Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

A carta que pressionou Google e Facebook a mudarem de ideias sobre notícias falsas

Uma advertência redigida por Jason Clint, CEO da Digital Content Next, e enviada por carta aos responsáveis máximos da Google e do Facebook, terá sido importante para a nova atitude assumida pelas duas plataformas na questão sensível das notícias falsas. “Escrevemos esta carta para oferecer a nossa ajuda na solução deste problema. Somos a única associação comercial que representa em exclusivo mais de 75 media Premium  - pode dizer-se que somos peritos mundiais na criação de conteúdo real e confiável. (…)  Estamos juntos nisto e consideramos que as nossas empresas são sócios essenciais para este esforço”  - afirma a carta enviada a Sundar Pichai e Mark Zuckerberg.

A noticia é da revista Business Insider, e foi citada com destaque pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e que inclui o link para o seu texto em espanhol. 

“Como organização comercial que representa as marcas que procuram ganhar a confiança dos consumidores a longo prazo, através da criação de notícias de alta qualidade, informação e entretenimento, sentimo-nos obrigados a oferecer a nossa perspectiva sobre a perigosa proliferação de ‘notícias falsas’ em todo o eco-sistema digital”  -  afirma o texto na sua introdução. 

Mais adiante, e embora reconhecendo os passos já dados pela Google e Facebook para identificar potenciais notícias falsas e retirar sustento económico aos criadores deste “material nocivo”, a carta adverte, citando um editorial do New York Times, que ambas as empresas “devem aos seus utentes, e à própria democracia, muito mais esforço”. 

E referindo-se directamente à sua grande “capacidade de realizar projectos extraordinários”, a missiva pergunta:

“Não faria, então, sentido que limpassem o lixo que está a sujar o eco-sistema dos meios digitais com a mesma emoção, investimento e empenho com que prosseguem estes grandes e visionários projectos? Não é isto que vemos nas vossas declarações ou acções públicas.” 

E a carta conclui:

“Estamos dispostos a dedicar tempo, recursos e energia para ajudar a limpar este desastre, e damos as boas-vindas à oportunidade de colaborar na busca de soluções.” 

A noticia da APM destaca, como possível consequência deste apelo, a recente “declaração histórica” de Mark Zuckerberg:

“Não somos uma companhia tecnológica tradicional. Não somos uma empresa noticiosa tradicional. Mas somos responsáveis pela forma como a tecnologia que desenvolvemos é utilizada. Não escrevemos as notícias que as pessoas lêem na nossa plataforma, mas ao mesmo tempo sabemos que fazemos muito mais do que apenas distribuir notícias. Somos uma parte importante do discurso público.”

 

A notícia no site da APM, do qual colhemos também a ilustração utilizada

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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