Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

A língua como ferramenta e oficina do bom e mau jornalismo

As línguas em que nos expressamos, partilhadas por milhões de pessoas, são sujeitas a uma evolução que vai incluindo muitas contribuições. O nosso ofício de jornalistas tornou-se uma das principais chaves nessa evolução e melhoramento da língua, mas também na sua deterioração. É nestes termos que começa um artigo do jornalista espanhol Arsenio Escolar, publicado na edição nº 32 de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O autor chama a atenção para os novos hábitos da linguagem utilizada em áreas especializadas do jornalismo, detendo-se nos casos do político e do desportivo. Algumas vezes trata-se da escolha de palavras “alargadas”, ou “inchadas”, para substituir os termos habituais correspondentes ao mesmo sentido. Outras vezes trata-se de neologismos, ou da tradução equívoca de termos de línguas estrangeiras. 

Os exemplos que cita são, naturalmente, da língua espanhola, mas não teremos dificuldade em reconhecê-los  - alguns são comuns às duas línguas -  e em perceber a provável intenção de quem os utiliza e em que contextos. 

Entre os exemplos do primeiro caso, Arsenio Escolar cita “intencionalidade” em vez de “intenção”, “casuística” em vez de “causa”, “metodologia” em vez de “método”, interrogando-se sobre o seu motivo: se foram políticos “de curta formação e largas ambições” que trouxeram esta moda, ou se terão sido os escritores, em geral também jornalistas, que redigiam os discursos e a argumentação aos mesmos políticos. 

No jornalismo desportivo foram divulgadas numerosas expressões mais ou menos pomposas, cujos exemplos espanhóis reconhecemos facilmente, e aos quais podíamos acrescentar os nossos próprios. O avançado que chega diante da baliza adversária e “não perdoa” (ou então “concretiza”…) é igual dos dois lados da fronteira. 

O autor encerra com o exemplo curioso do “paraíso fiscal”, muito usado depois das revelações dos Panama Papers. A expressão na língua inglesa, para designar um sítio onde se pagam menos impostos, ou nenhuns, é tax haven, que significa “porto”, ou “abrigo” de impostos; mas o que se divulgou, nas nossas línguas, foi tax Heaven, religiosamente entendido como “Paraíso fiscal”:

“Decerto que os potentados que lá escondiam o seu dinheiro deviam sentir-se no Paraíso… até que chegou a Imprensa e ficou com os papéis do Panamá.” 


O texto original, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

A organização Index on Censorship, com o apoio da Federação Europeia de Jornalistas, reuniu no relatório Mapping Media Freedom mais de três mil episódios de situações deste tipo, registadas desde Maio de 2004. A informação recolhida apresenta os jornalistas e os media onde trabalham como alvos de dirigentes políticos, empresas e mesmo o público em geral  -  mas algumas tendências principais são destacadas e apontadas neste trabalho. O objectivo é fornecer indicações úteis aos legisladores e a quantos desejem continuar a defender o ambiente favorável a uma Imprensa independente e pluralista.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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