Sexta-feira, 3 de Abril, 2020
Media

Jornalismo de investigação condicionado em tempos de crise

Em tempos de contenção de recursos e redução de meios humanos, o jornalismo de investigação é um dos primeiros sacrificados. “À medida que os empregos nos jornais desaparecem por todo o lado nos EUA  - e as comunidades locais ficam sem o seu serviço -  será que as empresas noticiosas vão continuar a reservar tempo para o tipo de reportagem de grande impacto que faz diferença?” A pergunta é de Benjamin Mullin, editor do poynter.org, que pôs a questão a dois jornalistas com provas dadas neste terreno difícil. 

O texto começa pelos números mais recentes: o New York Times revelou que a receita da publicidade impressa desceu 19% em relação ao ano passado;  Gannett, McClatchy e Tronc, todas reconhecem quebras na receita do impresso, enquanto o negócio se muda para os gigantes Facebook e Google;  e The Wall Street Journal, The Guardian, The New York Times e a Gannett  preparam mais reduções de pessoal.

Algumas frases das entrevistas com Mark Horvit, que deixou as funções de director executivo da IRE – Investigative Reporters and Editors, da Universidade do Missouri, e o seu sucessor no posto, Doug Haddix:

Mark Horvit começou na IRE em Janeiro de 2008, quando a crise apertava e os grupos de investigação eram desarticulados, havendo mesmo quem sugerisse, na Universidade, que fosse matéria de ensino como fazer blogs:

“Mas eu não fui dessa opinião. Pensei que devíamos redobrar no ensino de como se encontra a informação, como se ‘escava’ por ela. Precisamente porque as redacções estavam a perder a maioria dos seus repórteres experientes, por meio de demissões e rescisões, a necessidade de obter novos repórteres rapidamente, para este tipo de trabalho, era maior.” (…) 

A sua opinião é que, a partir de 2010, já se reconhecia que a indústria tinha ido longe demais nos cortes, e “começámos a ver um autêntico renascimento da reportagem de investigação”. 

Doug Haddix sublinha a diferença entre os grandes meios, nas maiores cidades, e os do interior: “essa é, para mim, uma área onde eu gostaria de ver como a IRE podia ajudar, nesses pequenos mercados”. (…) 

Horvit: “A questão é: de que modo vamos ser capazes de pagar, não só pela reportagem de investigação, mas por um jornalismo de qualidade? Estamos a falar de um jornalismo bom, de qualidade. Isso é um assunto mais vasto do que apenas a reportagem de investigação.” 

Haddix acredita no poder “de uma pessoa inteligente que saiba como usar as ferramentas e que seja persistente e não deixe cair. A nossa missão é criar mais David Fahrentholds [nome de um jornalista de investigação do Washington Post] pelo país, equipando as pessoas com as ferramentas, com o conhecimento e com a estratégia para ‘escavar’ nas histórias”.

 

Mais informação no artigo original, em pointer.org

Connosco
A importância do jornalismo no reforço da transparência Ver galeria

É missão de todos os jornalistas ajudar o público a ver e a compreender os acontecimentos mais relevantes para a sociedade. Faz ainda parte dessa profissão auxiliar as pessoas a distinguir as opiniões, desde as irracionais, instigadas pelo ódio, aos factos jornalisticamente apurados. 

Em tempo de pandemia do novo coronavírus, a informação de qualidade ganha o mesmo grau de importância que o trabalho de médicos e de cientistas. Um novo estudo ou a cura de uma doença deverá ser divulgado e discutido à exaustão por especialistas e terá a divulgação assegurada pelos veículos de comunicação por intermédio dos jornalistas.

Num oportuno artigo publicado no Observatório da Imprensa, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceira, a jornalista Denise Becker reflectiu sobre a importância do papel da imprensa fidedigna, particularmente, numa altura em que figuras políticas desvalorizam os impactos de uma pandemia. 
Segundo a autora, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem deixado a nação perplexa, ao minimizar os efeitos do novo coronavírus, contrariando as recomendações dos médicos, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde para conter a disseminação da pandemia. Da mesma forma , o Presidente tem tecido duras críticas aos “media”, acusando-os de alarmismo e disseminar o pânico.

A vaga de "infodemia" como consequência do Covid-19 Ver galeria

A história da Humanidade ficou marcada por diversas pandemias, que tiveram consequências profundas. Tais acontecimentos marcaram o imaginário de alguns dos mais proeminentes autores da literatura modernas, que tomam acontecimentos trágicos, e absurdos, como a base das suas obras, reflexões e analogias.

Agora, atravessamos uma situação semelhante, mas com uma infinidade de recursos informativos. Nunca tivemos tantas possibilidades de informação e comunicação disponíveis, em momentos de crise e tensão, e  tantos dados e números que ajudam, sem dúvida, nas nossas tentativas de restabelecer o controle sobre a caótica situação. É a vaga da “infodemia”.

Saber o que acontece, as possibilidades envolvidas, as fórmulas para lidar com o risco e com a doença são factores fundamentais. No entanto, esse avanço em relação a outros tempos e ameaças produz, também, efeitos colaterais.

Perante os actuais acontecimentos  que assolam o mundo, o filósofo José Costa teceu considerações sobre algumas das mais conhecidas metáforas da literatura contemporânea, que fazem “ponte” com essa “infodemia”.  O artigo foi, originalmente, publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


ver mais >
Opinião
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
Em toda a parte, ou quase, a pandemia causada pelo coronavírus fechou em casa muitos milhões de pessoas, para evitarem ser contaminadas. Um dos efeitos desse confinamento foi terem aumentado as audiências de televisão. Por outro lado, as pessoas precisam de informação, por isso o estado de emergência em Portugal mantém abertos os quiosques, que vendem jornais.   Melhores tempos para a comunicação social? Nem por isso,...
No Brasil uma empresa de mídia afixou uma campanha, de grande formato, com uma legenda: “Eu tô aqui porque sou um outdoor. E você, tá fazendo o quê na rua?”. Este é o melhor exemplo que vi nos últimos dias sobre a necessidade de manter a comunicação e reforçar as mensagens. Em Portugal e no estrangeiro sucedem-se adiamentos e cancelamentos de campanhas. Mas há também marcas que resolveram até...
O Covid-19, ou a “peste chinesa”, como já começa a ser conhecido, veio modificar profundamente os hábitos de vida dos portugueses, que não foram excepção  numa Europa assolada pelo contágio de um vírus mutante,  com dramáticas características infecciosas.  Neste quadro  de excepção, os “media”,  os audiovisuais e a Imprensa -- em suporte papel ou digital -- ,...
Agenda
06
Abr
16
Abr
SEO para Jornalistas
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona