Quarta-feira, 30 de Novembro, 2022
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O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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Breves
Público oferece assinaturas

O Público, em parceria com a Fidelidade, Google, Porto Editora, Media Brands, NTT Data, Fundação José Neves, Fuel, Fundação Eugénio de Almeida e a Fundação Inatel, vai oferecer milhares de assinaturas digitais a finalistas de licenciatura, mestrado ou mestrado integrado de diversas instituições.

Esta oferta faz parte da iniciativa PSuperior e contempla universidades de várias regiões, nomeadamente, dos Açores, Madeira, Algarve, Aveiro, Beira Interior, Coimbra, Évora, Minho, Porto, Lisboa, entre outros.

A iniciativa tem como objectivo “desenvolver os hábitos de leitura de jornais, promover a literacia mediática e contribuir para uma cidadania mais esclarecida”.

Esta é, já, a 4ª edição do projecto. Na anterior verificou-se que 78% dos estudantes foram “capazes de detectar fake news com mais facilidade, depois de se terem tornados assinantes do Público”.

Jornalista da BBC agredido

O jornalista e cinegrafista da BBC, Edward Lawrence, foi agredido após detenção pela polícia quando cobria um protesto sobre o Covid-19.

O episódio ocorreu em Xangai, na China, onde as “manifestações de rua são extremamente raras”, durante um protesto contra as medidas do país devido ao Covid.

A BBC admitiu que estava preocupada com a situação, uma vez que a detenção ocorreu sem qualquer fundamento. O jornalista, embora credenciado, ficou retido durante várias horas, sendo nessa altura agredido pela polícia.

Novos jornais da “Vocento”

Vocento lançou dois novos jornais digitais locais, a Salamanca Hoy e o Todo Alicante.

O primeiro surgiu em meados de Outubro, juntando-se aos jornais Burgos Conecta, Leonoticias e El Norte de Castilla, que fazem parte da comunidade castelhano-leonesa da Vocento.

O jornal Todo Alicante será, entretanto, apresentado.

Além da sua rede de doze jornais locais, a Vocento pretende continuar a “ampliar a sua presença na esfera local”, tendo lançado uma rede de jornais locais há uma década atrás.

“National World” tem novos planos

A National World, terceira maior editora regional do Reino Unido, já não está a considerar adquirir a Reach, proprietária do Mirror, Express e Star.

Apesar de reconhecer que esta aquisição traria “vantagens industriais e financeiras consideráveis”, David Montgomery, presidente executivo da National World, admitiu que as circunstâncias não são, actualmente, adequadas.

No entanto, Montgomery revelou que a empresa tem planos de expandir o seu negócio, de forma “criativa e por meio de aquisições e parcerias”, sendo o principal objectivo “construir um negócio de conteúdo ‘vibrante’”.

A National World planeia, assim, buscar novas oportunidades, principalmente relacionadas com “o conteúdo e iniciativas tecnológicas com base nos seus clientes”.

“True” pelo jornalismo escolar

O True, uma iniciativa do jornal Público, em parceria com a Universidade de Aveiro e a empresa de tecnologias digitais MOG, terá início em Janeiro.

David Pontes, director adjunto do Público, explicou que a iniciativa pretende promover o jornalismo escolar em meio digital, tendo como objectivo ajudar os alunos do 7º ao 12º ano a criarem as suas próprias notícias e jornais escolares digitais.

A nível técnico, o True é, essencialmente, “um Wordpress para jornais escolares”, oferecendo funcionalidades como apoio nas questões de ortografia, links para notícias de conteúdo semelhante, ferramentas de verificação de plágio e espaço para credenciação das fontes usadas.

Esta iniciativa faz parte dos projectos da Sonaecom de combate à desinformação e da responsabilidade social.

Agenda
02
Dez
European Media and Information Fund
09:30 @ Auditório 2, Fundação Gulbenkian, Lisboa
14
Dez
Secreto profesional, asignatura pendiente
18:00 @ CaixaForum e online
15
Dez
British Journalism Awards 2022
18:30 @ London Hilton Park Lane, Reino Unido
05
Jan
Ligados ou desligados? A Publicidade na era da hiperestimulação
00:00 @ Instituto Politécnico de Viseu, Portugal
Connosco
Galeria

Numa cerimónia realizada no auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, foi homenageada a maestrina ucraniana Oksana Lyniv, vencedora do Prémio Helena Vaz da Silva, atribuído anualmente pelo Centro Nacional de Cultura, com o apoio da Europa Nostra e do Clube Português de Imprensa.

Na cerimónia, presidida pelo Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, e sendo anfitrião Guilherme de Oliveira Martins, administrador da Fundação, a figura e a carreira de Oksana Lyniv foi apresentada pela maestrina Joana Carneiro.

Impossibilitada de se deslocar a Portugal, por motivos pessoas insuperáveis, foi o seu pai quem recebeu o prémio, em sua representação.

Recorde-se que a vencedora da décima edição do Prémio Helena Vaz da Silva concedeu, entretanto, uma entrevista ao semanário Expresso, na qual declarou que a invasão russa do seu país é uma clara tentativa de destruir uma nação, tendo sido, completamente, motivada por ódio.

Em relação à família que tem na Ucrânia, a vencedora do prémio revelou que estes querem permanecer no país, dedicando-se a acolher e ajudar várias famílias de refugiados.

Lyniv comentou, também, o papel dos artistas na guerra, descrevendo as grandes obras artísticas como “canais para comunicar algo importante”. De acordo com a maestrina, “quando olhamos [para] a história da cultura, e estudamos as obras e o contexto em que foram criadas, vemos que os grandes artistas — Michelangelo, Mozart ou Beethoven — agiram dentro de uma sociedade, por vezes uns passos à frente dela”.

No entanto, Lyniv admitiu que o papel que a arte e os artistas assumem tem vindo a ser cada vez mais explorado e usado para fins de propaganda, como é o caso do maestro russo Valery Gergiev, que se tornou “uma bandeira do regime ditatorial de Putin”.

Em relação à sua carreira profissional, Lyniv revelou que a sua decisão para se tornar maestrina foi tomada aos 18 anos, depois de descobrir que as mulheres podiam ocupar esse cargo. Após obter o seu diploma na Academia de Música de Lviv e ganhar o terceiro prémio no Concurso Gustav Mahler, em 2004, a maestrina prosseguiu a sua formação em Dresden, na Alemanha.

Lyniv acrescentou, igualmente, que “o seu primeiro cargo fixo veio da Ópera Nacional de Odessa, como maestrina assistente”, tendo também oportunidade de trabalhar na Ópera do Estado da Bavária, como assistente de Kirill Petrenko.

Apesar de ser a directora musical do Teatro Comunale di Bologna, sendo “a primeira mulher à frente de uma casa de ópera italiana”, Lyniv confessou que inclui sempre compositores ucranianos em todos os seus concertos, o que passou a constituir a sua “imagem de marca”.

Numa última reflexão acerca das mulheres na regência de orquestras, Lyniv admitiu que “já existem jovens maestrinas fantásticas” e que tudo indica que se trata de um movimento imparável.

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Os media estão, actualmente, a passar por uma transformação digital, mudança que ganhou mais balanço após a pandemia ter “acelerado a quebra da circulação e publicidade das edições impressas” e a invasão russa da Ucrânia ter “disparado os preços da tinta e do papel”.

Apesar de não existir um modelo específico para a transformação dos media, o director do Evoca Media, Pepe Cerezo, sublinhou que são essenciais três “pilares” para “estabelecer uma estratégia de negócios digitais”, nomeadamente, inovação e adaptação, diversificação, e hibridização.

Estes três elementos implicam que as fontes de receita devem ser obtidas a partir de diversas fontes (assinaturas, publicidade, lojas online), utilizando modelos que se adaptam a diferentes públicos e mercados e que respondem às necessidades e aos hábitos de consumo dos utilizadores.

O aumento da publicidade digital, uma das maiores fontes de receita, hoje em dia, tem vindo a desacelerar, devido, em parte, à mudança a que esta foi sujeita, causada pela “pelo desaparecimento dos cookies de terceiros”.

A falta de cookies de terceiros torna mais difícil aspectos como a criação de perfis de utilizadores, a sua monotorização e a adaptação às suas necessidades, implicando que as empresas devem desenvolver um “relacionamento individual com os utilizadores” para recolher esses dados.

Existe, também, a opção de utilizar “tecnologia baseada na recolha, armazenamento e análise de cookies”, que permite adaptar a publicidade aos hábitos do utilizador, baseando-se, por exemplo, no seu histórico de navegação, pesquisas, compras anteriores e links clicados. 

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Um estudo anual da Ipsos Veracity demonstrou que a percentagem de britânicos que confia nos jornalistas aumentou desde o ano passado.

Apesar do jornalismo estar entre as profissões em que a população do Reino Unido menos confia, a pontuação obtida este ano foi a mais elevada até agora, verificando-se que cerca de 29% da amostra admitiu confiar em jornalistas.

O Digital News Report deste ano, realizado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ), também destacou a falta de fé do público nos media, registando um pouco mais de um terço (34%) de confiança nas notícias do Reino Unido.

Este número tem vindo a aumentar desde 2000, existindo diferentes níveis de confiança entre diferentes faixas etárias. Por exemplo, nos entrevistados entre os 16 e 26 anos, registou-se que 60% não confia nos jornalistas, enquanto nas idades entre os 48 e 76 anos foi obtida uma percentagem de 56%.

O nível de confiança no jornalismo também variou com o nível de escolaridade, observando-se que os leitores com formação superior são mais propensos a confiar nos jornalistas, enquanto pessoas de menores recurso ou desempregadas confiam menos.

Em relação às notícias na televisão, 58% dos entrevistados admitiram que “confiavam nos locutores da televisão para transmitir a verdade, um salto de seis pontos percentuais em comparação com 2021”. Também neste caso os telespectadores mais velhos registaram uma maior inclinação para confiar nos jornalistas.

No geral, é possível notar uma “queda na confiança do público”, num amplo leque de profissões, desde políticos a médicos, enfermeiros, professores, entre outros.

Mike Clemence, pesquisador da Ipsos Trends & Foresight, admitiu que este aumento de confiança marginal no jornalismo deve ser, por isso, destacado.

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A editora-chefe da Reuters, Alessandra Galloni, concedeu uma entrevista ao jornal ABC, no sentido de discutir os desafios do jornalismo, os objectivos da Reuters e a sua experiência como jornalista e editora-chefe.

A jornalista admitiu que a agência noticiosa Reuters representa um modelo diversificado na obtenção e publicação de notícias, face aos desafios do sector.

Primeiramente, a agência promove a deslocação de muitos jornalistas, como enviados especiais, a diferentes pontos do globo, o que se reflete num acervo de notícias mais rápido e diversificado. Apesar de este factor optimizar a velocidade de preparação das notícias, Galloni confessou que este não se sobrepõe à busca da verdade, visto que “não há glória em ser o primeiro e estar errado”.

Adicionalmente, Galloni sublinhou que uma das maiores prioridades da empresa é garantir a segurança dos seus jornalistas, principalmente, dos profissionais que operam em zonas de conflito e que enfrentam riscos físicos e psicológicos.

Tendo em conta os métodos utilizados, a empresa tem vindo a desenvolver o seu website, de forma a fornecer não só mais informação, mais rapidamente, mas também a contribuir para minimizar os custos operacionais.

Quando questionada acerca da possibilidade de uma relação competitiva entre a Reuters e os seus clientes, a jornalista argumentou que este não será o caso, uma vez que estes reconhecem que o “jornalismo de qualidade custa muito dinheiro”.

Em relação ao seu próprio cargo, Galloni admitiu que o facto de ser a primeira mulher editora-chefe da Reuters em 171 anos tornou-a mais consciente do desequilíbrio que existe no sector, pretendendo trabalhar para aumentar a diversidade e inclusão na empresa.

Quanto ao futuro do sector, Galloni mostrou-se optimista, uma vez que o público tem vindo a perceber melhor a importância da informação confiável, graças ao trabalho sério dos jornalistas, tanto na relação com a sua fonte, como na sua partilha.

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Num texto recente, da autoria de Dominic Ponsford, editor-chefe da PressGazette, fez-se uma análise acerca das paywalls como fontes de sucesso para os jornais.

O editor argumentou que este método foi bem sucedido em vários media, nomeadamente, no jornal Manchester Mill, Aberdeen-based Press and Journal, The Courier e The Belfast Telegraph, assim como na plataforma Substack.

Porém, outros meios de comunicação do Reino Unido optaram por adoptar diferentes métodos para aumentar as receitas.

A maioria dos grandes websites de notícias do país focam-se em gerar um alto volume de tráfico de utilizadores e, subsequentemente, aumentar a receita da publicidade.

Por exemplo, a MyLondon é um website de notícias locais financiado por anúncios publicados na Reach.

Ponsford sublinhou que a escolha de métodos pode estar relacionada com os conteúdos dos jornais, uma vez que este último apresenta uma “alta proporção de conteúdo não local, grande parte proveniente de artigos de fontes fracas acerca de assuntos tratados nas redes sociais”.

Note-se que o MyLondon não cobre apenas este tipo de informação, apesar de ser a grande maioria.

O editor acrescentou, ainda, que embora o conteúdo seja apelativo para o público, seria difícil de convencer os leitores a pagar por este serviço, tendo em conta o tema.

Assim, a profundidade do envolvimento do público com o conteúdo está directamente ligada às estratégias que os editores adoptam, apesar de depender, também, da disponibilidade dos leitores pagarem pela sua assinatura.

Este último tem vindo a ser um obstáculo, uma vez que apenas “cerca de 5% dos ingleses estão, actualmente, dispostos a pagar por uma assinatura de notícias locais online”.

Além deste desafio, a existência de notícias locais gratuitas de alta qualidade, como as da BBC, dificultam a capacidade de outros jornais cobrarem pelas suas notícias. Neil Benson, ex-director editorial da actual Reach, admitiu que “aos olhos dos leitores, isso torna [a BBC] num substituto bom o suficiente, caso os jornais locais tentem cobrar pelo seu conteúdo”.

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Com as mudanças que a imprensa tem registado, torna-se cada vez mais claro que os programas de aprendizagem do jornalismo e de comunicação devem ser adaptados.

O professor Rafael Lorente, que, ao longo de 30 anos, trabalhou como repórter e editor, argumentou que esta adaptação é uma obrigação moral, uma vez que os futuros jornalistas devem não só “prosperar no ambiente caótico de hoje”, mas também “pavimentar o caminho para um novo jornalismo mais sustentável”.

Lorente admitiu que os desafios da indústria têm vindo a afectar o número de matrículas em programas de jornalismo e comunicação, bem como a condicionar os seus estudantes.

Adicionalmente, o professor de jornalismo sublinhou que “as ameaças à democracia, à liberdade de imprensa e à educação jornalística estão intrinsecamente ligadas”. Entre estas, estão os baixos salários dos jornalistas estagiários, a falta de diversidade na indústria e a desinformação.

Apesar de não ser responsabilidade dos professores resolver os problemas da sociedade, Lorente defendeu que têm como obrigação “construir um modelo de ensino que mantenha os jornalistas cientes dos valores fundamentais da profissão, independentemente da incerteza do futuro”.

Tendo isto em conta, o autor compilou uma série de ideias e princípios para ajudar a melhorar a educação jornalística, ainda que não sejam definitivos.

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Estamos, actualmente, perante uma crise no jornalismo a nível mundial, causada, em parte, pela fuga de publicidade, a baixa procura do público e a credibilidade na informação transmitida.

Existe um quebra geral na venda dos jornais impressos desde a década de 50, situação que tem vindo a agravar-se pela facilidade de acesso que as novas tecnologias e o meio digital proporcionam.

É, também, possível observar um “deserto de notícias” em certas regiões, uma vez que existem municípios sem qualquer tipo de meio de comunicação que noticie o que ocorre na comunidade. Este fenómeno já está bastante presente nos EUA e no Brasil, apesar de ser observado também, embora em menor número, em Portugal.

Esta transição implica não só uma mudança nos métodos da imprensa, que cada vez mais optam por aderir ao meio digital e fornecer notícias a partir destes media, mas igualmente na maneira como a história do jornalismo deve ser preservada.

Um dos grandes veículos jornalísticos que albergam essa história são as publicações centenárias, cujo número total, no mundo, é de duzentas, das quais 33 são portuguesas.

Foi, assim, organizado um Think Tank que pretende “contribuir para a criação de um Observatório Internacional dos Jornais Centenários (…),o lançamento de estudos e recolha de informação sobre a situação digital dos acervos dos jornais centenários, preparar modelos de boas práticas para o acesso aos dados digitalizados dos jornais centenários (…) e promover a utilização pública de dados jornalísticos como elementos fiáveis e confiáveis”.

Adicionalmente, o Think Tank tenciona apoiar o reconhecimento das publicações centenárias como “património cultural imaterial”, tendo em conta a sua riqueza histórica.

O seu lançamento público deverá ocorrer no próximo dia 13 de dezembro e, para além da recolha de trabalhos e dados feita pela Associação Portuguesa de Imprensa (API), conta ainda com contributos das Conferências para a História do Jornalismo em Portugal e ferramentas digitais como a aplicação Millage.

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Ao contrário do que se previa, os dados obtidos pelo Medill Subscriber Engagement Index demonstraram que as organizações de notícias americanas registaram um aumento de assinantes após a pandemia.

A previsão da diminuição do número de assinaturas está a provar-se falsa, apesar dos dados obtidos pela Poynter Institute for Media Studies, que comprovaram uma queda de 20% nas visualizações por página e nos utilizadores únicos nos websites de jornais locais, em 2022.

Os resultados do Medill Subscriber Engagement Index abrangem vários tipos de jornais, desde os maiores no sector aos mais pequenos, sendo que seis dos oito grandes diários metropolitanos pesquisados “apresentaram um aumento nas assinaturas de Setembro de 2021 a Agosto de 2022”.

Matt Lindsay, presidente da Mather Economics, admitiu que estes resultados não são uma surpresa, uma vez que, mesmo com a queda das visualizações de página, “os editores têm vindo a melhorar na conversão de assinantes, mantendo o número de novas assinaturas”. Acrescentou, ainda, que “o grande problema é a retenção e a monetização dos assinantes”.

Adicionalmente, a Poynter, assim como outras empresas, sublinharam a importância de investir no marketing digital, de modo a aumentar “os esforços na aquisição de assinaturas”, uma vez que permitirá que as organizações “encontrem leitores regulares e criem uma estratégia de newsletter em torno destes”.

Tim Franklin, Presidente na John M. Mutz de Notícias Locais na Medill, advertiu contra a comemoração prematura dos editores, tendo em conta os desafios existentes no sector, tais como “os declínios contínuos na circulação impressa, a queda nos preços de publicidade, os aumentos da despesa relacionada com a inflação e as preocupações com o cansaço das assinaturas”.

O que há de novo

A jornalista e repórter franco-canadense do Le Figaro, Margaux Benn, recebeu o 84º prémio Albert Londres para a imprensa escrita.

O prémio foi concedido a Benn pelas suas reportagens acerca da invasão russa na Ucrânia, tendo sido elogiada a sua “escrita singular e a inovação constante da sua arte de contar histórias”.

Sem falar ucraniano, a repórter conseguiu “transmitir as emoções dos jovens ucranianos que partem para a frente de batalha e das suas mulheres”, assim como expressar, verbalmente, todos os horrores provenientes da guerra vivida no país. 

Recorde-se que, previamente à sua carreira no Le Figaro, a jornalista estudou na Saint Andrews University e no Instituto de Estudos Políticos de Paris, tendo, mais tarde, trabalhado para o jornal New York Times e para as agências noticiosas Agence France-Presse e BBC.

A jornalista escreveu, igualmente, acerca da situação vivida no Afeganistão durante quatro anos, antes de realizar as reportagens sobre a Ucrânia.

Além de Benn, o júri premiou, também, as jornalistas Alexandra Jousset e Ksenia Bolchakova, pelo seu filme “Wagner, Putin's Shadow Army”, e o jornalista independente Victor Castanet, pelo seu livro de investigação “Les Fossoyeurs”.

A obra cinematográfica de Jousset e Bolchakova descreve a história das “acções dos mercenários russos em vários campos de guerra”, incluindo no Mali e na Ucrânia. 

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A 11ª edição do British Journalism Awards 2022 - News Provider of the Year terá lugar no próximo dia 15 de Dezembro, em Londres.

Esta tem como objectivo “celebrar o melhor jornalismo de interesse público produzido para as audiências do Reino Unido”.

A submissão de candidaturas a concurso esteve aberta a todos os editores e jornalistas, independentemente do meio de comunicação (impresso, televisivo, online), tendo sido concluída no passado dia 30 de setembro.

Das 15 organizações de notícias que se inscreveram no concurso, estão entre os finalistas The Guardian, Sky News, Financial Times, Daily Mirror, Daily Mail The Times.

Estes jornais foram nomeados pelos seus diferentes contributos, destacando-se The Guardian, pelas mudanças políticas que causou, o Sky News, Financial Times e Daily Mail, pela sua cobertura da invasão russa na Ucrânia, e o Daily Mirror e The Times, pelo relato e investigações do Governo de Boris Johnson.

Na mesma cerimónia serão, também, entregues os prémios “Jornalista do Ano”, “Marie Colvin”, “Serviço Público”, “Mulher do Ano” (apoiados pelo Women in Journalism) e “Georgina Henry de Inovação Digital”.

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Mais de 70 editores, jornalistas e advogados dos media, de todo o espectro político, solicitaram que Dominic Raab, vice-primeiro-ministro do Reino Unido, apoie uma proposta de lei que visa combater o silenciamento dos jornalistas britânicos por oligarcas.

O pedido foi feito através de uma carta aberta, assinada por editores da Guardian, Daily Mail e Times, que exige que o governo tome “medidas urgentes para impedir que os oligarcas e cleptocratas usem as suas fortunas para explorar os tribunais britânicos, intimidando e silenciando jornalistas investigativos com processos estratégicos contra a participação pública (Slapps)”.

Segundo os profissionais visados, integrando parte dos jornalistas do Sun, Financial Times e Bloomberg, este processo prejudica não só o jornalismo de investigação, mas igualmente as autoridades, afectando a capacidade de investigarem irregularidades de forma rápida e eficaz.

Acrescentaram, ainda, que o combate aos Slapps é mais urgente tendo em conta a era de “crescente vulnerabilidade financeira em que a indústria de notícias se encontra”.

Mais recentemente, foi possível observar exemplos do efeito destes processos, como é o caso da jornalista Catherine Belton, processada pelo seu livro “Putin’s People”, e de Tom Burgis, pelo livro “Kleptopia: How Dirty Money is Conquering the World”.

Katharine Viner, editora-chefe do Guardian, admitiu que “o abuso do sistema legal do Reino Unido por indivíduos poderosos, com a intenção de intimidar jornalistas, deveria ser motivo de vergonha nacional”.

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De acordo com o Orçamento de Estado 2023 (OE2023), os jornais e as revistas passarão a contar para as deduções do IRS.

Esta medida foi aceite no final da semana passada, tendo sido sugerida por Carla Madureira, deputada do PSD, que destacou a urgência de “contribuir para o fortalecimento da imprensa nacional”.

A alteração ao Orçamento foi feita no artigo do Código do IRS, que “enquadra as deduções concedidas através da totalidade ou parte do IVA suportado nos gastos de restaurantes, cabeleireiros, oficinas ou passes de transportes”.

A medida permitirá que as famílias abatam ao IRS “parte dos gastos com assinaturas periódicas de jornais e revistas, incluindo as digitais, sendo, para isso, necessário a respectiva factura”. Além disso, o limite para as despesas com exigência de facturas é de 250 euros.

Recorde-se que, no debate da passada quarta-feira, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, manifestou “disponibilidade para encontrar uma solução que permitisse a dedução em IRS das despesas com jornais e revistas”.

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A CNN tem vindo a perder audiências, ficando “em último lugar nas classificações das redes de notícias por cabo nos EUA durante as recentes eleições intercalares”.

Em consequência, a empresa procura traçar um novo caminho para cortar custos e recuperar audiências, estratégia que será conduzida pelo presidente e CEO da CNN, Chris Licht, e apoiado por David Zaslav, chefe executivo da Warner, e John Malone.

Verifica-se, contudo, que a CNN se encontra numa posição frágil, com a quebra nas receitas, designadamente, da publicidade, ao mesmo tempo que regista, também, o enfraquecimento das suas acções no mercado.

Licht acredita que parte do problema se deve à cobertura excessiva da política de Donald Trump, que tornou a CNN demasiado dependente desse tema, ao invés de permanecer neutra entre os partidos dominantes.

Entretanto, devido à orientação mais espartana de despesas, a crise na CNN reflete-se, igualmente, em despedimentos no sector editorial.

Jay Rosen, professor de jornalismo na Universidade de Nova York, confessou que, actualmente, é impossível cobrir ambos os lados de igual forma, uma vez que este método não se encaixa num mundo que “tem um candidato a concorrer contra o sistema e a tentar ‘explodir’ o que o outro partido está a fazer”.

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As autoridades da Somália impuseram condições de fiança restritas a Abdalle Mumin, co-fundador do Somali Journalists Syndicate e colaborador do Guardian.

Munin foi preso em Outubro, após os protestos da imprensa contra as diretrizes anunciadas pelo Ministério de Informação, que puseram em risco os profissionais que estavam incumbidos da cobertura da ofensiva contra militantes islâmicos.

O colaborador da Guardian foi detido, no total, durante treze dias, antes de ser libertado sob fiança, estando, neste momento, impedido de trabalhar e/ou deixar o país.

O jornalista revelou que além de estar “preso” na Somália, com o seu passaporte confiscado e na lista de “pessoas proibidas”, Munin está, também, refém do seu próprio hotel, uma vez que “enfrenta sérias ameaças de extremistas islâmicos e do Governo”.

Estas condições impossibilitam a procura de assistência médica, apesar do suspeito “problema renal [de Munin] agravado pelas más condições da sua detenção, realizada pelos serviços de inteligência e pela polícia, no início do ano”.

Esta já não foi a primeira vez que Munin foi ameaçado e detido na Somália, tendo sido, em 2015, forçado a fugir do país, quando fez uma reportagem para o Wall Street Journal.

A liberdade de expressão tem sido uma das principais vítimas do longo conflito armado na Somália.

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A imprensa da Rondônia sofreu dois atentados contra o jornalismo, em Porto Velho.

O primeiro deu-se na sede do “Rondoniaaovivo”, que foi alvo de tiroteio, embora sem vítimas a lamentar, após ter sido ameaçada dias antes, devido à “cobertura das manifestações do ‘grupo golpista antidemocrático’, que questiona o resultado da eleição presidencial brasileira de 2022”.

O segundo atentado foi direccionado contra um docente da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), cujo carro foi atacado durante o Colóquio de Comunicação e Cultura na Amazónia Rondoniense (CANOAR). Este acto pretendia “reprimir qualquer pensamento divergente da maioria, reconhecido pelo amplo apoio a Jair Bolsonaro”.

Outros profissionais de comunicação da Rondônia foram, também, alvos de intimidação, nomeadamente, a TV Allamanda, em Cacoal, SIC TV, em Candeias do Jamari, e a TV Rondônia, em Porto Velho.

Num texto publicado no Observatório de Imprensa, Allyson Martins admitiu que “as tentativas de silenciar a imprensa rondoniense não são novas e já partiram, inclusive, de um secretário do governo do Estado”. No entanto, os ataques têm vindo a aumentar com a “não reeleição de Jair Bolsonaro e com a cobertura das manifestações anti-democráticas”.

A autora sublinhou que é importante reagir a estes ataques e defender a liberdade e a vida dos profissionais dos media, uma vez que sem o jornalismo, “não existe democracia plena”.

Martins acrescentou, ainda, que a resposta do público revelou que este, normalmente, espera um “alinhamento directo e explícito aos ideais conservadores e reacionários” por parte dos media rondoniense.
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A Federação das Associações de Jornalistas da Espanha (FAPE), as Associações de Jornalistas CC    OO., a União Geral de Trabalhadores (UGT) e a Federação dos Sindicatos dos Jornalistas (FeSP) celebraram a intenção do Governo de aprovar uma lei de sigilo profissional para jornalistas, nos próximos meses.

Esta lei garantirá que os profissionais não serão obrigados a revelar as suas fontes de informação, sendo cumprido o mandato contido no artigo 20 da Constituição espanhola, após mais de 43 anos de espera.

O grande obstáculo do sigilo profissional no jornalismo está, directamente, relacionado com o sector, uma vez que, “no campo jornalístico, a divulgação da fonte confere credibilidade à informação e a transparência e confiabilidade das informações veiculadas”.

As organizações profissionais e sindicais de jornalistas envolvidas têm-se reunido com os grupos parlamentares da Assembleia dos Deputados. Estes manifestaram a intenção de apoiar a lei de sigilo profissional para jornalistas, tendo trabalhado com o governo para a legislar.

O direito ao sigilo era já concedido aos jornalistas, apesar não ser respeitado por alguns juízes, que processaram denúncias contra aqueles profissionais.

Os representantes das referidas organizações profissionais e sindicais aguardam a publicação na íntegra do projeto de lei, que o Governo enviará posteriormente ao Parlamento. 

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