Sábado, 18 de Janeiro, 2020
Media

“Financial Times” já ganha mais no digital do que na edição impressa

O diário britânico Financial Times conseguiu chegar ao patamar desejado por qualquer jornal tradicional nos tempos que correm  -  ter as suas principais fontes de receita pelo lado das assinaturas da edição digital, mais do que da impressa, e pelo dos conteúdos, mais do que da publicidade. É o primeiro jornal britânico a passar as duas barreiras com êxito.

O Financial Times introduziu as assinaturas digitais em 2002 e, dez anos depois, estas já eram mais do que as da edição impressa. A partir de 2014, também as receitas relacionadas com o conteúdo começaram a passar acima das provenientes da publicidade. 

Segundo notícia do The Guardian, aqui citada da Media-tics e da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria  -  o conteúdo representa agora cerca de 60% do total de receita. E dos seus 843 mil assinantes, 640 mil são do digital (o que representa um aumento de 75 mil em relação ao ano passado). 

A mesma notícia aponta dois factos que podem ajudar a explicar este bom resultado: “o abrigo financeiro do grupo Nikkei [actual detentor do título], que o ajudou a crescer no digital, e os acontecimentos mundiais do ano (o Brexit, a eleição de Trump), que fizeram disparar a sua audiência e número de assinantes (os homens de negócios procuram nas suas páginas as chaves para entender as consequências da saída do Reino Unido da Europa.” 

Apesar deste êxito online, o Financial Times garante que a edição impressa “continua a ser rentável” e que “os nossos números ao fim-de-semana são dinâmicos”. 

Mais informação na notícia original, do Guardian, e no link da Media-tics, na APM

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
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