Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Media

Concentração de media em grupos editoriais compromete o pluralismo

A excessiva concentração dos meios de comunicação tem como causas ou consequências previsíveis “a procura da rentabilidade a todo o custo, o unanimismo editorial e a anemia do pluralismo”. No caso do Reino Unido, um estudo recente começa pela constatação de que não há sequer espaço para falar de meios “livres”, ou “independentes”, já que todos são detidos por “um punhado de grandes grupos editoriais” ou controlados por indivíduos ou conselhos de administração “estreitamente ligados a interesses privados”.

O relatório, realizado pela Media Reform Coalition  - que aqui citamos de uma síntese publicada no site ACRIMED -  começa por um número, o de “três empresas que dominam 71% do jornalismo impresso nacional, um sector que está em perda de velocidade mas que continua a ser a referência a partir da qual se organiza o campo mediático”:

“Se lhe acrescentarmos os jornais online, então cinco empresas concentram 80% do mercado. No que toca à Imprensa local, seis grandes grupos concentram 80% do total dos títulos, sendo os restantes 20% partilhados entre meia centena de outros editores.”

No Reino Unido, é a Sky, empresa do magnata Rupert Murdoch, que fica com a “parte do leão” no sector da TV paga, e as concorrentes apresentadas como “independentes” trocaram qualquer sentido de serviço público pelas receitas da publicidade. Segundo este estudo, não há esperança na Internet, cada vez mais dominada pelas grandes empresas mundiais de motor de busca ou administração das redes sociais, com Google e Facebook como exemplos maiores.

Quando à BBC, continua presente, “mas o seu orçamento foi drasticamente reduzido e a sua independência fragilizada nos últimos anos”.

O estudo detém-se sobre o panorama da Imprensa, nacional e local, as rádios e finalmente os meios digitais, anotando em todos os casos a tendência para a concentração.


Nas suas conclusões, o texto aqui citado afirma:

“Com efeito, é tempo de realizar um verdadeiro debate sobre o impacto da concentração nos media sobre a democracia e a cultura em geral. (...) A pluralidade não é um luxo na era digital, mas deveria ser o coração de um sistema mediático onde os interesses privados fossem melhor enquadrados. Fazem falta meios independentes, capazes de exercer um poder, responsáveis perante os seus leitores e o seu público em geral, mais do que perante os accionistas, os proprietários ou os homens do poder.”

 

Mais informação no site ACRIMED e o estudo da Media Reform Coalition

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
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