Quarta-feira, 23 de Setembro, 2020
Media

Quando os jornalistas são convidados para trabalhar de borla ...

Há jornalistas a trabalharem cada vez mais por cada vez menos remuneração, já sabíamos. Também os há a fazerem estágios não remunerados, em princípio de carreira. É grave e muito incorrecto, em ambos os casos. Mas ser formalmente convidado para escrever de borla já é desplante. É sobre a sua própria experiência neste terreno que escreve, com toda a informação que recolheu e todo o sarcasmo de que é capaz, um jornalista profissional dos EUA.

Thomas Vinciguerra, formado na escola de Jornalismo da Columbia University, conta que um dia foi abordado por um outro jornalista, “ostensivamente profissional”, para colaborar como freelance no seu novo site de investigação. Mas quando lhe perguntou por pagamento, o outro começou com uma conversa sobre as importantes pessoas que trabalhavam para ele, vindas de todos os lados, que o site inevitavelmente ia crescer, e que talvez um dia  - sem promessas -  ele poderia dar-lhe uns trocos.

 

Levou uns dias a pensar no assunto e acabou por lhe responder que não estava interessado. Mas hoje, pensando no assunto, acha que a resposta devia antes ter sido resumida em duas palavras que na língua inglesa têm apenas uma sílaba  - que ficam aqui à escolha dos que conhecem o calão local...

 

O desenvolvimento do artigo vai buscar algumas citações de outros autores que pensaram no assunto. Disse Harlan Ellison, escritor de ficção científica: “Eu fico furioso com isto, porque somos sabotados por todos os amadores. São os amadores que tornam as coisas difíceis para os profissionais.”

 

Disse David Wallis, jornalista e fundador da Featurewell.com, que defende os autores e promove a publicação do seu trabalho:

 

“Existe um prossuposto errado, segundo o qual escrever de graça conduz a mais visibilidade. Mas tente usar esse argumento com o seu canalizador: ‘Veja como vai ganhar visibilidade se me consertar esta canalização de graça.’ Você ainda leva com a canalização na cabeça.”

 

Ele admite alguma excepção, quando se está no começo e se tem necessidade de assentar: “Mas na minha opinião quem o faz está a desvalorizar-se a si próprio e ao seu trabalho. Temos de ter muito cuidado com isso de sermos explorados.”

 

O problema é que hoje, na era da escrita digital, tudo ficou mais complicado. “Toda a gente tem um blog”  - contou uma escritora com obra reconhecida -. “Nós somos completamente substituíveis.”

 

Há finalmente o modelo de pagamento por visitas à página online. David Wallis é desconfiado a respeito desta solução, embora reconheça que em alguns casos compensa. Conta que ele próprio escreveu um artigo anti-Trump para um site de esquerda que usava este modo de pagamento, pelos clicks registados. “Passados uns meses, o editor disse-lhe que eu tinha ganho 69 cêntimos... mas que, evidentemente, era provável que viesse mais. ‘Mande-me um dólar, e ficamos quites’, disse-lhe eu. Umas semanas mais tarde recebi um cheque assinado com essa importância. Acho que foi uma vitória.”

O artigo de Thomas Vinciguerra, na Columbia Journalism Review, a que pertence também a ilustração incluída

Connosco
O jornalismo impresso como “alta-costura” dos “media” Ver galeria

A pandemia veio agravar a situação, já débil, dos “media” tradicionais, ao provocar uma quebra nas receitas publicitárias e de circulação, o que levou alguns profissionais a questionarem o futuro do formato impresso.

Contudo, Andrés Rodríguez -- CEO do Grupo SpainMedia e membro da direcção da Asociación de La Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera que o jornalismo impresso irá conseguir recuperar, pouco a pouco, o seu protagonismo.

Durante a sua participação na conferência "Reinventando o Papel", no 15º Congresso de Editores de Jornais, Rodríguez reiterou que "não precisamos de reinventar o papel, mas sim o modelo de negócio", e observou que "veremos tiragens mais pequenas e edições mais cuidadosas", para que "o papel, em qualquer formato, seja de ‘alta-costura’, e a comunicação digital seja um 'pronto-a-vestir".

Assim, os responsáveis pelos “media” terão de aprender a combinar o “formato tradicional” com o “futuro digital”. "Teremos de passar o nosso rendimento do papel para o digital, temos de saber que todos temos uma televisão no bolso, mas que isso não é incompatível com a edição impressa".


World Press Cartoon atribui primeiro prémio a "cartoonista" alemão Ver galeria

Centro Cultural das Caldas da Rainha foi, novamente,  “a casa de acolhimento” do World Press Cartoon, que, na sua 15ªa edição, distinguiu o “cartoonista” alemão Frank Hoppmann com o primeiro prémio, graças a uma caricatura do primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, publicada no jornal “Eulenspiegel”,  em Outubro de 2019.

O segundo prémio foi atribuído ao mexicano Darío, com o desenho do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, publicado no jornal espanhol “Mundiario”. O português Pedro Silva ficou em terceiro lugar, com a caricatura de Christine Lagarde, actual presidente do Banco Central Europeu.

O grego Georgopalis destacou-se, por sua vez, na categoria “Desenho de Humor”, com “Message in a Bottle”. Já na categoria de “cartoon editorial”, o primeiro prémio foi para o grego Aytos .

De acordo com a organização do evento, as obras premiadas foram escolhidas pelo júri, entre 280 caricaturas, cartoons editoriais e desenhos de humor, seleccionados a partir de 150 publicações, de 50  países.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Opinião
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Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades. Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo