Sexta-feira, 4 de Dezembro, 2020
Media

Concentração de media em grupos editoriais compromete o pluralismo

A excessiva concentração dos meios de comunicação tem como causas ou consequências previsíveis “a procura da rentabilidade a todo o custo, o unanimismo editorial e a anemia do pluralismo”. No caso do Reino Unido, um estudo recente começa pela constatação de que não há sequer espaço para falar de meios “livres”, ou “independentes”, já que todos são detidos por “um punhado de grandes grupos editoriais” ou controlados por indivíduos ou conselhos de administração “estreitamente ligados a interesses privados”.

O relatório, realizado pela Media Reform Coalition  - que aqui citamos de uma síntese publicada no site ACRIMED -  começa por um número, o de “três empresas que dominam 71% do jornalismo impresso nacional, um sector que está em perda de velocidade mas que continua a ser a referência a partir da qual se organiza o campo mediático”:

“Se lhe acrescentarmos os jornais online, então cinco empresas concentram 80% do mercado. No que toca à Imprensa local, seis grandes grupos concentram 80% do total dos títulos, sendo os restantes 20% partilhados entre meia centena de outros editores.”

No Reino Unido, é a Sky, empresa do magnata Rupert Murdoch, que fica com a “parte do leão” no sector da TV paga, e as concorrentes apresentadas como “independentes” trocaram qualquer sentido de serviço público pelas receitas da publicidade. Segundo este estudo, não há esperança na Internet, cada vez mais dominada pelas grandes empresas mundiais de motor de busca ou administração das redes sociais, com Google e Facebook como exemplos maiores.

Quando à BBC, continua presente, “mas o seu orçamento foi drasticamente reduzido e a sua independência fragilizada nos últimos anos”.

O estudo detém-se sobre o panorama da Imprensa, nacional e local, as rádios e finalmente os meios digitais, anotando em todos os casos a tendência para a concentração.


Nas suas conclusões, o texto aqui citado afirma:

“Com efeito, é tempo de realizar um verdadeiro debate sobre o impacto da concentração nos media sobre a democracia e a cultura em geral. (...) A pluralidade não é um luxo na era digital, mas deveria ser o coração de um sistema mediático onde os interesses privados fossem melhor enquadrados. Fazem falta meios independentes, capazes de exercer um poder, responsáveis perante os seus leitores e o seu público em geral, mais do que perante os accionistas, os proprietários ou os homens do poder.”

 

Mais informação no site ACRIMED e o estudo da Media Reform Coalition

Connosco
União Europeia implementa medidas para proteger jornalistas... Ver galeria

A Comissão Europeia quer criminalizar o discurso e o incitamento ao ódio na internet, nomeadamente contra jornalistas. A instituição justificou a medida com o aumento das “ameaças físicas e ‘online’ e ataques a jornalistas” na UE, com frequentes “campanhas de difamação e de intimidação geral e interferências politicamente motivadas”.

“Os jornalistas são alvos de assédio, discurso de ódio e campanhas de difamação, por vezes até iniciadas por actores políticos, na Europa e fora, e as mulheres jornalistas são particularmente visadas”, reforçou a Comissão Europeia, notando que, por vezes, isso conduz “à autocensura e à redução do espaço para o debate público sobre questões importantes”.

Bruxelas recordou, igualmente, que, “nos últimos anos, a Europa tem testemunhado ataques brutais aos meios de comunicação social livres”, numa alusão aos assassinatos dos jornalistas Daphne Caruana Galizia, em Malta, e de Jan Kuciak, na Eslováquia.

Por isso mesmo, a Comissão Europeia vai, também, apresentar uma recomendação sobre a segurança dos jornalistas, visando “assegurar uma melhor implementação pelos Estados-membros das normas da recomendação do Conselho da Europa”.

... E lança plano de recuperação para os "media" e fórum europeu Ver galeria

A Comissão Europeia apresentou um plano de recuperação para os “media” europeus, cujas medidas deverão ser aplicadas no primeiro semestre de 2022.

Desta forma, “a Comissão facilitará um melhor acesso ao financiamento, estimulando os empréstimos, bem como o financiamento de capital próprio”.

Estas acções deverão ser complementadas com diálogos bilaterais, de forma a “aumentar o conhecimento do mercado dos meios de comunicação social europeus entre os investidores”.

Bruxelas diz, ainda, querer “prestar apoio dedicado, sob a forma de subsídios para parcerias de colaboração com os meios de comunicação social”, para promover o jornalismo colaborativo e transfronteiriço.

Outra das medidas propostas é a criação de um fórum europeu, para envolver as partes interessadas, incluindo autoridades reguladoras, representantes de jornalistas, organismos de autorregulamentação, sociedade civil e organizações internacionais.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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