Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Mundo

RSF elabora lista dos “predadores” da liberdade de imprensa

Passou despercebido em Portugal o Dia Mundial contra a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, assinalado ainda em Novembro pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), com a publicação de uma galeria de retratos verdadeiramente obscura.

Nessa galeria figuram 35 chefes de Estado, políticos, líderes religiosos, milícias e organizações criminais que censuram, prende, torturam e assassinam jornalistas.

São conhecidos, conforme é referido pelo site dos RSF, como os “predadores” da Liberdade de Imprensa, que, todos os anos, causam estragos profundos desde há décadas.

De Singapura à Tailândia, passando por Cuba, Eritreia, Burundi, República Democrática do Congo e Sudão do Sul, a maioria dos “predadores” são chefes de Estado e de governo.

Entre os novos membros da lista figura o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que controla agora os principais grupos de imprensa do país. 

O estado de emergência instaurado desde Julho, após o falhado golpe de Estado ofereceu a Erdogan a oportunidade para deter mais de 200 jornalistas e encerrar mais de 100 meios de comunicação, entre diários, revistas, televisões e rádios.

Outro adepto das detenções arbitrárias, segundo ainda o RSF, é o presidente do Egipto, Abdel Fatah al Sisi, que ascendeu ao poder em 2014.

Na mesma linha, o primeiro ministro da Tailândia, Prayut Chan-Ocha, intimida os meios de comunicação e blogers e amordaça jornalistas, prevalecendo-se da lei marcial, instaurada em Maio de 2014.

Também no Burundi, o presidente da República, Pierre Nkurunziza, empreendeu em 2015 uma intensa campanha de repressão contra os media. Na Arábia Saudita, o rei Salman bin Abdulaziz al Saud, que sucedeu a seu irmão Abdullah, ostenta uma relação difícil com a Liberdade de Imprensa.

Por seu lado, na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro tem procurado submeter os meios de comunicação, quer através de amigos que compraram meios como o diário El Universal e o canal Globovisión, ou promovendo a escassez de papel, uma estratégia orquestrada astuciosamente, para reduzir a circulação da imprensa escrita. Não hesita também em aplicar uma lei que criminaliza qualquer conteúdo que “questione a autoridade constituída legitimamente “.

No que respeita a extremistas religiosos, o grupo Estado Islâmico tem vindo a semear o terror. Mas não está sozinho. Na lista consta, também, o movimento extremista islâmico do Bangladesh, que usa o facebook para enunciar nomes de “blasfemos” -  blogers laicos e pensadores livres. No Afeganistão e Paquistão os talibãns não renunciaram à sua barbárie nas zonas que controlam.

Finalmente, o movimento político xiita do Iémen, apoderou-se de canais de televisão, como Al-Jazeera, Al-Yamane-Chabab, Yémen-Digital Média, perseguindo ainda jornalistas, outro tanto acontecendo no México.

 
Veja aqui a galeria inserida no site dos Repórteres Sem Fronteiras

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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