Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

“Sinal vermelho” ao Jornalismo nas despedidas de 2016

Ficar contente só porque 2016 chega ao fim, não parece uma boa forma de fazer o balanço do ano. Mas se a sua própria duração “chegou a virar motivo de ironia nas redes sociais”, como diz o texto, é porque alguma coisa não correu bem.

O autor do artigo que citamos fala dos “meses conturbados em qualquer área que se queira abordar: política, futebol, religião e, por que não, a imprensa tupiniquim”. E arruma-os, basicamente, por uma sequência de três realidades.

No primeiro trimestre, “o espanto com a onda crescente de demissões, fechamento de redações inteiras e as notas de empresas de media decretando falência”. Logo a seguir, a solidariedade entre colegas de profissão é dividida em “trincheiras ideológicas” pela evolução da crise política brasileira e, “a essa altura, poucos veiculavam informações… o que valia era a opinião na era dos espectáculos”.

A reflexão do autor demora-se então nesse período em que os media e as redes sociais são “acusados de tomarem partido” e julgados sem serem sequer ouvidos: “De repente, manifestações contra a Imprensa partiam dos próprios profissionais que já tinham abdicado de apenas fazer críticas construtivas. Aqueles que transmitiam passaram a ser notícia também.”

E Leonardo Rodrigues, o autor que aqui citamos, conclui com esta reflexão melancólica:

“Se começamos o ano lamentando a perda de emprego de colegas, terminamos lamentando a falta de credibilidade. O alerta aos profissionais, em Janeiro, pode terminar com sinal vermelho ao Jornalismo.”

O artigo na íntegra, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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