null, 26 de Maio, 2019
Media

Quebra nas vendas e na publicidade complicam a vida da imprensa espanhola

O ano que finda foi “desastroso” para a Imprensa espanhola. A queda nas vendas e no investimento publicitário “tornam praticamente inviáveis os principais meios”. Mesmo os dois grandes diários, El País e El Mundo, registavam em Novembro um retrocesso de cerca de 20%. “A única nota positiva é o importante crescimento das receitas no digital, que já representam 24% de todas as receitas pela publicidade.”

Segundo o mais recente relatório da AEDE – Asociación de Diarios Españoles, enquanto em 2015 se tinha verificado uma pequena subida de 3% nas receitas da publicidade, o ano de 2016 voltou a ser de queda. Os editores esperam fechar estas receitas em cerca de 561 milhões de euros, o que representa cerca de um quarto do que registaram em 2007, que foi acima dos dois mil milhões. 

Apesar de uma importante contenção nos gastos de operação, os diários perderam 17,7 milhões de euros, comparando com os 1,3 milhões que tinham perdido no ano anterior. E a venda de exemplares voltou a cair 8%, até 652 milhões.  

O presidente da AEDE, José Luis Sainz, embora admitindo várias causas para este descalabro, “algumas delas geradas por nós mesmos”, apontou o dedo ao “duopólio audiovisual cada vez mais reforçado” dos grandes meios digitais, como o Facebook e Twitter, que preferiram apostar na Internet e na televisão, advertindo que esta escolha “não corresponde a critérios de eficácia e rentabilidade comercial, tal como mostram os mais recentes estudos sobre audiências e impacto comercial”. 

Segundo os números da Infoadex, até Setembro os jornais impressos tinham facturado 418 milhões de euros em publicidade, o que significa menos 6,2% do que nos nove primeiros meses de 2015. “O mais notável neste ano foi a queda da Imprensa regional, que até agora tinha contornado a crise com relativa estabilidade. Os anunciantes abandonaram a Imprensa e os especialistas avisam que esta tendência vai provavelmente continuar em 2017, do que resulta um desafio quase impossível para a maioria dos títulos alcançarem um ponto de equilíbrio nas suas contas”. 

Este balanço é exposto pelo jornalista Miguel Ormaetxea num artigo publicado em Media-tics, que contém os links para as várias fontes citadas.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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