Sábado, 18 de Janeiro, 2020
Media

“Sinal vermelho” ao Jornalismo nas despedidas de 2016

Ficar contente só porque 2016 chega ao fim, não parece uma boa forma de fazer o balanço do ano. Mas se a sua própria duração “chegou a virar motivo de ironia nas redes sociais”, como diz o texto, é porque alguma coisa não correu bem.

O autor do artigo que citamos fala dos “meses conturbados em qualquer área que se queira abordar: política, futebol, religião e, por que não, a imprensa tupiniquim”. E arruma-os, basicamente, por uma sequência de três realidades.

No primeiro trimestre, “o espanto com a onda crescente de demissões, fechamento de redações inteiras e as notas de empresas de media decretando falência”. Logo a seguir, a solidariedade entre colegas de profissão é dividida em “trincheiras ideológicas” pela evolução da crise política brasileira e, “a essa altura, poucos veiculavam informações… o que valia era a opinião na era dos espectáculos”.

A reflexão do autor demora-se então nesse período em que os media e as redes sociais são “acusados de tomarem partido” e julgados sem serem sequer ouvidos: “De repente, manifestações contra a Imprensa partiam dos próprios profissionais que já tinham abdicado de apenas fazer críticas construtivas. Aqueles que transmitiam passaram a ser notícia também.”

E Leonardo Rodrigues, o autor que aqui citamos, conclui com esta reflexão melancólica:

“Se começamos o ano lamentando a perda de emprego de colegas, terminamos lamentando a falta de credibilidade. O alerta aos profissionais, em Janeiro, pode terminar com sinal vermelho ao Jornalismo.”

O artigo na íntegra, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
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