Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
Media

Política e futebol dominaram os media em 2016 segundo um estudo especializado

Um estudo realizado pela Cision, empresa de estudos de media, com o objectivo de apurar que pessoas e instituições mais se destacaram em 2016, estabeleceu um ranking das entidades mais mediáticas de 2016.

O algoritmo desenvolvido para análise de texto da Cision, recolheu um conjunto de referências a pessoas e organizações, mencionadas nos órgãos de informação, e sujeitou, posteriormente, essas palavras a uma pesquisa que permitiu chegar ao número final de alusões que cada uma delas teve nos media.

O estudo, que cobre todas as notícias veiculadas no espaço editorial português, e que se refere ao período temporal compreendido entre 1 de Janeiro e 15 de Dezembro de 2016, alcançou mais de cinco milhões de artigos.

A análise revela que a política e o futebol são as “entidades” mais faladas. Apenas o crime consegue intrometer-se entre ambas.

No caso da política, “o Governo foi a organização mais falada pelos media portugueses, com mais de 200 mil referências (205.128, em concreto). O primeiro-ministro, António Costa, foi o nome mais recorrente nas notícias nacionais, tendo sido mencionado por 124.767 vezes”.

Os três “grandes” clubes de futebol, aparecem entre Governo e António Costa, sendo o Sport Lisboa e Benfica o vencedor deste “campeonato”.

Como refere o site Meios & Publicidade “os campeões nacionais foram analisadas num total de 182.191 peças jornalísticas, superando as 164.039 do Sporting Clube de Portugal e as 146.503 do Futebol Clube do Porto”.

Ainda na política, “encontramos o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em sexto lugar do ranking, com 111.156 menções, à frente do Partido Social Democrata (87.226) e da Guarda Nacional Republicana (GNR), uma das poucas entidades de fora do mundo do futebol e da política que integram este ranking, devido às notícias publicadas sobre a “caça ao homem “a Pedro Dias, suspeito de matar duas pessoas em Aguiar da Beira, e que esteve em fuga 28 dias”.

O Partido Socialista, encerra a lista dos 10 primeiros do ranking, estando presente em 78.326 notícias.

À Assembleia da República, o órgão legislativo que assumiu particular relevância nesta legislatura, com 70.908 referências, seguem-se o Ministério das Finanças (70.000) e o Bloco de Esquerda, um dos partidos que suporta o atual Governo (66.070).

Já a Selecção Portuguesa de Futebol aparece no 13.º lugar da lista; os campeões europeus foram citados em 65.564 notícias.

Ainda de acordo com a informação difundida no site Meios & Publicidade “a Comissão Europeia, que tem  65.513 menções, é a única entidade internacional que integra a lista das mais faladas em 2016.

Por outro lado, no 15.º lugar da tabela encontramos a Polícia de Segurança Pública, com 62.259 referências. “O destaque que a PSP e GNR assumiram está também relacionado com a consolidação de meios de comunicação, que dão particular atenção ao mundo do crime, como é o caso da CMTV, que ao longo do ano se afirmou como o canal mais visto na televisão por cabo”, refere a mesma fonte.

De regresso à política, aparecem mais dois partidos, um que faz parte da chamada “Geringonça” – o Partido Comunista Português, com 60.123 alusões – e outro que se lhe opõe – o CDS/PP, com 59.823.

O líder da oposição, Pedro Passos Coelho, foi referenciado em 55.486 notícias”.

Finalmente, a polémica do salário do presidente da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues, e a sua saída quatro meses depois de ter entrado em funções, bem como o processo de recapitalização, da Caixa Geral de Depósitos, foi um tema que teve presença assídua nas notícias, com 48.560 referências.

O ultimo lugar do top é ocupado por Cristiano Ronaldo. O vencedor da Bola de Ouro, e provavelmente o português mais famoso do mundo, foi falado em 47.136 notícias.

 

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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