Uma advertência redigida por Jason Clint, CEO da Digital Content Next, e enviada por carta aos responsáveis máximos da Google e do Facebook, terá sido importante para a nova atitude assumida pelas duas plataformas na questão sensível das notícias falsas. “Escrevemos esta carta para oferecer a nossa ajuda na solução deste problema. Somos a única associação comercial que representa em exclusivo mais de 75 media Premium - pode dizer-se que somos peritos mundiais na criação de conteúdo real e confiável. (…) Estamos juntos nisto e consideramos que as nossas empresas são sócios essenciais para este esforço” - afirma a carta enviada a Sundar Pichai e Mark Zuckerberg.
A noticia é da revista Business Insider, e foi citada com destaque pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria, e que inclui o link para o seu texto em espanhol.
“Como organização comercial que representa as marcas que procuram ganhar a confiança dos consumidores a longo prazo, através da criação de notícias de alta qualidade, informação e entretenimento, sentimo-nos obrigados a oferecer a nossa perspectiva sobre a perigosa proliferação de ‘notícias falsas’ em todo o eco-sistema digital” - afirma o texto na sua introdução.
Mais adiante, e embora reconhecendo os passos já dados pela Google e Facebook para identificar potenciais notícias falsas e retirar sustento económico aos criadores deste “material nocivo”, a carta adverte, citando um editorial do New York Times, que ambas as empresas “devem aos seus utentes, e à própria democracia, muito mais esforço”.
E referindo-se directamente à sua grande “capacidade de realizar projectos extraordinários”, a missiva pergunta:
“Não faria, então, sentido que limpassem o lixo que está a sujar o eco-sistema dos meios digitais com a mesma emoção, investimento e empenho com que prosseguem estes grandes e visionários projectos? Não é isto que vemos nas vossas declarações ou acções públicas.”
E a carta conclui:
“Estamos dispostos a dedicar tempo, recursos e energia para ajudar a limpar este desastre, e damos as boas-vindas à oportunidade de colaborar na busca de soluções.”
A noticia da APM destaca, como possível consequência deste apelo, a recente “declaração histórica” de Mark Zuckerberg:
“Não somos uma companhia tecnológica tradicional. Não somos uma empresa noticiosa tradicional. Mas somos responsáveis pela forma como a tecnologia que desenvolvemos é utilizada. Não escrevemos as notícias que as pessoas lêem na nossa plataforma, mas ao mesmo tempo sabemos que fazemos muito mais do que apenas distribuir notícias. Somos uma parte importante do discurso público.”
A notícia no site da APM, do qual colhemos também a ilustração utilizada
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.