Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

O Washington Post contraria tendência e reforça redacção

O Washington Post, contrariando a tendência actual de cortes nas redacções, vai reforçar a sua equipa no primeiro trimestre de 2017 e contratar cerca de 50 a 60 pessoas. Em entrevista ao site Politico, o editor e CEO do Washington Post , Fred Ryan, referiu que vai “contratar dezenas de jornalistas", acrescentando que o jornal, o quarto maior dos EUA, "é lucrativo e está a crescer".

Desde 2013 que Jeff Bezos, dono da Amazon, já investiu cerca de 50 milhões de dólares no jornal. O resultado foi a subida de 75% de receitas no digital, o que vai permitir fazer o anunciado reforço da equipa.

O  Washington Post vai passar a contar com cerca de 750 jornalistas, o que representa um aumento de 8% da força laboral, passando a sua redacção para o terceiro lugar no ranking das maiores dos EUA.

Os novos jornalistas vão trabalhar na preparação de notícias em formato vídeo e áudio (podcast) e em jornalismo de investigação.

O CEO do Washington Post acredita que “um dos factores que tem levado ao crescimento das assinaturas do jornal é o trabalho de investigação”. 

E acrescenta que, “desde o início do ano as assinaturas do Post cresceram 75% e as receitas do digital duplicaram (…)valores que, mais uma vez, contrariam a tendência do sector a nível global”.

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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