Quarta-feira, 2 de Dezembro, 2020
Media

Jornalismo de investigação condicionado em tempos de crise

Em tempos de contenção de recursos e redução de meios humanos, o jornalismo de investigação é um dos primeiros sacrificados. “À medida que os empregos nos jornais desaparecem por todo o lado nos EUA  - e as comunidades locais ficam sem o seu serviço -  será que as empresas noticiosas vão continuar a reservar tempo para o tipo de reportagem de grande impacto que faz diferença?” A pergunta é de Benjamin Mullin, editor do poynter.org, que pôs a questão a dois jornalistas com provas dadas neste terreno difícil. 

O texto começa pelos números mais recentes: o New York Times revelou que a receita da publicidade impressa desceu 19% em relação ao ano passado;  Gannett, McClatchy e Tronc, todas reconhecem quebras na receita do impresso, enquanto o negócio se muda para os gigantes Facebook e Google;  e The Wall Street Journal, The Guardian, The New York Times e a Gannett  preparam mais reduções de pessoal.

Algumas frases das entrevistas com Mark Horvit, que deixou as funções de director executivo da IRE – Investigative Reporters and Editors, da Universidade do Missouri, e o seu sucessor no posto, Doug Haddix:

Mark Horvit começou na IRE em Janeiro de 2008, quando a crise apertava e os grupos de investigação eram desarticulados, havendo mesmo quem sugerisse, na Universidade, que fosse matéria de ensino como fazer blogs:

“Mas eu não fui dessa opinião. Pensei que devíamos redobrar no ensino de como se encontra a informação, como se ‘escava’ por ela. Precisamente porque as redacções estavam a perder a maioria dos seus repórteres experientes, por meio de demissões e rescisões, a necessidade de obter novos repórteres rapidamente, para este tipo de trabalho, era maior.” (…) 

A sua opinião é que, a partir de 2010, já se reconhecia que a indústria tinha ido longe demais nos cortes, e “começámos a ver um autêntico renascimento da reportagem de investigação”. 

Doug Haddix sublinha a diferença entre os grandes meios, nas maiores cidades, e os do interior: “essa é, para mim, uma área onde eu gostaria de ver como a IRE podia ajudar, nesses pequenos mercados”. (…) 

Horvit: “A questão é: de que modo vamos ser capazes de pagar, não só pela reportagem de investigação, mas por um jornalismo de qualidade? Estamos a falar de um jornalismo bom, de qualidade. Isso é um assunto mais vasto do que apenas a reportagem de investigação.” 

Haddix acredita no poder “de uma pessoa inteligente que saiba como usar as ferramentas e que seja persistente e não deixe cair. A nossa missão é criar mais David Fahrentholds [nome de um jornalista de investigação do Washington Post] pelo país, equipando as pessoas com as ferramentas, com o conhecimento e com a estratégia para ‘escavar’ nas histórias”.

 

Mais informação no artigo original, em pointer.org

Connosco
Crescimento das assinaturas digitais não compensa as perdas na circulação impressa Ver galeria

A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.

Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.

Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.

Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.

Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.

No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.

Movimento de jornalistas franceses contra nova Lei de Segurança Ver galeria

Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.

Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.

Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.

Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.

Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.

A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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Opinião
As eleições americanas, bem como a pandemia provocada pelo  covid-19, têm sido dois poderosos ímanes na  cobertura mediática, e campo fértil para  o exercício do jornalismo, desde o que é   servido com rigor, àquele que obedece  apenas aos cânones  ideológicos de quem escreve. Houve tempo em que se cultivava o sagrado principio da separação da opinião e da...
No final de 2016 a Newspaper Association Of America, que representava cerca de 2000 publicações nos Estados Unidos e no Canadá, anunciou a sua transformação em News Media Alliance, reflectindo a evolução do sector e passando a incorporar as diversas plataformas em que os grupos produtores de informação qualificada se desdobraram ao longo dos últimos anos, coexistindo o papel com os formatos digitais, mas também video,...
Jornalistas: nem heróis nem vilões
Francisco Sarsfield Cabral
No  jornal “Público” de sábado,  J. Pacheco Pereira elogiou Vicente Jorge Silva porque “fez uma coisa rara entre nós – fez obra. Não tanto como jornalista, mas como criador no terreno da comunicação social”. E destacou o papel do jornal madeirense “Comércio do Funchal”, que, apesar da censura, conseguiu criticar o regime então vigente. Até ao 25 de Abril este jornal logrou,...
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Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
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