Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Estudo

Mitos e realidades sobre as sondagens de opinião em política

As sondagens políticas prevêem de facto o sentido do voto futuro? Ou tentam interpretá-lo e às vezes enganam-se completamente? Ou tentam manipulá-lo e às vezes até conseguem? Há mais perguntas possíveis e, no meio de tudo, há "falsos debates" sobre as sondagens. Para ajudar a esclarecer estas questões, Acrimed, o Observatório dos Media em França, voltou a publicar um estudo com dez anos mas ainda com capacidade de nos fazer pensar, à luz de tudo o que tem sucedido. É seu autor o sociólogo Patrick Champagne, autor de Faire l’opinion : le nouveau jeu politique.

Aquilo que Patrick Champagne, ele mesmo um dos fundadores do Acrimed, procurava esclarecer no trabalho que publicou no respectivo site, em 2006, parte da relação ambígua que tanto jornalistas como responsáveis políticos mantêm com as sondagens: por um lado não conseguem passar sem elas, mas pelo outro "fingem uma certa distância" e vão dizendo que as sondagens são apenas "um elemento entre outros nas campanhas eleitorais e nas tomadas de decisão política". 

O que o autor procura, neste estudo, é explicar que uma crítica séria das sondagens, para ser eficaz, "não deve apenas revelar os seus limites de um ponto de vista científico, mas igualmente dar conta das razões sociológicas do encantamento muito mágico e irracional que elas suscitam". 

Quanto aos próprios especialistas na realização das sondagens, e aos politólogos que as interpretam, a sua primeira observação, defensiva, é que a sondagem não é mais do que uma espécie instantâneo fotográfico de qualquer coisa mal definida, que pode ser uma relação política de forças ou um estado da "opinião pública". 

Aquilo que Patrick Champagne lamenta é que os frequentes erros de análise, em vez de conduzirem a uma maior prudência na avaliação dos resultados pruduzidos por estes inquéritos, mal sejam tidos em conta pelos meios políticos e jornalísticos e que "em cada nova eleição já toda a gente aparentemente se tenha esquecido de tirar lições do que se tinha passado uns anos antes, nas eleições anteriores". 

Entrando na matéria, o autor chama depois a atenção para os diversos tipos de sondagens praticadas, para os diversos tipos de perguntas incluídas, bem como para o momento em que são feitas  - se é na véspera ou seis meses antes de um acto eleitoral, ou até antes de estar a campanha no terreno, por exemplo. Demora-se neste ponto sensível da "intenção de voto" e da sua possibilidade de mudança, recorrendo a exemplos da realidade francesa daquele tempo concreto, com Chirac, Jospin, Sarkozy e depois "o fenómeno Ségolèle Royal". 

Lamenta também que os media se sirvam muitas vezes das sondagens para "encenarem a competição política como uma corrida desportiva, da qual possam depois comentar as mínimas peripécias e mudanças de posição (mesmo que não tenham significado estatístico)". E esclarece que, "vários meses antes de um acto eleitoral, não é ainda a hora da escolha para os cidadãos comuns" e que as intenções de voto "podem modificar-se durante e pela campanha eleitoral". Mas os media "gostam muito dos confrontos binários, simples, conduzidos por ‘celebridades’" [no original personnalités ‘people’]… 

Em última instância, os técnicos que as fazem "justificam as sondagens pré-eleitorais afirmando que permitem aos franceses designarem eles mesmos, democraticamente, os seus candidatos". Mas, como conclui Patrick Champagne : 

"A tecnologia das sondagens não vai, contrariamente ao que afirmam os seus responsáveis, no sentido de ‘mais democracia’: antes de se interrogarem sobre se tal candidato tem boas hipóteses de ser eleito, seria talvez bom saber primeiro para fazer o quê." (…) E recomenda a lógica inversa, a de se construir, em primeiro lugar, "um verdadeiro projecto de sociedade, reunindo, para o elaborar, militantes, peritos, especialistas, e depois, mas só depois, ver quem pode, em cada partido, defendê-lo perante os cidadãos com algumas hipóteses de sucesso". 


O estudo de Patrick Champagne, na íntegra, no Acrimed

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O caso do novo secretário de Estado com a tutela da comunicação social é assaz curioso. Nuno Artur Silva foi dono, até há dias, das Produções Fictícias, empresa que incluía a RTP no seu portfólio de clientes, facto que não o inibiu de aceitar  ser administrador daquele operador público, com a responsabilidade dos conteúdos. Cumprido o primeiro mandato, sem abdicar da...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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