Sábado, 16 de Janeiro, 2021
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O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Nos 40 anos do CPI
Francisco Sarsfield Cabral
Comemoram-se este mês quarenta anos desde a fundação deste Clube, em 1980. Vivia-se em Portugal, então, o alívio pela liberdade de expressão – já não havia censura prévia. Mas algumas forças políticas, sobretudo de extrema-esquerda, tinham ocupado órgãos de comunicação social. Foi o caso da Rádio Renascença e do jornal República, por exemplo. E a maior parte da...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Notas breves
José Leite Pereira
1 - Assistir a entrevistas na televisão tornou-se um ato penoso. As entrevistas fizeram-se para que alguém possa transmitir a terceiros o que entende dever ser transmitido. Ao jornalista cabe o papel de intermediário e intérprete do que julga ser a curiosidade do público. A entrevista é um ato de esclarecimento. Diferente de um texto de opinião ou de uma comunicação pura e simples exatamente por causa da presença do...
Breves
Jornalistas desempregados

No final de Dezembro de 2020, havia 8.386 jornalistas desempregados em Espanha, registados no Serviço Público de Emprego do Estado (SEPE), o que representa um crescimento de 25%, face ao período homólogo.

Do número total de jornalistas desempregados em Dezembro, 62% eram mulheres e 38% eram homens.

É importante notar, porém, que os dados fornecidos pelo SEPE correspondem ao número de jornalistas que se registaram para conseguir um novo emprego na área.

Assim, é possível que a taxa de desemprego seja, consideravelmente, superior àquela apresentada.

João Marcelino no “JE”

 O jornalista João Marcelino vai integrar, a partir de Fevereiro, a equipa do “Jornal Económico”, como redactor principal para as áreas de Política e Sociedade.

“Estamos muito contentes com o facto de o João ter aceite o nosso desafio para integrar a redacção do ‘Jornal Económico’”, disse Filipe Alves, director do título, em entrevista à “Meios e Publicidade”. “ O João é um grande profissional, que nos vai ajudar a reforçar oferta de conteúdos em áreas relevantes para os nossos leitores”.

Marcelino, que nos últimos dois anos colaborou com o “Jornal Económico” como cronista, fundou a revista “Sábado”, e foi director do “Record”, “Correio da Manhã” e “Diário de Notícias”.

Colaborou, ainda, com a RTP, TSF e, actualmente, com o Canal 11.

Desporto na TV

Nas próximas semanas, o governo português vai aprovar legislação sobre os direitos televisivos no desporto, avançou o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo.

“Está mesmo para aprovação, nas próximas semanas, legislação sobre os direitos TV e a sua centralização, que vai introduzir muito melhor distribuição do dinheiro que daí resulta”, disse aquele governante, citado pela Lusa.

Durante a audição regimental da Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo defendeu, ainda, que a nova fórmula proporcionará “um campeonato muito mais competitivo, em linha com o que acontece em toda a Europa”.

 

Domínio .pt cresce

O principal domínio português na internet, “.pt”, fechou o ano de 2020 com mais de 96 mil novos registos, o que representa um crescimento de 22,9%, face ao ano anterior.

Em comunicado, a .PT, empresa responsável pela gestão do domínio, destacou, que “no primeiro semestre de 2020, contabilizaram-se quase 50 mil novos registos diretos em .pt, mais 10.423 do que no período homólogo, o que corresponde a um aumento de 26,35%.

“O mês de abril foi o que apresentou o maior crescimento face ao ano anterior – 67%—, bem como o maior número de novos domínios”, continua a empresa.

Na mesma nota, Luísa Ribeiro Lopes, presidente do Conselho Diretivo do .PT, realçou, que “é inegável que a pandemia obrigou os cidadãos, as empresas e as organizações a reinventarem-se, e que a internet foi um importante aliado neste trajecto”.

"As restrições impostas à normal actividade económica e social aceleraram o processo de transição digital e isso reflecte-se naturalmente na evolução do registo de domínios em .pt”, concluiu.

Mudanças na SIC

O jornalista Pedro Cruz vai deixar a SIC, depois de 22 anos ao serviço do canal.

De acordo com uma fonte oficial da estação, aquele profissional vai sair “por vontade própria”, no final de Janeiro.

O jornalista integrava a direcção-geral de informação, liderada por Ricardo Costa, cuja composição “não vai sofrer qualquer alteração”.

Entretanto, num comunicado, a SIC agradeceu a Pedro Cruz por “todo o empenho e profissionalismo demonstrados ao longo de todos estes anos, nomeadamente, em alguns dos períodos mais difíceis de transformação da Impresa, em que soube assumir cargos de grande responsabilidade”.


Agenda
18
Jan
Descobrir histórias com dados
09:00 @ "Workshop" "Online" da Journalism Fund
27
Jan
Investigação e Escrita de Não-ficção
11:00 @ Cenjor -- Sessões síncronas "online"
01
Fev
Iniciação à Fotografia
10:00 @ Cenjor
23
Fev
Westminster Forum Projects: O futuro da BBC
10:00 @ Conferência "online"
Connosco
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No Brasil, a maioria dos jornalistas que escreve sobre emigração foca-se, somente, nos aspectos positivos da mudança, omitindo as verdadeiras dificuldades de um expatriado, considerou Liliana Tinoco Backert num texto publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, este tipo de artigos passam a mensagem de que basta dominar uma língua estrangeira para se ser bem sucedido lá fora. Contudo, defende Tinoco Backert, a realidade nem sempre é essa.

Quando os jornalistas oferecem destaque a empresários de sucesso, esquecem-se, muitas vezes, das possíveis adversidades enfrentadas pela família desse mesmo profissional, que deixaram as suas rotinas para o acompanhar.

Da mesma forma, o jornalismo de migração brasileiro omite os choques interculturais, as dificuldades de adaptação e a possível exclusão social.

Perante este cenário, a autora incentiva os profissionais dos “media” a criarem projectos focados nestes temas, para informarem, eficazmente, os leitores que estão a ponderar mudar de país.

Aliás, Tinoco Backart -- que chegou a viver na Suíça -- começou a redigir, em 2016, a sua própria coluna sobre movimentos migratórios, que é publicada no portal Swissinfo.ch.

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As redes sociais poderão estar a assumir a responsabilidade pela partilha compulsiva de informações falsas e de opiniões que são tomadas como factos, considerou o jornalista Lucas Souza Doutra num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O autor começa por recordar que o Novo Ano foi marcado por uma polémica na plataforma Twitter, que baniu a conta de Donald Trump. Esta medida foi justificada com os riscos de incitação à violência, afirmações falsas e violação de regras das plataformas.

Segundo indicou Dutra, é certo que a acção pode ter sido motivada por interesses económicos e políticos.

Mas, a curto prazo -- reiterou o autor -- este tipo de moderação pode ser eficaz no condicionamento das “fake news” e começar a traçar um melhor futuro para o ambiente virtual que, nos últimos anos, se tem caracterizado pela distorção e imposição de ideologias, estimulada pelo excesso de segmentação e de algoritmos.

O autor considera, por outro lado, que é urgente responder a algumas questões sobre a regulação do mundo “online”.

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Os jornais locais foram, particularmente, afectados pela crise dos “media”, já que a maioria destes títulos ainda não dispõem de recursos suficientes para atrair grandes audiências “online”, quando o confinamento conduz a inevitáveis condicionamentos na circulação em papel.

Perante este cenário, começaram a surgir “startups” de apoio a estes negócios, que visam ajudar os empresários a iniciar a transformação digital e a desenvolverem uma relação mais próxima com as suas comunidades.

É o caso da recém-lançada Tiny News Collective, que resulta de uma parceria estabelecida entre a News Catalyst e a LION [Local Independent Online News] Publishers.

Este novo projecto pretende apoiar jornais locais e regionais, através de tutoria de âmbito tecnológico, assistência legal, e serviços de “back office”.

Em comunicado, a iniciativa referiu que a missão não é "salvar o jornalismo”, mas “ democratizar o processo de lançamento de empresas e apoiar indivíduos que têm sido excluídos do âmbito mediático”

“O nosso objectivo é assistir 500 empresas jornalísticas locais e sustentáveis nos próximos três anos”, pode ler-se na nota.

Em entrevista para o “Nieman Lab”, Meyberg Guzman, uma das responsáveis pelo projecto, referiu que a Tiny News Collective ainda se encontra em processo de recrutamento.

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Em 2021, os jornalistas vão abandonar, progressivamente, o teletrabalho e irão voltar às reportagens de rua, estabelecendo contacto directo com intervenientes e cidadãos.

Pelo menos essa é a expectativa do Reuters Institute for Journalism, que, no início de cada ano, apresenta as previsões de especialistas para os próximos 12 meses, no âmbito mediático.

Neste sentido, o relatório antecipa, ainda, que este regresso às reportagens presenciais será apoiado por sistemas tecnológicos inovadores, que foram implementados por vários títulos durante a pandemia.

Os jornais “online”, em particular, deverão apresentar um número crescente de artigos multiplataforma, com gráficos interactivos, simuladores e peças de “storytelling” visual.

Além disso, o formato áudio continuará a ser valorizado pelos consumidores, à semelhança do que se verificou em 2020, quando os "podcasts” informativos registaram um crescimento exponencial.

Entretanto, a imprensa terá em atenção os interesses dos mais jovens, publicando mais artigos focados em tecnologia.

O estudo da Reuters antecipa, igualmente, que a confiança dos cidadãos nos “media” continuará a crescer.

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Dinis de Abreu

A acta fundacional do CPI - Clube Português de Imprensa foi assinada a 17 de dezembro de 1980. Entre os fundadores, contam-se personalidades incontornáveis do jornalismo e da sociedade portuguesa, desde Norberto Lopes e Raul Rego, a Francisco Pinto Balsemão ou ao actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. 

O Clube nasceu para agregar jornalistas e outros profissionais do sector , além de gestores de empresas de media, algo em que foi absolutamente inovador,  numa época em  que uns e outros se olhavam com desconfiança, mal cicatrizadas ainda as feridas abertas pelo processo revolucionário, surgido em 25 de Abril de  1974.

O Clube nasceu, ainda, para contrariar uma certa apatia associativa, e fomentar o debate e a reflexão sobre os problemas que então, como hoje, se colocavam e colocam aos jornalistas e ao jornalismo.

A década de 80, que acolheu o CPI, foi prodigiosa. Num relance, e sem preocupações  cronológicas, assinalam-se   acontecimentos tão marcantes como  o tratado de adesão à CEE, a queda do Muro de Berlim, o desastre de Camarate ( que vitimou Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa e cujo mistério persiste até hoje, sobre se foi atentado ou acidente), a declaração conjunta  para a devolução de Macau à China, ou, ainda, o grande  incêndio no Chiado, a chegada da televisão a cores ou a vitória de Carlos Lopes na maratona olímpica de Los Angeles. 

Foi também nesta década, mais precisamente em 1985, que o Clube lançou os seus prémios de jornalismo em várias modalidades, num modelo de que foi pioneiro em Portugal. 


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Francisco Pinto Balsemão

Comemorar 40 anos da fundação do Clube Português de Imprensa traz-nos à memória o grupo de fundadores, entre os quais me conto, e a saudade pelos que partiram.
É, de qualquer modo, importante comemorar e congratularmo-nos pelo que de bom se fez e continua a fazer. Desde logo, conferindo a justeza das ações desenvolvidas com o objetivo estatutário de “promover a defesa do papel da imprensa, escrita e falada, na sociedade portuguesa”, o que efetivamente se cumpriu e continua a cumprir nas múltiplas iniciativas, das quais relevo o lançamento dos Prémios de Jornalismo, bem como a participação no Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, em parceria com o Centro Nacional de Cultura, assim como encontros, jantares-debate, conferências onde se reflete sobre o país, e especialmente, os media e jornalismo.
Há 40 anos, davam-se os primeiros passos no que viria a ser a explosão das novas tecnologias; hoje, “a defesa da imprensa escrita e falada”, espalha-se por uma imensidão de campos de batalha onde os verdadeiros meios de Comunicação Social se confrontam com os falsos meios que proliferam na net ou suportados em grandes plataformas, enquanto os jornalistas profissionais se debatem com as fake news e as enxurradas de lixo que os falsos jornalistas fazem correr nas redes sociais.
Ao mesmo tempo, os editores assistem indefesos ao esbulho dos seus conteúdos por piratas organizados em grandes redes e/ou algumas plataformas poderosas, cuja riqueza acumulada as parece tornar imunes perante a Justiça.

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Graça Franco

Passaram 40 anos e o que levou à formação do Clube de Imprensa mantém-se estranhamente actual. O sector que ansiava pela possibilidade de uma auto-regulação eficaz continua a identificar o problema, da sua falta, como uma das maiores falhas impeditivas da melhoria da qualidade da liberdade de expressão e pluralismo e das respectivas consequências sobre a qualidade da democracia. O regime que à data da fundação dava ainda os seus primeiros passos, minados pelo fantasma de 48 anos de tentativas de manipulação, silenciamento e censura.

Além do Sindicato dos Jornalistas cuja carga ideológica era, ao tempo, incrivelmente limitadora surgiam, no terreno, vários grupos de jornalistas preocupados em impor novas estruturas de debate, designadamente,  sobre os temas que envolviam a independência do jornalismo, dos poderes políticos e económicos, a qualidade, e a necessidade de públicos e privados acabarem a prestar verdadeiro serviço público. Isenção, objectividade, crise financeira deram mote a múltiplas tertúlias de incrível valor para a melhoria da vida democrática e combate ao corporativismo instalado.

Nessa altura eu estava a dar os primeiros passos no jornalismo, mas partilhava com os mais velhos essas preocupações. Fui assim desafiada pelos vários grupos e tornei-me sócia fundadora do Clube de Imprensa e do Clube de Jornalistas, nascidos praticamente ao mesmo tempo, e uns anos mais tarde do próprio Observatório de Imprensa. Sendo instituições, todas elas de utilidade pública, o Clube Português de Imprensa acabou por se distinguir pela positiva como plataforma aberta aos que não sendo jornalistas pertenciam a órgãos de gestão ou propriedade de jornais. 


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José Eduardo Moniz

Quarenta anos passaram, mas a essência do Jornalismo mantém-se. A busca da verdade e a obrigação de a divulgar constituem coordenadas elementares de uma actividade que é seguramente das mais nobres que existem.

Pode ter evoluído a forma de transmitir o que a realidade mostra, ou o que sobre ela se desvenda, mas aqueles que são os pressupostos do Jornalismo sério e independente permanecem insusceptíveis de qualquer discussão. 

Mais do que nunca, com a massificação da Informação que os meios digitais introduziram, a necessidade de um olhar atento, frontal, fiscalizador e sem medo da denúncia impõe-se. 

A separação do trigo e do joio, da Notícia e da propaganda, da verdade e da mentira, do que é real e do que se inventa nunca se revelou tão essencial e tão desesperadamente importante.

O Clube de Imprensa nasceu era eu um jovem jornalista a dar os primeiros passos em Televisão, depois de vários anos a trabalhar no Diario Popular. A intenção principal era (e é) prestigiar o Jornalismo e os que o exercem.

Tive o privilégio de trabalhar numa Redacção onde conviviam alguns dos melhores jornalistas de que Portugal dispunha, na altura, e que, já antes do 25 de Abril, constituía alfobre de gente corajosa na diferença, sem medo na escrita e atrevida no habilidoso desafio de ludibriar a censura.


O que há de novo

A procuradora-geral da República, Lucília Gago, abriu um processo para averiguar a “relevância disciplinar da actuação do Ministério Público” no caso dos jornalistas que foram espiados.

Em causa está a decisão da procuradora Andrea Marques, magistrada envolvida em processos mediáticos como o e-Toupeira, de pedir à PSP que vigiasse jornalistas do “Correio da Manhã” e da “Sábado” .

Andrea Marques procurava apurar as fontes dos jornalistas, como parte de uma investigação à violação do segredo de justiça no caso e-Toupeira, que decorria no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa.

Por seu lado, a procuradora-geral da República afirmou não ter conhecimento, à época, de que havia jornalistas sob vigia; já a ministra da Justiça recusou comentar o caso, mas remeteu a avaliação para o Conselho Superior do Ministério Público.

Perante este quadro, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) pediu esclarecimentos urgentes à procuradora-geral da República (PGR), assinalando “uma clara violação do sigilo profissional e da protecção das fontes”.

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O diretor executivo (CEO) do Twitter, Jack Dorsey, defendeu, através daquela rede social, a suspensão permanente da conta de Donald Trump, decretada pela plataforma em 8 de janeiro.

Contudo, o mesmo responsável admitiu que esta medida pode criar um precedente perigoso para o condicionamento da liberdade de expressão. Da mesma forma, Dorsey afirmou que a decisão representa “um fracasso” da empresa em “promover um diálogo são”.

“Uma empresa que toma uma decisão empresarial para se auto-regular é diferente de um Governo que impede o acesso, e no entanto pode parecer a mesma coisa”, escreveu. “Este momento pode requerer esta dinâmica, mas, a longo prazo, será destrutivo em relação ao propósito nobre e aos ideais de uma internet aberta”, acrescentou.

Dorsey recordou, por outro lado, que o Twitter não foi a única rede social a silenciar Donald Trump. “Não creio que tenha sido coordenado. (...) as empresas chegaram às suas próprias conclusões ou foram encorajadas pelas acções das outras”, apontou.

Recorde-se que o Twitter era o principal instrumento de comunicação de Donald Trump, que contava com 88 milhões de seguidores naquela rede social.

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O jornal francês “Monde” actualizou a sua aplicação móvel, com o objectivo de alargar a oferta digital. De acordo com a publicação, estas alterações tiveram por base o “feedback” fornecido pelos leitores.

Agora, os subscritores da versão “online” do jornal terão acesso a todos os artigos, quer estes tenham sido publicados no “site”, quer no formato impresso. Estarão, igualmente, disponíveis “liveblogs”, com notícias actualizadas ao minuto.

A aplicação móvel inclui, ainda, todos os produtos multimédia do “Monde”: desde gráficos interactivos, a “podcasts”, passando, também, pelos vídeos informativos.

O “design” da aplicação sofreu, igualmente, algumas alterações, nomeadamente, uma nova barra de navegação, com várias subcategorias.
A equipa de “Monde” apostou, ainda, numa opção de “modo escuro” e de alteração do tamanho da fonte, para que a leitura seja acessível para todos.

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 A jornalista Graça Franco -- presidente da assembleia geral do Clube Português de Imprensa -- cessou funções no cargo de directora de informação da Rádio Renascença, mas continuará a colaborar com aquela estação.

A jornalista assumiu o cargo em 2009, nomeada pelo conselho de gerência da Emissora Católica Portuguesa. Sucedeu, na altura, ao jornalista Francisco Sarsfield Cabral,  também membro dos corpos sociais do CPI.

Coube a Graça Franco a gestão editorial de um período tão complexo com criativo da Rádio Renascença, incluíndo a mudança para as actuais instalações, depois de ocupar, durante largos anos, o edifício-sede no Chiado.
A ex-directora de informação foi, entretanto, substituída por Pedro Leal, acumulando a função com a de director de produção.

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Cerca de 600 jovens madrilenhos participaram nos "Workshops de Promoção da Leitura na Escola 2020", um programa de literacia mediática promovido pela Associação de Imprensa de Madrid (APM)´-- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- e pela Fundação "la Caixa".

Os principais objectivos deste programa passam pelo combate à desinformação e pela promoção do consumo crítico dos “media”.

Desta forma, os responsáveis esperam ter ajudado os jovens a filtrar informação fidedigna, numa altura em que existe uma superabundância de conteúdos “online”.

Estas mensagens foram transmitidas através de aulas práticas, leccionadas por sete jornalistas, que se focaram em ajudar os jovens a reflectir sobre os principais temas da actualidade.

Os participantes foram, ainda, convidados a identificar as principais diferenças entre informação e opinião.

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A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) contava, no final de 2020, com 2.472 registos de serviços informativos. Das iniciativas registadas, cerca de 1.700 diziam respeito a publicações periódicas, 305 eram empresas jornalísticas e outros 129 serviços correspondiam a programas distribuídos, exclusivamente, pela Internet.

A ERC contabilizou, ainda, cerca de 284 operadores de radiodifusão (detentores de 328 serviços de programas), 25 operadores de televisão (detentores de 61 serviços de programas) e 11 operadores de distribuição.

Assim, o maior aumento registado corresponde aos serviços de informação distribuídos “online” (mais 22 do que no ano passado).

Num comunicado entretanto distruibuído, a ERC destacou que o registo dos “media” “é de extrema importância”, porque “espelha a situação real das entidades a ele sujeitas, garante a transparência da propriedade dos órgãos de comunicação social, dando a conhecer a titularidade e respetivas participações permitindo, deste modo, o controlo das concentrações dos meios e desses órgãos”.

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A Google vai lançar um fundo de apoio a projectos de “fact-checking” dedicados a combater a desinformação sobre as vacinas para a Covid-19. Ao todo, a empresa irá mobilizar três milhões de dólares (2,4 milhões de euros).

O fundo está, agora, a aceitar candidaturas de projectos, de todo o mundo, que “pretendam alargar o alcance da verificação de factos, em particular para as audiências que sejam desproporcionalmente afectadas pela desinformação”.

O programa “está aberto a organizações de notícias de todas as dimensões, que apresentem um histórico comprovado na verificação de factos e actividades semelhantes, ou que tenham uma parceria com uma organização com esse reconhecimento”, referiu a Google em comunicado.

As propostas serão, depois, avaliadas por um painel de júris, composto por 14 especialistas.

Em paralelo, a Google garante que continuará a disponibilizar informação de alta qualidade e de confiança sobre as vacinas.

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No início de Janeiro, a rede social Twitter decidiu suspender a conta de Donald Trump, uma medida que se provou polémica junto de alguns líderes europeus.

A chanceler alemã, Angela Merkel, foi das primeiras a manifestar-se contra esta acção.

Num comunicado publicado na mesma rede social, um porta-voz da chanceler, Steffen Seibert , referiu que “pode ser legítimo interferir no direito à liberdade de expressão. Contudo, esta medida deve seguir as directivas governamentais, e não as regras de uma plataforma ‘online’”.

Por seu lado, o ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, reiterou que a “regulação do mundo ‘online’ não pode ser efectuada por uma oligarquia digital”.

Já Thierry Breton, comissário europeu, considerou que “o facto de um CEO ter a capacidade de silenciar a conta do Presidente dos Estados Unidos -- sem peso, conta e medida -- é algo desconcertante”.

Este ponto de vista é partilhado, igualmente, por Josep Borrell, alto representante da UE.

Num “post” publicado no seu “blog”, Borrell considerou que a Europa “precisa de regular os conteúdos das redes sociais, respeitando, ao mesmo tempo, a liberdade de expressão”.

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