null, 21 de Julho, 2019
Media

Balanço e razão em 366 "links" sobre um ano de verificação de factos noticiosos

Este ano de 2016 foi o ano da “pós-verdade” ou do “pós-facto”, como alguns observadores preferem? O facto é que o debate sobre a autenticidade dos factos no jornalismo raramente foi tão fracturante e animado como ao longo de 2016. Para nos orientar nesta paisagem tumultuosa, Poynter.org, o site do Poynter Institute for Media Studies, organizou uma lista de 366 links, um por cada dia, que remetem para igual número de sites esclarecedores de tudo aquilo que não sabíamos a quem perguntar.

O texto de introdução conta como, na última década, mas muito especialmente nas últimas eleições presidenciais nos EUA, este trabalho de avaliar a veracidade das afirmações dos políticos se tornou tão intenso. Por um lado, as redes sociais deram aos jornalistas ferramentas para contestar os políticos em tempo real. Mas, ao mesmo tempo, “as plataformas digitais proporcionam vectores mais eficientes do que nunca para disseminar as falsidades. É este o paradoxo dos fact-checkers: mesmo no momento em que adquirem novos poderes para pedir contas aos políticos, as mentiras tornam-se mais persistentes do que nunca”. 

Não cabe aqui descrever a lista completa dos 366 sites  -  que é, aliás, fácil de usar, como um dicionário, ou uma lista telefónica, embora sem o apoio de uma ordem alfabética. Citamos uma meia dúzia, só para abrir o apetite. 

Comece pela história da ascenção do fact-checking político nos Estados Unidos, incluindo uma entrevista com o seu autor, Lucas Graves. Há depois um relatório do Reuters Institute sobre esta arte na Europa e outros estudos sobre países específicos, como Austrália, Brasil, Irlanda, Itália, Coreia do Sul, Irlanda do Norte, Reino Unido e, naturalmente, vários sobre os EUA. 

Há colaboração entre muitos destes grupos de verificação e, no mês de Junho, realizou-se em Buenos Aires um congresso de mais de 100 fact-checkers de 41países. 

Depois as sondagens: há para todos os gostos, incluindo uma que revela que só 29% dos votantes acreditam no fact-checking realizado pelos próprios media

Depois o factor psicológico: muitas pessoas são crédulas e deixam-se enganar. Um dos estudos indica que quanto mais vezes lermos uma coisa falsa, como “um sari é um kilt”, mais ficamos perto de pensar que talvez seja verdade... 

O leitor que percorrer esta lista vai encontrar, evidentemente, muitas polémicas que atravessaram as eleições presidenciais nos EUA, vai reler muitas coisas que o Presidente-eleito Donald Trump disse ou prometeu fazer, vai encontrar o debate sobre o papel das redes sociais e as fake-news do Facebook, sobre as tentativas de criar legislação que possa controlar o fenómeno e até sobre os mecanismos digitais para fazer um fact-checking automático. 

Boa navegação neste oceano.

 

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China