Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

A língua como ferramenta e oficina do bom e mau jornalismo

As línguas em que nos expressamos, partilhadas por milhões de pessoas, são sujeitas a uma evolução que vai incluindo muitas contribuições. O nosso ofício de jornalistas tornou-se uma das principais chaves nessa evolução e melhoramento da língua, mas também na sua deterioração. É nestes termos que começa um artigo do jornalista espanhol Arsenio Escolar, publicado na edição nº 32 de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O autor chama a atenção para os novos hábitos da linguagem utilizada em áreas especializadas do jornalismo, detendo-se nos casos do político e do desportivo. Algumas vezes trata-se da escolha de palavras “alargadas”, ou “inchadas”, para substituir os termos habituais correspondentes ao mesmo sentido. Outras vezes trata-se de neologismos, ou da tradução equívoca de termos de línguas estrangeiras. 

Os exemplos que cita são, naturalmente, da língua espanhola, mas não teremos dificuldade em reconhecê-los  - alguns são comuns às duas línguas -  e em perceber a provável intenção de quem os utiliza e em que contextos. 

Entre os exemplos do primeiro caso, Arsenio Escolar cita “intencionalidade” em vez de “intenção”, “casuística” em vez de “causa”, “metodologia” em vez de “método”, interrogando-se sobre o seu motivo: se foram políticos “de curta formação e largas ambições” que trouxeram esta moda, ou se terão sido os escritores, em geral também jornalistas, que redigiam os discursos e a argumentação aos mesmos políticos. 

No jornalismo desportivo foram divulgadas numerosas expressões mais ou menos pomposas, cujos exemplos espanhóis reconhecemos facilmente, e aos quais podíamos acrescentar os nossos próprios. O avançado que chega diante da baliza adversária e “não perdoa” (ou então “concretiza”…) é igual dos dois lados da fronteira. 

O autor encerra com o exemplo curioso do “paraíso fiscal”, muito usado depois das revelações dos Panama Papers. A expressão na língua inglesa, para designar um sítio onde se pagam menos impostos, ou nenhuns, é tax haven, que significa “porto”, ou “abrigo” de impostos; mas o que se divulgou, nas nossas línguas, foi tax Heaven, religiosamente entendido como “Paraíso fiscal”:

“Decerto que os potentados que lá escondiam o seu dinheiro deviam sentir-se no Paraíso… até que chegou a Imprensa e ficou com os papéis do Panamá.” 


O texto original, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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