Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

Jornais digitais europeus ganham terreno onde os meios tradicionais são fracos

Os novos jornais europeus já nascidos em suporte digital são mais bem sucedidos em países onde os media tradicionais são fracos, e muitos foram fundados, em primeiro lugar, com o objectivo de produzir jornalismo de qualidade ou de impacto social. Estes dados são de um estudo elaborado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism sobre doze exemplos de meios digitais em quatro países europeus  - França, Alemanha, Espanha e Reino Unido.

O estudo original revela que, ao contrário do que se passa nos EUA, os digital-born europeus estão mais próximos dos meios tradicionais, na sua motivação fundadora. “São habitualmente lançados e desenvolvidos por jornalistas, frequentemente com experiência sénior de trabalho já feito em jornais tradicionais. Produzir um jornalismo de qualidade, ou ter impacto social, parecem ser as suas primeiras ambições, mais do que as de divulgar  inovação digital ou construir novos projectos mediáticos lucrativos.” 

Estes novos media tornam-se mais proeminentes na Espanha e em França, com um jornalismo tradicional relativamente mais fraco, ao contrário da Alemanha e do Reino Unido, onde os jornais tradicionais continuam fortes. “Os novos projectos jornalísticos parecem ter encontrado mais sucesso nos locais onde os antigos são fracos, em vez de ser onde os meios digitais já são mais amplamente utilizados, ou onde o mercado da publicidade online está mais desenvolvido”. 

Embora tenham as suas diferenças, os meios digitais europeus continuam a ser semelhantes aos impressos tradicionais. “É feito algum jornalismo interessante, mas os assuntos cobertos não são necessariamente mais inovadores que os dos principais meios tradicionais, em termos dos seus modelos de financiamento, estratégias de distribuição ou prioridades editoriais”. 

“Em termos de financiamento, o mercado publicitário online continua difícil para todos os produtores de conteúdos, e o progresso na aquisição de assinantes é gradual. Em consequência disto, os meios nativos digitais estão a tentar muitas das mesmas vias  - vídeo, conteúdos patrocinados, várias formas de pagamento e diversificação comercial -  seguidas pelos seus concorrentes tradicionais.” 

A análise do Observatório Europeu do Jornalismo procurou ver estas questões mais de perto, chegando à conclusão de que “o modelo de financiamento pelos anúncios é prevalecente entre os mais antigos meios digitais, que apontam para uma audiência larga, enquanto os mais novos têm geralmente optado por um modelo sustentado por assinaturas ou doações, e procuram antes servir nichos de mercado”. (...) 

“Mesmo as maiores empresas entre as estudadas não pretendem replicar toda a gama de conteúdos dos jornais impressos. Enquanto os casos mais salientes, em França e na Espanha, se aproximam mais de perto de um jornal online, continuam selectivos a respeito do âmbito da sua cobertura.” 

Nas listas de meios digitais abrangidos por este estudo, há um que aparece nos quatro países: o Huffington Post, em todas as suas línguas. Para além disso, a França tem Les Jours e Mediapart; a Espanha tem El Confidencial e El Español; a Alemanha tem Correctiv e Krautreporter; e o Reino Unido tem The Bureau of Investigative Journalism e The Canary.

 

Mais informação no artigo do European Journalism Observatory e o trabalho original, no Reuters Institute

Connosco
Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN Ver galeria

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
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Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
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27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set