Quarta-feira, 23 de Setembro, 2020
Media

Jornais digitais europeus ganham terreno onde os meios tradicionais são fracos

Os novos jornais europeus já nascidos em suporte digital são mais bem sucedidos em países onde os media tradicionais são fracos, e muitos foram fundados, em primeiro lugar, com o objectivo de produzir jornalismo de qualidade ou de impacto social. Estes dados são de um estudo elaborado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism sobre doze exemplos de meios digitais em quatro países europeus  - França, Alemanha, Espanha e Reino Unido.

O estudo original revela que, ao contrário do que se passa nos EUA, os digital-born europeus estão mais próximos dos meios tradicionais, na sua motivação fundadora. “São habitualmente lançados e desenvolvidos por jornalistas, frequentemente com experiência sénior de trabalho já feito em jornais tradicionais. Produzir um jornalismo de qualidade, ou ter impacto social, parecem ser as suas primeiras ambições, mais do que as de divulgar  inovação digital ou construir novos projectos mediáticos lucrativos.” 

Estes novos media tornam-se mais proeminentes na Espanha e em França, com um jornalismo tradicional relativamente mais fraco, ao contrário da Alemanha e do Reino Unido, onde os jornais tradicionais continuam fortes. “Os novos projectos jornalísticos parecem ter encontrado mais sucesso nos locais onde os antigos são fracos, em vez de ser onde os meios digitais já são mais amplamente utilizados, ou onde o mercado da publicidade online está mais desenvolvido”. 

Embora tenham as suas diferenças, os meios digitais europeus continuam a ser semelhantes aos impressos tradicionais. “É feito algum jornalismo interessante, mas os assuntos cobertos não são necessariamente mais inovadores que os dos principais meios tradicionais, em termos dos seus modelos de financiamento, estratégias de distribuição ou prioridades editoriais”. 

“Em termos de financiamento, o mercado publicitário online continua difícil para todos os produtores de conteúdos, e o progresso na aquisição de assinantes é gradual. Em consequência disto, os meios nativos digitais estão a tentar muitas das mesmas vias  - vídeo, conteúdos patrocinados, várias formas de pagamento e diversificação comercial -  seguidas pelos seus concorrentes tradicionais.” 

A análise do Observatório Europeu do Jornalismo procurou ver estas questões mais de perto, chegando à conclusão de que “o modelo de financiamento pelos anúncios é prevalecente entre os mais antigos meios digitais, que apontam para uma audiência larga, enquanto os mais novos têm geralmente optado por um modelo sustentado por assinaturas ou doações, e procuram antes servir nichos de mercado”. (...) 

“Mesmo as maiores empresas entre as estudadas não pretendem replicar toda a gama de conteúdos dos jornais impressos. Enquanto os casos mais salientes, em França e na Espanha, se aproximam mais de perto de um jornal online, continuam selectivos a respeito do âmbito da sua cobertura.” 

Nas listas de meios digitais abrangidos por este estudo, há um que aparece nos quatro países: o Huffington Post, em todas as suas línguas. Para além disso, a França tem Les Jours e Mediapart; a Espanha tem El Confidencial e El Español; a Alemanha tem Correctiv e Krautreporter; e o Reino Unido tem The Bureau of Investigative Journalism e The Canary.

 

Mais informação no artigo do European Journalism Observatory e o trabalho original, no Reuters Institute

Connosco
O jornalismo impresso como “alta-costura” dos “media” Ver galeria

A pandemia veio agravar a situação, já débil, dos “media” tradicionais, ao provocar uma quebra nas receitas publicitárias e de circulação, o que levou alguns profissionais a questionarem o futuro do formato impresso.

Contudo, Andrés Rodríguez -- CEO do Grupo SpainMedia e membro da direcção da Asociación de La Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera que o jornalismo impresso irá conseguir recuperar, pouco a pouco, o seu protagonismo.

Durante a sua participação na conferência "Reinventando o Papel", no 15º Congresso de Editores de Jornais, Rodríguez reiterou que "não precisamos de reinventar o papel, mas sim o modelo de negócio", e observou que "veremos tiragens mais pequenas e edições mais cuidadosas", para que "o papel, em qualquer formato, seja de ‘alta-costura’, e a comunicação digital seja um 'pronto-a-vestir".

Assim, os responsáveis pelos “media” terão de aprender a combinar o “formato tradicional” com o “futuro digital”. "Teremos de passar o nosso rendimento do papel para o digital, temos de saber que todos temos uma televisão no bolso, mas que isso não é incompatível com a edição impressa".


World Press Cartoon atribui primeiro prémio a "cartoonista" alemão Ver galeria

Centro Cultural das Caldas da Rainha foi, novamente,  “a casa de acolhimento” do World Press Cartoon, que, na sua 15ªa edição, distinguiu o “cartoonista” alemão Frank Hoppmann com o primeiro prémio, graças a uma caricatura do primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, publicada no jornal “Eulenspiegel”,  em Outubro de 2019.

O segundo prémio foi atribuído ao mexicano Darío, com o desenho do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, publicado no jornal espanhol “Mundiario”. O português Pedro Silva ficou em terceiro lugar, com a caricatura de Christine Lagarde, actual presidente do Banco Central Europeu.

O grego Georgopalis destacou-se, por sua vez, na categoria “Desenho de Humor”, com “Message in a Bottle”. Já na categoria de “cartoon editorial”, o primeiro prémio foi para o grego Aytos .

De acordo com a organização do evento, as obras premiadas foram escolhidas pelo júri, entre 280 caricaturas, cartoons editoriais e desenhos de humor, seleccionados a partir de 150 publicações, de 50  países.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo