Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

Aumenta o número de jornalistas presos no mundo

O número de jornalistas presos aumentou, este ano, cerca de 22%, segundo o mais recente balanço da organização Repórteres sem Fronteiras, que contabiliza 187 profissionais detidos, sobretudo na Turquia, depois do falhado golpe de Julho. Acrescentando a este número 15 colaboradores dos media e 146 “jornalistas-cidadãos”, a RSF refere-se a 348 presos por exercerem a missão de informar.

O balanço anual da RSF, fechado a 1 de Dezembro, inclui mais 52 jornalistas feitos reféns  -  26 na Síria, 16 no Iémen e dez no Iraque. Um jornalista foi dado como desaparecido (Jean Bigirimana, do Burundi). 

Segundo notícia da TSF, que aqui citamos, “todos estes casos ocorreram em zonas de conflito no Médio Oriente e 89% deles eram jornalistas locais que, com frequência, trabalham por conta própria ‘em condições precárias e muito arriscadas’, sublinha a RSF.” 

“A organização diz que o grupo extremista Estado Islâmico (EI) foi o autor de 21 sequestros. Quanto à Turquia, diz que se transformou na "maior prisão para jornalistas profissionais" em 2016.”

Para além da Turquia, a China continua a ser o país com mais jornalistas presos (103), seguida da Síria (28), Egito (27) e Irão (24).

 

Noutro relatório também publicado, o Comité para Proteção dos Jornalistas (CPJ) diz que são 259 os jornalistas presos no mundo, 81 dos quais na Turquia. O CPJ só contabiliza os detidos pelos Estados, enquanto a RSF leva em consideração jornalistas presos por grupos não estatais. Na contabilidade do CPJ, os cinco países onde há mais jornalistas presos são Turquia, China, Egito, Eritreia e Etiópia.

 

Mais informação na TSF, o Balanço de RSF e a notícia do CPJ

 

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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