Quarta-feira, 2 de Dezembro, 2020
Media

Jornal católico americano faz apelo à responsabilidade dos Media

O diário norte-americano National Catholic Reporter escolheu para tema do seu editorial de fim de ano a questão da falsidade e da necessidade de assumirmos o controlo daquilo que nos chega pelos visores “do crescente número de aparelhos que consultamos constantemente”. Depois de um balanço do que aconteceu na campanha eleitoral, da responsabilidade dos media e da Internet, e avaliando a dificuldade de fazer esse controlo sem cairmos na tentação da censura, o texto conclui: “A verdade pode ser complexa e, por vezes, difícil de encontrar. Mas não é falsa.”

O editorial faz um retrato sombrio do ambiente neste país “agora perigosamente dividido”:

“Uma campanha negativa chegou até níveis sem precedentes. Donald Trump é o Presidente-eleito porque foi desde o início um tão ofensivo fanfarrão e provocador que os padrões normais da decência política  - mesmo que sejam sempre forçados numa campanha presidencial -  foram incapazes de o conter ou de o submeter a qualquer grau de responsabilidade.”  (...) 

“Um segundo fanfarrão [bully, no original] entrou na arena política dos EUA com toda a força durante a campanha de 2016: a Internet, como transporte de mentiras indiferenciadas, exageros e notícias falsas. O ciberespaço, esse novo elemento da nossa experiência política, ameaça o equilíbrio da República para além do mandato de um único presidente. Se os factos já não importam, se aquilo que um candidato diz não importa, e se não se pode separar a ficção da realidade, então ficamos livres para nos entregarmos à fantasia, por muito cínica ou sinistra que seja.” (...) 

O único ponto positivo em tudo isto, segundo o editorial do NCR, é que “as pessoas estão talvez mais conscientes do que nunca de que a sociedade civil e as instituições democráticas são muito mais frágeis do que imaginavam. Fomos alertados para o facto de que a democracia está sob ameaça quando as diferenças de rendimento são enormes e a oportunidade para a mobilidade social se torna impossivelmente estreita para demasiadas pessoas.” 

O artigo dedica parte importante do seu desenvolvimento ao exame da responsabilidade dos próprios media, citando um estudo do Shorenstein Center on Media, Politics and Public Policy, de Harvard, que aponta para o facto de os jornalistas terem passado anos a dizer à sua audiência “que os dirigentes políticos não são de confiança e que o governo é incapaz”; depois, quando tratam da sociedade, “focam-se nos problemas e não nas histórias de sucesso”. Cria-se então um fundo de “raiva pública, percepção equivocada e ansiedade”, que fica ao dispor de quem saiba dirigi-lo contra os governantes. 

Mais grave do que isso é a proliferação dos sites que se intitulam noticiosos, dos bloggers, geradores de notícias falsas e “agregadores” de todas as espécies, que tornam muito mais difícil qualquer esforço de auto-correcção. 

“O problema com os media, hoje, é que, com sites que precisam de preencher o seu tempo de antena 24 horas por dia, e com o lixo produzido no ‘éter’ tornado indistinguível, para os que não tenham capacidade de discernimento, do material com valor, ficamos em risco de ser submergidos por tudo o que é repugnante e desnecessário.” 

O apelo final é no sentido de nos educarmos a nós próprios a avaliar o que vemos e a determinar o que é de facto credível:

“A verdade pode ser complexa e, por vezes, difícil de encontrar. Mas não é falsa.”

 

 

O editorial na íntegra e, ainda em tempo, uma reportagem do NCR, do dia seguinte às eleições, com informação sobre o sentido do “voto religioso”  - dos eleitores pertencentes às maiores confissões nos EUA. Fotos do CNSCatholic News Service

Connosco
Crescimento das assinaturas digitais não compensa as perdas na circulação impressa Ver galeria

A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.

Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.

Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.

Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.

Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.

No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.

Movimento de jornalistas franceses contra nova Lei de Segurança Ver galeria

Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.

Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.

Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.

Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.

Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.

A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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