Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

The New York Times privilegia o digital e admite a extinção a prazo da versão em papel

O influente matutino The New York Times deixou de ser apenas um grande jornal – e já não seria pouco – para passar à condição de núcleo de um grupo editorial que aposta no digital como solução para o futuro.

Quem o diz é o próprio vice-presidente do NYT, Michael Golden que, numa entrevista recente ao diário argentino La Nacion, não hesita em declarar que “somos uma companhia de meios digitais que também edita um diário”.

De facto, apesar da edição impressa do NYT contar ainda com uma tiragem e circulação robustas, a sua realidade convive já com uma panóplia de novos produtos e uma forte presença na Web, que reconverteram a filosofia editorial e o negócio.

Como se recorda no site electrónico media-tics, quando o Times optou, em 2011, por fixar conteúdos editoriais pagos, muita gente na industria considerou a medida como um grave erro.

O certo, porém, é que o tempo deu razão ao Times e hoje conta com mais de um milhão e meio de assinantes digitais, o que representa uma receita já superior à publicidade.

O eixo fundamental desta nova lógica editorial, é, contudo, preservar “o jornalismo de qualidade”.

E graças a mais de cem milhões de pessoas no mundo que acedem ao site do NYT, pelo menos uma ou duas vezes por mês, Golden realça que essas visitas embora não gerem receitas directas podem converter-se, a prazo, em novos assinantes e contribuir para reforçar as receitas da publicidade.

Estes resultados explicam o optimismo de Golden, ao considerar que “estamos felizes por não estarmos parados, mas o futuro não está decidido, embora estejamos em melhores condições do que a maioria das publicações (…). Todavia, há muito trabalho para fazer e há um mundo que assusta” .

Michael Golden está à frente do NYT desde 1997, e não esconde que embora não sabendo quanto tempo falta para que o jornal deixe de imprimir-se, tem a certeza de que esse dia chegará.

Com o negócio tradicional em decadência. o NYT pode vir a ser definido em breve como um periódico da Web.

O Times reduziu a redacção e hoje já não produz apenas um diário, sendo antes um gerador de conteúdos – texto, fotos, vídeos, infografias interactivas – quer para a Web, quer para o papel e redes sociais.

 

Leia na íntegra o texto do media-tics e a entrevista de Michael Golden ao La Nacion

 

 

 

 

 

 

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Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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