Quarta-feira, 8 de Abril, 2020
Media

Jornalismo é uma profissão desejada por muitos mas marcada por incertezas e riscos

O que leva tantos jovens a desejarem o jornalismo? E o que os espera à saída do curso? Segundo o Relatório Anual da Profissão do Jornalismo em 2016, apresentado pela Asociación de la Prensa de Madrid, há 7.890 jornalistas registados em situação de desemprego, o que representa um aumento de 78% em relação a 2008, quando começou a grande crise. No entanto, as faculdades espanholas continuam a produzir 6.000 licenciados por ano  -  dez vezes mais do que o mercado consegue absorver.

Estes números, e a situação que descrevem, são reflectidos por Miguel Ormaetxea em artigo publicado na Media-tics, e o que ele conta é que o quadro real, visto de perto, é ainda pior. 

Mais de 55% dos jornalistas que trabalham têm uma jornada laboral de cerca de 45 horas semanais, e 40% dos que têm contrato ganham, ou menos de 600 euros, ou um máximo de 1.500 por mês. Entre os que trabalham de modo independente [autónomos, no relatório], 35% declaram que, ou não recebem nada, ou então alguma importância até um máximo de 1.000 euros por mês. 

“Se fizermos um cálculo sobre as 180 horas por mês da franja maioritária dos jornalistas que têm trabalho, podemos deduzir que recebem cerca de 5,5 euros por cada hora de trabalho  - mais ou menos metade do que cobram as empregadas de trabalho doméstico.” 

O texto de Miguel Ormaetxea incide sobretudo nas condições laborais, comparando a situação espanhola com a de outros países europeus, como a Alemanha e o Reino Unido, por exemplo, que também não é famosa: 

“Estes dados têm origem, em grande parte, na desastrosa situação dos meios de comunicação tradicionais. Basta um dado: segundo a Infoadex, os diários receberam, em 2007, um investimento publicitário de 2.027 milhões de euros. No ano passado esta importância reduziu-se a 658 milhões, e ainda não bateu no fundo.”  

“A difusão dos diários espanhóis, em 2007, estava em 4,3 milhões de exemplares, e agora está perto dos dois milhões de exemplares por dia, o que nos coloca no penúltimo lugar dentro da União Europeia.”

A última reflexão de autor é sobre os riscos de vida que o jornalismo implica cada vez mais, citando agora os números mais recentes de Repórteres sem Fronteiras  - que apresentamos noutro local deste site. Interroga-se Miguel Ormaetxea: “Por que será que os aspirantes a jornalistas continuam a encher as aulas?”

 

 

Mais informação no artigo citado, cuja imagem incluímos, e a reportagem da APM na apresentação do relatório, onde se explica também o modo de o obter

Connosco
O essencial em jornalismo em tempo de pandemia Ver galeria

A imprensa, em todo o mundo,  está a adaptar-se à nova realidade, desencadeada pela pandemia do coronavírus, e a trabalhar, maioritariamente, por via remota.


Os jornalistas parecem querer zelar pela saúde dos leitores e, nos “media” os avisos e as advertências repetem-se: ficar em casa para conter a disseminação do vírus, evitar aglomerados de pessoas, sair só em caso de emergência, ou para adquirir bens essenciais.

Ainda assim, alguns profissionais, nos Estados Unidos parecem não seguir a conduta que promovem, realizando reportagens no exterior e expondo-se à contaminação do vírus,  destaca Alexandria Nelson, num artigo publicado no “Columbia Journalism Review”

De acordo com a autora, os repórteres estão a pôr em causa a saúde pública,  deslocando-se, por exemplo, a praias para dar conta de cidadãos que não estão a cumprir as normas de isolamento. Os jornalistas querem, assim, distinguir-se dos restantes concidadãos. 

Moncloa recua e levanta restrições aos jornalistas Ver galeria

A Moncloa vai deixar de  “amordaçar” a imprensa. Depois da pressão exercida pelos “media”, o governo espanhol vai permitir que os jornalistas façam perguntas, por videochamada, durante as conferências de imprensa do primeiro-ministro Pedro Sánchez.

A decisão surge na sequência de uma denúncia conjunta de centenas jornalistas espanhóis, que se opuseram ao “modus operandi” das conferências de imprensa, controladas pelo Secretário de Estado da Comunicação, Miguel Angel Oliver.

Depois de a polémica se ter arrastado ao longo de várias semanas Oliver enviou, finalmente, uma nota às redações para informar que “a metodologia utilizada nas conferências de imprensa irá mudar”. 

O Governo garante, agora, que vai implementar um sistema seguro de videoconferência que terá rondas de perguntas. A selecção das questões será concretizada por um “mecanismo aleatório, público e verificável”.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Opinião
O Presidente do Governo espanhol deixou cair a mordaça que tinha imposto aos jornalistas nas videoconferências por causa do coronavírus.  A oposição de centenas de profissionais - que não se curvaram e souberam unir-se contra a censura dissimulada que estava a ser seguida pelo secretário de estado da Comunicação Social, ao filtrar as perguntas que mais convinham ao governo -, bem como a posição firme tomada...
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun