Quinta-feira, 21 de Novembro, 2019
Mundo

RSF elabora lista dos “predadores” da liberdade de imprensa

Passou despercebido em Portugal o Dia Mundial contra a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, assinalado ainda em Novembro pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), com a publicação de uma galeria de retratos verdadeiramente obscura.

Nessa galeria figuram 35 chefes de Estado, políticos, líderes religiosos, milícias e organizações criminais que censuram, prende, torturam e assassinam jornalistas.

São conhecidos, conforme é referido pelo site dos RSF, como os “predadores” da Liberdade de Imprensa, que, todos os anos, causam estragos profundos desde há décadas.

De Singapura à Tailândia, passando por Cuba, Eritreia, Burundi, República Democrática do Congo e Sudão do Sul, a maioria dos “predadores” são chefes de Estado e de governo.

Entre os novos membros da lista figura o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que controla agora os principais grupos de imprensa do país. 

O estado de emergência instaurado desde Julho, após o falhado golpe de Estado ofereceu a Erdogan a oportunidade para deter mais de 200 jornalistas e encerrar mais de 100 meios de comunicação, entre diários, revistas, televisões e rádios.

Outro adepto das detenções arbitrárias, segundo ainda o RSF, é o presidente do Egipto, Abdel Fatah al Sisi, que ascendeu ao poder em 2014.

Na mesma linha, o primeiro ministro da Tailândia, Prayut Chan-Ocha, intimida os meios de comunicação e blogers e amordaça jornalistas, prevalecendo-se da lei marcial, instaurada em Maio de 2014.

Também no Burundi, o presidente da República, Pierre Nkurunziza, empreendeu em 2015 uma intensa campanha de repressão contra os media. Na Arábia Saudita, o rei Salman bin Abdulaziz al Saud, que sucedeu a seu irmão Abdullah, ostenta uma relação difícil com a Liberdade de Imprensa.

Por seu lado, na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro tem procurado submeter os meios de comunicação, quer através de amigos que compraram meios como o diário El Universal e o canal Globovisión, ou promovendo a escassez de papel, uma estratégia orquestrada astuciosamente, para reduzir a circulação da imprensa escrita. Não hesita também em aplicar uma lei que criminaliza qualquer conteúdo que “questione a autoridade constituída legitimamente “.

No que respeita a extremistas religiosos, o grupo Estado Islâmico tem vindo a semear o terror. Mas não está sozinho. Na lista consta, também, o movimento extremista islâmico do Bangladesh, que usa o facebook para enunciar nomes de “blasfemos” -  blogers laicos e pensadores livres. No Afeganistão e Paquistão os talibãns não renunciaram à sua barbárie nas zonas que controlam.

Finalmente, o movimento político xiita do Iémen, apoderou-se de canais de televisão, como Al-Jazeera, Al-Yamane-Chabab, Yémen-Digital Média, perseguindo ainda jornalistas, outro tanto acontecendo no México.

 
Veja aqui a galeria inserida no site dos Repórteres Sem Fronteiras

Connosco
O risco do jornalismo de dados produzir gráficos enganosos Ver galeria

As visualizações de dados podem ser enganosas. No seu novo livro, "How Charts Lie",Alberto Cairo, não poupa palavras para expor os perigos de visualizações de dados mal projectadas. 

O autor identifica cinco grandes categorias de desenhos de gráficos, que não são o que parecem à primeira vista, desde os que contêm dados insuficientes até aos que, deliberadamente, ocultam ou enganam o espectador. 

Os jornalistas podem proteger-se de serem "enganados" pelos gráficos, aceitando que são tão vulneráveis quanto o público em geral.

Cairo descreve os gráficos como argumentos feitos visualmente, que precisam de ser avaliados e verificados com o mesmo cuidado que qualquer outro dado ao qual recorremos para escrever uma história. 

O número crescente de ferramentas de visualização de dados gratuitas e de baixo custo, como Datawrapper e Flourish, tornaram as histórias baseadas em dados acessíveis, até mesmo às pequenas redacções.

"Pensamos no New York Times como o padrão ouro da visualização de dados, mas, na Flórida, o Tampa Bay Times tem apenas duas ou três pessoas a realizar esse tipo de trabalho e estão a fazer peças vencedoras do Pulitzer", explica o autor. 

O artigo de Corinne Podger, publicado no site do IJNet, analisa os riscos dos enganos do jornalismo de dados.

Jornalismo tecnológico requer soluções no mundo digital Ver galeria

A postura dos jornalistas em relação aos meios tecnológicos tem vindo a sofrer algumas alterações. 

Os jornalistas têm adoptado novamente uma atitude de “watchdog” em relação a Silicon Valley, tendo começado a produzir reportagens sobre negligência e outros problemas gerados por estas empresas. Começaram a debater questões sociais e técnicas, como o caso das campanhas de desinformação e os efeitos discriminatórios de algoritmos. 

Porém, é importante que os jornalistas não só ajudem a compreender os problemas tecnológicos, mas que identifiquem, também, as possíveis soluções e os efeitos positivos da tecnologia na sociedade. 

Os autores do texto, publicado no site Columbia Journalism Review, sugerem que seja adoptado um jornalismo de soluções como um movimento a seguir na cobertura de temas tecnológicos. Este género de jornalismo propõe realizar reportagens centradas nas respostas aos problemas sociais reportados, minimizando a ideia feita de que os jornalistas apenas estão presentes quando ocorrem escândalos. 

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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