Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

Quando os jornalistas são convidados para trabalhar de borla ...

Há jornalistas a trabalharem cada vez mais por cada vez menos remuneração, já sabíamos. Também os há a fazerem estágios não remunerados, em princípio de carreira. É grave e muito incorrecto, em ambos os casos. Mas ser formalmente convidado para escrever de borla já é desplante. É sobre a sua própria experiência neste terreno que escreve, com toda a informação que recolheu e todo o sarcasmo de que é capaz, um jornalista profissional dos EUA.

Thomas Vinciguerra, formado na escola de Jornalismo da Columbia University, conta que um dia foi abordado por um outro jornalista, “ostensivamente profissional”, para colaborar como freelance no seu novo site de investigação. Mas quando lhe perguntou por pagamento, o outro começou com uma conversa sobre as importantes pessoas que trabalhavam para ele, vindas de todos os lados, que o site inevitavelmente ia crescer, e que talvez um dia  - sem promessas -  ele poderia dar-lhe uns trocos.

 

Levou uns dias a pensar no assunto e acabou por lhe responder que não estava interessado. Mas hoje, pensando no assunto, acha que a resposta devia antes ter sido resumida em duas palavras que na língua inglesa têm apenas uma sílaba  - que ficam aqui à escolha dos que conhecem o calão local...

 

O desenvolvimento do artigo vai buscar algumas citações de outros autores que pensaram no assunto. Disse Harlan Ellison, escritor de ficção científica: “Eu fico furioso com isto, porque somos sabotados por todos os amadores. São os amadores que tornam as coisas difíceis para os profissionais.”

 

Disse David Wallis, jornalista e fundador da Featurewell.com, que defende os autores e promove a publicação do seu trabalho:

 

“Existe um prossuposto errado, segundo o qual escrever de graça conduz a mais visibilidade. Mas tente usar esse argumento com o seu canalizador: ‘Veja como vai ganhar visibilidade se me consertar esta canalização de graça.’ Você ainda leva com a canalização na cabeça.”

 

Ele admite alguma excepção, quando se está no começo e se tem necessidade de assentar: “Mas na minha opinião quem o faz está a desvalorizar-se a si próprio e ao seu trabalho. Temos de ter muito cuidado com isso de sermos explorados.”

 

O problema é que hoje, na era da escrita digital, tudo ficou mais complicado. “Toda a gente tem um blog”  - contou uma escritora com obra reconhecida -. “Nós somos completamente substituíveis.”

 

Há finalmente o modelo de pagamento por visitas à página online. David Wallis é desconfiado a respeito desta solução, embora reconheça que em alguns casos compensa. Conta que ele próprio escreveu um artigo anti-Trump para um site de esquerda que usava este modo de pagamento, pelos clicks registados. “Passados uns meses, o editor disse-lhe que eu tinha ganho 69 cêntimos... mas que, evidentemente, era provável que viesse mais. ‘Mande-me um dólar, e ficamos quites’, disse-lhe eu. Umas semanas mais tarde recebi um cheque assinado com essa importância. Acho que foi uma vitória.”

O artigo de Thomas Vinciguerra, na Columbia Journalism Review, a que pertence também a ilustração incluída

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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