Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Media

O Washington Post contraria tendência e reforça redacção

O Washington Post, contrariando a tendência actual de cortes nas redacções, vai reforçar a sua equipa no primeiro trimestre de 2017 e contratar cerca de 50 a 60 pessoas. Em entrevista ao site Politico, o editor e CEO do Washington Post , Fred Ryan, referiu que vai “contratar dezenas de jornalistas", acrescentando que o jornal, o quarto maior dos EUA, "é lucrativo e está a crescer".

Desde 2013 que Jeff Bezos, dono da Amazon, já investiu cerca de 50 milhões de dólares no jornal. O resultado foi a subida de 75% de receitas no digital, o que vai permitir fazer o anunciado reforço da equipa.

O  Washington Post vai passar a contar com cerca de 750 jornalistas, o que representa um aumento de 8% da força laboral, passando a sua redacção para o terceiro lugar no ranking das maiores dos EUA.

Os novos jornalistas vão trabalhar na preparação de notícias em formato vídeo e áudio (podcast) e em jornalismo de investigação.

O CEO do Washington Post acredita que “um dos factores que tem levado ao crescimento das assinaturas do jornal é o trabalho de investigação”. 

E acrescenta que, “desde o início do ano as assinaturas do Post cresceram 75% e as receitas do digital duplicaram (…)valores que, mais uma vez, contrariam a tendência do sector a nível global”.

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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