A excessiva concentração dos meios de comunicação tem como causas ou consequências previsíveis “a procura da rentabilidade a todo o custo, o unanimismo editorial e a anemia do pluralismo”. No caso do Reino Unido, um estudo recente começa pela constatação de que não há sequer espaço para falar de meios “livres”, ou “independentes”, já que todos são detidos por “um punhado de grandes grupos editoriais” ou controlados por indivíduos ou conselhos de administração “estreitamente ligados a interesses privados”.
O relatório, realizado pela Media Reform Coalition - que aqui citamos de uma síntese publicada no site ACRIMED - começa por um número, o de “três empresas que dominam 71% do jornalismo impresso nacional, um sector que está em perda de velocidade mas que continua a ser a referência a partir da qual se organiza o campo mediático”:
“Se lhe acrescentarmos os jornais online, então cinco empresas concentram 80% do mercado. No que toca à Imprensa local, seis grandes grupos concentram 80% do total dos títulos, sendo os restantes 20% partilhados entre meia centena de outros editores.”
No Reino Unido, é a Sky, empresa do magnata Rupert Murdoch, que fica com a “parte do leão” no sector da TV paga, e as concorrentes apresentadas como “independentes” trocaram qualquer sentido de serviço público pelas receitas da publicidade. Segundo este estudo, não há esperança na Internet, cada vez mais dominada pelas grandes empresas mundiais de motor de busca ou administração das redes sociais, com Google e Facebook como exemplos maiores.
Quando à BBC, continua presente, “mas o seu orçamento foi drasticamente reduzido e a sua independência fragilizada nos últimos anos”.
O estudo detém-se sobre o panorama da Imprensa, nacional e local, as rádios e finalmente os meios digitais, anotando em todos os casos a tendência para a concentração.
Nas suas conclusões, o texto aqui citado afirma:
“Com efeito, é tempo de realizar um verdadeiro debate sobre o impacto da concentração nos media sobre a democracia e a cultura em geral. (...) A pluralidade não é um luxo na era digital, mas deveria ser o coração de um sistema mediático onde os interesses privados fossem melhor enquadrados. Fazem falta meios independentes, capazes de exercer um poder, responsáveis perante os seus leitores e o seu público em geral, mais do que perante os accionistas, os proprietários ou os homens do poder.”
Mais informação no site ACRIMED e o estudo da Media Reform Coalition
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.