Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

A revolução do digital e os seus efeitos no modo de fazer jornalismo

O efeito da revolução digital sobre os meios de comunicação está em andamento, não estacionou, e todas as conclusões parecem provisórias. Estamos sempre a avaliar o que é bom e o que correu mal, e não temos soluções evidentes. Enrique Dans, professor de Inovação na IE Business School de Madrid, deu à media-tics uma extensa entrevista onde muitas perguntas difíceis recebem algumas respostas desagradáveis. É matéria para nos obrigar a pensar.

As primeiras questões são provocantes, e Enrique Dans retribui no mesmo registo, afirmando que não há alternativa. Concretamente, interpelado a respeito de um estudo feito na Universidade do Texas, dizendo que a transformação digital dos media pode ter sido um grande erro, responde que não, que “a transformação digital não tem alternativa, e se não fores tu a transformar-te, alguém vai fazê-lo e roubar-te directamente”. 

Interrogado sobre se o erro foi o de dar de graça, pela Internet, aquilo que se pagava no papel, diz que não, que “se não o tivessem posto grátis, aparecia outro que o daria grátis”...

“O problema não é que a transformação tenha sido um erro, o problema é que foi mal feita. Foi liderada, em muitos casos, pelas mesmas pessoas que lideravam o negócio do papel, e que tentaram continuar a fazer o mesmo.” 

Indo directamente à questão do sustento do jornalismo, Enrique Dans afirma:

“A questão é que, se pretendes que o teu produto tenha um preço parecido com o que tinha no papel, quando o levas para a rede, desenvolver o hábito de as pessoas passarem a comprar por uma coisa que não é física e que, além disso, com dois clics do ‘rato’ encontram quinze alternativas diferentes para obter a mesma informação, ou melhor, é muito complicado. (...)  Eu creio que o problema do jornalismo é não ter claro qual é a sua proposta de valor. Se a proposta é ‘eu dou-te informação’, já há muita gente que dá informação, até o Twitter dá informação, e eles não são jornalistas nem têm preparação para tal. Se não te adaptas ao que eu quero como informação, não és diferencial e portanto não podes cobrar.” 

O tom é este. Especialista em sistemas e tecnologias de Informação, Enrique Dans não está a chocar-nos de propósito, mas a explicar os caminhos que lhe parecem indicados para encontrar soluções e fazer bem o que temos estado a fazer por caminhos equivocados. Sabendo que o seu ponto de partida é o da superioridade natural, e a partir de agora indiscutível, da Informação digital. 

É assim que trata da questão da publicidade, da forma de tornar rentáveis os conteúdos, da relação desigual entre as grandes plataformas (como Facebook e Google) e os meios de Informação ‘clássicos’, e de que modo nações, como a Irlanda, a Coreia do Sul e a Espanha, têm respostas diferentes a estes problemas. Por último, das questões realmente causadoras de ansiedade  -  machine learning e o futuro do emprego.

 

Este esboço de síntese não dispensa a leitura da entrevista na íntegra, no site media-tics.

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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