a atrofiar-se.”

O seu conselho, a concluir, é:

“Se tanto as falsas notícias como as más reportagens ameaçam, ambas, a exactidão da informação que chega ao público, os jornalistas só têm poder real de alterar uma das duas.”

 

O artigo de David Uberti, na íntegra, na CJR

 

 

Connosco
Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo Ver galeria

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

O “LeKiosk” muda para “Cafeyn” e alarga oferta a assinantes Ver galeria

O serviço de notícias LeKiosk mudou de nome para Cafeyn e passou a apresentar-se como um serviço de streaming de informações. O quiosque digital permite a consulta de mais de mil títulos de imprensa francesa e internacional por 9,99 euros por mês.

A mudança de nome e de visual têm como objectivo atrair um público mais numeroso e fazer frente à Apple News+.

De salientar que a alteração da designação é, também, explicada por uma batalha jurídica, iniciada em 2012, entre LeKiosk Monkiosque.fr, publicada pelo Grupo Toutabo.

O departamento de propriedade intelectual da União Europeia decidiu, em Março, que havia um risco de confusão para o público, e que a Toutabo tinha registado a sua marca antes da LeKiosk.

Cafeyn tem, atualmente, cerca de um milhão de utilizadores activos por mês, em comparação com os 200 mil em 2017, que lêem uma média de 15 revistas diferentes. A maior parte destes assinantes foram obtidos através de operadores de telecomunicações, como a Bouygues Telecom e a Free, que oferecem o acesso a alguns dos seus clientes.

Isto permitiu à empresa aumentar o seu volume de negócios, que quintuplicou em três anos.

Em breve deverão ser anunciadas parcerias internacionais.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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