Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Media

A carta que pressionou Google e Facebook a mudarem de ideias sobre notícias falsas

Uma advertência redigida por Jason Clint, CEO da Digital Content Next, e enviada por carta aos responsáveis máximos da Google e do Facebook, terá sido importante para a nova atitude assumida pelas duas plataformas na questão sensível das notícias falsas. “Escrevemos esta carta para oferecer a nossa ajuda na solução deste problema. Somos a única associação comercial que representa em exclusivo mais de 75 media Premium  - pode dizer-se que somos peritos mundiais na criação de conteúdo real e confiável. (…)  Estamos juntos nisto e consideramos que as nossas empresas são sócios essenciais para este esforço”  - afirma a carta enviada a Sundar Pichai e Mark Zuckerberg.

A noticia é da revista Business Insider, e foi citada com destaque pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e que inclui o link para o seu texto em espanhol. 

“Como organização comercial que representa as marcas que procuram ganhar a confiança dos consumidores a longo prazo, através da criação de notícias de alta qualidade, informação e entretenimento, sentimo-nos obrigados a oferecer a nossa perspectiva sobre a perigosa proliferação de ‘notícias falsas’ em todo o eco-sistema digital”  -  afirma o texto na sua introdução. 

Mais adiante, e embora reconhecendo os passos já dados pela Google e Facebook para identificar potenciais notícias falsas e retirar sustento económico aos criadores deste “material nocivo”, a carta adverte, citando um editorial do New York Times, que ambas as empresas “devem aos seus utentes, e à própria democracia, muito mais esforço”. 

E referindo-se directamente à sua grande “capacidade de realizar projectos extraordinários”, a missiva pergunta:

“Não faria, então, sentido que limpassem o lixo que está a sujar o eco-sistema dos meios digitais com a mesma emoção, investimento e empenho com que prosseguem estes grandes e visionários projectos? Não é isto que vemos nas vossas declarações ou acções públicas.” 

E a carta conclui:

“Estamos dispostos a dedicar tempo, recursos e energia para ajudar a limpar este desastre, e damos as boas-vindas à oportunidade de colaborar na busca de soluções.” 

A noticia da APM destaca, como possível consequência deste apelo, a recente “declaração histórica” de Mark Zuckerberg:

“Não somos uma companhia tecnológica tradicional. Não somos uma empresa noticiosa tradicional. Mas somos responsáveis pela forma como a tecnologia que desenvolvemos é utilizada. Não escrevemos as notícias que as pessoas lêem na nossa plataforma, mas ao mesmo tempo sabemos que fazemos muito mais do que apenas distribuir notícias. Somos uma parte importante do discurso público.”

 

A notícia no site da APM, do qual colhemos também a ilustração utilizada

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
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