Sexta-feira, 3 de Abril, 2020
Media

Facebook como quiosque digital que só vende primeiras páginas

Ainda não resolvemos o problema da passagem do jornal impresso ao "nativo digital" e já se discute a sobrevivência deste enquanto possuidor de identidade própria. Não é só a questão de saber de onde vêm as receitas: dentro de muito pouco tempo, diz um jornalista francês interessado por este tema, os sites de informação podem cair todos dentro do Facebook. E o que ele propõe, no fundo, é uma sobrevivência por adaptação: se o Facebook só vende capas apelativas, então cada "conteúdo" que queira captar alguma atenção tem de ser redigido como uma primeira página irrecusável  -  ou desaparecer no torvelinho.

O artigo de Raphael Cosimano, que aqui citamos de LesEchos.fr, começa pelo futuro próximo, faltam só quatro anos: em 2020 já não teremos de entrar na rede pelos nossos navegadores habituais, vamos direitos ao Facebook, porque Mark Zuckerberg ganhou a sua aposta de engolir quase toda a Internet. 

Isto significa que, daqui para a frente, os meios de informação e os criadores de conteúdos deixam de ter sites independentes e só existem nas redes sociais, sobretudo no Facebook. E se assim é, então "os media do futuro serão, de facto, apátridas; já não terão um país (o seu website), mas apenas uma pequena embaixada (a sua página no Facebook), dificilmente distinguível das outras".

E significa outra coisa mais grave: que eles só existem pelo que publicam, que vai sendo "recompensado ou condenado" ao longo do dia: "Uma pessoa pode lembrar-se, talvez, dos três últimos vídeos que lhe chamaram a atenção no Facebook. Mas não forçosamente da sua origem."

Diz então o autor :

"O próximo desaparecimento dos websites vai dar novas responsabilidades (ou obrigações) aos criadores de conteúdos. Com efeito, cada uma das suas peças publicadas definirá totalmente a identidade do meio. Vai ser preciso distinguir-se em muito pouco espaço, em poucos caracteres, poucas ideias e respeitando o formato da plataforma escolhida." 

"Do mesmo modo que uma canção que queira passar na rádio tem, absolutamente, de propor um refrão nos 30 primeiros segundos, um vídeo no Facebook tem, forçosamente, de encontrar maneira de impedir que o utente faça scroll nos primeiros cinco segundos. A forma vai gerar o fundo." 

Assustador ? Será possível fazer jornalismo sério neste formato ? E Shakespeare, aceitaria isto ?

Raphael Cosimano, que dirige a redacção de uma newsletter para o life-style de jovens casais que queiram ser informados das melhores opções para passar noites agradaváveis em Paris, não nos pede reflexões tão elevadas. 

"Um meio que deseje encontrar sucesso deverá, então, pôr muita concentração em cada uma das suas intervenções. (…) Num newsfeed que decide da vida ou da morte de um post em poucas horas, cada uma das entradas publicadas por um meio de comunicação deve ser pensada como a primeira página de um jornal de grande tiragem." 

Trata-se então de ter sucesso em fixar a preciosa atenção de quem faz deslizar, com um dedo, um caudal de notícias concorrentes:

"Uma página clássica de Facebook produzirá umas quinze 'capas' por dia, e o Facebook será, mais do que nunca, aquilo que no fundo sempre foi: um quiosque digital de jornais, que só vende primeiras páginas."

 

Mais informação no artigo original, em LesEchos.fr

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A importância do jornalismo no reforço da transparência Ver galeria

É missão de todos os jornalistas ajudar o público a ver e a compreender os acontecimentos mais relevantes para a sociedade. Faz ainda parte dessa profissão auxiliar as pessoas a distinguir as opiniões, desde as irracionais, instigadas pelo ódio, aos factos jornalisticamente apurados. 

Em tempo de pandemia do novo coronavírus, a informação de qualidade ganha o mesmo grau de importância que o trabalho de médicos e de cientistas. Um novo estudo ou a cura de uma doença deverá ser divulgado e discutido à exaustão por especialistas e terá a divulgação assegurada pelos veículos de comunicação por intermédio dos jornalistas.

Num oportuno artigo publicado no Observatório da Imprensa, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceira, a jornalista Denise Becker reflectiu sobre a importância do papel da imprensa fidedigna, particularmente, numa altura em que figuras políticas desvalorizam os impactos de uma pandemia. 
Segundo a autora, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem deixado a nação perplexa, ao minimizar os efeitos do novo coronavírus, contrariando as recomendações dos médicos, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde para conter a disseminação da pandemia. Da mesma forma , o Presidente tem tecido duras críticas aos “media”, acusando-os de alarmismo e disseminar o pânico.

A vaga de "infodemia" como consequência do Covid-19 Ver galeria

A história da Humanidade ficou marcada por diversas pandemias, que tiveram consequências profundas. Tais acontecimentos marcaram o imaginário de alguns dos mais proeminentes autores da literatura modernas, que tomam acontecimentos trágicos, e absurdos, como a base das suas obras, reflexões e analogias.

Agora, atravessamos uma situação semelhante, mas com uma infinidade de recursos informativos. Nunca tivemos tantas possibilidades de informação e comunicação disponíveis, em momentos de crise e tensão, e  tantos dados e números que ajudam, sem dúvida, nas nossas tentativas de restabelecer o controle sobre a caótica situação. É a vaga da “infodemia”.

Saber o que acontece, as possibilidades envolvidas, as fórmulas para lidar com o risco e com a doença são factores fundamentais. No entanto, esse avanço em relação a outros tempos e ameaças produz, também, efeitos colaterais.

Perante os actuais acontecimentos  que assolam o mundo, o filósofo José Costa teceu considerações sobre algumas das mais conhecidas metáforas da literatura contemporânea, que fazem “ponte” com essa “infodemia”.  O artigo foi, originalmente, publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

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A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

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