Sexta-feira, 3 de Abril, 2020
Media

Concentração de media em grupos editoriais compromete o pluralismo

A excessiva concentração dos meios de comunicação tem como causas ou consequências previsíveis “a procura da rentabilidade a todo o custo, o unanimismo editorial e a anemia do pluralismo”. No caso do Reino Unido, um estudo recente começa pela constatação de que não há sequer espaço para falar de meios “livres”, ou “independentes”, já que todos são detidos por “um punhado de grandes grupos editoriais” ou controlados por indivíduos ou conselhos de administração “estreitamente ligados a interesses privados”.

O relatório, realizado pela Media Reform Coalition  - que aqui citamos de uma síntese publicada no site ACRIMED -  começa por um número, o de “três empresas que dominam 71% do jornalismo impresso nacional, um sector que está em perda de velocidade mas que continua a ser a referência a partir da qual se organiza o campo mediático”:

“Se lhe acrescentarmos os jornais online, então cinco empresas concentram 80% do mercado. No que toca à Imprensa local, seis grandes grupos concentram 80% do total dos títulos, sendo os restantes 20% partilhados entre meia centena de outros editores.”

No Reino Unido, é a Sky, empresa do magnata Rupert Murdoch, que fica com a “parte do leão” no sector da TV paga, e as concorrentes apresentadas como “independentes” trocaram qualquer sentido de serviço público pelas receitas da publicidade. Segundo este estudo, não há esperança na Internet, cada vez mais dominada pelas grandes empresas mundiais de motor de busca ou administração das redes sociais, com Google e Facebook como exemplos maiores.

Quando à BBC, continua presente, “mas o seu orçamento foi drasticamente reduzido e a sua independência fragilizada nos últimos anos”.

O estudo detém-se sobre o panorama da Imprensa, nacional e local, as rádios e finalmente os meios digitais, anotando em todos os casos a tendência para a concentração.


Nas suas conclusões, o texto aqui citado afirma:

“Com efeito, é tempo de realizar um verdadeiro debate sobre o impacto da concentração nos media sobre a democracia e a cultura em geral. (...) A pluralidade não é um luxo na era digital, mas deveria ser o coração de um sistema mediático onde os interesses privados fossem melhor enquadrados. Fazem falta meios independentes, capazes de exercer um poder, responsáveis perante os seus leitores e o seu público em geral, mais do que perante os accionistas, os proprietários ou os homens do poder.”

 

Mais informação no site ACRIMED e o estudo da Media Reform Coalition

Connosco
A importância do jornalismo no reforço da transparência Ver galeria

É missão de todos os jornalistas ajudar o público a ver e a compreender os acontecimentos mais relevantes para a sociedade. Faz ainda parte dessa profissão auxiliar as pessoas a distinguir as opiniões, desde as irracionais, instigadas pelo ódio, aos factos jornalisticamente apurados. 

Em tempo de pandemia do novo coronavírus, a informação de qualidade ganha o mesmo grau de importância que o trabalho de médicos e de cientistas. Um novo estudo ou a cura de uma doença deverá ser divulgado e discutido à exaustão por especialistas e terá a divulgação assegurada pelos veículos de comunicação por intermédio dos jornalistas.

Num oportuno artigo publicado no Observatório da Imprensa, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceira, a jornalista Denise Becker reflectiu sobre a importância do papel da imprensa fidedigna, particularmente, numa altura em que figuras políticas desvalorizam os impactos de uma pandemia. 
Segundo a autora, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem deixado a nação perplexa, ao minimizar os efeitos do novo coronavírus, contrariando as recomendações dos médicos, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde para conter a disseminação da pandemia. Da mesma forma , o Presidente tem tecido duras críticas aos “media”, acusando-os de alarmismo e disseminar o pânico.

A vaga de "infodemia" como consequência do Covid-19 Ver galeria

A história da Humanidade ficou marcada por diversas pandemias, que tiveram consequências profundas. Tais acontecimentos marcaram o imaginário de alguns dos mais proeminentes autores da literatura modernas, que tomam acontecimentos trágicos, e absurdos, como a base das suas obras, reflexões e analogias.

Agora, atravessamos uma situação semelhante, mas com uma infinidade de recursos informativos. Nunca tivemos tantas possibilidades de informação e comunicação disponíveis, em momentos de crise e tensão, e  tantos dados e números que ajudam, sem dúvida, nas nossas tentativas de restabelecer o controle sobre a caótica situação. É a vaga da “infodemia”.

Saber o que acontece, as possibilidades envolvidas, as fórmulas para lidar com o risco e com a doença são factores fundamentais. No entanto, esse avanço em relação a outros tempos e ameaças produz, também, efeitos colaterais.

Perante os actuais acontecimentos  que assolam o mundo, o filósofo José Costa teceu considerações sobre algumas das mais conhecidas metáforas da literatura contemporânea, que fazem “ponte” com essa “infodemia”.  O artigo foi, originalmente, publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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