Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Media

The New York Times privilegia o digital e admite a extinção a prazo da versão em papel

O influente matutino The New York Times deixou de ser apenas um grande jornal – e já não seria pouco – para passar à condição de núcleo de um grupo editorial que aposta no digital como solução para o futuro.

Quem o diz é o próprio vice-presidente do NYT, Michael Golden que, numa entrevista recente ao diário argentino La Nacion, não hesita em declarar que “somos uma companhia de meios digitais que também edita um diário”.

De facto, apesar da edição impressa do NYT contar ainda com uma tiragem e circulação robustas, a sua realidade convive já com uma panóplia de novos produtos e uma forte presença na Web, que reconverteram a filosofia editorial e o negócio.

Como se recorda no site electrónico media-tics, quando o Times optou, em 2011, por fixar conteúdos editoriais pagos, muita gente na industria considerou a medida como um grave erro.

O certo, porém, é que o tempo deu razão ao Times e hoje conta com mais de um milhão e meio de assinantes digitais, o que representa uma receita já superior à publicidade.

O eixo fundamental desta nova lógica editorial, é, contudo, preservar “o jornalismo de qualidade”.

E graças a mais de cem milhões de pessoas no mundo que acedem ao site do NYT, pelo menos uma ou duas vezes por mês, Golden realça que essas visitas embora não gerem receitas directas podem converter-se, a prazo, em novos assinantes e contribuir para reforçar as receitas da publicidade.

Estes resultados explicam o optimismo de Golden, ao considerar que “estamos felizes por não estarmos parados, mas o futuro não está decidido, embora estejamos em melhores condições do que a maioria das publicações (…). Todavia, há muito trabalho para fazer e há um mundo que assusta” .

Michael Golden está à frente do NYT desde 1997, e não esconde que embora não sabendo quanto tempo falta para que o jornal deixe de imprimir-se, tem a certeza de que esse dia chegará.

Com o negócio tradicional em decadência. o NYT pode vir a ser definido em breve como um periódico da Web.

O Times reduziu a redacção e hoje já não produz apenas um diário, sendo antes um gerador de conteúdos – texto, fotos, vídeos, infografias interactivas – quer para a Web, quer para o papel e redes sociais.

 

Leia na íntegra o texto do media-tics e a entrevista de Michael Golden ao La Nacion

 

 

 

 

 

 

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Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
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