Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
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Recuperar a confiança dos leitores com os valores básicos do jornalismo

Há hoje, por parte do público, uma grande falta de confiança na Imprensa. E não é só o público dos “brancos zangados, de direita; há muitos jovens e pessoas de cor que não ligam ao jornalismo como o temos feito”. “O jornalismo é só uma parte do problema, mas pode, e a meu ver devia, ser parte da solução.”

Esta reflexão é de Michael Oreskes, que foi chefe da delegação do New York Times em Washington, e sente-se nela a marca do debate em curso nos EUA  - mas o exemplo não se esgota lá. A sua proposta é de recuperar a confiança dos leitores retomando os “valores básicos” da profissão, voltando a dar às mais humildes comunidades locais, transformadas em “desertos de notícias”, um jornalismo de proximidade, baseado na escuta, na correcção, no rigor e no empenhamento em fazer autêntica reportagem.

O autor começa pela constatação de que grandes porções do seu país simplesmente “não acreditam em nós”, olhando os jornalistas como instrumentos de algum obscuro establishment

 

Michael Oreskes defende que é precisamente neste ponto que o jornalismo deve providenciar “uma base de factos comum e um vocabulário comum” que permitam uma discussão séria sobre os desafios e alternativas. Um jornalismo que possa apresentar, umas às outras, pessoas de diferentes meios e pontos de vista, e assim “convocar conversas importantes”.

 

Para o conseguir, é preciso restabelecer a confiança:

 

“Temos de estar abertos e disponíveis a todos. Temos de substituir a raiva pela empatia, e a disputa pela razão. A nichefication [tendência para ocupar nichos] pode ajudar os projectos de mercado das empresas noticiosas, mas enfraquece a sua capacidade de servir o público.”

 

O verdadeiro desafio do jornalismo, como diz adiante, é fazer a ligação por entre todo o espectro de pontos de vista e proveniências:

 

“Tornar o nosso jornalismo mais opinativo não ajuda. Coloca o ênfase no lugar errado.”

 

“Valores e práticas são o que nos define e distingue. São o que torna jornalismo o jornalismo. Sem eles somos apenas conteúdos e opinião, e rapidamente desaparecemos na confusão. A perda do jornalismo seria a longo prazo um desastre para o país, pior do que qualquer coisa que imaginemos que saia destas eleições.”

 

O artigo de Michael Oreskes, no site da CJR   

 

 

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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