Sexta-feira, 22 de Março, 2019
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Estudo da União Europeia receia a deterioração do pluralismo nos Media

As condições básicas do pluralismo nos meios de comunicação, em vários países da União Europeia, encontram-se ausentes, e esta distorção atinge o funcionamento normal da democracia. Estamos habituados a fazer este diagnóstico aos outros, mas um estudo recente, encomendado por um Departamento do Parlamento Europeu, examina a situação em sete países  - Bulgária, França, Grécia, Hungria, Itália, Polónia e Roménia -  identifica as deficiências e propõe medidas concretas para as corrigir. 

A introdução a este trabalho parte do reconhecimento de que a preocupação sobre a deterioração da liberdade e do pluralismo em Estados-Membros já vem de há várias décadas, mas que “acontecimentos políticos recentes, como a deterioração sistemática do nível de democracia em alguns Estados-Membros e o crescimento do extremismo político, nacionalismo e populismo por toda a União Europeia, suscitaram o receio de que estes processos se tornem virais e deram um sinal forte de que é necessária uma acção supra-nacional para melhorar o estado de liberdade e pluralismo dos media”.  

Os sete Estados-Membros objecto de estudo “foram especificamente escolhidos com base nos resultados de anteriores trabalhos, que descreviam o pluralismo político em alto risco, acompanhado por pesada interferência do Estado sobre os media, ou laços económicos estreitos entre o sector político e os proprietários de media privados”.

 

As conclusões deste trabalho desembocam numa série de recomendações no sentido de uma monitorização regular do pluralismo nos meios de comunicação, por um grupo independente de peritos, nomeado pela Comissão, definindo em cada caso se não há ameaça ao pluralismo, ou se ela é de risco médio ou elevado  -  recomendando, nestes casos, que os Estados-Membros sejam obrigados a cooperar com a Comissão para dar os passos seguintes. 

É recomendado também que se melhore a legislação sobre apoios do Estado e subsídios aos meios noticiosos, tendo em vista a transparência, a imparcialidade e a diminuição da influência política e clientelismo. O texto alonga-se, nesta área, em pormenorizadas recomendações de natureza institucional, legislativa e de procedimentos a seguir.

 

É proposta uma política preventiva, de natureza pedagógica, que eduque os cidadãos sobre a democracia, os direitos dos cidadãos e o respeito da lei, promova uma literacia dos media, a ética jornalística e a respectiva qualidade profissional.

 

A investigação foi solicitada pela Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos (conhecida pela sigla LIBE) e, embora o texto introdutório tenha o cuidado de afirmar que as opiniões nela expressas são da responsabilidade dos seus autores e não representam necessariamente a posição oficial do Parlamento Europeu, foi revista e publicada pelo Departamento dos Direitos dos Cidadãos e Assuntos Constitucionais.


A Análise Comparativa sobre Liberdade de Imprensa e Pluralismo nos Estados-Membros da União Europeia

 

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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