Sexta-feira, 24 de Janeiro, 2020
Estudo

A imprensa continuará em 2017 a perder receitas publicitárias

O “bolo” publicitário deverá crescer 4,8% no próximo ano, num valor estimado de 543 milhões de euros, embora com uma distribuição assimétrica pelos diferentes meios, de acordo com a projecção da Mediabrands.

O mesmo estudo indica que o mercado publicitário português vale cerca de 518 milhões de euros e terá crescido 4,7% em 2016.

De acordo com dados divulgados pelo site Meios & Publicidade, prevê-se que o sector da imprensa continuará em contracção. Nessa perspectiva, os jornais deverão perder até 23% de investimento de publicidade, passando dos 23 milhões de euros, em 2016, para os 18 milhões no próximo.

As revistas não serão também poupadas, devendo cair dos 23 milhões de receitas de publicidade, este ano, para 20 milhões em 2017, ou seja, menos 15%.

As previsões das agências de meios do grupo Interpublic não são mais optimistas, apontando para uma quebra de 8 milhões de euros na receita da publicidade em papel.

Em contrapartida, prevê-se que o digital continuará a subir no próximo ano, estimando-se um aumento da ordem dos 20% para os 122 milhões de euros de publicidade.

No tocante ao desempenho da TV por assinatura haverá um incremento de 8% para os 56 milhões.

A TV em sinal aberto deverá subir três por cento para os 225 milhões. A rádio continuará no positivo (+3% passando a captar 37 milhões.

O out of home valerá 63 milhões em 2017 (+2 por cento face a 2016).

A concluir o ano, verifica-se que a TV é o principal meio de captação de publicidade, assumindo uma fatia de 261 milhões. Logo a seguir, aparece o digital com 101 milhões. E depois, o out of home com 62 milhões.

No fim da lista das receitas publicitárias, aparece a imprensa (jornais e revistas) com 46 milhões, e a rádio com 36 milhões de euros.

A quebra de facturação de publicidade é o outro lado da crise da imprensa, já flagelada pela migração de leitores.

 

 

 

Connosco
Jornalistas europeus a leste não escapam às restrições dos "media"... Ver galeria

A Europa sempre foi considerada segura para a imprensa, mas, nem o velho continente escapa à crescente violência contra os “media”. Um estudo do Reuters Institute indica que os jornalistas europeus estão sob  pressão crescente, particularmente, no Leste do continente.

Nos últimos três anos, foram assassinados três jornalistas europeus, todos por terem reportado casos de corrupção e crime organizado, aos quais não eram alheios os respectivos governos. Foram os casos Daphne Caruana Galizia, em Malta, Ján Kuciak, na Eslováquia, e Viktoria Marinova, na Bulgária.

Os indicadores de liberdade de imprensa apontam para valores preocupantes, especialmente em países como a Polónia, a Hungria e a Eslováquia, onde os “media” são ameaçados por políticos, mas, igualmente  por jornalistas. Neste inquérito, 63% dos jornalistas afirmam já ter sido, publicamente, criticados por uma figura pública, quer directamente, quer através das redes sociais.


... E “comité” de jornalistas elabora “top 10” da censura aos “media” Ver galeria

A Eritreia é o país onde a censura é exercida de uma forma mais implacável, segundo  uma lista divulgada pelo CPJ - Comité para a Protecção dos Jornalistas. Essa lista integra 10 países, e é baseada numa pesquisa da organização sobre leis repressivas e vigilância de jornalistas, incluíndo restrições no acesso à internet e às redes sociais.

A lista abrange apenas os países onde o governo controla, rigidamente, os “media”. As condições para jornalistas e liberdade de imprensa em países como a Síria, Iémen e Somália são, também, extremamente difíceis, quer pela censura do governamental, quer, ainda, devido a conflitos armados. 

Nos três países onde a censura mais se faz sentir - Eritreia, Coreia do Norte e Turquemenistão – os “media” funcionam como porta-voz do Estado, e qualquer tentativa de jornalismo independente só é viável a partir do exterior. Os poucos jornalistas estrangeiros autorizados a entrar nesses países são seguidos, de perto, pelas autoridades. Outros usam uma combinação de medidas contundentes, como assédio e detenção arbitrária, bem como vigilância sofisticada. A Arábia Saudita, China, Vietname e Irão são especialmente adeptos destes comportamentos. 

Segue-se a lista dos “10 mais” em matéria de censura aos “media”:


O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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