Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Media

Websites do jornalismo digital precisam de ser credíveis para fidelizar o utente

“Cinco anos a caçar clicks fizeram da pesquisa de notícias uma das piores experiências para um utente da Internet. Consoante a dimensão do visor da página, chega a ser difícil distinguir se estamos a olhar para uma slotmachine ou um jornal online.” É assim que começa o mais recente contributo à recolha de previsões sobre como será o ano de 2017, organizada pelo NiemanLab. Para Andy Rossback, do New York Times, este terá de ser o ano do utente.  

O seu texto diz-nos coisas por que já todos passámos:

“Mesmo publicações prestigiadas meteram anúncios em vídeo a mexerem-se por entre os parágrafos dos artigos. Em certos mercados, o mesmo tipo de anúncio nem sequer tem um botão de parar ou fazer pausa. Incansáveis inquéritos do Google Survey afastam-nos dos artigos. E é difícil para os utentes fazer o login, repôr a palavra-chave ou tornarem-se assinantes que pagam.”

Especializado no design dos meios noticiosos, o autor sublinha a importância desta disciplina como “uma importante ferramenta de literacia dos media”, demasiado negligenciada pela indústria. 

Os sites de notícias falsas existem porque se tornaram parecidos com os das verdadeiras, e “estão a comer o nosso almoço fornecendo o mesmo modelo de anúncios motivados pelo click, sem o acréscimo de fazerem qualquer tipo de autêntica reportagem”.

“Assim, 2017 será o ano do utente. No tempo de vida dos websites do jornalismo digital, trata-se de um movimento tectónico de ‘primeiro-o-anunciante’ para ‘primeiro-o-utente’. À semelhança dos desorganizados jornais impressos dos anos de 1800, alguém vai pôr o design ao serviço da credibilidade e ganhar com isso.”

 

O artigo original, na íntegra, no NiemanLab

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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