Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
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Estudo da União Europeia receia a deterioração do pluralismo nos Media

As condições básicas do pluralismo nos meios de comunicação, em vários países da União Europeia, encontram-se ausentes, e esta distorção atinge o funcionamento normal da democracia. Estamos habituados a fazer este diagnóstico aos outros, mas um estudo recente, encomendado por um Departamento do Parlamento Europeu, examina a situação em sete países  - Bulgária, França, Grécia, Hungria, Itália, Polónia e Roménia -  identifica as deficiências e propõe medidas concretas para as corrigir. 

A introdução a este trabalho parte do reconhecimento de que a preocupação sobre a deterioração da liberdade e do pluralismo em Estados-Membros já vem de há várias décadas, mas que “acontecimentos políticos recentes, como a deterioração sistemática do nível de democracia em alguns Estados-Membros e o crescimento do extremismo político, nacionalismo e populismo por toda a União Europeia, suscitaram o receio de que estes processos se tornem virais e deram um sinal forte de que é necessária uma acção supra-nacional para melhorar o estado de liberdade e pluralismo dos media”.  

Os sete Estados-Membros objecto de estudo “foram especificamente escolhidos com base nos resultados de anteriores trabalhos, que descreviam o pluralismo político em alto risco, acompanhado por pesada interferência do Estado sobre os media, ou laços económicos estreitos entre o sector político e os proprietários de media privados”.

 

As conclusões deste trabalho desembocam numa série de recomendações no sentido de uma monitorização regular do pluralismo nos meios de comunicação, por um grupo independente de peritos, nomeado pela Comissão, definindo em cada caso se não há ameaça ao pluralismo, ou se ela é de risco médio ou elevado  -  recomendando, nestes casos, que os Estados-Membros sejam obrigados a cooperar com a Comissão para dar os passos seguintes. 

É recomendado também que se melhore a legislação sobre apoios do Estado e subsídios aos meios noticiosos, tendo em vista a transparência, a imparcialidade e a diminuição da influência política e clientelismo. O texto alonga-se, nesta área, em pormenorizadas recomendações de natureza institucional, legislativa e de procedimentos a seguir.

 

É proposta uma política preventiva, de natureza pedagógica, que eduque os cidadãos sobre a democracia, os direitos dos cidadãos e o respeito da lei, promova uma literacia dos media, a ética jornalística e a respectiva qualidade profissional.

 

A investigação foi solicitada pela Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos (conhecida pela sigla LIBE) e, embora o texto introdutório tenha o cuidado de afirmar que as opiniões nela expressas são da responsabilidade dos seus autores e não representam necessariamente a posição oficial do Parlamento Europeu, foi revista e publicada pelo Departamento dos Direitos dos Cidadãos e Assuntos Constitucionais.


A Análise Comparativa sobre Liberdade de Imprensa e Pluralismo nos Estados-Membros da União Europeia

 

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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