null, 17 de Novembro, 2019
Media

Quebra nas vendas e na publicidade complicam a vida da imprensa espanhola

O ano que finda foi “desastroso” para a Imprensa espanhola. A queda nas vendas e no investimento publicitário “tornam praticamente inviáveis os principais meios”. Mesmo os dois grandes diários, El País e El Mundo, registavam em Novembro um retrocesso de cerca de 20%. “A única nota positiva é o importante crescimento das receitas no digital, que já representam 24% de todas as receitas pela publicidade.”

Segundo o mais recente relatório da AEDE – Asociación de Diarios Españoles, enquanto em 2015 se tinha verificado uma pequena subida de 3% nas receitas da publicidade, o ano de 2016 voltou a ser de queda. Os editores esperam fechar estas receitas em cerca de 561 milhões de euros, o que representa cerca de um quarto do que registaram em 2007, que foi acima dos dois mil milhões. 

Apesar de uma importante contenção nos gastos de operação, os diários perderam 17,7 milhões de euros, comparando com os 1,3 milhões que tinham perdido no ano anterior. E a venda de exemplares voltou a cair 8%, até 652 milhões.  

O presidente da AEDE, José Luis Sainz, embora admitindo várias causas para este descalabro, “algumas delas geradas por nós mesmos”, apontou o dedo ao “duopólio audiovisual cada vez mais reforçado” dos grandes meios digitais, como o Facebook e Twitter, que preferiram apostar na Internet e na televisão, advertindo que esta escolha “não corresponde a critérios de eficácia e rentabilidade comercial, tal como mostram os mais recentes estudos sobre audiências e impacto comercial”. 

Segundo os números da Infoadex, até Setembro os jornais impressos tinham facturado 418 milhões de euros em publicidade, o que significa menos 6,2% do que nos nove primeiros meses de 2015. “O mais notável neste ano foi a queda da Imprensa regional, que até agora tinha contornado a crise com relativa estabilidade. Os anunciantes abandonaram a Imprensa e os especialistas avisam que esta tendência vai provavelmente continuar em 2017, do que resulta um desafio quase impossível para a maioria dos títulos alcançarem um ponto de equilíbrio nas suas contas”. 

Este balanço é exposto pelo jornalista Miguel Ormaetxea num artigo publicado em Media-tics, que contém os links para as várias fontes citadas.

Connosco
Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo Ver galeria

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

O “LeKiosk” muda para “Cafeyn” e alarga oferta a assinantes Ver galeria

O serviço de notícias LeKiosk mudou de nome para Cafeyn e passou a apresentar-se como um serviço de streaming de informações. O quiosque digital permite a consulta de mais de mil títulos de imprensa francesa e internacional por 9,99 euros por mês.

A mudança de nome e de visual têm como objectivo atrair um público mais numeroso e fazer frente à Apple News+.

De salientar que a alteração da designação é, também, explicada por uma batalha jurídica, iniciada em 2012, entre LeKiosk Monkiosque.fr, publicada pelo Grupo Toutabo.

O departamento de propriedade intelectual da União Europeia decidiu, em Março, que havia um risco de confusão para o público, e que a Toutabo tinha registado a sua marca antes da LeKiosk.

Cafeyn tem, atualmente, cerca de um milhão de utilizadores activos por mês, em comparação com os 200 mil em 2017, que lêem uma média de 15 revistas diferentes. A maior parte destes assinantes foram obtidos através de operadores de telecomunicações, como a Bouygues Telecom e a Free, que oferecem o acesso a alguns dos seus clientes.

Isto permitiu à empresa aumentar o seu volume de negócios, que quintuplicou em três anos.

Em breve deverão ser anunciadas parcerias internacionais.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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