null, 17 de Outubro, 2021
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O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


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Opinião
O impacto da pandemia no universo mediático está longe de encontrar-se esgotado, apesar das promessas de “libertação” da sociedade, ensaiadas por vários governos, entre os quais o português, em doses apreciáveis.O jornalismo tornou-se mais fechado, confirmando uma tendência que não é nova de os jornalistas recorrerem à Internet e às redes sociais como fonte predominante de informação.Os...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
Breves
Judite de Sousa na CNN

A jornalista Judite de Sousa vai integrar a equipa da CNN Portugal, oficializando o seu regresso à televisão, informou o Grupo Media Capital em comunicado.

“Com uma longa carreira, a jornalista traz a sua experiência para o mais ambicioso projecto de informação do país”, pode ler-se na nota.

Judite de Sousa, recorde-se, deixou a TVI em Novembro de 2019, altura em que Media Capital aguardava a decisão da Autoridade da Concorrência sobre o processo de aquisição por parte da Cofina.

 

Segurança de Jornalistas

A Federação das Associações de Jornalistas de Espanha (FAPE) chegou a um acordo com o governo, para assegurar o bem-estar de todos os profissionais dos “media”, durante o exercício das suas funções.

Como tal, os jornalistas espanhóis podem, agora, adquirir um novo colete de imprensa, através do qual podem ser, facilmente, distinguidos numa multidão.

Através desta medida, a FAPE visa diminuir os casos de agressões física e verbal contra os colaboradores da imprensa. Além disso, este colete deverá facilitar o acesso dos jornalistas a eventos e locais de interesse público.

 

"Podcast” de sustentabilidade

 A Rádio Renascença estabeleceu uma parceria com a Jerónimo Martins para desenvolver o “podcast” do projecto editorial “Be The Story”, focado na temática de sustentabilidade.

“Falar de forma simples e descomplicada sobre sustentabilidade em diversas dimensões”, como alimentação, ambiente ou apoio à comunidade, é o objectivo desta nova iniciativa, que conta com a participação das animadoras do programa” As Três da Manhã”.

Num total de 10 episódios, que estarão disponíveis às segundas-feiras na página do “Be The Story” e nas plataformas de “podcasts”, cada animadora abordará um tema.

“Podcasts” da Renascença

A Renascença Multimédia lançou uma plataforma de "podcasts", que pretende, não só, reunir num único espaço os conteúdos produzidos pela Renascença, RFM e Mega Hits, mas ser, igualmente, “aberta a outros autores e até a outras rádios”.

“Vê o que queres ouvir” é o “slogan” assumido pela plataforma, que promete “concentrar dezenas de ‘podcasts’ portugueses, divididos em diferentes categorias, como entretenimento, humor, informação, ‘lifestyle’ e desporto”.

Além do formato áudio, alguns dos programas estarão, também, disponíveis em vídeo.

Agressões a jornalistas

As autoridades francesas estão a investigar a agressão a um fotojornalista do título "Corse-Matin", que ocorreu durante uma manifestação "anti impostos".

“Um dos nossos fotógrafos foi agredido por, pelo menos, três manifestantes”, afirmou aquela publicação, num texto publicado no seu “site”.

De acordo com o “Corse-Matin”, os cidadãos terão reclamado perante a actuação do jornal, acusando os profissionais do título de “não os ouvirem” e de “serem mentirosos”, e por isso, “expressaram o seu descontentamento através de agressões físicas”.

O ataque foi, entretanto, condenado por diversas associações de jornalistas.

Agenda
01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul
02
Nov
Global Investigative Journalism Conference
10:00 @ Evento "Online" da GIJN
18
Nov
22
Nov
28
Nov
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
Connosco
Galeria

Na Bielorrússia, os jornalistas independentes enfrentam diversos obstáculos ao exercício das suas funções, sendo alvo de perseguição e ameaça por parte das autoridades.

Como tal, muitos destes profissionais são obrigados a pedir asilo político em países vizinhos, como forma de continuarem a informar o seu público, e a denunciar as injustiças praticadas pelo regime de Alexander Lukashenko.

É esse o caso de Stepan Putilo, um jovem bielorrusso radicado na Polónia, responsável pela criação de um dos formatos noticiosos mais conhecidos de sempre: o “Nexta”.

Conforme apontou Charles McPhedran num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”, Putilo criou o “Nexta” em 2018, com o objectivo de desenvolver um novo formato noticioso, que aliasse a informação às tendências da internet.

Assim, através da rede social Telegram, Putilo começou a partilhar vídeos informativos, com monólogos sobre a situação política e social na Bielorrúsia, e caracterizados por um tom humorístico e sarcástico.

Graças a estes “boletins noticiosos” e à colaboração de Roman Pratasevich, outro jovem jornalista, o “Nexta” tornou-se o maior canal de sempre do Telegram, contando com mais de um milhão de seguidores.

Contudo, afirmou McPhedran, o projecto de Putilo e Pratasevich está longe de ser politicamente isento, já que todos os seus conteúdos são críticos de Lukashenko, e pretendem reforçar o movimento da oposição.

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A maioria dos alunos de jornalismo está pessimista quanto ao seu futuro profissional, considerando que será difícil encontrar um primeiro emprego, e que os salários serão baixos e precários, de acordo com um estudo da Universidade de Coimbra, citado pelo jornal digital “Observador”.

Conforme indica uma nota enviada à imprensa, os responsáveis pelo estudo realizaram um inquérito junto de 1.091 estudantes, que frequentaram 38 cursos de licenciatura ou mestrado em jornalismo e comunicação social, no ano lectivo 2020/2021.

Do número total de inquiridos, dois terços consideraram, de alguma forma, improvável “encontrar um primeiro emprego no jornalismo”. Uma percentagem semelhante de estudantes admitiu que será difícil conseguir um contrato laboral estável e com um salário condizente com o estatuto e responsabilidade da profissão.

Ainda assim, apenas 2,9% dos alunos admitiram a possibilidade de abandonar o curso para ingressar noutra área de formação e apenas cerca de 10% disseram não ter intenção de trabalhar em jornalismo.

“Os estudantes entram com o objectivo de serem jornalistas e motivados para esse futuro profissional”, disse o investigador João Miranda, realçando, porém, que existe “um paradoxo” face às baixas expectativas que têm para o futuro.
O estudo analisou, igualmente, as tendências de consumo noticioso dos alunos, realçando uma forte inclinação para consulta das redes sociais, como o Facebook e o Instagram.

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Numa época caracterizada pela polarização política e ideológica, o jornalismo local e a informação fidedigna tornaram-se mais importantes do que nunca.

Pelo menos, esta é a opinião de diversos editores de jornais norte-americanos que, em entrevista para o “Nieman Lab”, disseram estar a desenvolver novas plataformas, a fim estabelecerem uma melhor relação com o seu público.

É esse o caso do “Outlier Media” que, de forma a servir a comunidade de Detroit, desenvolveu uma plataforma de SMS, que envia notícias locais relevantes a todos os seus subscritores.

“A nossa missão é informar aqueles que não são ouvidos pelos ‘media’, nem pelas Instituições”, referiu a directora executiva da “Outlier Media”, Candice Fortman.

Ou seja, explica o “Nieman Lab”, ao desenvolver novas formas de informar, a “Outlier Media” pretende colmatar as falhas de outras publicações noticiosas, que tendem a omitir assuntos considerados importantes por cidadãos de minorias étnicas.

O mesmo acontece no “Canopy Atlanta”, uma publicação comunitária sem fins lucrativos, que conjuga o trabalho desenvolvido por profissionais dos “media”, com as contribuições de “jornalistas cidadãos”.

Desta forma, o “Canopy Atlanta” pretende desenvolver uma relação mais próxima com o público, e combater a “desconfiança nos ‘media’”.

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A atribuição do Prémio Nobel da Paz a dois jornalistas desconhecidos -- uma filipina com dupla nacionalidade norte-americana, Maria Ressa, e um russo, Dmitry Muratov -- tem um valor simbólico para a liberdade de imprensa em todo o mundo, considerou Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Ou seja, conforme apontou Martins, a distinção destes profissionais dos “media” vem desafiar a actual “guerra da desinformação”, e reafirmar a importância do jornalismo fidedigno para o bom funcionamento das democracias e da vida em sociedade.

Aliás, até agora, apenas dois outros jornalistas haviam sido laureados com este galardão: o italiano Ernesto Teodoro Moneta (em 1907) e o alemão Carl von Ossietzky (em 1935).

Conforme apontou o autor, tanto Moneta como von Ossietzky foram distinguidos pelo seu papel enquanto pacifistas, o que reforça a mensagem de que, actualmente, o jornalismo independente continua a ser importante para a manutenção da paz.

E, de acordo com o comité noruguês do Nobel da Paz, Ressa e Muratov têm realizado diversas conquistas neste âmbito.

Em primeiro lugar, ambos os profissionais continuam a exercer jornalismo independente, denunciando as injustiças praticadas nos seus respectivos países.

Em segundo lugar, graças à publicação de reportagens incisivas e fidedignas, estes jornalistas têm contribuído para o combate a uma das maiores ameaças da actualidade, caracterizada pela rápida partilha de informações falsas, que põem em risco o bem-estar dos cidadãos de todo o mundo.

Desta forma, Maria Ressa -- que tem denunciado as medidas repressivas e violentas do Presidente filipino, Rodrigo Duterte --, e Dmitry Muratov -- que dirige um dos únicos jornais independentes russos em actividade -- assumem-se como novos símbolos do jornalismo pacifista.



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Com a pandemia, a TV Globo acelerou a sua "uberização", caracterizada pela alteração dos contratos dos seus colaboradores, e pela desvalorização do trabalho dos mesmos, denunciou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Ou seja, continuou Castilho, a TV Globo está agora a desenhar uma estrutura de produção jornalística marcada pela segmentação, partilha de recursos e “laissez faire”, semelhante ao modelo seguido pela empresa Uber, na qual os profissionais são obrigados a trabalhar em regime de “empresários em nome individual".

Assim, ao não renovar os contratos dos profissionais, a TV Globo está a fugir à maioria dos custos e dos riscos impostos pela legislação actual.

Além de alterar as relações entre os jornalistas e os empresários, a “uberização” dos “media” está a forçar os profissionais a alterar o seu “modus operandi”.

Agora, de forma a assegurarem os seus rendimentos, os colaboradores dos “media” estão a focar-se em temáticas de “nicho”. Desta forma, os jornalistas visam distinguir-se dos restantes profissionais, e continuar a ser relevantes para as empresas de comunicação.

Por outro lado, continuou Castilho, isto impõe novos desafios aos profissionais, que têm de lutar pela sua visibilidade, enfrentar a volatilidade dos interesses dos leitores, e aceitar a possível instabilidade financeira.

Esta “procura caótica” pela visibilidade pode, ainda, resultar na disseminação de conteúdos falsos, já que, quando confrontados com a sua própria vulnerabilidade profissional, os jornalistas poderão sentir-se tentados em abandonar a conduta ética, se isto significar mais dinheiro ao fim do mês.

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A alteração das tendências de consumo dos “media”, caracterizada pelo foco no jornalismo digital, fez com que os modelos de negócio tradicionais se tornassem obsoletos, e pôs em risco a sustentabilidade financeira de muitos títulos, que deixaram de poder contar com as receitas publicitárias.

Por isso mesmo, os “media” começaram a apostar em novas fontes de receitas. Até agora, a opção mais popular era a “paywall”, que permite gerar capital através dos pacotes de subscrição.

Contudo, nos últimos tempos, alguns jornais norte-americanos optaram por estabelecer uma relação mais próxima dos seus leitores, e passaram a depender das suas doações para se manterem em funcionamento.

É esse o caso do título local “Post e Courier” que, em apenas 100 dias, conseguiu angariar mais de um milhão de dólares, noticiou o “site” “Better News”.

Conforme indicou a mesma fonte noticiosa, de forma a angariar fundos, o “Post and Courier” lançou uma campanha de sensibilização, relembrando a importância do jornalismo local para o bom funcionamento da democracia e bem-estar das comunidades.

Todas as doações, indicava o “Post and Courier” na página da campanha, teriam o propósito de financiar reportagens de investigação sobre incidentes políticos e preocupações financeiras de todo o Estado da Carolina do Sul.

Desta forma, o “Post and Courier” ultrapassou o objectivo financeiro traçado, e conseguiu continuar a informar a sua comunidade de forma eficaz.

 

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A utilização e análise de dados tornou-se uma ferramenta essencial para qualquer “media”, já que permite registar os interesses dos cidadãos e adaptar os conteúdos conforme as tendências do mercado.

Quem o garante é Ryan McVeigh, director de análise de consumo do “Boston Globe”, que, em entrevista para o “Laboratorio de Periodismo”, partilhou as estratégias que utiliza para impulsionar o número de leitores fidelizados.

Em primeiro lugar, McVeigh ressalvou que as receitas devem ser a prioridade de qualquer jornal. Por isso mesmo, as decisões editoriais e executivas dos jornais devem ser tomadas com base no capital que irão gerar.

Além disso, prosseguiu aquele responsável, as iniciativas editoriais devem ser sujeitas a testes contínuos, já que as opiniões e interesses dos cidadãos são voláteis, que mudam conforme as tendências. Assim, algo que resulta hoje, pode não resultar dentro de uma semana.

Outra questão importante é a proactividade. Ou seja, os analistas devem ter iniciativa própria quanto à pesquisa e exploração de novas opções para os seus títulos.

McVeigh explicou que, ao seguirem estes passos, os analistas do “Boston Globe” conseguiram estabelecer um modelo “freemium”, que disponibiliza cinco artigos grátis por mês, o que permitiu aumentar a taxa de retenção de leitores fidelizados.
Além disso, a equipa de análise de dados concluiu que os consumidores do “Boston Globe” são receptivos a pacotes promocionais. 

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publicação digital “The Continent”, que cobre assuntos noticiosos de todo o continente africano, está a trabalhar para estabelecer uma relação de transparência e confiança com os leitores.

Como tal, em Agosto deste ano, “The Continent” questionou os seus consumidores sobre a possibilidade de assinar um acordo de publicidade com uma instituição bancária.

Até àquele momento, “The Continent” dependia, apenas, de financiamentos exteriores e de doações. Assim, ao estabelecer um contrato publicitário, as suas páginas passariam a ter anúncios, bem como alguns "conteúdos patrocinados" sobre poupança, educação e sustentabilidade financeira.

Por isso mesmo, antes de avançar, a equipa editorial quis recolher o parecer dos seus consumidores. E, conforme apontou Hanaa Tameez num artigo publicado no “Nieman Lab”, as respostas foram, maioritariamente, positivas.

Baseando-se nos dados disponibilizados pelo “The Continent”, Tameez notou que mais de 80% dos consumidores questionados apoiaram o acordo com o Banco em causa. Além disso, muitos dos cidadãos enviaram textos de análise, apresentando os “prós e contras” deste tipo de contrato.

“Quisemos saber como os nossos leitores iriam reagir a uma mudança no nosso modelo de negócio”, disse o editor executivo daquela publicação, Simon Allison, em entrevista para o “Nieman Lab”.

O que há de novo

Em plena era digital, alguns empresários e jornalistas continuam a apostar no formato em papel, por acreditarem no seu legado enquanto fonte noticiosa por excelência.

É esse o caso do “Periódico de Espanã”, um novo jornal diário, que irá chegar às bancas de Madrid todos os dias.

"Vamos ter uma edição em papel, limitada a Madrid, e a uma edição digital para toda a Espanha” explicou o director, Fernando Garea, citado pelo “site” da TSF.

Ainda assim, as páginas desta nova aposta editorial do Grupo Prensa Ibérica serão um reflexo da diversidade espanhola, focando-se nas realidades vividas em várias partes do país.

Ou seja, o “Periódico de España” quer assumir-se como um “espaço de reencontro” para os leitores de todas as comunidades nacionais.

Como tal, uma das principais apostas deste título será o suplemento “Cuaderno de Espanã”, que irá reunir as melhores reportagens dos 24 títulos regionais pertencentes ao Grupo Prensa Ibérica.

Assim, o "Periódico de España” irá contar com a colaboração dos 1200 jornalistas que integram aquele Grupo de comunicação.

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A Federação Europeia de Jornalistas (FEJ) aprovou uma moção urgente em defesa das emissoras públicas de Portugal e Espanha, na assembleia-geral em Zagreb, informou o Sindicato dos Jornalistas no seu “website”.

Neste sentido, a FEJ apelou, também, ao financiamento adequado das emissoras de serviço público de Portugal e Espanha, exigindo que estas se regessem por contratos de trabalho estáveis e salários decentes para jornalistas e outros funcionários.

Conforme apontou o SJ em comunicado, os sindicatos dos dois países haviam apresentado uma moção ibérica, “denunciando a falta de investimento nos canais de rádio e televisão públicos e, no caso de Portugal, também da agência de notícias Lusa”.

“Os proponentes da moção — o Sindicato dos Jornalistas e os espanhóis FAPE, FESP e UGT — alertaram, ainda, para a crescente precariedade laboral nestes meios de informação, que, simultaneamente, têm visto sair muitos profissionais dos quadros e, com eles, todo um capital de experiência acumulado”, é referido.

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No mês de Setembro, marcado pelo regresso ao trabalho, o consumo de rádio atingiu valores sem precedentes, com uma audiência acumulada de 61,2%, de acordo com a quarta vaga da Bareme Rádio, auditada pela Marktest.

Este foi, também, um mês de recordes para a Rádio Comercial, que com uma Audiência Acumulada de Véspera (AAV) na ordem dos 19,4%, registou o valor mais alto de sempre da rádio nacional, e voltou a assegurar a liderança do “ranking”.

O mesmo aconteceu com a RFM, que, com 19% de AVV, teve a sua melhor prestação de sempre.

“Estes valores são um claro sinal da vitalidade do meio rádio”, salientou o CEO da Media Capital Rádios (MCR), Salvador Bourbon Ribeiro,
em entrevista para a “Meios e Publicidade”. “Estes números de audiências vêm, mais uma vez, confirmar que a rádio está viva e recomenda-se”.

A terceira estação mais ouvida do país continua a ser a M80, que registou um crescimento de duas décimas relativamente à vaga anterior, e conquistou uma AAV de 7,7%.

A distância que separa as estações que ocupam a terceira e quarta posições no estudo da Marktest é assim ampliada para 1,1 pontos percentuais, já que a audiência da Renascença se fixou nos 6,6%.

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A TVI assumiu, em Setembro, a liderança do “ranking” da NetAudience, estabelecendo-se enquanto o “media” português com maior alcance digital, ao registar uma audiência de 3 milhões e 578 mil.

O segundo lugar foi ocupado pela revista “Flash”, que registou um crescimento substancial a nível de audiências, passando de 3,05 milhões de leitores em Agosto, para perto de 3,4 milhões no último mês.

O “Top 3” é encerrado pelo “Correio da Manhã”. O diário da Cofina, que ocupava o primeiro lugar do ‘ranking’ desde Maio deste ano, sofreu uma quebra na sua audiência multiplataforma, com um alcance digital próximo dos 3,2 milhões.

Ainda no “ranking” de Setembro, as marcas da Impresa trocaram de posição, com a SIC a ocupar o quarto lugar, e o semanário “Expresso” a descer para o quinto.

No segmento económico, o “Jornal de Negócios” voltou a assumir a liderança, subindo dos 1,46 milhões para 1,53 milhões de leitores no último mês, e mantendo a 11ª posição do “ranking” geral.

Já o “Record” continua a ter a plataforma digital mais popular no segmento desportivo, ocupando a oitava posição do índice geral.

No segmento da rádio, a liderança continua a ser ocupada pela RFM, apesar de ver o seu reach multiplataforma recuar dos 1,26 milhões de pessoas no mês de Agosto, para os 1,17 milhões em Setembro.

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O Ministério Público quer levar a julgamento os dois jornalistas e o agente da Polícia Judiciária acusados de violar o segredo de Justiça, noticiou a publicação digital “Observador”.

O jornalista Carlos Rodrigues Lima, subdirector da “Sábado”, está acusado de três crimes de violação de segredo de Justiça de três processos: “e-Toupeira”, os e-mails do Benfica e Operação Lex.

Já Henrique Machado, editor da TVI e ex-jornalista do “Correio da Manhã”, foi acusado de um crime de violação do segredo de Justiça.

A acusação diz que ambos os profissionais receberam informação confidencial através de Pedro Fonseca, coordenador da PJ e o terceiro arguido no processo, acusado de três crimes de violação do segredo de Justiça, um crime de abuso de poder e outro de falsidade de testemunho.

Durante as alegações finais da fase instrutória do processo, a cargo do juiz Carlos Alexandre, a procuradora Andrea Marques manteve a tese da acusação, afirmando que Pedro Fonseca informou os dois jornalistas sobre as buscas que estavam a decorrer no processo “e-Toupeira”.

Mesmo não tendo acesso ao conteúdo dos telefonemas trocados, aquela magistrada disse não ter dúvidas de que as chamadas haviam servido para a troca de informações.
Fica, agora, a cargo do Juiz Carlos Alexandre decidir se os três arguidos irão, ou não, a julgamento.

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O governo norte-americano criticou, recentemente, os ataques à imprensa registados na Tunísia, e instou Tunes a adoptar um “ modelo de democracia e transparência”, informou o jornal “Monde”.

Conforme apontou a mesma fonte noticiosa, as críticas surgiram após as autoridades tunisinas terem condicionado o funcionamento do Zitouna, um canal de televisão privado.

“Estamos preocupados e decepcionados com as informações recentes vindas da Tunísia sobre ataques à liberdade de imprensa e de expressão", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Perante este cenário, Price apelou ao governo tunisino que mantivesse o seu compromisso para com o “respeito dos Direitos Humanos, conforme estabelecido na Constituição”.

“Também exortamos o Presidente tunisino e a nova primeira-ministra a responderem aos apelos dos cidadãos, e assegurarem o regresso a um processo democrático transparente envolvendo a sociedade civil e vozes políticas plurais” , acrescentou Ned Price.

Recorde-se que, nos últimos meses, a Tunísia tem vivido num clima de instabilidade política.

Tudo começou com a demissão, a 25 de Julho, do ex-primeiro-ministro, Hichem Mechichi, pelo chefe de Estado, Kais Saied, que também suspendeu o Parlamento e assumiu o poder judicial, a pretexto de “salvar a paz social”.

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O governo russo tem vindo a assumir-se como um inimigo do jornalismo independente, impondo medidas restritivas a qualquer profissional ou publicação que queira fazer uma cobertura mediática livre e isenta.

Aliás, de forma a condicionar mais a liberdade de imprensa, Vladimir Putin estabeleceu que as publicações estrangeiras e/ou independentes passassem a ser classificadas como “agentes estrangeiros”, um título que afasta investimentos publicitários, e enfraquece a sustentabilidade financeira das empresas.

Agora, conforme apontou o “site” “ars technica”, esta campanha de intimidação estendeu-se à cobertura noticiosa do programa espacial russo. Ou seja, qualquer jornalista que publique informações sobre esta temática será classificado como “agente estrangeiro”.

De acordo com a mesma fonte noticiosa, a lei russa já proibia a divulgação de actividades confidenciais, mas esta nova emenda impõe restrições à publicação de qualquer dado relativo às actividades do “Roskosmos”.

Perante esta alteração, alguns jornalistas foram forçados a abandonar os seus projectos editoriais.

É o caso de Katya Pavlushchenko, uma “blogger” espacial, que anunciou, através das redes sociais, o fim da sua iniciativa jornalística.

Além disso, as publicações russas dedicadas à ciência e tecnologia irão, agora, focar-se na actividade espacial de países estrangeiros.

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A Visapress iniciou uma nova campanha de sensibilização do público português, de forma a apelar pelo fim da partilha de jornais e revistas através das redes sociais.

“A partilha de jornais e revistas de forma ilegal é um crime que a Visapress está comprometida em combater. Ainda assim, a velocidade do digital e do modelo jurídico vigente tardam em estar adequados”, apontou Carlos Eugénio, director executivo da Visapress.

“Não tendo sido efectuados passos relevantes no sentido de chegar a uma solução que permita salvaguardar os interesses dos meios de comunicação social, a Visapress desafia o Governo a rapidamente assumir um compromisso pela liberdade de imprensa através da criação de leis que permitam o combate à pirataria e partilha de conteúdos editoriais, em particular nas redes sociais”, afirmou aquela entidade num comunicado sobre a nova campanha, que será partilhada através da televisão, jornais, rádio e “media” digitais a nível nacional.

A Visapress, recorde-se, tem vindo a analisar os principais grupos de partilha de conteúdos editoriais nas plataformas “online”, com destaque para os grupos da rede social Telegram, concluindo que, em média, são partilhadas, por dia, 88 publicações.

Assim, a mesma entidade estima que a partilha de jornais e revistas em grupos de redes sociais tenha custado à imprensa portuguesa, em Setembro e à semelhança dos meses anteriores, cerca de 3,5 milhões de euros.

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