Sexta-feira, 24 de Janeiro, 2020
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O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
Breves
Jornalistas detidos em Luanda

Dois jornalistas da Agência Lusa foram detidos, em Luanda, quando tentavam falar com um grupo de manifestantes reunido junto da Assembleia Nacional. No início da manhã, um cordão policial tomava conta das principais vias de acesso ao parlamento, com os agentes a revistarem aqueles que passavam pelas zonas circundantes.

Os repórteres foram identificados pelas autoridades policiais que os informaram que não podiam filmar os acontecimentos e os coagiram a acompanhá-los a uma esquadra local. 

Os correspondentes da Lusa foram posteriormente libertados, depois de, sem qualquer explicação adicional para o motivo de detenção.


Leitores do "Le Monde”

Julia Cagé foi indigitada presidente da sociedade de leitores do jornal “Le Monde”, tornando-se, assim, a primeira mulher no cargo. Com esta eleição, a sociedade visa garantir, mais do que nunca, a independência dos jornalistas e a liberdade de expressão.

Bob Woodward em Portugal

O jornalista Bob Woodward virá a Portugal a convite da APED - Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, para participar num evento previsto para 5 e 6 de Maio, no Museu do Oriente, em Lisboa.

Bob Woodward é editor-associado do norte-americano “The Washington Post”, onde trabalha desde 1971, e autor de 19 livros. O título mais recente designa-se “Fear: Trump in the White House”, uma obra que descreve como “caótico” o primeiro ano da administração Trump, no Estados Unidos.

O jornalista foi ainda distinguido com dois prémios Pulitzer. O primeiro em 1973, pela cobertura do caso Watergate, e o segundo em 2003, pela cobertura do 11 de Setembro.

Reavaliação da TDT

O Governo vai reavaliar a questão dos concursos da TDT. Neste serviço digital deverá surgir um canal desportivo e um outro na área da informação, para que a oferta da Televisão Digital Terrestre seja o mais completa possível.

Recorde-se que em Junho de 2016, o Conselho de Ministros aprovou o alargamento da oferta da TDT, o que previa dois canais da RTP sem publicidade e outros dois para os privados, estes últimos atribuídos mediante concurso.

Desemprego em Espanha

O desemprego continua a afectar o sector mediático. Segundo dados do “Relatório Anual da Profissão Jornalística” de 2019, o número de jornalistas desempregados registados no Serviço Público de Emprego do Estado (SEPE) de Espanha foi 4,6% superior ao do ano anterior.

Entre os jornalistas desempregados, 62% são mulheres e 38% são homens, uma percentagem que se manteve inalterada ao longo dos anos.

A evolução do desemprego na profissão em 2019 não foi uniforme e, por exemplo, em comunidades como o País Basco ou a Estremadura, o desemprego diminuiu. Deve-se notar, também, que noutras comunidades, como La Rioja ou as Canárias, o crescimento foi muito superior à média do país.


Agenda
03
Fev
Workshop on Networks of (dis-)information
09:30 @ Universidade Nova de Lisboa I NOVA FCSH I iNOVA Media Lab
11
Mar
O cinema e a televisão como "forma de futuro"
15:00 @ Universidade Lusófona
Connosco
Galeria

A Europa sempre foi considerada segura para a imprensa, mas, nem o velho continente escapa à crescente violência contra os “media”. Um estudo do Reuters Institute indica que os jornalistas europeus estão sob  pressão crescente, particularmente, no Leste do continente.

Nos últimos três anos, foram assassinados três jornalistas europeus, todos por terem reportado casos de corrupção e crime organizado, aos quais não eram alheios os respectivos governos. Foram os casos Daphne Caruana Galizia, em Malta, Ján Kuciak, na Eslováquia, e Viktoria Marinova, na Bulgária.

Os indicadores de liberdade de imprensa apontam para valores preocupantes, especialmente em países como a Polónia, a Hungria e a Eslováquia, onde os “media” são ameaçados por políticos, mas, igualmente  por jornalistas. Neste inquérito, 63% dos jornalistas afirmam já ter sido, publicamente, criticados por uma figura pública, quer directamente, quer através das redes sociais.


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A Eritreia é o país onde a censura é exercida de uma forma mais implacável, segundo  uma lista divulgada pelo CPJ - Comité para a Protecção dos Jornalistas. Essa lista integra 10 países, e é baseada numa pesquisa da organização sobre leis repressivas e vigilância de jornalistas, incluíndo restrições no acesso à internet e às redes sociais.

A lista abrange apenas os países onde o governo controla, rigidamente, os “media”. As condições para jornalistas e liberdade de imprensa em países como a Síria, Iémen e Somália são, também, extremamente difíceis, quer pela censura do governamental, quer, ainda, devido a conflitos armados. 

Nos três países onde a censura mais se faz sentir - Eritreia, Coreia do Norte e Turquemenistão – os “media” funcionam como porta-voz do Estado, e qualquer tentativa de jornalismo independente só é viável a partir do exterior. Os poucos jornalistas estrangeiros autorizados a entrar nesses países são seguidos, de perto, pelas autoridades. Outros usam uma combinação de medidas contundentes, como assédio e detenção arbitrária, bem como vigilância sofisticada. A Arábia Saudita, China, Vietname e Irão são especialmente adeptos destes comportamentos. 

Segue-se a lista dos “10 mais” em matéria de censura aos “media”:


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O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

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A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

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Os jornalistas de investigação podem estar a viver alguns dos maiores desafios de sempre, perante regimes autoritários que despontam um pouco por todo o mundo e líderes políticos propensos manipularem os “media” para controlar a sociedade.

Além disso, a imprensa atravessa, também, uma crise de sustentabilidade, o que põe em risco a sobrevivência de muitos “media e o emprego de numerosos repórteres.

A GIJN, Global Investigative Journalism Network, inquiriu junto de alguns proeminentes  jornalistas de investigação sobre quais eram as suas expectativas para 2020, tendo em conta todas os entraves à liberdade de expressão.

Para a maioria dos jornalistas entrevistados é indispensável que haja colaboração entre os diferentes “media”. Jennifer LaFleur afirma, mesmo, que a colaboração foi o elemento-chave para concretizar algumas das investigações mais coesas dos últimos anos. 


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Um estudo realizado pelo Reuters Institute, prevê que, em 2020, as assinaturas dos leitores sejam a principal fonte de lucro dos jornais e que os “podcasts” constituirão a principal aposta para atrair público.

Jornais espanhóis como o “El Mundo” já começaram a cobrar por conteúdo “premium” e o jornal “El País” vai aplicar o modelo no início deste ano. Este último já começou a pedir aos leitores que leiam, gratuitamente, artigos de opinião ou reportagens especiais, para os preparar para a mudança. 

As opções de pagamento estão em plena evolução e vão estender-se a outros espaços como Hong Kong e Argentina. Esta nova aposta replica aquilo que já foi feito nos Estados Unidos e no Norte da Europa, que se concentram, incansavelmente, em manter os leitores  felizes e começam a registar um aumento dos lucros do negócio. É, porém, pouco provável que o pagamento dos leitores funcione para todos, exigindo um compromisso duradouro.


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Os jornais deixaram de estar devidamente enraizados no seu lugar, os jornalistas não interagem com a comunidade e as comunidades de leitores estão a desintegrar-se. Uma nova tendência mediática está, contudo, a aproximar, novamente, os jornalistas das audiências. 

A imprensa de alguns países - como a Finlândia, Espanha e França -, está a começar a apostar num formato de "notícias ao vivo", onde os jornalistas estão, literalmente, em cima do palco e conversam com o público sobre as suas histórias, reportagens e vivências, o que está a ajudar o jornalismo a combater a crise de credibilidade. 

O público está pronto a conhecer a pesquisa preliminar dos jornalistas, que se mostram dispostos a partilhar os desenvolvimentos das suas histórias. Ouvir os jornalistas em “carne e osso” humaniza tanto as histórias quanto os escritores e levanta o véu sobre as práticas da redacção. Os participantes dos eventos ficam satisfeitos por terem a oportunidade de fazer perguntas, participar numa discussão e potencialmente influenciar a estratégia editorial.

Em Helsínquia, por exemplo, a “performance” do principal jornal diário está, habitualmente, esgotada. Em Madrid, o "Diário Vivo" oferece "uma noite única em que os jornalistas contam histórias verdadeiras, íntimas e universais pela primeira vez". O público compromete-se a não gravar o evento e, na Finlândia, reúne-se com os jornalistas para "tomar um copo", depois de saírem de cena.


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Os agregadores de notícias indianos têm registado um enorme sucesso, com um auditório alargado a recorrer a essas aplicações, embora isso não signifique que as plataformas sejam sustentáveis.

A publicidade digital não tem sido suficiente para cobrir os custos de manutenção de alguns agregadores e falta um modelo de negócio que permita alcançar lucro. Muitas empresas chegam mesmo a dispensar as equipas de especialistas e de vendas, pois a rentabilidade ainda está por obter.

A título de exemplo, o “DailyHunt” e o “Inshorts”, dois dos maiores agregadores de notícias da Índia, têm tido um processo de financiamento lento, apesar de o número de “downloads” ser elevado. Os custos de aquisição pelos subscritores são dispendiosos e, embora o número de anunciantes seja crescente, esse aumento não se tem sido suficientemente eficaz.


O que há de novo

A crise mediática tem afectado o mundo e os Estados Unidos não são excepção. De entre os 50 estados norte-americanos, a Carolina no Norte tem sido, particularmente, prejudicada: entre 2004 e 2019 a circulação dos jornais caiu em 38% e fecharam quatro títulos e 40 semanários.

Este panorama sombrio levou a que 22 publicações do mesmo estado norte-americano criassem um sistema de colaboração:  a North Carolina News Collaborative, ou NCNC. O modelo assenta em três princípios : a partilha de conteúdos, a distribuição de recursos e a procura de dados adicionais como meio de aumentar a cobertura das áreas rurais, que estão a transformar-se em desertos noticiosos.


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A sobrevivência da BBC está a ser posta em causa pelo governo de Boris Johnson. Desde o anúncio da demissão do director-geral do operador público,  vários conservadores pediram o fim da taxa de licença de emissão, e o Partido Trabalhista alertou para uma possível reforma da empresa, que se aproxima do centenário.

Dominic Cummings,  chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico, é uma das maiores ameaças para a emissora, que  encara como um “adversário de respeito” do Partido Conservador.

Cummings considera que a BBC “é um canal de  propaganda, com uma ideologia coerente” e que, por isso, os cidadãos não a deveriam financiar.


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A Condé Nest, uma das maiores editoras do mundo, vai fechar a revista feminina “Glamour”, em França, devido a quebra nas vendas. 

A revista, lançada em 2004, em França, tinha iniciado um plano de recuperação em 2018, passando a publicar mais regularmente, para tentar resistir à crise das revistas femininas, mas as vendas caíram em, quase, 50%.  

O processo de encerramento deverá durar vários meses, para efeitos de consulta junto dos colaboradores.


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O jornal “ABC” vai incorporar o sistema de “paywall”, entre Abril e Junho, nos artigos de opinião. Ao intervir no Novo Fórum de Comunicação, Bieito Rubido, director do jornal, garantiu que “o pagamento é irreversível”, embora  “a subcultura, totalmente gratuita” tenha dificultado o processo.

Numa altura em que o sector está envolvido numa transformação digital sem precedentes, o director da “ABC” reiterou, ainda, que um dos maiores desafios que se colocam à imprensa tradicional é o de conseguir transformar-se em grandes plataformas “online”, oferecendo todo o tipo de serviços, "desde informação ao entretenimento”.


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A lei contra o ódio “online” voltou a ser debatida na Assembleia Nacional francesa. No mês passado, o Senado aprovou o diploma, mas vetou a alínea que previa a remoção de conteúdos considerados ilegais, no prazo de 24 horas, em nome da liberdade de expressão. A nova leitura reintroduziu a medida, que promete uma multa de 250 mil euros em caso de incumprimento.

Esta medida visa, principalmente, mensagens de ódio quanto à orientação sexual, deficiências ou religião, que devem ser removidas em 24 horas, após intimação governamental. O conteúdo de terroristas e pedófilos deve ser removido no prazo de uma hora.


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Foi divulgado o relatório anual dos RSF – Repórteres Sem Fronteiras,  que faz um balanço dos jornalista víctimas de violência, em todo o mundo. Verificou-se que o número de profissionais assassinados baixou para 49, inferior à média registada nos últimos 16 anos. Tal facto é atribuído, em primeiro análise, à diminuição do número de jornalistas mortos nos conflitos armados no Iémen, Síria e Afeganistão.

O número de jornalistas presos aumentou , contudo, 12% em relação a 2018 e o de repórteres mortos em países considerados pacíficos continua igualmente alto. “Quase metade dos jornalistas estão detidos em apenas três países: China, Egipto e Arábia Saudita. Só a China, que intensificou a sua repressão contra a minoria uigure, detém um terço dos detidos”, denunciou a organização não-governamental.

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Os “podcasts” estão a atrair audiências cada vez maiores. Estes programas abordam uma enorme variedade de temas e podem ser consumidos em qualquer altura e em qualquer lugar, o que os torna particularmente atraentes para uma geração que se encontra em constante movimento.  

Este formato surge como uma alternativa independente aos consagrados programas de debate desportivo e serve de rampa de lançamento para novos profissionais. É fácil de gravar e os custos reduzidos da produção são particularmente aliciantes para os jovens que querem vingar no jornalismo desportivo. 

A plataforma de “podcasts” brasileira Central 3 é um bom exemplo de sucesso. O projecto, que começou com apenas dois programas, produz, actualmente, 25  “podcasts” que se destacam pela variedade de assuntos que abordam. Os programas primam, principalmente, pela inovação da cobertura desportiva, tentando fugir ao formato de debate que, normalmente, se vê em televisão.

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O Grupo Webedia anunciou a criação de uma nova plataforma de "streaming", o “LeLive”, que abraça uma nova geração de talentos, criadores e animadores, seguida pelos mais novos.

Segundo a empresa, o "LeLive" pretende corresponder às expectativas de entretenimento dos jovens entre os 15 e os 35 anos que consomem, predominantemente, conteúdos mediáticos digitais. Para o efeito, a plataforma desenvolveu três pontos-chave: multi-acessibilidade de conteúdo, uma “grelha” de agendamento,  e uma forte dimensão comunitária. 


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