Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Mundo

RSF elabora lista dos “predadores” da liberdade de imprensa

Passou despercebido em Portugal o Dia Mundial contra a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, assinalado ainda em Novembro pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), com a publicação de uma galeria de retratos verdadeiramente obscura.

Nessa galeria figuram 35 chefes de Estado, políticos, líderes religiosos, milícias e organizações criminais que censuram, prende, torturam e assassinam jornalistas.

São conhecidos, conforme é referido pelo site dos RSF, como os “predadores” da Liberdade de Imprensa, que, todos os anos, causam estragos profundos desde há décadas.

De Singapura à Tailândia, passando por Cuba, Eritreia, Burundi, República Democrática do Congo e Sudão do Sul, a maioria dos “predadores” são chefes de Estado e de governo.

Entre os novos membros da lista figura o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que controla agora os principais grupos de imprensa do país. 

O estado de emergência instaurado desde Julho, após o falhado golpe de Estado ofereceu a Erdogan a oportunidade para deter mais de 200 jornalistas e encerrar mais de 100 meios de comunicação, entre diários, revistas, televisões e rádios.

Outro adepto das detenções arbitrárias, segundo ainda o RSF, é o presidente do Egipto, Abdel Fatah al Sisi, que ascendeu ao poder em 2014.

Na mesma linha, o primeiro ministro da Tailândia, Prayut Chan-Ocha, intimida os meios de comunicação e blogers e amordaça jornalistas, prevalecendo-se da lei marcial, instaurada em Maio de 2014.

Também no Burundi, o presidente da República, Pierre Nkurunziza, empreendeu em 2015 uma intensa campanha de repressão contra os media. Na Arábia Saudita, o rei Salman bin Abdulaziz al Saud, que sucedeu a seu irmão Abdullah, ostenta uma relação difícil com a Liberdade de Imprensa.

Por seu lado, na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro tem procurado submeter os meios de comunicação, quer através de amigos que compraram meios como o diário El Universal e o canal Globovisión, ou promovendo a escassez de papel, uma estratégia orquestrada astuciosamente, para reduzir a circulação da imprensa escrita. Não hesita também em aplicar uma lei que criminaliza qualquer conteúdo que “questione a autoridade constituída legitimamente “.

No que respeita a extremistas religiosos, o grupo Estado Islâmico tem vindo a semear o terror. Mas não está sozinho. Na lista consta, também, o movimento extremista islâmico do Bangladesh, que usa o facebook para enunciar nomes de “blasfemos” -  blogers laicos e pensadores livres. No Afeganistão e Paquistão os talibãns não renunciaram à sua barbárie nas zonas que controlam.

Finalmente, o movimento político xiita do Iémen, apoderou-se de canais de televisão, como Al-Jazeera, Al-Yamane-Chabab, Yémen-Digital Média, perseguindo ainda jornalistas, outro tanto acontecendo no México.

 
Veja aqui a galeria inserida no site dos Repórteres Sem Fronteiras

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
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