Sábado, 4 de Julho, 2020
Media

A carta que pressionou Google e Facebook a mudarem de ideias sobre notícias falsas

Uma advertência redigida por Jason Clint, CEO da Digital Content Next, e enviada por carta aos responsáveis máximos da Google e do Facebook, terá sido importante para a nova atitude assumida pelas duas plataformas na questão sensível das notícias falsas. “Escrevemos esta carta para oferecer a nossa ajuda na solução deste problema. Somos a única associação comercial que representa em exclusivo mais de 75 media Premium  - pode dizer-se que somos peritos mundiais na criação de conteúdo real e confiável. (…)  Estamos juntos nisto e consideramos que as nossas empresas são sócios essenciais para este esforço”  - afirma a carta enviada a Sundar Pichai e Mark Zuckerberg.

A noticia é da revista Business Insider, e foi citada com destaque pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e que inclui o link para o seu texto em espanhol. 

“Como organização comercial que representa as marcas que procuram ganhar a confiança dos consumidores a longo prazo, através da criação de notícias de alta qualidade, informação e entretenimento, sentimo-nos obrigados a oferecer a nossa perspectiva sobre a perigosa proliferação de ‘notícias falsas’ em todo o eco-sistema digital”  -  afirma o texto na sua introdução. 

Mais adiante, e embora reconhecendo os passos já dados pela Google e Facebook para identificar potenciais notícias falsas e retirar sustento económico aos criadores deste “material nocivo”, a carta adverte, citando um editorial do New York Times, que ambas as empresas “devem aos seus utentes, e à própria democracia, muito mais esforço”. 

E referindo-se directamente à sua grande “capacidade de realizar projectos extraordinários”, a missiva pergunta:

“Não faria, então, sentido que limpassem o lixo que está a sujar o eco-sistema dos meios digitais com a mesma emoção, investimento e empenho com que prosseguem estes grandes e visionários projectos? Não é isto que vemos nas vossas declarações ou acções públicas.” 

E a carta conclui:

“Estamos dispostos a dedicar tempo, recursos e energia para ajudar a limpar este desastre, e damos as boas-vindas à oportunidade de colaborar na busca de soluções.” 

A noticia da APM destaca, como possível consequência deste apelo, a recente “declaração histórica” de Mark Zuckerberg:

“Não somos uma companhia tecnológica tradicional. Não somos uma empresa noticiosa tradicional. Mas somos responsáveis pela forma como a tecnologia que desenvolvemos é utilizada. Não escrevemos as notícias que as pessoas lêem na nossa plataforma, mas ao mesmo tempo sabemos que fazemos muito mais do que apenas distribuir notícias. Somos uma parte importante do discurso público.”

 

A notícia no site da APM, do qual colhemos também a ilustração utilizada

Connosco
Lei de transparência aprovada no Brasil encontra resistências Ver galeria

Os “fact-checkers” brasileiros uniram-se contra a aprovação da “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”.

Segundo aqueles profissionais, esta lei aumenta o poder do Senado perante os “media”, porque lhes permite distinguir, oficialmente, o que é informação do que é “fake news”

O texto estabelece, ainda, que as autoridades podem rastrear mensagens replicadas nas redes sociais.

Em entrevista ao instituto Poynter, Natália Leal, coordenadora da empresa de “fact-checking” Agência Lupa, constatou, ainda, que o documento permite ao Governo definir o que é a verificação de factos, e levantar condicionantes às suas actividades. Até porque, alguma figuras políticas, que apoiaram a aprovação da lei, consideram que o “fact-checking” não é mais do que um posicionamento ideológico.


A distribuidora Presstalis reaparece como France Messagerie Ver galeria

A Presstalis -- principal distribuidora de imprensa em França -- foi salva, depois de o Tribunal de Comércio de Paris ratificar a oferta de aquisição, apresentada pela Cooperativa de jornais diários franceses. 

A empresa, que foi rebaptizada de "France Messagerie", passará a empregar cerca de 300 pessoas, o que representa uma redução da força laboral para um terço.

"A prioridade da France Messagerie é, agora, construir relações de confiança, transparentes e duradouras com todos os actores do sector", sublinhou, num comunicado à imprensa Louis Dreyfus, Presidente da Cooperativa dos jornais diários, France Messagerie e do Conselho de Administração do Grupo Le Monde.

O “rebranding” da distribuidora é, contudo, apenas um primeiro passo, já que a empresa deverá fundir as operações com a Messageries Lyonnaises de Presse (MLP), no prazo de três anos.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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A internet e a liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague