Sábado, 4 de Julho, 2020
Media

Facebook como quiosque digital que só vende primeiras páginas

Ainda não resolvemos o problema da passagem do jornal impresso ao "nativo digital" e já se discute a sobrevivência deste enquanto possuidor de identidade própria. Não é só a questão de saber de onde vêm as receitas: dentro de muito pouco tempo, diz um jornalista francês interessado por este tema, os sites de informação podem cair todos dentro do Facebook. E o que ele propõe, no fundo, é uma sobrevivência por adaptação: se o Facebook só vende capas apelativas, então cada "conteúdo" que queira captar alguma atenção tem de ser redigido como uma primeira página irrecusável  -  ou desaparecer no torvelinho.

O artigo de Raphael Cosimano, que aqui citamos de LesEchos.fr, começa pelo futuro próximo, faltam só quatro anos: em 2020 já não teremos de entrar na rede pelos nossos navegadores habituais, vamos direitos ao Facebook, porque Mark Zuckerberg ganhou a sua aposta de engolir quase toda a Internet. 

Isto significa que, daqui para a frente, os meios de informação e os criadores de conteúdos deixam de ter sites independentes e só existem nas redes sociais, sobretudo no Facebook. E se assim é, então "os media do futuro serão, de facto, apátridas; já não terão um país (o seu website), mas apenas uma pequena embaixada (a sua página no Facebook), dificilmente distinguível das outras".

E significa outra coisa mais grave: que eles só existem pelo que publicam, que vai sendo "recompensado ou condenado" ao longo do dia: "Uma pessoa pode lembrar-se, talvez, dos três últimos vídeos que lhe chamaram a atenção no Facebook. Mas não forçosamente da sua origem."

Diz então o autor :

"O próximo desaparecimento dos websites vai dar novas responsabilidades (ou obrigações) aos criadores de conteúdos. Com efeito, cada uma das suas peças publicadas definirá totalmente a identidade do meio. Vai ser preciso distinguir-se em muito pouco espaço, em poucos caracteres, poucas ideias e respeitando o formato da plataforma escolhida." 

"Do mesmo modo que uma canção que queira passar na rádio tem, absolutamente, de propor um refrão nos 30 primeiros segundos, um vídeo no Facebook tem, forçosamente, de encontrar maneira de impedir que o utente faça scroll nos primeiros cinco segundos. A forma vai gerar o fundo." 

Assustador ? Será possível fazer jornalismo sério neste formato ? E Shakespeare, aceitaria isto ?

Raphael Cosimano, que dirige a redacção de uma newsletter para o life-style de jovens casais que queiram ser informados das melhores opções para passar noites agradaváveis em Paris, não nos pede reflexões tão elevadas. 

"Um meio que deseje encontrar sucesso deverá, então, pôr muita concentração em cada uma das suas intervenções. (…) Num newsfeed que decide da vida ou da morte de um post em poucas horas, cada uma das entradas publicadas por um meio de comunicação deve ser pensada como a primeira página de um jornal de grande tiragem." 

Trata-se então de ter sucesso em fixar a preciosa atenção de quem faz deslizar, com um dedo, um caudal de notícias concorrentes:

"Uma página clássica de Facebook produzirá umas quinze 'capas' por dia, e o Facebook será, mais do que nunca, aquilo que no fundo sempre foi: um quiosque digital de jornais, que só vende primeiras páginas."

 

Mais informação no artigo original, em LesEchos.fr

Connosco
Lei de transparência aprovada no Brasil encontra resistências Ver galeria

Os “fact-checkers” brasileiros uniram-se contra a aprovação da “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”.

Segundo aqueles profissionais, esta lei aumenta o poder do Senado perante os “media”, porque lhes permite distinguir, oficialmente, o que é informação do que é “fake news”

O texto estabelece, ainda, que as autoridades podem rastrear mensagens replicadas nas redes sociais.

Em entrevista ao instituto Poynter, Natália Leal, coordenadora da empresa de “fact-checking” Agência Lupa, constatou, ainda, que o documento permite ao Governo definir o que é a verificação de factos, e levantar condicionantes às suas actividades. Até porque, alguma figuras políticas, que apoiaram a aprovação da lei, consideram que o “fact-checking” não é mais do que um posicionamento ideológico.


A distribuidora Presstalis reaparece como France Messagerie Ver galeria

A Presstalis -- principal distribuidora de imprensa em França -- foi salva, depois de o Tribunal de Comércio de Paris ratificar a oferta de aquisição, apresentada pela Cooperativa de jornais diários franceses. 

A empresa, que foi rebaptizada de "France Messagerie", passará a empregar cerca de 300 pessoas, o que representa uma redução da força laboral para um terço.

"A prioridade da France Messagerie é, agora, construir relações de confiança, transparentes e duradouras com todos os actores do sector", sublinhou, num comunicado à imprensa Louis Dreyfus, Presidente da Cooperativa dos jornais diários, France Messagerie e do Conselho de Administração do Grupo Le Monde.

O “rebranding” da distribuidora é, contudo, apenas um primeiro passo, já que a empresa deverá fundir as operações com a Messageries Lyonnaises de Presse (MLP), no prazo de três anos.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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A internet e a liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
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27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague