Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

“Sinal vermelho” ao Jornalismo nas despedidas de 2016

Ficar contente só porque 2016 chega ao fim, não parece uma boa forma de fazer o balanço do ano. Mas se a sua própria duração “chegou a virar motivo de ironia nas redes sociais”, como diz o texto, é porque alguma coisa não correu bem.

O autor do artigo que citamos fala dos “meses conturbados em qualquer área que se queira abordar: política, futebol, religião e, por que não, a imprensa tupiniquim”. E arruma-os, basicamente, por uma sequência de três realidades.

No primeiro trimestre, “o espanto com a onda crescente de demissões, fechamento de redações inteiras e as notas de empresas de media decretando falência”. Logo a seguir, a solidariedade entre colegas de profissão é dividida em “trincheiras ideológicas” pela evolução da crise política brasileira e, “a essa altura, poucos veiculavam informações… o que valia era a opinião na era dos espectáculos”.

A reflexão do autor demora-se então nesse período em que os media e as redes sociais são “acusados de tomarem partido” e julgados sem serem sequer ouvidos: “De repente, manifestações contra a Imprensa partiam dos próprios profissionais que já tinham abdicado de apenas fazer críticas construtivas. Aqueles que transmitiam passaram a ser notícia também.”

E Leonardo Rodrigues, o autor que aqui citamos, conclui com esta reflexão melancólica:

“Se começamos o ano lamentando a perda de emprego de colegas, terminamos lamentando a falta de credibilidade. O alerta aos profissionais, em Janeiro, pode terminar com sinal vermelho ao Jornalismo.”

O artigo na íntegra, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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