Quarta-feira, 23 de Setembro, 2020
Media

Websites do jornalismo digital precisam de ser credíveis para fidelizar o utente

“Cinco anos a caçar clicks fizeram da pesquisa de notícias uma das piores experiências para um utente da Internet. Consoante a dimensão do visor da página, chega a ser difícil distinguir se estamos a olhar para uma slotmachine ou um jornal online.” É assim que começa o mais recente contributo à recolha de previsões sobre como será o ano de 2017, organizada pelo NiemanLab. Para Andy Rossback, do New York Times, este terá de ser o ano do utente.  

O seu texto diz-nos coisas por que já todos passámos:

“Mesmo publicações prestigiadas meteram anúncios em vídeo a mexerem-se por entre os parágrafos dos artigos. Em certos mercados, o mesmo tipo de anúncio nem sequer tem um botão de parar ou fazer pausa. Incansáveis inquéritos do Google Survey afastam-nos dos artigos. E é difícil para os utentes fazer o login, repôr a palavra-chave ou tornarem-se assinantes que pagam.”

Especializado no design dos meios noticiosos, o autor sublinha a importância desta disciplina como “uma importante ferramenta de literacia dos media”, demasiado negligenciada pela indústria. 

Os sites de notícias falsas existem porque se tornaram parecidos com os das verdadeiras, e “estão a comer o nosso almoço fornecendo o mesmo modelo de anúncios motivados pelo click, sem o acréscimo de fazerem qualquer tipo de autêntica reportagem”.

“Assim, 2017 será o ano do utente. No tempo de vida dos websites do jornalismo digital, trata-se de um movimento tectónico de ‘primeiro-o-anunciante’ para ‘primeiro-o-utente’. À semelhança dos desorganizados jornais impressos dos anos de 1800, alguém vai pôr o design ao serviço da credibilidade e ganhar com isso.”

 

O artigo original, na íntegra, no NiemanLab

Connosco
O jornalismo impresso como “alta-costura” dos “media” Ver galeria

A pandemia veio agravar a situação, já débil, dos “media” tradicionais, ao provocar uma quebra nas receitas publicitárias e de circulação, o que levou alguns profissionais a questionarem o futuro do formato impresso.

Contudo, Andrés Rodríguez -- CEO do Grupo SpainMedia e membro da direcção da Asociación de La Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera que o jornalismo impresso irá conseguir recuperar, pouco a pouco, o seu protagonismo.

Durante a sua participação na conferência "Reinventando o Papel", no 15º Congresso de Editores de Jornais, Rodríguez reiterou que "não precisamos de reinventar o papel, mas sim o modelo de negócio", e observou que "veremos tiragens mais pequenas e edições mais cuidadosas", para que "o papel, em qualquer formato, seja de ‘alta-costura’, e a comunicação digital seja um 'pronto-a-vestir".

Assim, os responsáveis pelos “media” terão de aprender a combinar o “formato tradicional” com o “futuro digital”. "Teremos de passar o nosso rendimento do papel para o digital, temos de saber que todos temos uma televisão no bolso, mas que isso não é incompatível com a edição impressa".


World Press Cartoon atribui primeiro prémio a "cartoonista" alemão Ver galeria

Centro Cultural das Caldas da Rainha foi, novamente,  “a casa de acolhimento” do World Press Cartoon, que, na sua 15ªa edição, distinguiu o “cartoonista” alemão Frank Hoppmann com o primeiro prémio, graças a uma caricatura do primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, publicada no jornal “Eulenspiegel”,  em Outubro de 2019.

O segundo prémio foi atribuído ao mexicano Darío, com o desenho do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, publicado no jornal espanhol “Mundiario”. O português Pedro Silva ficou em terceiro lugar, com a caricatura de Christine Lagarde, actual presidente do Banco Central Europeu.

O grego Georgopalis destacou-se, por sua vez, na categoria “Desenho de Humor”, com “Message in a Bottle”. Já na categoria de “cartoon editorial”, o primeiro prémio foi para o grego Aytos .

De acordo com a organização do evento, as obras premiadas foram escolhidas pelo júri, entre 280 caricaturas, cartoons editoriais e desenhos de humor, seleccionados a partir de 150 publicações, de 50  países.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo