Sexta-feira, 27 de Novembro, 2020
Media

Quebra nas vendas e na publicidade complicam a vida da imprensa espanhola

O ano que finda foi “desastroso” para a Imprensa espanhola. A queda nas vendas e no investimento publicitário “tornam praticamente inviáveis os principais meios”. Mesmo os dois grandes diários, El País e El Mundo, registavam em Novembro um retrocesso de cerca de 20%. “A única nota positiva é o importante crescimento das receitas no digital, que já representam 24% de todas as receitas pela publicidade.”

Segundo o mais recente relatório da AEDE – Asociación de Diarios Españoles, enquanto em 2015 se tinha verificado uma pequena subida de 3% nas receitas da publicidade, o ano de 2016 voltou a ser de queda. Os editores esperam fechar estas receitas em cerca de 561 milhões de euros, o que representa cerca de um quarto do que registaram em 2007, que foi acima dos dois mil milhões. 

Apesar de uma importante contenção nos gastos de operação, os diários perderam 17,7 milhões de euros, comparando com os 1,3 milhões que tinham perdido no ano anterior. E a venda de exemplares voltou a cair 8%, até 652 milhões.  

O presidente da AEDE, José Luis Sainz, embora admitindo várias causas para este descalabro, “algumas delas geradas por nós mesmos”, apontou o dedo ao “duopólio audiovisual cada vez mais reforçado” dos grandes meios digitais, como o Facebook e Twitter, que preferiram apostar na Internet e na televisão, advertindo que esta escolha “não corresponde a critérios de eficácia e rentabilidade comercial, tal como mostram os mais recentes estudos sobre audiências e impacto comercial”. 

Segundo os números da Infoadex, até Setembro os jornais impressos tinham facturado 418 milhões de euros em publicidade, o que significa menos 6,2% do que nos nove primeiros meses de 2015. “O mais notável neste ano foi a queda da Imprensa regional, que até agora tinha contornado a crise com relativa estabilidade. Os anunciantes abandonaram a Imprensa e os especialistas avisam que esta tendência vai provavelmente continuar em 2017, do que resulta um desafio quase impossível para a maioria dos títulos alcançarem um ponto de equilíbrio nas suas contas”. 

Este balanço é exposto pelo jornalista Miguel Ormaetxea num artigo publicado em Media-tics, que contém os links para as várias fontes citadas.

Connosco
Onde se preconiza o jornalismo social e notícias felizes Ver galeria

O Presidente da Associação de Imprensa de Madrid -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera essencial que os “media” continuem a promover a dimensão social do jornalismo.

No discurso inaugural do Congresso da Comunicação Especializada na Sociedade da Informação, Juan Caño recordou que, com a crise pandémica, esta função "tem sido exercida de forma exemplar por vários meios de comunicação social", que, durante meses, não se esqueceram de "encorajar a população a superar a calamidade”.

Porém, ultimamente, começou a registar-se um “cansaço dos media', perante demasiada informação", recordou Caño. 

Este fenómeno tem vindo a ocorrer "à medida que a informação se foi tornando repetitiva e deixou de oferecer soluções viáveis", acrescentou.

Esta afirmação é sustentada pelo Relatório Anual da Profissão Jornalística 2020 da APM -- a ser publicado a 16 de Dezembro -- que revela que 43% dos espanhóis considerou excessiva a cobertura da pandemia.


Jornalismo deve acolher estratégias financeiras sustentáveis Ver galeria

O jornalismo deve ser encarado como um produto, para que os “media” possam prosperar de forma sustentável, defendeu o jornalista Rich Gordon num artigo publicado no “site” do Knight Center.

De acordo com o autor, os profissionais dos “media” rejeitam, por norma, esta ideia, já que para a maioria defende o jornalismo como sendo, única e exclusivamente, um serviço público.

E, embora Gordon acredite que esta deve ser a principal premissa dos jornalistas, considera, igualmente, essencial que a imprensa siga as tendências de mercado.

Como tal, reuniu, numa lista, seis razões pelos quais os “media” devem encarar os seus conteúdos como um produto.

Em primeiro lugar, Gordon recorda que os “websites”, os jornais, as “newsletters” são “mercadorias” -- os cidadãos decidem se querem ou não consumi-las, perante uma imensidão de escolhas. Além disso, a popularidade destes produtos depende do seu nível de inovação e de qualidade.

Este tipo de mentalidade existe há dois séculos -- os jornais do século XIX seguiam as exigências do mercado, a lei da oferta e da procura. A estratégia consistia em distribuir o máximo de jornais, a um preço reduzido, esperando conseguir o apoio de anunciantes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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