Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

Concentração de media em grupos editoriais compromete o pluralismo

A excessiva concentração dos meios de comunicação tem como causas ou consequências previsíveis “a procura da rentabilidade a todo o custo, o unanimismo editorial e a anemia do pluralismo”. No caso do Reino Unido, um estudo recente começa pela constatação de que não há sequer espaço para falar de meios “livres”, ou “independentes”, já que todos são detidos por “um punhado de grandes grupos editoriais” ou controlados por indivíduos ou conselhos de administração “estreitamente ligados a interesses privados”.

O relatório, realizado pela Media Reform Coalition  - que aqui citamos de uma síntese publicada no site ACRIMED -  começa por um número, o de “três empresas que dominam 71% do jornalismo impresso nacional, um sector que está em perda de velocidade mas que continua a ser a referência a partir da qual se organiza o campo mediático”:

“Se lhe acrescentarmos os jornais online, então cinco empresas concentram 80% do mercado. No que toca à Imprensa local, seis grandes grupos concentram 80% do total dos títulos, sendo os restantes 20% partilhados entre meia centena de outros editores.”

No Reino Unido, é a Sky, empresa do magnata Rupert Murdoch, que fica com a “parte do leão” no sector da TV paga, e as concorrentes apresentadas como “independentes” trocaram qualquer sentido de serviço público pelas receitas da publicidade. Segundo este estudo, não há esperança na Internet, cada vez mais dominada pelas grandes empresas mundiais de motor de busca ou administração das redes sociais, com Google e Facebook como exemplos maiores.

Quando à BBC, continua presente, “mas o seu orçamento foi drasticamente reduzido e a sua independência fragilizada nos últimos anos”.

O estudo detém-se sobre o panorama da Imprensa, nacional e local, as rádios e finalmente os meios digitais, anotando em todos os casos a tendência para a concentração.


Nas suas conclusões, o texto aqui citado afirma:

“Com efeito, é tempo de realizar um verdadeiro debate sobre o impacto da concentração nos media sobre a democracia e a cultura em geral. (...) A pluralidade não é um luxo na era digital, mas deveria ser o coração de um sistema mediático onde os interesses privados fossem melhor enquadrados. Fazem falta meios independentes, capazes de exercer um poder, responsáveis perante os seus leitores e o seu público em geral, mais do que perante os accionistas, os proprietários ou os homens do poder.”

 

Mais informação no site ACRIMED e o estudo da Media Reform Coalition

Connosco
Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN Ver galeria

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set