As línguas em que nos expressamos, partilhadas por milhões de pessoas, são sujeitas a uma evolução que vai incluindo muitas contribuições. O nosso ofício de jornalistas tornou-se uma das principais chaves nessa evolução e melhoramento da língua, mas também na sua deterioração. É nestes termos que começa um artigo do jornalista espanhol Arsenio Escolar, publicado na edição nº 32 de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.
O autor chama a atenção para os novos hábitos da linguagem utilizada em áreas especializadas do jornalismo, detendo-se nos casos do político e do desportivo. Algumas vezes trata-se da escolha de palavras “alargadas”, ou “inchadas”, para substituir os termos habituais correspondentes ao mesmo sentido. Outras vezes trata-se de neologismos, ou da tradução equívoca de termos de línguas estrangeiras.
Os exemplos que cita são, naturalmente, da língua espanhola, mas não teremos dificuldade em reconhecê-los - alguns são comuns às duas línguas - e em perceber a provável intenção de quem os utiliza e em que contextos.
Entre os exemplos do primeiro caso, Arsenio Escolar cita “intencionalidade” em vez de “intenção”, “casuística” em vez de “causa”, “metodologia” em vez de “método”, interrogando-se sobre o seu motivo: se foram políticos “de curta formação e largas ambições” que trouxeram esta moda, ou se terão sido os escritores, em geral também jornalistas, que redigiam os discursos e a argumentação aos mesmos políticos.
No jornalismo desportivo foram divulgadas numerosas expressões mais ou menos pomposas, cujos exemplos espanhóis reconhecemos facilmente, e aos quais podíamos acrescentar os nossos próprios. O avançado que chega diante da baliza adversária e “não perdoa” (ou então “concretiza”…) é igual dos dois lados da fronteira.
O autor encerra com o exemplo curioso do “paraíso fiscal”, muito usado depois das revelações dos Panama Papers. A expressão na língua inglesa, para designar um sítio onde se pagam menos impostos, ou nenhuns, é tax haven, que significa “porto”, ou “abrigo” de impostos; mas o que se divulgou, nas nossas línguas, foi tax Heaven, religiosamente entendido como “Paraíso fiscal”:
“Decerto que os potentados que lá escondiam o seu dinheiro deviam sentir-se no Paraíso… até que chegou a Imprensa e ficou com os papéis do Panamá.”
O texto original, em Cuadernos de Periodistas
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.