Quarta-feira, 22 de Agosto, 2018
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O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

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Opinião
Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
É inegável a importância da tomada de posição conjunta de 350 jornais americanos que, respondendo a um apelo do The Boston Globe, assinaram  editoriais simultâneos, rejeitando a política de hostilidade desencadeada pelo presidente Trump contra os media. A data de 16 de Agosto ficará para a História da Imprensa  americana ao assumir esta iniciativa solidária e absolutamente inédita, que mobilizou grandes...
O optimismo de Centeno
Luís Queirós
"A economia da zona Euro cresce há 20 trimestres consecutivos", disse Mário Centeno no Grémio Literário, na palestra, proferida no passado dia 22 de Maio passado, integrada no ciclo que ali decorre subordinado ao tema  "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. O Ministro das Finanças de Portugal e presidente do...
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Breves
“This is Portugal”, a nova revista

Uma nova revista baseada na “Visão”, elaborada totalmente em inglês e pensada para os estrangeiros que visitam Portugal, é a nova proposta da newsmagazine agora editada pela Trust in News. Esta publicação, com o título “This is Portugal”, anuncia-se com 156 páginas e um preço de capa de 5,90 €. Mafalda Anjos publisher da Trust in News e directora da “Visão , explicou que se trata de uma revista  “com edição cuidada de ‘locals’ a pensar em quem nos visita”. A revista “Time Out” da qual saiu Luís Delgado,  ganha concorrente.

“Delas” vai ser suplemento do DN

A revista feminina digital  Delas vai ser distribuída com o Diário de Noticias, aos domingos, sempre que haja um quinto domingo. Em nota de imprensa refere-se que “a revista Delas alia-se ao Diário de Notícias, uma marca de referência nacional que, apesar de centenária, não teme em modernizar e seguir a mudança, focando-se agora no formato impresso aos domingos, quando os leitores têm tempo para desfrutar do prazer de ler”.
A publicação feminina não ocupará, no entanto, o espaço destinado ao suplemento do DN sempre que surja um quinto domingo, sendo esta uma edição especial pontual.

Cresce publicidade em vídeo

O investimento em publicidade em vídeos online chegou, em 2017, aos 27 bilhões de dólares, 20% a mais do que no ano anterior, segundo dados da agência Zenith.

A previsão é de que este ano cresça 19% e continue a crescer em média 17%, até 2020. Nessa altura prevê-se que o investimento chegue aos 43 bilhões. No entanto, as marcas não esperam abandonar o investimento na televisão tradicional e apostam em combinar os dois modelos para aumentar o alcance das suas mensagens.

Jornal Económico lança Prisma

O Jornal Económico lançou um novo site, Prisma, que promete ser um espaço “dedicado à reflexão sobre temas de política, economia, sociedade, ciência e relações internacionais”.

O site ficará estará ligado ao site principal do semanário de economia, assegurando conteúdos exclusivos “mais extensos e aprofundados, baseados no conceito de slow journalism, evitando a espuma dos dias e o ‘contra-relógio’ que predomina no jornalismo contemporâneo”.

 

Novo orgão de comunicação social

Há um novo órgão de comunicação social, Fumaça, nascido a partir do podcast É Apenas Fumaça. O projecto apresenta um site reformulado, e o áudio continua a ser o formato principal de apresentação das histórias, independentemente dos formatos jornalísticos, sejam reportagens, editoriais ou séries documentais.

Os responsáveis pelo novo órgão de comunicação afirmam que “o propósito se mantém inalterado: escrutinar a democracia, questionar as decisões políticas e ouvir representadas e representados, especialmente as camadas da população que têm menos voz, praticando um jornalismo independente, progressista e dissidente.”

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As datas são recentes, mas a história que contam parece comprida, tem capítulos uns atrás dos outros. O efeito da revolução digital sobre o jornal impresso está sempre a ser revisto e avaliado, como nos filmes de ficção científica em que o herói vai ao passado para tentar “corrigir” a História.
“O marco da anarquia digital é 1996, ninguém previu o novo ciclo e ele se inicia para implantar o caos e desorganizar a segurança conservadora, principalmente dos grandes grupos de comunicação.”

A reflexão é do jornalista Luís Sérgio Santos, docente de Desenho Editorial na Universidade Federal do Ceará, e o seu texto multiplica termos como “ameaça”, “abismo”, “conflito”, “incerteza”. Mas trata-se apenas de uma abordagem à “crise de identidade dos jornais de prestígio”  - título que escolheu para este artigo, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil.

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A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

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No novo ambiente criado pela revolução digital, encontrar um modelo de negócio sustentável para o jornalismo continua a ser uma questão em aberto  - que foi discutida, uma vez mais, numa vídeo-conferência promovida pela International Journalists’ Network. A jornalista brasileira Priscila Brito, fundadora do site Negócio de Jornalista, esteve presente e conta que, em dado momento, uma das participantes mencionou que “uma etapa importante para se obter sucesso nessa tarefa é mudar o chip”:

“Ou seja, é preciso parar de pensar exclusivamente como jornalista e incorporar a lógica dos negócios.”

"É um processo que pode gerar resistência enorme a quem vem programado com o chip de jornalista  -  afinal, aprendemos que editorial e comercial devem (ou deveriam) estar tão separados como devem (ou deveriam estar) Igreja e Estado."
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Estando todo o universo da comunicação em processo de mudança, “profunda e rápida”, também a observação crítica dos media é sujeita ao efeito deste movimento, “mas a exploração de novas metodologias, técnicas e formatos ainda segue um ritmo muito mais lento do que a busca de soluções para os dilemas da Imprensa”.

Segundo a reflexão do jornalista Carlos Castilho, que aqui citamos, “a observação da Imprensa tornou-se muito mais complexa, porque as questões subjectivas embutidas nos fluxos de notícias ganharam mais impacto do que [aquilo] que é publicado em textos ou na TV.”

A observação crítica deixa de ser “apenas dicotómica, ou seja, identificar o que está certo ou errado, para ser sistémica, ou seja, avaliar o sistema que dá origem a uma determinada forma de informar sobre factos e eventos jornalísticos”. Por outras palavras, “começa a viver uma transição de paradigmas”.

“O futuro da crítica dos media”, de Carlos Castilho, é um dos textos incluídos na milésima edição digital do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

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O Presidente Donald Trump respondeu da forma habitual, pelo Twitter, aos 350 meios noticiosos que publicaram, no dia 16 de Agosto, editoriais simultâneos denunciando os seus ataques à Imprensa. Segundo afirmou, usando frequentemente texto em maiúsculas, "OS MEDIA DAS NOTÍCIAS FALSAS SÃO O PARTIDO DA OPOSIÇÃO. É muito mau para o nosso grande país ... MAS ESTAMOS A GANHAR".

No entanto, o Senado dos Estados Unidos aprovou por unanimidade uma resolução que afirma o seu apoio a uma Imprensa livre, acrescentando que “a Imprensa não é o inimigo do povo”.
A mesma resolução  - que aqui citamos de The Guardian -  reafirma “o papel vital e indispensável, desempenhado pela Imprensa livre, para informar o eleitorado, descobrir a verdade, agir como contenção do inerente poder do governo, promover o diálogo e debate nacional e desenvolver de outros modos as mais básicas e estimadas normas e liberdades democráticas dos Estados Unidos”.

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O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

O Regulamento do Prémio de Lusofonia vem incluído na segunda imagem que acompanha este texto.

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Está em marcha a renovação dos quiosques de venda de jornais em Paris, com a implantação de modelos que procuram fonecer mais espaço e luminosidade, possibilitar novos serviços e garantir uma exposição mais legível dos títulos apresentados. “Acabaram as revistas encavalitadas umas nas outras”. O objectivo é fazer regressar os clientes e animar as vendas graças a estes espaços mais acolhedores. Segundo Le Figaro, "os primeiros resultados são positivos".
Quando começaram a aparecer na capital francesa, em Abril deste ano, os novos modelos aprovados  - de aceitação pública nem sempre unânime -  os pontos de melhoria tinham a ver com o espaço interior, mas também com a possibilidade de os seus proprietários poderem acrescentar ao negócio principal, o da venda de Imprensa por exemplar, outros produtos, como a recarga de telemóveis, os passes turísticos e bilhetes para museus e espectáculos em Paris.
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As caixas distribuidoras de jornais na via pública subsistem em Nova Iorque, muitas delas degradadas ou adaptadas a novas funções. Os seus contentores coloridos, de plástico ou de metal, continuam a ser quadros de anúncios; estão muitas vezes cobertas de autocolantes, riscadas por traços a marcador, cheias de avisos de recomendação de vários serviços na cidade.

Tom Starkweather, um fotojornalista freelance, com carreira repartida entre jornais como The New York Times e outros eventos, casamentos e documentários, recolhe em imagens tocantes a sua paixão pelas tecnologias hoje em declínio na paisagem urbana.

O que há de novo

A Turquia, considerada presentemente o pior país do mundo em termos de número de jornalistas detidos (com 237 na prisão), tem estado a agravar as condições de trabalho dos repórteres estrangeiros, como parte do silenciamento de todas as vozes críticas do governo  - cada vez mais alargado aos media do exterior. A informação é do Stockholm Center for Freedom, associação que articula o testemunho de jornalistas turcos exilados em vários países europeus, e que editou online um relatório intitulado “Repressão sobre os jornalistas estrangeiros na Turquia”.

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Depois da Editora Abril, de cuja crise e encerramento de títulos démos conta neste site, também outra casa publicadora brasileira, a Escala, acaba de anunciar o fim de mais cinco revistas  - a Tititi, a Minha Novela, Conta Mais, TV Brasil e 7Dias. Conforme explica a mesma empresa, “as revistas impressas, de um modo geral, atravessam o seu momento mais crítico, devido à desestruturação logística e financeira do actual processo de distribuição; sem um novo modelo para entregas e administração, as revistas que mais sofrem são as que dependem exclusivamente das vendas em bancas, como é o caso das semanais de novelas e celebridades”.

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O Observatório da Imprensa do Brasil reuniu, ao longo dos seus 22 anos de crítica dos media  - a partir do gesto inaugural do jornalista Alberto Dines, em parceria com o então reitor da Unicamp Carlos Vogt -  um acervo documental de grande valor. Textos relevantes do mesmo foram escolhidos e compilados no “Observatório da Imprensa – Uma antologia de crítica de media no Brasil de 1996 a 2018”, organizada pelos jornalistas Pedro Varoni e Lucy Oliveira e publicada em formato e-book pela Editora Casa da Árvore.

Esse material constitui um documento de pesquisa para todos os interessados nas regularidades e mutações das relações entre jornalismo e poder no período que vai dos últimos anos do século passado até perto do fim da segunda década do século XXI. As suas 373 páginas estão acessíveis a visualização online, aqui, logo a seguir ao texto de apresentação elaborado pela equipa que celebra a milésima edição do Observatório da Imprensa  - com o qual mantemos um acordo de parceria.

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A equipa do Observatório da Imprensa do Brasil produziu a sua milésima edição digital e comemora o facto com uma recolha de artigos e depoimentos de pessoas que ajudaram a fazer uma história que vem desde Abril de 1996. O jornalista Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa durante 18 anos, recorda a proposta inicial de Alberto Dines, e o texto do Prof. Carlos Vogt relembra as circunstâncias que deram origem ao projecto, a partir de um encontro com Norma Couri e Alberto Dines em Portugal.

“A existência do Observatório da Imprensa inscreve-se, portanto, na história de Alberto Dines e está associada à visão peculiar desse grande jornalista sobre a necessidade da existência de espaços para pensar criticamente a Imprensa.”

O texto introdutório cita outros trabalhos que fazem a cronologia de uma obra que todos reconhecem só ter sido possível com a visão e a “dedicação incansável” de Alberto Dines. Esses textos são republicados nesta milésima edição do Observatório da Imprensa  - com o qual mantemos um acordo de parceria.

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Depois de ter, no final de Julho, negado parecer favorável às mudanças na direcção de Informação da RTP, por “carecerem de adequada fundamentação”, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) aceitou as explicações em falta (que lhe foram remetidas pela RTP) e alterou o seu juízo sobre as referidas alterações. Sendo assim, o jornalista João Fernando Ramos é confirmado como director-adjunto de Informação e, nos Açores, Rui Goulart como responsável de conteúdos da RTP e RDP.

Contactada pelo Público, que aqui citamos, a administração da RTP declara que “regista com agrado as deliberações da ERC e a possibilidade de poder concentrar-se na concretização dos objectivos do seu projecto estratégico”.

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Está em preparação um novo observatório para os media digitais, projectado por Carlos Magno (ex-presidente da ERC) e o Centro de Investigação em Media Digitais e Interacção (DigiMedia) da Universidade de Aveiro, coordenado pelo Prof. Fernando Ramos. O objecto de atenção será tudo o que diz respeito aos meios digitais em Portugal, mas com foco especial numa das realidades do momento  - a proliferação de “notícias falsas”.

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O investimento publicitário em revistas, dos 50 maiores anunciantes do mercado americano, sofreu um corte de 6,4% no ano de 2017, causando a este segmento da Imprensa a perda de 417,5 milhões de dólares. Estes números são do relatório anual da Association of Magazine Media, que noticia uma queda para os 6,1 mil milhões de dólares, dos 6,5 mil milhões registados no ano anterior.

Por seu lado, a editora Condé Nast já anunciou que pelo menos três revistas, a Brides, a Golf Digest e a W, vão deixar de pertencer ao seu activo de publicações, eventualmente por venda dos títulos, e que a Vogue, The New Yorker e Vanity Fair podem ter de sair do World Trade Center.
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O Grupo Abril, considerado uma das principais casas editoras no Brasil, anunciou uma reestruturção severa, que implica o encerramento de seis revistas, entre elas a Cosmopolitan, a Elle e a Casa Cláudia. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo refere o despedimento de 50 jornalistas; mas, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o total de demissões, entre jornalistas e outros trabalhadores, pode atingir as oito centenas. Estas medidas chegam duas semanas depois de a consultora Alvarez & Marsal ter sido contratada para consolidar uma nova gestão, já sem a presença da família Civita, fundadora do grupo editorial.
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