Quinta-feira, 21 de Novembro, 2019
Media

Balanço e razão em 366 "links" sobre um ano de verificação de factos noticiosos

Este ano de 2016 foi o ano da “pós-verdade” ou do “pós-facto”, como alguns observadores preferem? O facto é que o debate sobre a autenticidade dos factos no jornalismo raramente foi tão fracturante e animado como ao longo de 2016. Para nos orientar nesta paisagem tumultuosa, Poynter.org, o site do Poynter Institute for Media Studies, organizou uma lista de 366 links, um por cada dia, que remetem para igual número de sites esclarecedores de tudo aquilo que não sabíamos a quem perguntar.

O texto de introdução conta como, na última década, mas muito especialmente nas últimas eleições presidenciais nos EUA, este trabalho de avaliar a veracidade das afirmações dos políticos se tornou tão intenso. Por um lado, as redes sociais deram aos jornalistas ferramentas para contestar os políticos em tempo real. Mas, ao mesmo tempo, “as plataformas digitais proporcionam vectores mais eficientes do que nunca para disseminar as falsidades. É este o paradoxo dos fact-checkers: mesmo no momento em que adquirem novos poderes para pedir contas aos políticos, as mentiras tornam-se mais persistentes do que nunca”. 

Não cabe aqui descrever a lista completa dos 366 sites  -  que é, aliás, fácil de usar, como um dicionário, ou uma lista telefónica, embora sem o apoio de uma ordem alfabética. Citamos uma meia dúzia, só para abrir o apetite. 

Comece pela história da ascenção do fact-checking político nos Estados Unidos, incluindo uma entrevista com o seu autor, Lucas Graves. Há depois um relatório do Reuters Institute sobre esta arte na Europa e outros estudos sobre países específicos, como Austrália, Brasil, Irlanda, Itália, Coreia do Sul, Irlanda do Norte, Reino Unido e, naturalmente, vários sobre os EUA. 

Há colaboração entre muitos destes grupos de verificação e, no mês de Junho, realizou-se em Buenos Aires um congresso de mais de 100 fact-checkers de 41países. 

Depois as sondagens: há para todos os gostos, incluindo uma que revela que só 29% dos votantes acreditam no fact-checking realizado pelos próprios media

Depois o factor psicológico: muitas pessoas são crédulas e deixam-se enganar. Um dos estudos indica que quanto mais vezes lermos uma coisa falsa, como “um sari é um kilt”, mais ficamos perto de pensar que talvez seja verdade... 

O leitor que percorrer esta lista vai encontrar, evidentemente, muitas polémicas que atravessaram as eleições presidenciais nos EUA, vai reler muitas coisas que o Presidente-eleito Donald Trump disse ou prometeu fazer, vai encontrar o debate sobre o papel das redes sociais e as fake-news do Facebook, sobre as tentativas de criar legislação que possa controlar o fenómeno e até sobre os mecanismos digitais para fazer um fact-checking automático. 

Boa navegação neste oceano.

 

Connosco
O risco do jornalismo de dados produzir gráficos enganosos Ver galeria

As visualizações de dados podem ser enganosas. No seu novo livro, "How Charts Lie",Alberto Cairo, não poupa palavras para expor os perigos de visualizações de dados mal projectadas. 

O autor identifica cinco grandes categorias de desenhos de gráficos, que não são o que parecem à primeira vista, desde os que contêm dados insuficientes até aos que, deliberadamente, ocultam ou enganam o espectador. 

Os jornalistas podem proteger-se de serem "enganados" pelos gráficos, aceitando que são tão vulneráveis quanto o público em geral.

Cairo descreve os gráficos como argumentos feitos visualmente, que precisam de ser avaliados e verificados com o mesmo cuidado que qualquer outro dado ao qual recorremos para escrever uma história. 

O número crescente de ferramentas de visualização de dados gratuitas e de baixo custo, como Datawrapper e Flourish, tornaram as histórias baseadas em dados acessíveis, até mesmo às pequenas redacções.

"Pensamos no New York Times como o padrão ouro da visualização de dados, mas, na Flórida, o Tampa Bay Times tem apenas duas ou três pessoas a realizar esse tipo de trabalho e estão a fazer peças vencedoras do Pulitzer", explica o autor. 

O artigo de Corinne Podger, publicado no site do IJNet, analisa os riscos dos enganos do jornalismo de dados.

Jornalismo tecnológico requer soluções no mundo digital Ver galeria

A postura dos jornalistas em relação aos meios tecnológicos tem vindo a sofrer algumas alterações. 

Os jornalistas têm adoptado novamente uma atitude de “watchdog” em relação a Silicon Valley, tendo começado a produzir reportagens sobre negligência e outros problemas gerados por estas empresas. Começaram a debater questões sociais e técnicas, como o caso das campanhas de desinformação e os efeitos discriminatórios de algoritmos. 

Porém, é importante que os jornalistas não só ajudem a compreender os problemas tecnológicos, mas que identifiquem, também, as possíveis soluções e os efeitos positivos da tecnologia na sociedade. 

Os autores do texto, publicado no site Columbia Journalism Review, sugerem que seja adoptado um jornalismo de soluções como um movimento a seguir na cobertura de temas tecnológicos. Este género de jornalismo propõe realizar reportagens centradas nas respostas aos problemas sociais reportados, minimizando a ideia feita de que os jornalistas apenas estão presentes quando ocorrem escândalos. 

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Agenda
01
Dez
05
Dez
Jornalismo Empreendedor
09:00 @ Cenjor
10
Dez
Colóquio - A Batalha: 100 anos
15:00 @ Biblioteca Nacional de Portugal