Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Media

Jornalismo brasileiro aposta na transparência para 2017

Se 2016 foi o ano da “pós-verdade”, 2017 será o ano da transparência para o jornalismo brasileiro. “Mais do que uma previsão, trata-se de uma necessidade para os profissionais e publicações que desejam reafirmar um contrato de confiança com o público.” É nestes termos que Moreno Cruz Osório apresenta, na sua própria contribuição para a recolha de depoimentos do NiemanLab, uma colecção semelhante realizada entre jornalistas brasileiros.

“A boa notícia  - conta o autor, docente de Jornalismo na Universidade Católica do Rio Grande do Sul -  é que há lugar para restaurar as nossas relações com os leitores, espectadores, ouvintes e utentes da Internet, e a forma de o fazer é sermos honestos e prestarmos atenção ao público.”

Esta é, como explica a seguir, uma das lições que se aprendem das 13 contribuições elaboradas para o projecto “O Jornalismo no Brasil em 2017”, uma iniciativa conjunta do Farol Jornalismo, que se dedica a investigar tendências no jornalismo, e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. 

Como introdução ao tema, Moreno Cruz Osório conta aos seus leitores do NiemanLab que, durante o ano de 2016, na sequência da crise política que levou à impugnação da Presidente Dilma Rousseff, o número de partilhas, no Facebook, de notícias falsas a respeito da Lava-Jato, foi maior que o de partilhas de notícias verdadeiras. 

Passando a apresentar alguns dos 13 artigos de “O Jornalismo no Brasil em 2017”, começa por sublinhar a importância atribuída às disciplinas de fact-checking, mencionando os artigos de Tai Nalon, directora de Aos Fatos, uma iniciativa pioneira neste terreno, no Brasil, e de Rogerio Christofoletti, coordenador do Observatório da Ética Jornalística ObjETHOS

Pedro Burgos, membro do grupo The Marshall Project, reflecte sobre a situação da Imprensa nos EUA, apontando que, “além do aumento nas assinaturas que meios tradicionais, como The New York Times, tiveram depois das eleições presidenciais, as iniciativas não-lucrativas estão a receber mais investimento”. 

Estes e os restantes depoimentos incluídos em “O Jornalismo no Brasil em 2017” podem ser aqui consultados, endereço que Moreno Cruz Osório deixa também, logo no primeiro parágrafo, aos leitores que tomem contacto com este estudo pela leitura do seu texto no NiemanLab.  

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
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