Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

A carta que pressionou Google e Facebook a mudarem de ideias sobre notícias falsas

Uma advertência redigida por Jason Clint, CEO da Digital Content Next, e enviada por carta aos responsáveis máximos da Google e do Facebook, terá sido importante para a nova atitude assumida pelas duas plataformas na questão sensível das notícias falsas. “Escrevemos esta carta para oferecer a nossa ajuda na solução deste problema. Somos a única associação comercial que representa em exclusivo mais de 75 media Premium  - pode dizer-se que somos peritos mundiais na criação de conteúdo real e confiável. (…)  Estamos juntos nisto e consideramos que as nossas empresas são sócios essenciais para este esforço”  - afirma a carta enviada a Sundar Pichai e Mark Zuckerberg.

A noticia é da revista Business Insider, e foi citada com destaque pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e que inclui o link para o seu texto em espanhol. 

“Como organização comercial que representa as marcas que procuram ganhar a confiança dos consumidores a longo prazo, através da criação de notícias de alta qualidade, informação e entretenimento, sentimo-nos obrigados a oferecer a nossa perspectiva sobre a perigosa proliferação de ‘notícias falsas’ em todo o eco-sistema digital”  -  afirma o texto na sua introdução. 

Mais adiante, e embora reconhecendo os passos já dados pela Google e Facebook para identificar potenciais notícias falsas e retirar sustento económico aos criadores deste “material nocivo”, a carta adverte, citando um editorial do New York Times, que ambas as empresas “devem aos seus utentes, e à própria democracia, muito mais esforço”. 

E referindo-se directamente à sua grande “capacidade de realizar projectos extraordinários”, a missiva pergunta:

“Não faria, então, sentido que limpassem o lixo que está a sujar o eco-sistema dos meios digitais com a mesma emoção, investimento e empenho com que prosseguem estes grandes e visionários projectos? Não é isto que vemos nas vossas declarações ou acções públicas.” 

E a carta conclui:

“Estamos dispostos a dedicar tempo, recursos e energia para ajudar a limpar este desastre, e damos as boas-vindas à oportunidade de colaborar na busca de soluções.” 

A noticia da APM destaca, como possível consequência deste apelo, a recente “declaração histórica” de Mark Zuckerberg:

“Não somos uma companhia tecnológica tradicional. Não somos uma empresa noticiosa tradicional. Mas somos responsáveis pela forma como a tecnologia que desenvolvemos é utilizada. Não escrevemos as notícias que as pessoas lêem na nossa plataforma, mas ao mesmo tempo sabemos que fazemos muito mais do que apenas distribuir notícias. Somos uma parte importante do discurso público.”

 

A notícia no site da APM, do qual colhemos também a ilustração utilizada

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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