null, 19 de Maio, 2019
Colectânea

O efeito da revolução digital sobre a arquitectura das redacções

A transformação, no jornalismo, é tão rápida que até os novos termos ficam desactualizados sem que demos conta disso. Pior ainda, sem que os tenhamos sequer assimilado correctamente. É o caso da “convergência redaccional”, ou integração dos vários elementos da redacção no seu espaço reajustado. Esta reflexão é desenvolvida por Félix Bahón, jornalista, docente e investigador do Instituto para la Innovación Periodística, e foi publicada no nº 22 de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O autor começa pelo princípio do milénio, que ainda não tem muitos anos, mas que impôs aos jornais a noção de que tinham de integrar no mesmo espaço as edições em papel e Internet.

A imagem de que se serve Félix Bahón para explicar o que sucedeu é a de um acordeão: “O modelo de convergência, que levou muitos títulos a precarizar a qualidade dos seus conteúdos porque era preciso adaptá-los a todas as plataformas, não é compreendido hoje como há dez anos. Também este conceito muda, o que faz com que algumas redacções emblemáticas mostrem as suas salas como acordeões que se encolhem e esticam.” 

O modelo de redacção em que todos os jornalistas fazem de tudo, já não serve. Mas, como explica o autor, “desta mentalidade transversal passámos a uma lógica horizontal: cada plataforma tem de manter a sua identidade própria”.

E Félix Bahón exemplifica com o plano da mais recente reestruturação feita no El País (a que pertence a imagem incluída), “em que se pode ver como os distintos núcleos (digital, impresso, audiovisual), se diferenciam claramente, embora mantenham todos a sua órbita em torno da mesa central, a que coordena a geração de contéudos para uns e outros, de acordo com as plataformas por que são distribuídos”. 

“O desafio profissional desta integração horizontal assenta em conhecer como funcionam as plataformas emergentes, detectar quais as redes mais populares, chegar lá e interagir. Quanto aos conteúdos, saber como transportar uma notícia jornalística para esas redes. Conhecer os elementos próprios de cada uma: como titular a publicação, se leva vídeo, foto, ou que formato é mais adequado para que o utente possa receber todos os dados. E além disso é preciso pensar no horário de publicação e ajustar a ele o registo narrativo.” 

A sequência do texto mantém este tom e revela um “caderno de encargos” muito mais intenso e frenético do que aqueles a que estavam habituados os chefes de redacção dos jornais impressos de há duas décadas. 

E Félix Bahón conclui deste modo:

“Mesmo o nome [o título do órgão de comunicação] acabará por ser residual, se esta tendência do mercado se impuser. Poucos títulos sairão todos os días. Parece que o impresso vai ser relegado para o fim-de-semana, quando se tem mais tempo para uma leitura repousada. E vão aparecer muitos suplementos e edições especiais que possam dar suporte à publicidade, que continua a ser a grande geradora de receitas.”

 

O texto original, na íntegra, em Cuadernos de Periodistas; foto de Matthew Simantov

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Francisco George no ciclo "Portugal: que País vai a votos?" Ver galeria
O próximo orador convidado do ciclo "Portugal: que País vai a votos?", a 21 de Maio, será Francisco George, um prestigiado médico, especialista em Saúde Pública, actual presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, empossado em finais de 2017, após ter desempenhado as funções de director-geral da Saúde, a partir de 2005 e durante mais de uma década.
O ciclo é promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de cultura e o Grémio Literário.
Francisco Henrique Moura George, nascido em Lisboa a 21 de Outubro de 2947, frequentou, de acordo com a sua biografia oficial, o Colégio Valsassina.
Licenciado em Medicina, com Distinção, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa em 1973, foi interno de Medicina Interna dos Hospitais Civis de Lisboa no Hospital de Santa Marta e completou, em 1977, o Curso de Saúde Pública na Escola Nacional de Saúde Pública de Lisboa, tornando-se especialista em Saúde Pública.
Meio século depois da alunagem o valor do jornalismo científico Ver galeria

Vai fazer 50 anos, no dia 20 de Julho, a primeira descida de uma nave com tripulação humana sobre a superfície da Lua. Seis horas depois da alunagem, já a 21, o comandante Neil Armstrong foi o primiro homem a pisar o solo do nosso satélite. O sucesso da missão Apollo 11, e das outras cinco missões lunares que a seguiram, teve um enorme impacto sobre a Humanidade.

“Do ponto de vista mediático, o colossal interesse público que o voo da Apollo 11 suscitou  — estima-se que um em cada seis habitantes do planeta assistiu pela TV ao momento em que Neil Armstrong desceu lentamente pela escada do módulo lunar até pousar os pés na superfície do satélite —  consolidou um público ávido por acompanhar a exploração do espaço.”

Cinquenta anos depois, as perspectivas de colonização do Sistema Solar continuam distantes, e a cobertura de astronomia e exploração espacial teve de mudar muito. “Mas, para quem tem o coração nas estrelas, continua sendo uma actividade apaixonante.”

A reflexão é de Pablo Nogueira, jornalista e editor da Scientific American Brasil, membro da Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência. No Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria.

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Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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