Sexta-feira, 3 de Abril, 2020
Media

Jornalismo brasileiro aposta na transparência para 2017

Se 2016 foi o ano da “pós-verdade”, 2017 será o ano da transparência para o jornalismo brasileiro. “Mais do que uma previsão, trata-se de uma necessidade para os profissionais e publicações que desejam reafirmar um contrato de confiança com o público.” É nestes termos que Moreno Cruz Osório apresenta, na sua própria contribuição para a recolha de depoimentos do NiemanLab, uma colecção semelhante realizada entre jornalistas brasileiros.

“A boa notícia  - conta o autor, docente de Jornalismo na Universidade Católica do Rio Grande do Sul -  é que há lugar para restaurar as nossas relações com os leitores, espectadores, ouvintes e utentes da Internet, e a forma de o fazer é sermos honestos e prestarmos atenção ao público.”

Esta é, como explica a seguir, uma das lições que se aprendem das 13 contribuições elaboradas para o projecto “O Jornalismo no Brasil em 2017”, uma iniciativa conjunta do Farol Jornalismo, que se dedica a investigar tendências no jornalismo, e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. 

Como introdução ao tema, Moreno Cruz Osório conta aos seus leitores do NiemanLab que, durante o ano de 2016, na sequência da crise política que levou à impugnação da Presidente Dilma Rousseff, o número de partilhas, no Facebook, de notícias falsas a respeito da Lava-Jato, foi maior que o de partilhas de notícias verdadeiras. 

Passando a apresentar alguns dos 13 artigos de “O Jornalismo no Brasil em 2017”, começa por sublinhar a importância atribuída às disciplinas de fact-checking, mencionando os artigos de Tai Nalon, directora de Aos Fatos, uma iniciativa pioneira neste terreno, no Brasil, e de Rogerio Christofoletti, coordenador do Observatório da Ética Jornalística ObjETHOS

Pedro Burgos, membro do grupo The Marshall Project, reflecte sobre a situação da Imprensa nos EUA, apontando que, “além do aumento nas assinaturas que meios tradicionais, como The New York Times, tiveram depois das eleições presidenciais, as iniciativas não-lucrativas estão a receber mais investimento”. 

Estes e os restantes depoimentos incluídos em “O Jornalismo no Brasil em 2017” podem ser aqui consultados, endereço que Moreno Cruz Osório deixa também, logo no primeiro parágrafo, aos leitores que tomem contacto com este estudo pela leitura do seu texto no NiemanLab.  

Connosco
A importância do jornalismo no reforço da transparência Ver galeria

É missão de todos os jornalistas ajudar o público a ver e a compreender os acontecimentos mais relevantes para a sociedade. Faz ainda parte dessa profissão auxiliar as pessoas a distinguir as opiniões, desde as irracionais, instigadas pelo ódio, aos factos jornalisticamente apurados. 

Em tempo de pandemia do novo coronavírus, a informação de qualidade ganha o mesmo grau de importância que o trabalho de médicos e de cientistas. Um novo estudo ou a cura de uma doença deverá ser divulgado e discutido à exaustão por especialistas e terá a divulgação assegurada pelos veículos de comunicação por intermédio dos jornalistas.

Num oportuno artigo publicado no Observatório da Imprensa, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceira, a jornalista Denise Becker reflectiu sobre a importância do papel da imprensa fidedigna, particularmente, numa altura em que figuras políticas desvalorizam os impactos de uma pandemia. 
Segundo a autora, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem deixado a nação perplexa, ao minimizar os efeitos do novo coronavírus, contrariando as recomendações dos médicos, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde para conter a disseminação da pandemia. Da mesma forma , o Presidente tem tecido duras críticas aos “media”, acusando-os de alarmismo e disseminar o pânico.

A vaga de "infodemia" como consequência do Covid-19 Ver galeria

A história da Humanidade ficou marcada por diversas pandemias, que tiveram consequências profundas. Tais acontecimentos marcaram o imaginário de alguns dos mais proeminentes autores da literatura modernas, que tomam acontecimentos trágicos, e absurdos, como a base das suas obras, reflexões e analogias.

Agora, atravessamos uma situação semelhante, mas com uma infinidade de recursos informativos. Nunca tivemos tantas possibilidades de informação e comunicação disponíveis, em momentos de crise e tensão, e  tantos dados e números que ajudam, sem dúvida, nas nossas tentativas de restabelecer o controle sobre a caótica situação. É a vaga da “infodemia”.

Saber o que acontece, as possibilidades envolvidas, as fórmulas para lidar com o risco e com a doença são factores fundamentais. No entanto, esse avanço em relação a outros tempos e ameaças produz, também, efeitos colaterais.

Perante os actuais acontecimentos  que assolam o mundo, o filósofo José Costa teceu considerações sobre algumas das mais conhecidas metáforas da literatura contemporânea, que fazem “ponte” com essa “infodemia”.  O artigo foi, originalmente, publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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