Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Estudo

Mitos e realidades sobre as sondagens de opinião em política

As sondagens políticas prevêem de facto o sentido do voto futuro? Ou tentam interpretá-lo e às vezes enganam-se completamente? Ou tentam manipulá-lo e às vezes até conseguem? Há mais perguntas possíveis e, no meio de tudo, há "falsos debates" sobre as sondagens. Para ajudar a esclarecer estas questões, Acrimed, o Observatório dos Media em França, voltou a publicar um estudo com dez anos mas ainda com capacidade de nos fazer pensar, à luz de tudo o que tem sucedido. É seu autor o sociólogo Patrick Champagne, autor de Faire l’opinion : le nouveau jeu politique.

Aquilo que Patrick Champagne, ele mesmo um dos fundadores do Acrimed, procurava esclarecer no trabalho que publicou no respectivo site, em 2006, parte da relação ambígua que tanto jornalistas como responsáveis políticos mantêm com as sondagens: por um lado não conseguem passar sem elas, mas pelo outro "fingem uma certa distância" e vão dizendo que as sondagens são apenas "um elemento entre outros nas campanhas eleitorais e nas tomadas de decisão política". 

O que o autor procura, neste estudo, é explicar que uma crítica séria das sondagens, para ser eficaz, "não deve apenas revelar os seus limites de um ponto de vista científico, mas igualmente dar conta das razões sociológicas do encantamento muito mágico e irracional que elas suscitam". 

Quanto aos próprios especialistas na realização das sondagens, e aos politólogos que as interpretam, a sua primeira observação, defensiva, é que a sondagem não é mais do que uma espécie instantâneo fotográfico de qualquer coisa mal definida, que pode ser uma relação política de forças ou um estado da "opinião pública". 

Aquilo que Patrick Champagne lamenta é que os frequentes erros de análise, em vez de conduzirem a uma maior prudência na avaliação dos resultados pruduzidos por estes inquéritos, mal sejam tidos em conta pelos meios políticos e jornalísticos e que "em cada nova eleição já toda a gente aparentemente se tenha esquecido de tirar lições do que se tinha passado uns anos antes, nas eleições anteriores". 

Entrando na matéria, o autor chama depois a atenção para os diversos tipos de sondagens praticadas, para os diversos tipos de perguntas incluídas, bem como para o momento em que são feitas  - se é na véspera ou seis meses antes de um acto eleitoral, ou até antes de estar a campanha no terreno, por exemplo. Demora-se neste ponto sensível da "intenção de voto" e da sua possibilidade de mudança, recorrendo a exemplos da realidade francesa daquele tempo concreto, com Chirac, Jospin, Sarkozy e depois "o fenómeno Ségolèle Royal". 

Lamenta também que os media se sirvam muitas vezes das sondagens para "encenarem a competição política como uma corrida desportiva, da qual possam depois comentar as mínimas peripécias e mudanças de posição (mesmo que não tenham significado estatístico)". E esclarece que, "vários meses antes de um acto eleitoral, não é ainda a hora da escolha para os cidadãos comuns" e que as intenções de voto "podem modificar-se durante e pela campanha eleitoral". Mas os media "gostam muito dos confrontos binários, simples, conduzidos por ‘celebridades’" [no original personnalités ‘people’]… 

Em última instância, os técnicos que as fazem "justificam as sondagens pré-eleitorais afirmando que permitem aos franceses designarem eles mesmos, democraticamente, os seus candidatos". Mas, como conclui Patrick Champagne : 

"A tecnologia das sondagens não vai, contrariamente ao que afirmam os seus responsáveis, no sentido de ‘mais democracia’: antes de se interrogarem sobre se tal candidato tem boas hipóteses de ser eleito, seria talvez bom saber primeiro para fazer o quê." (…) E recomenda a lógica inversa, a de se construir, em primeiro lugar, "um verdadeiro projecto de sociedade, reunindo, para o elaborar, militantes, peritos, especialistas, e depois, mas só depois, ver quem pode, em cada partido, defendê-lo perante os cidadãos com algumas hipóteses de sucesso". 


O estudo de Patrick Champagne, na íntegra, no Acrimed

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
Agenda
24
Set
Radio Show
09:00 @ Hilton Anatole, Dallas, EUA
07
Out
14
Out
Mipcom
09:00 @ Cannes, França
14
Out
17
Out
Broadcast India Show
09:00 @ Mumbai, India