null, 26 de Maio, 2019
Media

“Financial Times” já ganha mais no digital do que na edição impressa

O diário britânico Financial Times conseguiu chegar ao patamar desejado por qualquer jornal tradicional nos tempos que correm  -  ter as suas principais fontes de receita pelo lado das assinaturas da edição digital, mais do que da impressa, e pelo dos conteúdos, mais do que da publicidade. É o primeiro jornal britânico a passar as duas barreiras com êxito.

O Financial Times introduziu as assinaturas digitais em 2002 e, dez anos depois, estas já eram mais do que as da edição impressa. A partir de 2014, também as receitas relacionadas com o conteúdo começaram a passar acima das provenientes da publicidade. 

Segundo notícia do The Guardian, aqui citada da Media-tics e da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria  -  o conteúdo representa agora cerca de 60% do total de receita. E dos seus 843 mil assinantes, 640 mil são do digital (o que representa um aumento de 75 mil em relação ao ano passado). 

A mesma notícia aponta dois factos que podem ajudar a explicar este bom resultado: “o abrigo financeiro do grupo Nikkei [actual detentor do título], que o ajudou a crescer no digital, e os acontecimentos mundiais do ano (o Brexit, a eleição de Trump), que fizeram disparar a sua audiência e número de assinantes (os homens de negócios procuram nas suas páginas as chaves para entender as consequências da saída do Reino Unido da Europa.” 

Apesar deste êxito online, o Financial Times garante que a edição impressa “continua a ser rentável” e que “os nossos números ao fim-de-semana são dinâmicos”. 

Mais informação na notícia original, do Guardian, e no link da Media-tics, na APM

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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