Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Fórum

Recuperar a confiança dos leitores com os valores básicos do jornalismo

Há hoje, por parte do público, uma grande falta de confiança na Imprensa. E não é só o público dos “brancos zangados, de direita; há muitos jovens e pessoas de cor que não ligam ao jornalismo como o temos feito”. “O jornalismo é só uma parte do problema, mas pode, e a meu ver devia, ser parte da solução.”

Esta reflexão é de Michael Oreskes, que foi chefe da delegação do New York Times em Washington, e sente-se nela a marca do debate em curso nos EUA  - mas o exemplo não se esgota lá. A sua proposta é de recuperar a confiança dos leitores retomando os “valores básicos” da profissão, voltando a dar às mais humildes comunidades locais, transformadas em “desertos de notícias”, um jornalismo de proximidade, baseado na escuta, na correcção, no rigor e no empenhamento em fazer autêntica reportagem.

O autor começa pela constatação de que grandes porções do seu país simplesmente “não acreditam em nós”, olhando os jornalistas como instrumentos de algum obscuro establishment

 

Michael Oreskes defende que é precisamente neste ponto que o jornalismo deve providenciar “uma base de factos comum e um vocabulário comum” que permitam uma discussão séria sobre os desafios e alternativas. Um jornalismo que possa apresentar, umas às outras, pessoas de diferentes meios e pontos de vista, e assim “convocar conversas importantes”.

 

Para o conseguir, é preciso restabelecer a confiança:

 

“Temos de estar abertos e disponíveis a todos. Temos de substituir a raiva pela empatia, e a disputa pela razão. A nichefication [tendência para ocupar nichos] pode ajudar os projectos de mercado das empresas noticiosas, mas enfraquece a sua capacidade de servir o público.”

 

O verdadeiro desafio do jornalismo, como diz adiante, é fazer a ligação por entre todo o espectro de pontos de vista e proveniências:

 

“Tornar o nosso jornalismo mais opinativo não ajuda. Coloca o ênfase no lugar errado.”

 

“Valores e práticas são o que nos define e distingue. São o que torna jornalismo o jornalismo. Sem eles somos apenas conteúdos e opinião, e rapidamente desaparecemos na confusão. A perda do jornalismo seria a longo prazo um desastre para o país, pior do que qualquer coisa que imaginemos que saia destas eleições.”

 

O artigo de Michael Oreskes, no site da CJR   

 

 

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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