Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Media

Reflexão pessimista sobre o estado da Imprensa em França

É desejável que partilhemos bons votos na passagem do Ano Novo. Talvez nem sempre seja possível. Num texto intitulado "Crítica dos media, vinte anos depois", o jornalista Pierre Rimbert faz uma reflexão muito pessimista sobre o estado actual de vários dos mais famosos jornais de referência na Imprensa francesa: "Em roda livre  - afirma -  os dirigentes dos media e os seus accionistas continuam a mutilar a Informação até ao ponto de tornarem o jornalismo detestável."

O seu trabalho faz parte de uma recolha dos principais artigos publicados ao longo do ano, no site de Le Monde Diplomatique, sobre os meios de comunicação  -  recolha esta divulgada, por sua vez, pelo Acrimed, o Observatório dos Media em França. 

Os vinte anos a que se refere Pierre Rimbert começam com o lançamento da editora Liber – Raisons d’agir, pelo sociólogo Pierre Bourdieu, onde dois dos primeiros títulos publicados "analisavam os efeitos deletérios de um jornalismo de mercado corroído pelas conivências, o conformismo e a precariedade; o seu sucesso implantou no debate de ideias em França uma crítica radical dos media cultivada de longa data nas colunas do Monde Diplomatique; suscitou o furor das chefias editoriais e a simpatia dos trocistas". 

Vinte anos depois, segundo o autor, os piores presságios foram confirmados pelos factos. Pierre Rimbert descreve o despedimento da jornalista Aude Lancelin, que foi directora-adjunta de L’Obs (o antigo Nouvel Observateur) e que divulga o mesmo diagnóstico pessimista no seu livro Le Monde libre, onde afirma: "Sob este jugo mortífero, a Imprensa iria tornar-se, um dia, o único negócio a extinguir-se por se ter obstinadamente recusado a dar aos seus leitores aquilo que eles tinham desejo de adquirir." 

Este primeiro exemplo é seguido por outros, com referência a outras obras criticando a mesma "deriva de direita" da Imprensa francesa, como o livro Main basse sur l’information, cujo autor, Laurent Mauduit, descreve a "submissão" dos grandes meios a um punhado de oligarcas multimédia. 

A terminar, Pierre Rimbert afirma :

"Le Londe ocupava uma posição central e estruturante no seio do campo jornalístico francês. Se deslizasse para a direita, o centro de gravidade editorial iria mover-se com ele. A paisagem em ruínas descrita por Aude Lancelin e Laurent Mauduit é também consequência deste deslizamento."

 

O texto original, em Le Monde Diplomatique

 

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
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