Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

Reflexão pessimista sobre o estado da Imprensa em França

É desejável que partilhemos bons votos na passagem do Ano Novo. Talvez nem sempre seja possível. Num texto intitulado "Crítica dos media, vinte anos depois", o jornalista Pierre Rimbert faz uma reflexão muito pessimista sobre o estado actual de vários dos mais famosos jornais de referência na Imprensa francesa: "Em roda livre  - afirma -  os dirigentes dos media e os seus accionistas continuam a mutilar a Informação até ao ponto de tornarem o jornalismo detestável."

O seu trabalho faz parte de uma recolha dos principais artigos publicados ao longo do ano, no site de Le Monde Diplomatique, sobre os meios de comunicação  -  recolha esta divulgada, por sua vez, pelo Acrimed, o Observatório dos Media em França. 

Os vinte anos a que se refere Pierre Rimbert começam com o lançamento da editora Liber – Raisons d’agir, pelo sociólogo Pierre Bourdieu, onde dois dos primeiros títulos publicados "analisavam os efeitos deletérios de um jornalismo de mercado corroído pelas conivências, o conformismo e a precariedade; o seu sucesso implantou no debate de ideias em França uma crítica radical dos media cultivada de longa data nas colunas do Monde Diplomatique; suscitou o furor das chefias editoriais e a simpatia dos trocistas". 

Vinte anos depois, segundo o autor, os piores presságios foram confirmados pelos factos. Pierre Rimbert descreve o despedimento da jornalista Aude Lancelin, que foi directora-adjunta de L’Obs (o antigo Nouvel Observateur) e que divulga o mesmo diagnóstico pessimista no seu livro Le Monde libre, onde afirma: "Sob este jugo mortífero, a Imprensa iria tornar-se, um dia, o único negócio a extinguir-se por se ter obstinadamente recusado a dar aos seus leitores aquilo que eles tinham desejo de adquirir." 

Este primeiro exemplo é seguido por outros, com referência a outras obras criticando a mesma "deriva de direita" da Imprensa francesa, como o livro Main basse sur l’information, cujo autor, Laurent Mauduit, descreve a "submissão" dos grandes meios a um punhado de oligarcas multimédia. 

A terminar, Pierre Rimbert afirma :

"Le Londe ocupava uma posição central e estruturante no seio do campo jornalístico francês. Se deslizasse para a direita, o centro de gravidade editorial iria mover-se com ele. A paisagem em ruínas descrita por Aude Lancelin e Laurent Mauduit é também consequência deste deslizamento."

 

O texto original, em Le Monde Diplomatique

 

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
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