Segunda-feira, 29 de Novembro, 2021
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O Clube


O associativismo já conheceu melhores dias. Ao contrário do que se observa aqui mesmo ao lado em Espanha, onde a APM – Associacion de la Prensa de Madrid – uma das mais antigas e conceituadas instituições ao serviço dos media, do jornalismo e dos jornalistas - desenvolve uma actividade multidisciplinar e intervém com regularidade no espaço público sobre problemas do sector, em Portugal as organizações de jornalistas são escassas e sobrevivem com não poucas dificuldades.
Há uma certa apatia dos profissionais em relação a associações onde deveriam estar representados, o que contribui para a falta de reconhecimento público da sua importância.
Claro que a precariedade que afecta as redacções e, em particular, os jornalistas mais jovens, não estimula o convívio e, menos ainda, a participação em debates regulares sobre o exercício da profissão e os seus condicionamentos.
E, no entanto, nunca foi tão urgente a análise sobre os desafios complexos que se colocam ao jornalismo, seja no plano ético, seja na interacção com os leitores/consumidores da informação, seja ainda no plano tecnológico, que tem progredido a um ritmo impressionante.
Hoje já se medem competências pelo número de “clicks” e há quem cultive a ideia de que um jornalista deverá ser remunerado em função da audiência que um seu texto mereça junto da comunidade de leitores. Uma perversão.
É para estes e outros temas conexos que o CPI continuará a olhar neste site e fora dele, porque uma democracia não se consolida sem jornais e outros media e um jornalista não pode ser substituído por um qualquer arrivista nas redes sociais.
Por isso teimamos em continuar, passados 40 anos.


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Opinião
Há bem pouco tempo, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) publicou um relatório alarmado com a insegurança que atinge um número crescente de jornalistas no exercício da sua actividade. E denunciou que, só este ano, já foram mortos 35 jornalistas por motivos relacionados com as suas práticas profissionais. Uma lista negra.A publicação deste documento da FIJ coincidiu com o Dia Internacional das...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
Breves
Canais de informação

 A CNN Portugal foi o quinto canal de televisão com maior audiência, em 23 de Novembro, o primeiro dia em que esteve 24 horas no ar, com um "share" de 3,1%.

A CMTV manteve o título de canal mais visto do cabo, com uma quota de 4,2% , de acordo com os dados da CAEM.

Já a SIC Notícias, outro canal de informação por cabo, ficou-se pelos 1,4 % de “share”, fixando-se no 9º lugar dos canais mais vistos naquele dia.

“Expresso” e Nova SBE

O semanário “Expresso” e a Faculdade Nova SBE estabeleceram um acordo que permitirá o acesso gratuito aos conteúdos e edição digital daquela publicação, através da rede wi-fi do “campus”.

Além de permitir o acesso gratuito dos seus conteúdos aos alunos, docentes e investigadores daquela instituição, a redacção do “Expresso” vai, ainda, desenvolver uma série de “podcasts”, sobre temas seleccionados em conjunto com a Nova SBE. Estes programas deverão, assim, contar com a participação de alguns alunos e docentes.

“O acesso aos conteúdos do ‘Expresso’ incluirá os artigos exclusivos fechados a subscrição e a edição semanal do jornal na sua versão digital, a título gratuito e sem necessidade de registo por quem conectar o respectivo dispositivo ao wi-fi da Nova SBE”, especificou, em comunicado, o título detido pela Impresa.

Conferência sobre jornalismo

A Associação de Imprensa de Madrid (APM) vai promover, em 2 de Dezembro, uma nova conferência sobre os “media” contemporâneos, intitulada “O Jornalismo foi contagiado com polarização política?”.

Este evento terá, ainda, uma sessão de abertura, apresentada pelo presidente da FAPE, Nemesio Rodríguez, e uma palestra de Daniel Fuentes, director da consultora Kreab Research.

Na mesa de debate estarão presentes Álvaro Nieto , director do “Objective”; Bieito Rubido , diretor do “El Debate ``; Pilar Velasco , jornalista do Journalismfund.eu, e Marta Solano , apresentadora do Noticias Fin de Semana 24Horas TVE,.

Os interessados poderão assistir à conferência no CaixaForum, em Madrid, ou via “streaming”.

Nova revista

As bancas portuguesas passaram a contar com uma nova revista dedicada aos museus, património e cultura, editada pela Palavras & Rimas – Unipessoal, Lda.

Chama-se “Zeus”, será publicada com periodicidade trimestral, inclui textos em português e em castelhano, e oferece diversos artigos, reportagens, entrevistas, agenda, além de várias rubricas.

“A revista ‘Zeus’ tem como missão dar a conhecer as melhores práticas, ideias e projetos desenvolvidos no âmbito das instituições museológicas”, refere o estatuto editorial da “Zeus”, que acrescenta que a publicação visa “a promoção e divulgação dos museus, centros interpretativos, núcleos museológicos, monumentos e sítios arqueológicos”.

O primeiro número regista uma tiragem de cinco mil exemplares.

Prémios Autores 2021

Já foram anunciados os vencedores dos Prémios Autores 2021, atribuídos pela Sociedade Portuguesa de Autores, com o objectivo de reconhecer os melhores projectos da rádio e televisão públicas.

Na área da Televisão, O Jornal 2 da RTP2 foi distinguido com o prémio de Melhor Programa de Informação.

Por sua vez, a série da RTP “Herdeiros de Saramago”, da autoria de Carlos Vaz Marques e realização de Graça Castanheira, foi considerada o Melhor Programa de Entretenimento, enquanto “Terra Nova”, também da RTP, foi eleito Melhor Programa de Ficção.

Na categoria Melhor Programa de Rádio o vencedor foi “Radicais Livres'', da Antena 1.

Pelo segundo ano consecutivo, não se realizará a cerimónia de entrega dos Prémios Autores. A SPA acredita, por outro lado, que “em 2022 já haverá condições para se realizar a gala anual, que será o ponto de encontro dos autores e artistas e o momento certo para distinguir os mais importantes criadores de 2021, com obra feita e reconhecida”.

Agenda
09
Fev
Masterclass : Using data to tell stories
18:00 @ Conferência "Online" leccionada por Juliet Ferguson
06
Abr
International Journalism Festival 2022
10:00 @ Perúgia, Itália
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
Connosco
Galeria

O jornalismo no Brasil está a atravessar uma fase de grande interesse para o público, devido às disputas políticas e à gestão da crise sanitária, causada pela pandemia.

Contudo, ressalvou Carlos Wagner num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria , as publicações estão a ter dificuldades em acompanhar estes eventos, devido à falta de colaboradores e de materiais de reportagem.

De acordo com o autor, este cenário começou a surgir no início da década de 2000, quando os jornais passaram, lentamente, a desenvolver o seu processo de digitalização.

Até então, continuou Wagner, de forma a garantirem a sua sustentabilidade financeira, os títulos jornalísticos investiam em estratégias de captação de leitores e de publicidade.

Além disso, cada colaborador tinha funções bem definidas, e o principal objectivo era conseguir a melhor manchete, para vender um número significativo de exemplares em cada edição.

Tudo isso mudou com a digitalização: os empresários tiveram dificuldade em adaptar-se aos novos modelos de negócio, foram forçados a fazer cortes orçamentais, e exigiram que os jornalistas produzissem conteúdos multiplataforma.

Desta forma, os colaboradores dos “media” tiveram que passar a dominar diferentes áreas -- desde o texto à fotografia, passando pelo vídeo e pelos gráficos digitais -- trabalhando mais do que nunca, e recebendo um ordenado pouco satisfatório.

 

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No Brasil, a maioria dos políticos e dos cidadãos considera que o combate às “fake news” é algo que necessita a intervenção regulatória do Estado, recordou Paulo Victor Melo num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Aliás, conforme apontou o autor, o Projecto de Lei Nº 2630, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, está pronto a ser votado pelo Grupo de Trabalho (GT-NET) da Câmara dos Deputados, que foi criado para dar um parecer sobre o tema.

E, perante as “teorias da conspiração” que circulam “online”, e que podem pôr em risco a segurança e o bem-estar dos cidadãos, o articulista considera que o documento deve ser votado o mais depressa possível.

Este documento, indicou Melo, procura encontrar respostas regulatórias para as plataformas digitais, sem interferir com o direito à liberdade de expressão e à liberdade de comunicação.

Além disso, este texto quer garantir uma coordenação entre a responsabilização das empresas tecnológicas e a regulação estatal, de forma a acrescentar concepção “tecnologicamente neutra”, que concentre a atenção nas actividades desenvolvidas pelas plataformas.

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A disseminação de notícias falsas incentivou os cidadãos britânicos a passarem a consumir informação através dos “sites” dos jornais locais. Desta forma, em apenas um ano, a audiência destes títulos registou um crescimento de 18%, de acordo com dados da Joint Industry Currency for Regional Media Research (JICREG).

Agora, cerca de 42 milhões de pessoas lêem, pelo menos uma vez por mês, as plataformas “online” de publicações regionais.

Desses, cerca de 11 milhões são jovens entre os 15 e os 34 anos, que consultam estes títulos através dos seus dispositivos móveis.

Perante estes dados, Henry Faure Walker, presidente da News Media Association, frisou que a pandemia ajudou a “despertar um interesse renovado sobre a vida local” e aumentou o desejo de “consumir informações de qualidade, bem como reportagens de confiança”.

Como resultado, acrescentou aquele responsável, "as marcas de notícias locais alcançam, agora, mais pessoas do que nunca".

“À medida que avançamos, é vital que os anunciantes reconheçam que a vida se tornou mais centrada na comunidade e que os ‘media’ locais representam a plataforma perfeita para criar uma ligação com o público, num ambiente de grande confiança”, enfatizou.

 

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A sede do jornal “Clarín”, uma das principais publicações jornalísticas da Argentina, foi atacada com “cocktails molotov” -- bombas incendiárias improvisadas.

A fachada do edifício ficou danificada, mas não há registo de feridos ou danos materiais relevantes, noticiou a agência EFE. O incidente, que ocorreu quando o edifício estava encerrado, foi registado pelas câmaras de segurança.

Entretanto, o Presidente argentino, Alberto Fernández,afirmou, via Twitter, que "a violência altera sempre a convivência democrática".

"Esperamos que os factos sejam esclarecidos e os autores sejam identificados a partir das investigações em andamento", disse.

Também o seu antecessor, Mauricio Macri, apontou o ataque como "uma tentativa gravíssima de intimidar toda a comunicação social".

"É um acto inaceitável que lembra as práticas violentas do passado. Repudio a agressão e envio a minha solidariedade. Esperemos que o Governo e a Justiça esclareçam o ocorrido e prendam os responsáveis", referiu.

Da mesma forma, a Associação Interamericana de Imprensa (SIP), instou, em comunicado, as autoridades a investigarem de imediato o ataque e a responsabilizarem criminalmente os autores.

"Lamentamos o ataque e esperamos que o mais rapidamente possível as autoridades cumpram o seu dever de investigar, encontrar e levar os autores à justiça", acrescentou.

Também o Grupo Clarín lamentou e condenou o "grave acontecimento, que à primeira vista, surge como uma expressão violenta de intolerância contra um meio de comunicação".

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A digitalização das notícias fez-se acompanhar de novos hábitos de consumo, já que os leitores começaram a abandonar os jornais em formato impresso, passando a dar prioridade aos "sites" de notícias e às redes sociais.

Apesar de existirem diversos estudos norte-americanos sobre estas tendências, poucos relatórios reflectem a realidade portuguesa, bem como as preferências destes cidadãos.

Por isso mesmo, o Obercom baseou-se em dados  Reuters Digital News Report, desde 2015 a 2021, com o objectivo de explorar as diferentes formas como os portugueses acedem a notícias “online”, através de diversos dispositivos.

Desta forma, o Obercom pretende fazer uma previsão sobre o futuro dos “media” em Portugal, ajudando, igualmente, as publicações jornalísticas a adaptarem os seus conteúdos e as suas estratégias.

Assim, o Obercom detectou que, nos últimos anos, as principais formas de acesso a notícias “online” têm sofrido alterações em termos de importância. Isto porque, agora,  o acesso directo tende a assumir um papel secundário, relativamente aos motores de pesquisa e às redes sociais.

O estudo destaca, neste sentido, que os jovens portugueses tendem a aceder a notícias através de motores de busca em maior proporção do que a generalidade dos inquiridos do Digital News Report 2021, numa razão de 33% para 28%. 

Agora, em Portugal, o espectro do acesso a notícias pelos portugueses é dominado, em primeiro lugar, pelos motores de pesquisa (28,4%), em segundo,  pelas redes sociais (24%) e,  em terceiro, pelo acesso directo a notícias (20,0%).

De acordo com o relatório, esta posição dominante sobre a distribuição de conteúdos informativos “online,” por parte das plataformas, foi conseguida através da captação da atenção dos utilizadores.

Além disso, outra das consequências da digitalização do mercado mediático foi o aumento do recurso a dispositivos móveis para a leitura de notícias.


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A ascensão das métricas e da análise de dados estatísticos resultou no aparecimento de novos desafios quanto ao papel do jornalismo na sociedade, nomeadamente sobre o seu funcionamento e estatuto num ecossistema mediático contemporâneo, dominado por plataformas.

Confrontado com esta nova realidade, o Obercom publicou um novo relatório, no qual analisa o impacto das métricas no trabalho jornalístico, nas redacções e, ainda, nos modelos de negócio.

Isto porque se, por um lado, as ferramentas possibilitam um conhecimento sem precedentes sobre quem consome notícias, por outro, vieram complexificar o funcionamento orgânico do jornalismo e o trabalho dos jornalistas.

De momento, começou por recordar o Obercom, as principais ferramentas de análise de audiências “online” são a Chartbeat e a Google Analytics.

Através destes mecanismos, as empresas jornalísticas passaram a focar-se, sobretudo, no tempo passado na página, nas visualizações, nas partilhas nas redes sociais e nos visitantes novos/repetentes.

Esta realidade resultou, igualmente, na generalização do “day-parting”, uma técnica que consiste em estruturar os conteúdos de forma a aproveitar ao máximo a atenção dos leitores, tendo em consideração o dia típico de um trabalhador.

Da mesma forma, por via destas estratégias, os jornalistas conseguem adaptar diversos elementos dos seus artigos, fazendo aumentar o número de “clicks”, incrementando o nível de disseminação das peças, e contribuindo para as receitas das publicações.

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Os Repórteres sem Fronteiras (RSF) distinguiram a jornalista chinesa Zhang Zhan e a jornalista palestina Majdoleen Hassona com os Prémios de Coragem e de Independência, respectivamente.

Já o Projecto Pegasus, que publicou diversos relatórios sobre a espionagem de jornalistas através de um “software” israelita, recebeu o Prémio de Impacto.

Conforme recordaram os RSF, o Prémio de Coragem é atribuído anualmente a profissionais, publicações, ou organizações não governamentais que tenham contribuído para a prática livre e independente do jornalismo.

Por isso mesmo, nesta edição, os RSF quiseram recordar o trabalho de Zhang Zhan, que partilhou diversas informações sobre o surto de covid-19 em Wuhan, apesar de ter sido ameaçada e perseguida pelas autoridades.

Zhang Zhan está, agora, a cumprir uma pena de prisão.

Já o prémio da Independência destina-se a reconhecer jornalistas, meios de comunicação ou ONGs que tenham resistido a pressões financeiras, políticas, económicas ou religiosas.

Assim, este prémio foi entregue à jornalista palestina Majdoleen Hassona, que, apesar de ter sido detida em diversas ocasiões, continuou a reportar sobre o conflito israelo-árabe.
Por fim, o Prémio de Impacto visa destacar profissionais, títulos ou organizações, que tenham contribuído para melhorar os níveis de liberdade de imprensa, independência e pluralismo.

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A China e os Estados Unidos chegaram a um acordo, a fim de reduzir as restrições aos respectivos correspondentes estrangeiros.

De acordo com o jornal do governo “China Daily”, ao abrigo deste acordo, os Estados Unidos irão emitir diversas credenciais de imprensa. Por sua vez, Pequim vai garantir um tratamento condigno para todos os jornalistas norte-americanos.

O governo chinês comprometeu-se a alargar a validade dos vistos dos profissionais da imprensa, passando de 90 dias para um ano.

Este acordo vem, assim, reduzir a tensão entre os dois países que, nos últimos anos, haviam implementado restrições ao trabalho de correspondentes estrangeiros.

Recorde-se, por exemplo, que, em Fevereiro de 2020, cinco empresas chinesas, incluindo a agência Xinhua e a televisão estatal CGTN, passaram a depender da aprovação do Departamento de Estado para actuar nos EUA.

Em resposta, a China expulsou jornalistas do “Wall Street Journal”, na sequência da publicação de um artigo sobre a resposta chinesa ao início do surto de covid-19.

Algumas semanas depois, os Estados Unidos limitaram o número de correspondentes chineses ligados a “media” controlados pelo Partido Comunista chinês.

Pequim respondeu e revogou as credenciais de 13 correspondentes norte-americanos na China, incluindo jornalistas do “New York Times”, do “Wall Street Journal” e do “Washington Post”.

 

O que há de novo

O Presidente da República promulgou um novo decreto, que prevê o combate ao acesso ilegítimo a sistemas informáticos, ajudando a proteger os direitos conexos e as receitas dos títulos de imprensa.

“Atendendo à criatividade parlamentar testemunhada, bem como à quase total inexistência de oposição ao novo regime (...) o Presidente da República promulgou o decreto da Assembleia da República que aprova procedimentos tendentes à fiscalização, controlo, remoção e impedimento do acesso em ambiente digital a conteúdos protegidos“, pode ler-se numa nota publicada no “site” na Internet da Presidência.

Os novos procedimentos vêm, assim, responder a directivas europeias sobre os direitos de autor e direitos conexos, que visam compatibilizar a regulação do uso de obras autorais em ambiente digital (nomeadamente em plataformas da Internet) com a defesa da liberdade de expressão, o progresso da investigação e, ainda, o desenvolvimento tecnológico.

Esta directiva, recorde-se, foi criada para proteger a titularidade dos conteúdos de artistas, músicos, escritores e jornalistas na internet, criando regras para a utilização do seu trabalho por terceiros.

Os novos procedimentos deverão, ainda, ajudar a combater a partilha ilegal de revistas e jornais, cujos contéudos têm vindo a ser partilhados em “apps” de mensagens instantâneas, como é o caso do Telegram e do WhatsApp.

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A União Europeia apelou ao governo chinês que libertasse a jornalista Zhang Zhan, detida por ter reportado o surto de coronavírus na cidade de Wuhan. Esta profissional, de 38 anos, encontra-se em greve de fome, e necessita de cuidados médicos urgentes.

“O estado de saúde de Zhang Zhan está a deteriorar-se rapidamente, devido a subnutrição severa”, lamentou Nabila Massrali, a porta-voz do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell. “A UE insta a China a tomar todas as medidas necessárias para que Zhang Zhan receba tratamento médico adequado e tenha contacto com os membros da sua família e com os advogados da sua escolha”.

“A UE pede à China que respeite os seus compromissos internacionais em matéria de direitos humanos e liberte imediata e incondicionalmente Zhang Zhan”, frisou.

Zhang Zhan, que chegou a ser advogada em Xangai, deslocou-se a Wuhan em Fevereiro de 2020, com o objectivo de relatar a gestão da pandemia naquele local, onde foi registado o primeiro surto de covid-19. À época, cerca de 11 milhões de residentes encontravam-se em confinamento.

Ao ter captado e divulgado imagens de doentes acamados, no corredor de um hospital sobrelotado, Zhang Zhan partilhou um vislumbre único sobre a situação pandémica na China.

Devido a estes contributos, Zhang Zhan foi detida em Maio de 2020, por “causar problemas”. Mais tarde, em Dezembro desse ano, foi condenada a quatro anos de prisão.

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A jornalista Sandra Felgueiras vai deixar de coordenar e apresentar o programa “Sexta às 9”, informou a RTP, adiantando que está a preparar um novo formato de reportagens de investigação.

Em comunicado, o canal público relembrou que o “jornalismo de investigação livre e independente faz parte da história da RTP há décadas e assim continuará. O escrutínio dos poderes e do que possa atentar contra a lei e o interesse público continua a ser uma prioridade da informação da RTP, que está a trabalhar num renovado formato”.

No mesmo comunicado, a direcção de informação da estação pública “agradece o trabalho e dedicação que a jornalista Sandra Felgueiras revelou ao longo do seu trajecto, de mais de duas décadas, na RTP”.

Recorde-se que Sandra Felgueiras esteve envolvida, anteriormente, numa polémica, por causa do mesmo programa, o que deu origem à saída da então directora de Informação, Maria Flor Pedroso, e à reestruturação da mesma direcção.

Entretanto, Sandra Felgueiras, cujo programa de investigação havia estreado em 2012, chegou a um acordo com a Cofina, assegurando a sua presença nas marcas daquele Grupo de comunicação, e assumindo protagonismo na CMTV.

De acordo com a “Meios e Publicidade”, a transferência desta jornalista para a Cofina terá implicações na direcção da “newsmagazine” “Sábado”.

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A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa prepara-se para apresentar o primeiro observatório português dedicado à inovação nos “media” e outras indústrias criativas: o Obi. Media.

Integrado na unidade de investigação ICNOVA, o observatório é coordenado por Dora Santos Silva e conta com uma equipa de seis investigadores (Ana Marta Flores, António Granado, Ioli Campos, Maria João Centeno, Patrícia Ascensão e Pedro Coelho), além de quatro alunos de doutoramento (Ana Sofia Paiva, Catarina Carvalho, Diogo Queiroz de Andrade e Patrícia Caneira).

“A estrutura tem como objectivo monitorizar e analisar práticas de inovação criativa, digital, social e sustentável presentes nos órgãos de comunicação social e noutras áreas do sector cultural e criativo português. Ao mesmo tempo, quer identificar obstáculos à inovação e propor respostas, em articulação com os profissionais, o mercado e a sociedade”, referem os responsáveis em comunicado.

O dia de lançamento, agendado para 24 de Novembro, será o mote para a apresentação dos resultados de dois estudos sobre práticas de inovação digital na imprensa e em museus nacionais.

Haverá um debate sobre casos de inovação em museus, juntando António Ponte, director do Museu Nacional Soares dos Reis, Tiago Guerreiro, responsável de comunicação do Museu Bordalo Pinheiro, e Denise Grinspum, investigadora que já passou pela direcção de vários museus brasileiros.

Segue-se outro debate sobre inovação no jornalismo em Portugal, com Catarina Carvalho, directora da “Mensagem de Lisboa”, João Pedro Pereira, editor de "newsletters'' e de projectos digitais do “Público”, e com Tiago Sigorelho, fundador do “Gerador”.

 

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Os espanhóis estão cada vez mais preocupados com a falta de controlo do conteúdo que circula “online”, pelo que passaram a depositar a sua confiança na informação divulgada pelos canais em sinal aberto, de acordo com a segunda vaga do barómetro Uteca.

Assim, mais de 70.4% dos inquiridos afirmam que permitem que os seus filhos assistam aos programas destes canais sem supervisão.

A televisão em sinal aberto recebe, também, uma classificação “muito boa” em termos de pluralismo, já que 66,2% dos entrevistados acreditam que a diversidade de jornalistas, abordagens e programas de notícias ajuda-os a formar sua própria opinião.

Por outro lado, estes cidadãos tendem a desconfiar das redes sociais.

Aliás, apenas 3% dos entrevistados disseram não se preocupar com o acesso dos seus filhos a estas plataformas.

Perante este cenário, cerca de 87% dos pais disseram ser a favor do reforço do controlo dos conteúdos televisivos.

Da mesma forma, quase 90% dos inquiridos defendem que os “influencers” e os “youtubers” devem reger o seu trabalho de acordo com as leis de publicidade e de protecção de menores.

Estas preocupações prendem-se, sobretudo, com a disseminação de “fake news" através das redes sociais, já que 84,9% da população aponta estas plataformas como o canal que mais difunde este tipo de conteúdo

 

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O Tribunal de Propriedade Intelectual de Lisboa decretou o bloqueio/encerramento de 17 grupos da rede social Telegram, dedicados à partilha ilegal de conteúdos jornalísticos.

A decisão surge na sequência de uma providência cautelar interposta pela Visapress e pela Associação para a Gestão de Direitos de Autor, Produtores e Editores (GEDIPE), que sublinham estar em causa “uma grande vitória a favor dos produtores de conteúdos que, todos os dias, vêem o seu trabalho partilhado em grupos e canais de Telegram, sem que sejam ressarcidos desse facto”.

“Existem grupos de Telegram com mais de 50 mil pessoas, são 50 mil vezes que as obras são vistas sem que seja comprado o jornal, a subscrição de um serviço de ‘streaming’ ou um bilhete de cinema, é um enorme prejuízo para todos envolvidos e para a qualidade do conteúdo”, apontou Carlos Eugénio, director executivo da Visapress, que tem apelado aos portugueses para que ajudem a acabar com esta prática ilegal.

Aliás, segundo estimativas daquela entidade, esta é uma prática responsável por prejuízos mensais na ordem dos 3,5 milhões de euros.

Na decisão agora tomada, o Tribunal de Propriedade Intelectual de Lisboa deu, assim, como provado que “através deste serviço são reproduzidos e colocados à disposição do público, de forma massiva, ficheiros que contêm publicações periódicas e obras cinematográficas/audiovisuais, cujos direitos de autor e conexos pertencem a associados e cooperadores das requerentes”.

 

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O juiz de instrução Carlos Alexandre decidiu não levar a julgamento os jornalistas Carlos Rodrigues Lima, subdirector da “Sábado”, e Henrique Machado, editor da TVI, pelo crime de violação do segredo de Justiça.

Isto porque, de acordo com aquele magistrado, não existem provas suficientes para levar o caso a julgamento. Além disso, Carlos Alexandre considerou que, mesmo que o caso avançasse, o mais provável é que os arguidos não fossem condenados.

Recorde-se que, Carlos Rodrigues Lima, subdirector da “Sábado”, estava acusado de três crimes de violação de segredo de Justiça, enquanto Henrique Machado, editor da TVI, havia sido acusado de um crime idêntico.

O processo foi espoletado por reportagens sobre o processo E-Toupeira, nas quais os jornalistas revelaram informações sobre a detenção de Paulo Gonçalves, mesmo antes de a diligência ter começado.

Dias depois, os dois profissionais foram alvo de um processo de violação de segredo de Justiça, iniciado pela titular do inquérito, a procuradora-adjunta DIAP, Andrea Marques.

Assim, durante cerca de dois meses, entre Abril e Junho de 2018, os dois jornalistas foram vigiados pelas autoridades policiais, que seguiram os seus movimentos, o que gerou controvérsia e levantou questões quanto à violação do direito à liberdade de imprensa.

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Uma loja de conveniência no Quebec comprou os direitos de reprodução de diversos títulos jornalísticos, permitindo que os seus clientes imprimam, instantaneamente, exemplares de uma vasta selecção de revistas e jornais.

A loja pertence à empresa de assinatura de revistas Press Commerce Corporation, que detém alguns pequenos negócios de retalho, e que decidiu equipar um destes estabelecimentos com um sistema de impressão “in loco”.

O sistema está em funcionamento desde este Verão, e permite que os seus clientes imprimam exemplares de mais de três mil jornais internacionais.

Assim, os visitantes da loja podem requisitar uma cópia do “Le Figaro”, “Liberation”, “Ouest France”, “Nice Matin”, “Haiti Liberté”, “Corriere della Sera" (Itália), “USA Today”,” Irish Independent”, “Le Temps” (Suíça) ou “El Whatan” (Argélia).

O preço dos jornais impressos varia entre 4,95 e 11,95 dólares canadianos (€ 3,6 e € 8,3 respectivamente), dependendo do número de páginas.

 

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