Segunda-feira, 25 de Março, 2019
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Contar a verdade apesar dos poderosos é um princípio fundamental do jornalismo

Na cerimónia de entrega do Prémio Hitchens, que distingue um jornalista ou autor cuja obra demonstre uma dedicação à liberdade de expressão e a constante procura da verdade, sem receio das consequências, Marty Baron, actual director editorial do Washington Post, definiu a missão do jornalismo como sendo a de exigir contas aos mais poderosos. O seu discurso de agradecimento vem publicado na Vanity Fair, da qual Hitchens foi colaborador, e na Global Investigative Journalism Network, como uma “mensagem aos jornalistas na era de Trump”.

O Prémio, criado pela Fundação Dennis & Victoria Ross em homenagem ao falecido escritor britânico Christopher Hitchens, é tão recente que o próprio homenageado neste ano admitiu que não tinha conhecimento dele. 

Marty Baron sublinhou as diferenças entre ele mesmo e Christopher Hitchens, mas citou, a seguir, a resposta que este dera quando lhe fora perguntado o que pensava da fatwa lançada pelo Ayatollah Khomeini contra o escritor Salman Rushdie. E a resposta era que se tratava de tudo o que detestava contra tudo o que amava. De um lado a ditadura, a religião, a estupidez, a demagogia, a censura, bullying e intimidação. Do outro lado, a literatura, a ironia, humor, o indivíduo e a defesa da liberdade de expressão, mais a amizade. 

É neste terreno dos valores, exceptuando a referência à religião  - que, sublinhou Marty Baron, ele próprio não odeia -  que se considera em comunhão com Christopher Hitchens:

“Os valores são o que mais importa. E esta é uma boa altura para falar deles. Uma boa altura para reafirmar aquilo por que nós, jornalistas, nos batemos.” 

Marty Baron referiu-se então ao Presidente que vai ser proximamente empossado, e que “foi eleito depois de ter conduzido um ataque directo contra a Imprensa; a animosidade contra os media era uma peça central da sua campanha”. Recordou que ele considerou os jornalistas “a mais baixa forma de humanidade”, e depois “a mais baixa forma de vida”. Recordou também que o jornal Washington Post teve as credenciais de acesso revogadas durante a campanha. 

“Muitos jornalistas  - disse depois -  interrogam-se com preocupação considerável como é que vai ser para nós nos próximos quatro, ou talvez oito anos. Vamos ser constantemente assediados e caluniados? O novo governo vai usar todas as oportunidades para tentar intimidar-nos? Vamos enfrentar obstruções em toda a parte?” 

Em última instância, afirmou, “a defesa da liberdade de Imprensa está no nosso trabalho diário”, e citou os princípios estabelecidos em 1933 pelo então novo proprietário do Washington Post, Eugene Meyer: “A primeira missão de um jornal é contar a verdade, tão exacta como essa verdade possa ser averiguada.” 

E foi a propósito da sua própria experiência enquanto editor do Boston Globe, cuja equipa de investigação Spotlight conduziu a famosa reportagem de denúncia da pedofilia e seu encobrimento entre o clero católico da região de Boston, que Marty Baron recordou uma pergunta que lhe era feita depois de o tema ser tratado em filme: como é que tinham procedido desse modo contra a mais poderosa instituição da Nova Inglaterra, e uma das mais poderosas do mundo, a Igreja Católica. Disse Marty Baron: 

“Essa pergunta realmente deixa-me perplexo, principalmente quando vem de jornalistas ou de quem deseja entrar na profissão. Porque exigir contas aos mais poderosos é aquilo que se espera que nós façamos. Se não fizermos isso, então qual é, exactamente, o propósito do jornalismo? Deus nos livre de nos metermos com as instituições ou os indivíduos mais fracos, deixando de fora os mais fortes, só porque podem ripostar com toda a força."

 

O discurso de Marty Baron, na íntegra, na Vanity Fair e na GIJN; imagem do Departamento de Jornalismo da Lehigh University

 

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José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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