Quinta-feira, 20 de Fevereiro, 2020
Media

Jornalismo é uma profissão desejada por muitos mas marcada por incertezas e riscos

O que leva tantos jovens a desejarem o jornalismo? E o que os espera à saída do curso? Segundo o Relatório Anual da Profissão do Jornalismo em 2016, apresentado pela Asociación de la Prensa de Madrid, há 7.890 jornalistas registados em situação de desemprego, o que representa um aumento de 78% em relação a 2008, quando começou a grande crise. No entanto, as faculdades espanholas continuam a produzir 6.000 licenciados por ano  -  dez vezes mais do que o mercado consegue absorver.

Estes números, e a situação que descrevem, são reflectidos por Miguel Ormaetxea em artigo publicado na Media-tics, e o que ele conta é que o quadro real, visto de perto, é ainda pior. 

Mais de 55% dos jornalistas que trabalham têm uma jornada laboral de cerca de 45 horas semanais, e 40% dos que têm contrato ganham, ou menos de 600 euros, ou um máximo de 1.500 por mês. Entre os que trabalham de modo independente [autónomos, no relatório], 35% declaram que, ou não recebem nada, ou então alguma importância até um máximo de 1.000 euros por mês. 

“Se fizermos um cálculo sobre as 180 horas por mês da franja maioritária dos jornalistas que têm trabalho, podemos deduzir que recebem cerca de 5,5 euros por cada hora de trabalho  - mais ou menos metade do que cobram as empregadas de trabalho doméstico.” 

O texto de Miguel Ormaetxea incide sobretudo nas condições laborais, comparando a situação espanhola com a de outros países europeus, como a Alemanha e o Reino Unido, por exemplo, que também não é famosa: 

“Estes dados têm origem, em grande parte, na desastrosa situação dos meios de comunicação tradicionais. Basta um dado: segundo a Infoadex, os diários receberam, em 2007, um investimento publicitário de 2.027 milhões de euros. No ano passado esta importância reduziu-se a 658 milhões, e ainda não bateu no fundo.”  

“A difusão dos diários espanhóis, em 2007, estava em 4,3 milhões de exemplares, e agora está perto dos dois milhões de exemplares por dia, o que nos coloca no penúltimo lugar dentro da União Europeia.”

A última reflexão de autor é sobre os riscos de vida que o jornalismo implica cada vez mais, citando agora os números mais recentes de Repórteres sem Fronteiras  - que apresentamos noutro local deste site. Interroga-se Miguel Ormaetxea: “Por que será que os aspirantes a jornalistas continuam a encher as aulas?”

 

 

Mais informação no artigo citado, cuja imagem incluímos, e a reportagem da APM na apresentação do relatório, onde se explica também o modo de o obter

Connosco
Amal Clooney advoga mais liberdade de imprensa Ver galeria

A enviada especial britânica para a liberdade de imprensa, Amal Clooney, tem trabalhado, afincadamente, em defesa do livre exercício do jornalismo, mas acredita que os seus esforços estão a ser anulados por alguns líderes mundiais. Clooney destaca  as medidas coercivas de Donald Trump, a quem comparou, em entrevista ao “Guardian”, ao nível dos líderes autoritários.

Amal, que se distinguiu na defesa dos direitos humanos, destacou a urgência de o governo britânico unir esforços para derrotar os “predadores” da liberdade. A advogada acredita que tem em Dominic Raab, secretário dos Negócios Estrangeiros, um aliado, mas que as suas propostas requerem um apoio mais alargado. 

Agora que o Ofcom vai passar a regular a Internet no Reino Unido, Amal sugeriu a implementação de um instrumento, baseado nas sanções Magnitsky, visando penalizar qualquer entidade ou indivíduo que ameace os jornalistas, ou que restrinja conteúdos “online”.

Plataforma estabelece "ponte" entre académicos e imprensa Ver galeria

Apesar do grande número de estudos científicos publicados diariamente no Brasil, contactar os responsáveis por essas pesquisas pode ser, particularmente, ingrato. Perante essa realidade, duas jornalistas brasileiras especializadas em ciência, Ana Paula Morales e Sabine Righetti, criaram uma plataforma “online” para servir de “ponte” entre especialistas académicos e a imprensa. 

A Agência Bori é já parceira de 90 revistas científicas, mas quer expandir-se a novas publicações. A plataforma vai, agora, apresentar, semanalmente, três estudos inéditos, com potencial de divulgação e interesse público. Além disso, a equipa da Agência Bori está a realizar “workshops” de “media” para os cientistas que disponibilizam os seus conteúdos.

A Bori funciona através de um sistema de inteligência artificial único,  que agrega artigos de jornais científicos e gera alertas, de acordo com critérios definidos pelos jornalistas. Para ter acesso aos estudos, os profissionais de imprensa podem subscrever, gratuitamente, a plataforma.


O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...