Quarta-feira, 23 de Setembro, 2020
Media

Jornalismo de investigação condicionado em tempos de crise

Em tempos de contenção de recursos e redução de meios humanos, o jornalismo de investigação é um dos primeiros sacrificados. “À medida que os empregos nos jornais desaparecem por todo o lado nos EUA  - e as comunidades locais ficam sem o seu serviço -  será que as empresas noticiosas vão continuar a reservar tempo para o tipo de reportagem de grande impacto que faz diferença?” A pergunta é de Benjamin Mullin, editor do poynter.org, que pôs a questão a dois jornalistas com provas dadas neste terreno difícil. 

O texto começa pelos números mais recentes: o New York Times revelou que a receita da publicidade impressa desceu 19% em relação ao ano passado;  Gannett, McClatchy e Tronc, todas reconhecem quebras na receita do impresso, enquanto o negócio se muda para os gigantes Facebook e Google;  e The Wall Street Journal, The Guardian, The New York Times e a Gannett  preparam mais reduções de pessoal.

Algumas frases das entrevistas com Mark Horvit, que deixou as funções de director executivo da IRE – Investigative Reporters and Editors, da Universidade do Missouri, e o seu sucessor no posto, Doug Haddix:

Mark Horvit começou na IRE em Janeiro de 2008, quando a crise apertava e os grupos de investigação eram desarticulados, havendo mesmo quem sugerisse, na Universidade, que fosse matéria de ensino como fazer blogs:

“Mas eu não fui dessa opinião. Pensei que devíamos redobrar no ensino de como se encontra a informação, como se ‘escava’ por ela. Precisamente porque as redacções estavam a perder a maioria dos seus repórteres experientes, por meio de demissões e rescisões, a necessidade de obter novos repórteres rapidamente, para este tipo de trabalho, era maior.” (…) 

A sua opinião é que, a partir de 2010, já se reconhecia que a indústria tinha ido longe demais nos cortes, e “começámos a ver um autêntico renascimento da reportagem de investigação”. 

Doug Haddix sublinha a diferença entre os grandes meios, nas maiores cidades, e os do interior: “essa é, para mim, uma área onde eu gostaria de ver como a IRE podia ajudar, nesses pequenos mercados”. (…) 

Horvit: “A questão é: de que modo vamos ser capazes de pagar, não só pela reportagem de investigação, mas por um jornalismo de qualidade? Estamos a falar de um jornalismo bom, de qualidade. Isso é um assunto mais vasto do que apenas a reportagem de investigação.” 

Haddix acredita no poder “de uma pessoa inteligente que saiba como usar as ferramentas e que seja persistente e não deixe cair. A nossa missão é criar mais David Fahrentholds [nome de um jornalista de investigação do Washington Post] pelo país, equipando as pessoas com as ferramentas, com o conhecimento e com a estratégia para ‘escavar’ nas histórias”.

 

Mais informação no artigo original, em pointer.org

Connosco
O jornalismo impresso como “alta-costura” dos “media” Ver galeria

A pandemia veio agravar a situação, já débil, dos “media” tradicionais, ao provocar uma quebra nas receitas publicitárias e de circulação, o que levou alguns profissionais a questionarem o futuro do formato impresso.

Contudo, Andrés Rodríguez -- CEO do Grupo SpainMedia e membro da direcção da Asociación de La Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera que o jornalismo impresso irá conseguir recuperar, pouco a pouco, o seu protagonismo.

Durante a sua participação na conferência "Reinventando o Papel", no 15º Congresso de Editores de Jornais, Rodríguez reiterou que "não precisamos de reinventar o papel, mas sim o modelo de negócio", e observou que "veremos tiragens mais pequenas e edições mais cuidadosas", para que "o papel, em qualquer formato, seja de ‘alta-costura’, e a comunicação digital seja um 'pronto-a-vestir".

Assim, os responsáveis pelos “media” terão de aprender a combinar o “formato tradicional” com o “futuro digital”. "Teremos de passar o nosso rendimento do papel para o digital, temos de saber que todos temos uma televisão no bolso, mas que isso não é incompatível com a edição impressa".


World Press Cartoon atribui primeiro prémio a "cartoonista" alemão Ver galeria

Centro Cultural das Caldas da Rainha foi, novamente,  “a casa de acolhimento” do World Press Cartoon, que, na sua 15ªa edição, distinguiu o “cartoonista” alemão Frank Hoppmann com o primeiro prémio, graças a uma caricatura do primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, publicada no jornal “Eulenspiegel”,  em Outubro de 2019.

O segundo prémio foi atribuído ao mexicano Darío, com o desenho do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, publicado no jornal espanhol “Mundiario”. O português Pedro Silva ficou em terceiro lugar, com a caricatura de Christine Lagarde, actual presidente do Banco Central Europeu.

O grego Georgopalis destacou-se, por sua vez, na categoria “Desenho de Humor”, com “Message in a Bottle”. Já na categoria de “cartoon editorial”, o primeiro prémio foi para o grego Aytos .

De acordo com a organização do evento, as obras premiadas foram escolhidas pelo júri, entre 280 caricaturas, cartoons editoriais e desenhos de humor, seleccionados a partir de 150 publicações, de 50  países.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Opinião
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Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades. Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo