Sábado, 18 de Janeiro, 2020
Media

Jornais digitais europeus ganham terreno onde os meios tradicionais são fracos

Os novos jornais europeus já nascidos em suporte digital são mais bem sucedidos em países onde os media tradicionais são fracos, e muitos foram fundados, em primeiro lugar, com o objectivo de produzir jornalismo de qualidade ou de impacto social. Estes dados são de um estudo elaborado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism sobre doze exemplos de meios digitais em quatro países europeus  - França, Alemanha, Espanha e Reino Unido.

O estudo original revela que, ao contrário do que se passa nos EUA, os digital-born europeus estão mais próximos dos meios tradicionais, na sua motivação fundadora. “São habitualmente lançados e desenvolvidos por jornalistas, frequentemente com experiência sénior de trabalho já feito em jornais tradicionais. Produzir um jornalismo de qualidade, ou ter impacto social, parecem ser as suas primeiras ambições, mais do que as de divulgar  inovação digital ou construir novos projectos mediáticos lucrativos.” 

Estes novos media tornam-se mais proeminentes na Espanha e em França, com um jornalismo tradicional relativamente mais fraco, ao contrário da Alemanha e do Reino Unido, onde os jornais tradicionais continuam fortes. “Os novos projectos jornalísticos parecem ter encontrado mais sucesso nos locais onde os antigos são fracos, em vez de ser onde os meios digitais já são mais amplamente utilizados, ou onde o mercado da publicidade online está mais desenvolvido”. 

Embora tenham as suas diferenças, os meios digitais europeus continuam a ser semelhantes aos impressos tradicionais. “É feito algum jornalismo interessante, mas os assuntos cobertos não são necessariamente mais inovadores que os dos principais meios tradicionais, em termos dos seus modelos de financiamento, estratégias de distribuição ou prioridades editoriais”. 

“Em termos de financiamento, o mercado publicitário online continua difícil para todos os produtores de conteúdos, e o progresso na aquisição de assinantes é gradual. Em consequência disto, os meios nativos digitais estão a tentar muitas das mesmas vias  - vídeo, conteúdos patrocinados, várias formas de pagamento e diversificação comercial -  seguidas pelos seus concorrentes tradicionais.” 

A análise do Observatório Europeu do Jornalismo procurou ver estas questões mais de perto, chegando à conclusão de que “o modelo de financiamento pelos anúncios é prevalecente entre os mais antigos meios digitais, que apontam para uma audiência larga, enquanto os mais novos têm geralmente optado por um modelo sustentado por assinaturas ou doações, e procuram antes servir nichos de mercado”. (...) 

“Mesmo as maiores empresas entre as estudadas não pretendem replicar toda a gama de conteúdos dos jornais impressos. Enquanto os casos mais salientes, em França e na Espanha, se aproximam mais de perto de um jornal online, continuam selectivos a respeito do âmbito da sua cobertura.” 

Nas listas de meios digitais abrangidos por este estudo, há um que aparece nos quatro países: o Huffington Post, em todas as suas línguas. Para além disso, a França tem Les Jours e Mediapart; a Espanha tem El Confidencial e El Español; a Alemanha tem Correctiv e Krautreporter; e o Reino Unido tem The Bureau of Investigative Journalism e The Canary.

 

Mais informação no artigo do European Journalism Observatory e o trabalho original, no Reuters Institute

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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