Quarta-feira, 8 de Abril, 2020
Media

Quando os jornalistas são convidados para trabalhar de borla ...

Há jornalistas a trabalharem cada vez mais por cada vez menos remuneração, já sabíamos. Também os há a fazerem estágios não remunerados, em princípio de carreira. É grave e muito incorrecto, em ambos os casos. Mas ser formalmente convidado para escrever de borla já é desplante. É sobre a sua própria experiência neste terreno que escreve, com toda a informação que recolheu e todo o sarcasmo de que é capaz, um jornalista profissional dos EUA.

Thomas Vinciguerra, formado na escola de Jornalismo da Columbia University, conta que um dia foi abordado por um outro jornalista, “ostensivamente profissional”, para colaborar como freelance no seu novo site de investigação. Mas quando lhe perguntou por pagamento, o outro começou com uma conversa sobre as importantes pessoas que trabalhavam para ele, vindas de todos os lados, que o site inevitavelmente ia crescer, e que talvez um dia  - sem promessas -  ele poderia dar-lhe uns trocos.

 

Levou uns dias a pensar no assunto e acabou por lhe responder que não estava interessado. Mas hoje, pensando no assunto, acha que a resposta devia antes ter sido resumida em duas palavras que na língua inglesa têm apenas uma sílaba  - que ficam aqui à escolha dos que conhecem o calão local...

 

O desenvolvimento do artigo vai buscar algumas citações de outros autores que pensaram no assunto. Disse Harlan Ellison, escritor de ficção científica: “Eu fico furioso com isto, porque somos sabotados por todos os amadores. São os amadores que tornam as coisas difíceis para os profissionais.”

 

Disse David Wallis, jornalista e fundador da Featurewell.com, que defende os autores e promove a publicação do seu trabalho:

 

“Existe um prossuposto errado, segundo o qual escrever de graça conduz a mais visibilidade. Mas tente usar esse argumento com o seu canalizador: ‘Veja como vai ganhar visibilidade se me consertar esta canalização de graça.’ Você ainda leva com a canalização na cabeça.”

 

Ele admite alguma excepção, quando se está no começo e se tem necessidade de assentar: “Mas na minha opinião quem o faz está a desvalorizar-se a si próprio e ao seu trabalho. Temos de ter muito cuidado com isso de sermos explorados.”

 

O problema é que hoje, na era da escrita digital, tudo ficou mais complicado. “Toda a gente tem um blog”  - contou uma escritora com obra reconhecida -. “Nós somos completamente substituíveis.”

 

Há finalmente o modelo de pagamento por visitas à página online. David Wallis é desconfiado a respeito desta solução, embora reconheça que em alguns casos compensa. Conta que ele próprio escreveu um artigo anti-Trump para um site de esquerda que usava este modo de pagamento, pelos clicks registados. “Passados uns meses, o editor disse-lhe que eu tinha ganho 69 cêntimos... mas que, evidentemente, era provável que viesse mais. ‘Mande-me um dólar, e ficamos quites’, disse-lhe eu. Umas semanas mais tarde recebi um cheque assinado com essa importância. Acho que foi uma vitória.”

O artigo de Thomas Vinciguerra, na Columbia Journalism Review, a que pertence também a ilustração incluída

Connosco
O essencial em jornalismo em tempo de pandemia Ver galeria

A imprensa, em todo o mundo,  está a adaptar-se à nova realidade, desencadeada pela pandemia do coronavírus, e a trabalhar, maioritariamente, por via remota.


Os jornalistas parecem querer zelar pela saúde dos leitores e, nos “media” os avisos e as advertências repetem-se: ficar em casa para conter a disseminação do vírus, evitar aglomerados de pessoas, sair só em caso de emergência, ou para adquirir bens essenciais.

Ainda assim, alguns profissionais, nos Estados Unidos parecem não seguir a conduta que promovem, realizando reportagens no exterior e expondo-se à contaminação do vírus,  destaca Alexandria Nelson, num artigo publicado no “Columbia Journalism Review”

De acordo com a autora, os repórteres estão a pôr em causa a saúde pública,  deslocando-se, por exemplo, a praias para dar conta de cidadãos que não estão a cumprir as normas de isolamento. Os jornalistas querem, assim, distinguir-se dos restantes concidadãos. 

Moncloa recua e levanta restrições aos jornalistas Ver galeria

A Moncloa vai deixar de  “amordaçar” a imprensa. Depois da pressão exercida pelos “media”, o governo espanhol vai permitir que os jornalistas façam perguntas, por videochamada, durante as conferências de imprensa do primeiro-ministro Pedro Sánchez.

A decisão surge na sequência de uma denúncia conjunta de centenas jornalistas espanhóis, que se opuseram ao “modus operandi” das conferências de imprensa, controladas pelo Secretário de Estado da Comunicação, Miguel Angel Oliver.

Depois de a polémica se ter arrastado ao longo de várias semanas Oliver enviou, finalmente, uma nota às redações para informar que “a metodologia utilizada nas conferências de imprensa irá mudar”. 

O Governo garante, agora, que vai implementar um sistema seguro de videoconferência que terá rondas de perguntas. A selecção das questões será concretizada por um “mecanismo aleatório, público e verificável”.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Opinião
O Presidente do Governo espanhol deixou cair a mordaça que tinha imposto aos jornalistas nas videoconferências por causa do coronavírus.  A oposição de centenas de profissionais - que não se curvaram e souberam unir-se contra a censura dissimulada que estava a ser seguida pelo secretário de estado da Comunicação Social, ao filtrar as perguntas que mais convinham ao governo -, bem como a posição firme tomada...
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun