null, 24 de Março, 2019
Media

Balanço e razão em 366 "links" sobre um ano de verificação de factos noticiosos

Este ano de 2016 foi o ano da “pós-verdade” ou do “pós-facto”, como alguns observadores preferem? O facto é que o debate sobre a autenticidade dos factos no jornalismo raramente foi tão fracturante e animado como ao longo de 2016. Para nos orientar nesta paisagem tumultuosa, Poynter.org, o site do Poynter Institute for Media Studies, organizou uma lista de 366 links, um por cada dia, que remetem para igual número de sites esclarecedores de tudo aquilo que não sabíamos a quem perguntar.

O texto de introdução conta como, na última década, mas muito especialmente nas últimas eleições presidenciais nos EUA, este trabalho de avaliar a veracidade das afirmações dos políticos se tornou tão intenso. Por um lado, as redes sociais deram aos jornalistas ferramentas para contestar os políticos em tempo real. Mas, ao mesmo tempo, “as plataformas digitais proporcionam vectores mais eficientes do que nunca para disseminar as falsidades. É este o paradoxo dos fact-checkers: mesmo no momento em que adquirem novos poderes para pedir contas aos políticos, as mentiras tornam-se mais persistentes do que nunca”. 

Não cabe aqui descrever a lista completa dos 366 sites  -  que é, aliás, fácil de usar, como um dicionário, ou uma lista telefónica, embora sem o apoio de uma ordem alfabética. Citamos uma meia dúzia, só para abrir o apetite. 

Comece pela história da ascenção do fact-checking político nos Estados Unidos, incluindo uma entrevista com o seu autor, Lucas Graves. Há depois um relatório do Reuters Institute sobre esta arte na Europa e outros estudos sobre países específicos, como Austrália, Brasil, Irlanda, Itália, Coreia do Sul, Irlanda do Norte, Reino Unido e, naturalmente, vários sobre os EUA. 

Há colaboração entre muitos destes grupos de verificação e, no mês de Junho, realizou-se em Buenos Aires um congresso de mais de 100 fact-checkers de 41países. 

Depois as sondagens: há para todos os gostos, incluindo uma que revela que só 29% dos votantes acreditam no fact-checking realizado pelos próprios media

Depois o factor psicológico: muitas pessoas são crédulas e deixam-se enganar. Um dos estudos indica que quanto mais vezes lermos uma coisa falsa, como “um sari é um kilt”, mais ficamos perto de pensar que talvez seja verdade... 

O leitor que percorrer esta lista vai encontrar, evidentemente, muitas polémicas que atravessaram as eleições presidenciais nos EUA, vai reler muitas coisas que o Presidente-eleito Donald Trump disse ou prometeu fazer, vai encontrar o debate sobre o papel das redes sociais e as fake-news do Facebook, sobre as tentativas de criar legislação que possa controlar o fenómeno e até sobre os mecanismos digitais para fazer um fact-checking automático. 

Boa navegação neste oceano.

 

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
A realidade choca. Um trabalho de investigação jornalística, publicado no Expresso,  apurou que Portugal tem 95 políticos a comentar nos media. É algo absolutamente inédito em qualquer parte do mundo, da Europa aos EUA. Nalguma coisa teríamos de ser inovadores, infelizmente, da pior maneira. É um “assalto”, que condiciona a opinião pública e constitui um simulacro de pluralismo, já que  o elenco...
Augusto Cid, uma obra quase monumental
António Gomes de Almeida
Com o falecimento de Augusto Cid, desaparece um dos mais conhecidos desenhadores de Humor portugueses, com uma obra que pode considerar-se quase monumental. Desenhou milhares de cartoons, fez livros, e até teve a suprema honra de ver parte da sua obra apreendida – depois do 25 de Abril (!) – e tornou-se conhecido, entre outras, por estas duas razões: pelas piadas sibilinas lançadas contra o general Ramalho Eanes, e por fazer parte do combativo grupo das...
Uma edição fraca
Manuel Falcão
Já se sabe que a revista “Monocle” é uma grande utilizadora criativa do conceito de conteúdos patrocinados, frequentemente dissimulados de forma editorial elegante e sedutora. O grafismo da revista continua contemporâneo, apesar de não ter tido muitas evoluções desde que foi lançada em 2007. Em contrapartida, o espaço ocupado por conteúdos patrocinados tem vindo sempre a aumentar, por vezes demais, até se...
Duas atitudes face ao jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
No recente encontro em Roma, no Vaticano, sobre o dramático caso dos abusos sexuais por elementos do clero católico, a vários níveis, ouviram-se vozes agradecendo a jornalistas que investigaram e divulgaram abusos. É uma justa atitude.  Dir-se-á que alguns jornalistas terão procurado o escândalo e, também, denegrir a imagem da Igreja. Talvez. Mas o verdadeiro escândalo é que padres, bispos e cardeais, em vez de...
Jornalismo a meia-haste
Graça Franco
Atropelados pela ditadura do entretenimento, podemos enquanto “informadores” desde já colocar a bandeira a meia-haste. O jornalismo não está a morrer. Está a cometer suicídio em direto. Temi que algum jornalista se oferecesse para partilhar a cadeia com Armando Vara, só para ver como este se sentia “já lá dentro”. A porta ia-se fechando, em câmara lenta, e o enxame de microfones não largava a presa. O...
Agenda
30
Mar
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
31
Mar
Radiodays Europe
09:00 @ Lausanne, Suiça
01
Abr
Digital Media Europe 2019
09:00 @ Viena,Áustria
08
Abr
25
Abr
Social Media Camp
09:00 @ Victoria, Canada