Sexta-feira, 22 de Março, 2019
Media

Política e futebol dominaram os media em 2016 segundo um estudo especializado

Um estudo realizado pela Cision, empresa de estudos de media, com o objectivo de apurar que pessoas e instituições mais se destacaram em 2016, estabeleceu um ranking das entidades mais mediáticas de 2016.

O algoritmo desenvolvido para análise de texto da Cision, recolheu um conjunto de referências a pessoas e organizações, mencionadas nos órgãos de informação, e sujeitou, posteriormente, essas palavras a uma pesquisa que permitiu chegar ao número final de alusões que cada uma delas teve nos media.

O estudo, que cobre todas as notícias veiculadas no espaço editorial português, e que se refere ao período temporal compreendido entre 1 de Janeiro e 15 de Dezembro de 2016, alcançou mais de cinco milhões de artigos.

A análise revela que a política e o futebol são as “entidades” mais faladas. Apenas o crime consegue intrometer-se entre ambas.

No caso da política, “o Governo foi a organização mais falada pelos media portugueses, com mais de 200 mil referências (205.128, em concreto). O primeiro-ministro, António Costa, foi o nome mais recorrente nas notícias nacionais, tendo sido mencionado por 124.767 vezes”.

Os três “grandes” clubes de futebol, aparecem entre Governo e António Costa, sendo o Sport Lisboa e Benfica o vencedor deste “campeonato”.

Como refere o site Meios & Publicidade “os campeões nacionais foram analisadas num total de 182.191 peças jornalísticas, superando as 164.039 do Sporting Clube de Portugal e as 146.503 do Futebol Clube do Porto”.

Ainda na política, “encontramos o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em sexto lugar do ranking, com 111.156 menções, à frente do Partido Social Democrata (87.226) e da Guarda Nacional Republicana (GNR), uma das poucas entidades de fora do mundo do futebol e da política que integram este ranking, devido às notícias publicadas sobre a “caça ao homem “a Pedro Dias, suspeito de matar duas pessoas em Aguiar da Beira, e que esteve em fuga 28 dias”.

O Partido Socialista, encerra a lista dos 10 primeiros do ranking, estando presente em 78.326 notícias.

À Assembleia da República, o órgão legislativo que assumiu particular relevância nesta legislatura, com 70.908 referências, seguem-se o Ministério das Finanças (70.000) e o Bloco de Esquerda, um dos partidos que suporta o atual Governo (66.070).

Já a Selecção Portuguesa de Futebol aparece no 13.º lugar da lista; os campeões europeus foram citados em 65.564 notícias.

Ainda de acordo com a informação difundida no site Meios & Publicidade “a Comissão Europeia, que tem  65.513 menções, é a única entidade internacional que integra a lista das mais faladas em 2016.

Por outro lado, no 15.º lugar da tabela encontramos a Polícia de Segurança Pública, com 62.259 referências. “O destaque que a PSP e GNR assumiram está também relacionado com a consolidação de meios de comunicação, que dão particular atenção ao mundo do crime, como é o caso da CMTV, que ao longo do ano se afirmou como o canal mais visto na televisão por cabo”, refere a mesma fonte.

De regresso à política, aparecem mais dois partidos, um que faz parte da chamada “Geringonça” – o Partido Comunista Português, com 60.123 alusões – e outro que se lhe opõe – o CDS/PP, com 59.823.

O líder da oposição, Pedro Passos Coelho, foi referenciado em 55.486 notícias”.

Finalmente, a polémica do salário do presidente da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues, e a sua saída quatro meses depois de ter entrado em funções, bem como o processo de recapitalização, da Caixa Geral de Depósitos, foi um tema que teve presença assídua nas notícias, com 48.560 referências.

O ultimo lugar do top é ocupado por Cristiano Ronaldo. O vencedor da Bola de Ouro, e provavelmente o português mais famoso do mundo, foi falado em 47.136 notícias.

 

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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