Sexta-feira, 10 de Julho, 2020
Media

The New York Times privilegia o digital e admite a extinção a prazo da versão em papel

O influente matutino The New York Times deixou de ser apenas um grande jornal – e já não seria pouco – para passar à condição de núcleo de um grupo editorial que aposta no digital como solução para o futuro.

Quem o diz é o próprio vice-presidente do NYT, Michael Golden que, numa entrevista recente ao diário argentino La Nacion, não hesita em declarar que “somos uma companhia de meios digitais que também edita um diário”.

De facto, apesar da edição impressa do NYT contar ainda com uma tiragem e circulação robustas, a sua realidade convive já com uma panóplia de novos produtos e uma forte presença na Web, que reconverteram a filosofia editorial e o negócio.

Como se recorda no site electrónico media-tics, quando o Times optou, em 2011, por fixar conteúdos editoriais pagos, muita gente na industria considerou a medida como um grave erro.

O certo, porém, é que o tempo deu razão ao Times e hoje conta com mais de um milhão e meio de assinantes digitais, o que representa uma receita já superior à publicidade.

O eixo fundamental desta nova lógica editorial, é, contudo, preservar “o jornalismo de qualidade”.

E graças a mais de cem milhões de pessoas no mundo que acedem ao site do NYT, pelo menos uma ou duas vezes por mês, Golden realça que essas visitas embora não gerem receitas directas podem converter-se, a prazo, em novos assinantes e contribuir para reforçar as receitas da publicidade.

Estes resultados explicam o optimismo de Golden, ao considerar que “estamos felizes por não estarmos parados, mas o futuro não está decidido, embora estejamos em melhores condições do que a maioria das publicações (…). Todavia, há muito trabalho para fazer e há um mundo que assusta” .

Michael Golden está à frente do NYT desde 1997, e não esconde que embora não sabendo quanto tempo falta para que o jornal deixe de imprimir-se, tem a certeza de que esse dia chegará.

Com o negócio tradicional em decadência. o NYT pode vir a ser definido em breve como um periódico da Web.

O Times reduziu a redacção e hoje já não produz apenas um diário, sendo antes um gerador de conteúdos – texto, fotos, vídeos, infografias interactivas – quer para a Web, quer para o papel e redes sociais.

 

Leia na íntegra o texto do media-tics e a entrevista de Michael Golden ao La Nacion

 

 

 

 

 

 

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Connosco
Empresas de "fact-checking" empenhadas em travar "fake news" Ver galeria

As empresas de “fact-checking” continuam empenhadas em combater a desinformação sobre o novo coronavírus e em travar novas vagas de “fake news”.

Com este objectivo, a CoronaVirusFacts Alliance, que reúne dezenas de organizações de verificação de factos, aliou-se à academia, de forma a conseguir analisar as principais tendências da “infodemia”, bem como os seus efeitos na sociedade.

A aliança de “fact-checkers” seleccionou, então, os projectos das Universidades de Minas Gerais, Wisconsin-Madison, Dartmouth, MIT, e Texas, cada um com objectivos específicos.

O representante Universidade de Minas Gerais ficará responsável por catalogar os diferentes tipos de notícias falsas, para que seja mais fácil identificar padrões de desinformação.

Na Universidade de Wisconsin-Madison, as duas investigadoras seleccionadas vão estudar a utilidade dos infográficos no combate das “fake news” e as diferenças entre os “fact-checkers” de cada país.

Já no MIT, serão analisadas notícias facciosas divulgadas, através do Whatsapp, em países do sul asiático.



Jornalistas independentes em Hong Kong podem vir a ser expulsos Ver galeria

Os jornalistas estrangeiros radicados em Hong Kong podem vir a ser expulsos do território,  caso “cruzem a linha” ao reportarem pedidos pela independência da região, advertiu Charles Ho, membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

“Se um jornalista promover apelos pela independência de Hong Kong, é óbvio que será expulso”, afirmou Ho, que é, também, chefe do grupo de imprensa de Hong Kong Sing Tao News Corporation. “Hong Kong continuará a gozar de liberdade de expressão e os jornalistas ainda serão capazes de reportar sobre questões de independência, mas não deverão ser vistos como motivadores da causa”.

Recorde-se que a China aprovou, recentemente, a lei de segurança nacional de Hong Kong, visando punir “actos de secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras para pôr em risco a segurança nacional”.

O documento exige, ainda, que o governo de Hong Kong reforce a “orientação, supervisão e regulamentação” da imprensa local.

O documento foi aprovado na sequência repetidas advertências do poder comunista chinês contra a dissidência em Hong Kong, abalada em 2019 por sete meses de manifestações em defesa de reformas democráticas e quase sempre marcadas por confrontos com a polícia, que levaram à detenção de mais de nove mil pessoas.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague