Sábado, 20 de Outubro, 2018
Colectânea

O efeito da revolução digital sobre a arquitectura das redacções

A transformação, no jornalismo, é tão rápida que até os novos termos ficam desactualizados sem que demos conta disso. Pior ainda, sem que os tenhamos sequer assimilado correctamente. É o caso da “convergência redaccional”, ou integração dos vários elementos da redacção no seu espaço reajustado. Esta reflexão é desenvolvida por Félix Bahón, jornalista, docente e investigador do Instituto para la Innovación Periodística, e foi publicada no nº 22 de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O autor começa pelo princípio do milénio, que ainda não tem muitos anos, mas que impôs aos jornais a noção de que tinham de integrar no mesmo espaço as edições em papel e Internet.

A imagem de que se serve Félix Bahón para explicar o que sucedeu é a de um acordeão: “O modelo de convergência, que levou muitos títulos a precarizar a qualidade dos seus conteúdos porque era preciso adaptá-los a todas as plataformas, não é compreendido hoje como há dez anos. Também este conceito muda, o que faz com que algumas redacções emblemáticas mostrem as suas salas como acordeões que se encolhem e esticam.” 

O modelo de redacção em que todos os jornalistas fazem de tudo, já não serve. Mas, como explica o autor, “desta mentalidade transversal passámos a uma lógica horizontal: cada plataforma tem de manter a sua identidade própria”.

E Félix Bahón exemplifica com o plano da mais recente reestruturação feita no El País (a que pertence a imagem incluída), “em que se pode ver como os distintos núcleos (digital, impresso, audiovisual), se diferenciam claramente, embora mantenham todos a sua órbita em torno da mesa central, a que coordena a geração de contéudos para uns e outros, de acordo com as plataformas por que são distribuídos”. 

“O desafio profissional desta integração horizontal assenta em conhecer como funcionam as plataformas emergentes, detectar quais as redes mais populares, chegar lá e interagir. Quanto aos conteúdos, saber como transportar uma notícia jornalística para esas redes. Conhecer os elementos próprios de cada uma: como titular a publicação, se leva vídeo, foto, ou que formato é mais adequado para que o utente possa receber todos os dados. E além disso é preciso pensar no horário de publicação e ajustar a ele o registo narrativo.” 

A sequência do texto mantém este tom e revela um “caderno de encargos” muito mais intenso e frenético do que aqueles a que estavam habituados os chefes de redacção dos jornais impressos de há duas décadas. 

E Félix Bahón conclui deste modo:

“Mesmo o nome [o título do órgão de comunicação] acabará por ser residual, se esta tendência do mercado se impuser. Poucos títulos sairão todos os días. Parece que o impresso vai ser relegado para o fim-de-semana, quando se tem mais tempo para uma leitura repousada. E vão aparecer muitos suplementos e edições especiais que possam dar suporte à publicidade, que continua a ser a grande geradora de receitas.”

 

O texto original, na íntegra, em Cuadernos de Periodistas; foto de Matthew Simantov

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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