Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
Media

Os perigos das notícias falsas nos Media e nas redes sociais na era da “pós-verdade”

O conceito de “pós-verdade” é mais do que uma expressão que está na moda para designar a facilidade com que se pode mentir e multiplicar a mentira na era da comunicação instantânea, sem dar tempo a uma rectificação eficaz. O que demonstraram o Brexit e as recentes eleições presidenciais nos EUA é que, “tanto num caso como no outro foram plantadas conscientemente notícias falsas na comunicação social e nas redes sociais, que podem ter alterado o sentido de voto de milhões de eleitores em ambos os países”.

Outro exemplo grave vem a abrir o artigo que citamos do DN-Media: um activista italiano lançou um tweet apresentado como proveniente de António Guterres, afirmando que ele tinha o apoio do embaixador russo nas Nações Unidas. O próprio António Guterres não tinha, na sua candidatura, qualquer conta no Twitter, mas foi necessária uma vasta operação de contra-informação para repor a verdade, com pedido de desculpas ao embaixador e esclarecimentos dirigidos aos órgãos de comunicação.

O autor da façanha acabou por dizer que o fizera, como noutros casos, apenas para demonstrar como é fácil criar estas situações... 

Segundo João Céu e Silva, o autor do texto que citamos, “se nos meios de comunicação tradicionais o falso era detectado e repudiado, neste século em que hipercomunicação digital se torna o principal meio de promoção de ideias a nível global, verifica-se que a repetição continuada da inverdade pelo discurso político, mesmo que não tenha sustentabilidade ou seja desmascarado, se torna aceitável de tão repetido. Daí que se considere que a bolha informativa é tão gigantesca que acaba por descredibilizar a própria realidade”.

Por seu lado, para Felisbela Lopes, investigadora académica ouvida também no mesmo trabalho, não há um cansaço no consumo de informação por ser tão acessível actualmente, mas sim uma uniformização num "jornalismo online pouco atractivo porque vive muito pendurado nas notícias das agências ainda iguais para todos os meios. Muito do que existe nas redes são boatos e uma pseudo partilha democrática de conteúdos que se transforma numa não verdade, um acesso que é muito perigoso para os mais novos porque grande parte das novas gerações só tem acesso à informação pelas redes sociais".

Já para Marina Costa Lobo, investigadora doutorada em Ciência Política pela Universidade de Oxford, esta admite que a confiança na informação online ou tradicional não "se distingue pelo suporte, pois a qualidade de muitos órgãos online já é de confiança em Portugal". Considera que era mais fácil distinguir a qualidade da informação quando se "era capaz de a olho nu avaliar a qualidade de uma publicação". Não deixa de referir que "fazer um jornal em papel para publicar notícias falsas tinha um alto custo mas agora, em online, é muito baixo".

 

O artigo na íntegra, no DN-Media

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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