Segunda-feira, 25 de Março, 2019
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Quando o jornalismo é relutante a corrigir os seus próprios erros

Informar com rigor e corrigir eventuais inexactidões são princípios básicos de um jornalismo de qualidade. Deles decorre o direito de resposta de qualquer pessoa que se considere atingida por esses erros de informação. Estas normas estão regulamentadas em qualquer país democrático, mas a sua aplicação nem sempre funciona bem. Na hora de as cumprir, muitos meios de comunicação “arrastam os pés” e fazem o mínimo para asumir que erraram. Esta reflexão é o tema de um trabalho publicado na mais recente edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O texto, da autoria de Milagros Pérez Oliva, jornalista e docente de Ciências da Comunicação, começa pela constatação deste problema, que não é só espanhol, como nos será fácil reconhecer:

“A resistência dos meios a corrigir erros e inexactidões é generalizada. Poucas vezes rectificam e, quando o fazem, costuma ser tarde e de modo dissimulado. Embora o direito de resposta e de rectificação esteja na lei e nos diferentes códigos de auto-regulação em vigor, na prática poucas vezes o podem exercer os que são afectados por informações erróneas, imprecisas ou desvirtuadas. E a tendência que se observa, com as mudanças trazidas pela revolução digital ao eco-sistema mediático, não é para melhor, mas para pior.” 

A autora concentra-se, no final do seu trabalho, nas características do jornalismo digital, especialmente a sua instantaneidade, e o que significa para a questão do erro e da rectificação: 

“Agora não é preciso esperar que a pessoa afectada por um erro ou informação incorrecta exerça uma acção de rectificação. A sanção chega imediatamente, na forma de descrédito do jornalista que teve o deslize. A desqualificação é automática e os jornalistas que exercem a profissão de forma pouco escrupulosa podem comprovar agora como é amargo o remédio que deram a tomar aos outros, durante tanto tempo, impunemente.” (…) 

Mas chama também a atenção para os casos em que jornalistas que não erraram, mas afrontaram interesses ilícitos, podem ser vítimas, nas redes sociais, de campanhas de desprestígio contra as quais não têm instrumentos de defesa. 

Por outro lado, dada a natureza da Internet, mesmo que tenha havido erro e rectificação em devido tempo, a versão incorrecta ganha “vida própria” e continua a ser encontrada por leitores que não acompanharam todo o proceso. “O direito ao esquecimento é um conceito que está a fazer caminho, mas a sua regulação está ainda longe de ser satisfatória.” 

Milagros Pérez Oliva descreve ainda uma evolução, nas relações entre jornalismo e poder, que não se limita ao seu país:

“A batalha partidária pelo controlo das instituições, que temos observado em Espanha nestes últimos anos, estende-se agora a uma batalha para controlar os meios de comunicação. Em primeiro lugar os de natureza pública, sujeitos a um regime de dependência governamental que os põe ao serviço do partido que governa, mas também, e cada vez mais, aos de natureza privada, por meio de mecanismos indirectos de pressão.” 

O seu longo trabalho detém-se, com abundância de exemplos, sobre o modo como a legislação espanhola é aplicada nos casos de rectificação de notícias, de garantia da presunção de inocência, das instâncias de auto-regulação e dos provedores do leitor. 

E conclui:

“Já o tenho dito noutras ocasiões: se não formos capazes de nos regular a nós próprios e garantir a fiabilidade que a sociedade reclama de nós, teremos que defrontar uma exigência social de regulação exterior; o que seria uma catástrofe, porque, postos a regular e a limitar a liberdade de Imprensa, sabemos como se começa, mas não sabemos onde e quando acaba.” 


O texto de Milagros Pérez Oliva, na íntegra, no site da APM

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José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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