Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

Os perigos das notícias falsas nos Media e nas redes sociais na era da “pós-verdade”

O conceito de “pós-verdade” é mais do que uma expressão que está na moda para designar a facilidade com que se pode mentir e multiplicar a mentira na era da comunicação instantânea, sem dar tempo a uma rectificação eficaz. O que demonstraram o Brexit e as recentes eleições presidenciais nos EUA é que, “tanto num caso como no outro foram plantadas conscientemente notícias falsas na comunicação social e nas redes sociais, que podem ter alterado o sentido de voto de milhões de eleitores em ambos os países”.

Outro exemplo grave vem a abrir o artigo que citamos do DN-Media: um activista italiano lançou um tweet apresentado como proveniente de António Guterres, afirmando que ele tinha o apoio do embaixador russo nas Nações Unidas. O próprio António Guterres não tinha, na sua candidatura, qualquer conta no Twitter, mas foi necessária uma vasta operação de contra-informação para repor a verdade, com pedido de desculpas ao embaixador e esclarecimentos dirigidos aos órgãos de comunicação.

O autor da façanha acabou por dizer que o fizera, como noutros casos, apenas para demonstrar como é fácil criar estas situações... 

Segundo João Céu e Silva, o autor do texto que citamos, “se nos meios de comunicação tradicionais o falso era detectado e repudiado, neste século em que hipercomunicação digital se torna o principal meio de promoção de ideias a nível global, verifica-se que a repetição continuada da inverdade pelo discurso político, mesmo que não tenha sustentabilidade ou seja desmascarado, se torna aceitável de tão repetido. Daí que se considere que a bolha informativa é tão gigantesca que acaba por descredibilizar a própria realidade”.

Por seu lado, para Felisbela Lopes, investigadora académica ouvida também no mesmo trabalho, não há um cansaço no consumo de informação por ser tão acessível actualmente, mas sim uma uniformização num "jornalismo online pouco atractivo porque vive muito pendurado nas notícias das agências ainda iguais para todos os meios. Muito do que existe nas redes são boatos e uma pseudo partilha democrática de conteúdos que se transforma numa não verdade, um acesso que é muito perigoso para os mais novos porque grande parte das novas gerações só tem acesso à informação pelas redes sociais".

Já para Marina Costa Lobo, investigadora doutorada em Ciência Política pela Universidade de Oxford, esta admite que a confiança na informação online ou tradicional não "se distingue pelo suporte, pois a qualidade de muitos órgãos online já é de confiança em Portugal". Considera que era mais fácil distinguir a qualidade da informação quando se "era capaz de a olho nu avaliar a qualidade de uma publicação". Não deixa de referir que "fazer um jornal em papel para publicar notícias falsas tinha um alto custo mas agora, em online, é muito baixo".

 

O artigo na íntegra, no DN-Media

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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