Sexta-feira, 25 de Setembro, 2020
Media

Quebra nas vendas e na publicidade complicam a vida da imprensa espanhola

O ano que finda foi “desastroso” para a Imprensa espanhola. A queda nas vendas e no investimento publicitário “tornam praticamente inviáveis os principais meios”. Mesmo os dois grandes diários, El País e El Mundo, registavam em Novembro um retrocesso de cerca de 20%. “A única nota positiva é o importante crescimento das receitas no digital, que já representam 24% de todas as receitas pela publicidade.”

Segundo o mais recente relatório da AEDE – Asociación de Diarios Españoles, enquanto em 2015 se tinha verificado uma pequena subida de 3% nas receitas da publicidade, o ano de 2016 voltou a ser de queda. Os editores esperam fechar estas receitas em cerca de 561 milhões de euros, o que representa cerca de um quarto do que registaram em 2007, que foi acima dos dois mil milhões. 

Apesar de uma importante contenção nos gastos de operação, os diários perderam 17,7 milhões de euros, comparando com os 1,3 milhões que tinham perdido no ano anterior. E a venda de exemplares voltou a cair 8%, até 652 milhões.  

O presidente da AEDE, José Luis Sainz, embora admitindo várias causas para este descalabro, “algumas delas geradas por nós mesmos”, apontou o dedo ao “duopólio audiovisual cada vez mais reforçado” dos grandes meios digitais, como o Facebook e Twitter, que preferiram apostar na Internet e na televisão, advertindo que esta escolha “não corresponde a critérios de eficácia e rentabilidade comercial, tal como mostram os mais recentes estudos sobre audiências e impacto comercial”. 

Segundo os números da Infoadex, até Setembro os jornais impressos tinham facturado 418 milhões de euros em publicidade, o que significa menos 6,2% do que nos nove primeiros meses de 2015. “O mais notável neste ano foi a queda da Imprensa regional, que até agora tinha contornado a crise com relativa estabilidade. Os anunciantes abandonaram a Imprensa e os especialistas avisam que esta tendência vai provavelmente continuar em 2017, do que resulta um desafio quase impossível para a maioria dos títulos alcançarem um ponto de equilíbrio nas suas contas”. 

Este balanço é exposto pelo jornalista Miguel Ormaetxea num artigo publicado em Media-tics, que contém os links para as várias fontes citadas.

Connosco
Campanha de emergência para os "media" desencadeada em Espanha Ver galeria

A Federação de Associações de Jornalistas de Espanha (FAPE) -- integrada pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria --  juntou-se à Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), e à UNI Global Union para lançar uma campanha de emergência para os “media”. 

Face à grave crise económica, espoletada pela pandemia, os sindicatos exigem que os governos nacionais intervenham nos “media”, garantindo a qualidade, a ética, a solidariedade, os direitos laborais e as liberdades fundamentais.

Além disso, as associações querem pressionar os governos a introduzir um imposto sobre os serviços digitais , que têm monopolizado as receitas da publicidade nos meios de comunicação.

"A actual crise global de saúde está a agravar as dificuldades enfrentadas pelo sector da imprensa escrita", advertiu Anthony Bellanger, secretário-geral do IFJ. "Os governos devem reagir com urgência. Os ‘media’ são um bem público e um pilar fundamental das nossas democracias”.


A televisão tem passado e futuro democrático Ver galeria

A evolução da tecnologia veio, ao longo dos tempos, servir os “media”, oferecendo-lhes novos mecanismos para transmitir a informação e de alargar as audiências

A televisão, que celebra agora 70 anos no Brasil, é considerada uma das mais importantes “máquinas” dessa mesma evolução, já que se impôs no “modus vivendi” da Humanidade, moldando os seus hábitos e gostos.

Mas, mais do que isso -- recordou Alexander Goulart num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- a televisão, que nasceu como simples aparato tecnológico para transmissão de imagens, foi recebendo outros atributos, especialmente de cunho social, político, económico e cultural.

No Brasil, a TV nasceu sob a marca do entretenimento. Em poucos anos, ganhou fama e difundiu-se largamente. “Como uma espécie de hipnose massificante, na visão de muitos críticos, tomou conta das classes e o Brasil real passou a ser representado na tela. Nos anos 60, 70 e 80, a TV  tornou-se o principal “media” brasileiro, agente da unificação e geradora de uma identidade nacional”, recordou o autor.

“O sistema ‘broadcasting’ -- acrescentou, ainda, Goulart --  formando as redes, sobrepôs o nacional ao regional e o Brasil real passou a ser aquele que é reproduzido a partir de um determinado ponto de vista, que informava e entretinha a maioria da população”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo