Quinta-feira, 4 de Março, 2021
<
>
O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


ver mais >
Opinião
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Notas breves
José Leite Pereira
1 - Assistir a entrevistas na televisão tornou-se um ato penoso. As entrevistas fizeram-se para que alguém possa transmitir a terceiros o que entende dever ser transmitido. Ao jornalista cabe o papel de intermediário e intérprete do que julga ser a curiosidade do público. A entrevista é um ato de esclarecimento. Diferente de um texto de opinião ou de uma comunicação pura e simples exatamente por causa da presença do...
Breves
Apoios aos “media”

Já abriu o novo concurso para apresentação de candidaturas aos incentivos do Estado aos “media”, anunciou a Agência para o Desenvolvimento e Coesão.

As candidaturas poderão ser submetidas, em formato digital ou postal, até 30 de Abril, e serão, posteriormente, avaliadas pelas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional.

Os apoios abrangem as tipologias modernização tecnológica, desenvolvimento digital, acessibilidade à comunicação social, desenvolvimento de parcerias estratégicas e literacia e educação para os “media”.

Fotojornalista ferido

Um fotojornalista do diário regional “L'Union” foi gravemente ferido no distrito de Reims. O procurador da República, Matthieu Bourrette, abriu, entretanto, uma investigação por tentativa de homicídio.

Tudo indica que o profissional se tinha deslocado para o local após um alerta emitido pelas autoridades.
Contudo ainda não existe “nenhuma informação precisa sobre o sucedido''.

Morreu administrador da TVI

Morreu, aos 54 anos, Bernardo Bairrão, antigo administrador da TVI, vítima de cancro.

Bairrão entrou para a TVI em 1994 como subdirector da área financeira e, de acordo com aquele canal, esteve envolvido “nos projectos mais ambiciosos e inovadores” da estação.

Ao longo do tempo, exerceu, ainda, as funções de administrador da produtora Plural e de director-geral da TVI.

 

Administração da RTVE

O Governo espanhol chegou a um acordo sobre a renovação do Conselho de Administração do operador público nacional.

Agora, o CA da RTVE será composto por José Manuel Pérez Tornero,
Elena Sánchez Caballero , José Manuel Martín Medem, Carmen Sastre, Jenaro Castro e Juan José Baths .

Pérez Tornero, criador de conteúdos pedagógicos para a televisão nacional, foi o seleccionado para assumir funções de presidente do operador, substituindo Rosa María Mateo.

As nomeações foram aprovadas com 249 votos a favor e dez abstenções.

RNE no Spotify

 A Rádio Nacional de Espanha (RNE) estabeleceu, recentemente, um acordo com o Spotify, e vai passar a disponibilizar mais de 350 programas naquela plataforma de “streaming”.

Em comunicado, a RTVE afirmou que este acordo representa “mais um passo” na estratégia de diversificação digital da RNE .

Além disso, o operador público espanhol destaca que o compromisso da RNE com a digitalização irá, ainda, passar pelo desenvolvimento de “apps” móveis e para televisão.

Agenda
22
Abr
International Symposium on Online Journalism
10:00 @ Conferência "Online"
17
Jun
4th International Conference Stereo & Immersive Media 2021
09:30 @ Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
24
Jun
International Congress of Audiovisual Researchers
09:00 @ Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Connosco
Galeria

Com a digitalização da imprensa, os “media” estão a abandonar a função de “vendedores de notícias”, para voltarem a exercer um serviço público, afirmou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com Castilho, esta será uma transição lenta, que se caracterizará por uma relação mais próxima entre produtores e consumidores de conteúdos noticiosos, bem como pela valorização da informação fidedigna.

Ou seja, agora que o modelo publicitário passou a ser considerado pouco sustentável, os “media” podem, finalmente, focar-se na produção de artigos de alta qualidade.

Contudo, esta mudança de paradigma exige, igualmente, a adopção de regras e valores por parte do público, que deverá estar disposto a pagar pela nova e melhorada versão do jornalismo “online”.

Esta nova ideologia pode traduzir-se na introdução de “paywalls” nos “sites” de jornalismo, ou noutros modelos de financiamento do trabalho noticioso, como é o caso do “crowdfunding”.

Segundo o autor, os consumidores de informação podem, assim, escolher apoiar as causas com as quais se identificam, ou que consideram essenciais para a tomada de decisões conscientes.

Galeria

A One Free Press Coalition -- coligação internacional de “media” em defesa da liberdade de imprensa -- compilou uma lista de mulheres jornalistas detidas ou sob ameaça em vários países: na Síria, Egipto, Bielorrússia, México, Vietname, Filipinas, Turquia, Índia e China.

Esta lista mensal, organizada em função do Dia Internacional da Mulher, começa por denunciar o caso da síria Tal al-Mallohi, uma profissional que foi detida sem acusação, por ordem de um conselheiro de segurança de Bashar al-Assad.

O segundo caso é o da “freelancer” egípcia Solafa Magdy. De acordo com a One Free Press Coalition o estado de saúde desta profissional está em rápida deterioração, devido a negligência médica e abusos sofridos na prisão.

Seguem-se as bielorrussas Katsiaryna Andreyeva e Darya Chultsova, jornalista independente e operadora de câmara respectivamente, que foram condenadas a dois anos de prisão por cobrirem os protestos antigovernamentais.

A One Free Press Coalition pede, ainda, que as autoridades intervenham no caso da mexicana Maria Elena Ferral Hernández, assassinada em Março do ano passado, no Estado de Veracruz.

O quinto alerta diz respeito à vietnamita Pham Doan Trang, repórter na internet e fundadora de uma revista, detida desde Outubro, e a aguardar julgamento.
Além disso, a coligação alerta para os casos de Neha Dixit, na Índia, que tem vindo a receber ameaças de morte, bem como da jornalista chinesa Haze Fan, da “Bloomberg News”, que está detida por suspeitas de ameaças à segurança nacional.

Galeria

A pandemia veio introduzir novo vocabulário e novos hábitos de consumo no quotidiano dos cidadãos um pouco por todo o mundo, recordou a jornalista Vanessa Pedro num artigo publicado, originalmente, no “site” “objETHOS” e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Segundo indicou a autora, a partir de Março de 2020, a maioria dos indivíduos ficou confinada, passou a discutir variantes de vírus, a prever o aparecimento de uma vacina e a utilizar ferramentas de comunicação à distância, como o ZOOM, enquanto ouvia um novo programa em formato de “podcast”.

E -- tal como sublinhou a jornalista -- com esta nova realidade, verificou-se , igualmente, uma confiança restabelecida no papel dos “media”.

Isto porque, perante a crise sanitária, os cidadãos voltaram a recorrer aos jornais para se manterem informados sobre a evolução da pandemia, novos casos de contágio e opiniões de especialistas.

E, mais do que isso, o jornalismo voltou a lembrar-se de que precisava contar histórias.

No caso brasileiro -- especificou a autora -- os jornalistas passaram a “desviar-se” da narrativa governamental, alertando para a verdadeira realidade nacional, nos hospitais, cemitérios e em casa dos cidadãos.

Ademais, (apesar do distanciamento recomendado) , os “media” começaram a aproximar-se dos seus consumidores, pedindo o contributo para determinadas reportagens, através do envio de vídeos caseiros, ou de testemunhos áudio.

Galeria

A pandemia veio alterar os modelos de consumo mediático dos portugueses, que estão a passar mais tempo em casa e, consequentemente, mais tempo em frente às televisões e ecrãs de computador.

Estas mudanças têm sido analisadas, desde Março de 2020, pelo Obercom, com o objectivo de compreender e prever o futuro panorama dos “media”.

E, no seu mais recente relatório, publicado em Fevereiro, aquele observatório de “media” notou que algumas tendências têm permanecido estáveis ao longo do último ano.

O relatório destaca, neste sentido, que as empresas de comunicação têm conseguido capitalizar o tempo dos portugueses, que têm passado, em média, mais três horas na internet.

Neste contexto, é indispensável referir as plataformas de “streaming”, que assumiram um papel preponderante no âmbito do entretenimento nacional.

No entanto, verificou-se um crescimento do consumo na generalidade dos conteúdos televisivos.

Aliás, a Nielsen relatou que o número total estimado de minutos transmitidos para a TV aumentou 85% nas primeiras semanas de Março, quando comparado ao período homólogo de 2019.

Galeria


Em Fevereiro, o jornal espanhol “El País”, deixou de aparecer nas bancas dos vários países europeus.

Num editorial, Carlos Yárnoz, provedor do leitor daquele título, notou que esta medida é sintomática do novo panorama mediático, caracterizado pela digitalização dos conteúdos e pela aposta nas assinaturas digitais.

Por outro lado, Yárnoz aponta que, enquanto, esta nova estratégia pode ser considerada essencial em termos de sustentabilidade financeira, existem alguns leitores desapontados com a decisão, alegando terem ficado "órfãos do papel”.

Aquele provedor afirma, por exemplo, ter recebido uma carta de um leitor português, Vítor Almeida, que se disse triste por perder o acesso a um jornal que lê há 30 anos.

“Tenho 60 anos e compro o ‘El País’ há 30. Foi com grande tristeza que descobri que já não será vendido em Portugal. Poderiam, pelo menos, distribuir a edição de domingo. É uma forma de promover a língua e a cultura espanholas e de responder aos desejos dos leitores ansiosos por um bom jornalismo".

Da mesma forma, Juan Carlos Machuca, radicado em Londres, afirmou que “nestes 21 anos como emigrante, a leitura deste jornal fez-me sentir próximo de Espanha. Para os meus amigos tenho sido sempre o espanhol com o ‘El País’. [Esta medida] condena-nos a um ecrã digital. Rouba-nos o prazer da leitura sem pressa. Deixa-nos órfãos de papel".

Galeria

Quase metade dos subscritores de jornais locais “online” são considerados “zombies” noticiosos, concluiu um estudo do Northwestern University 's Medill Spiegel Research Center.

Ou seja, após analisar 45 mercados, este centro de pesquisa notou que 49% dos assinantes destes serviços visitam as plataformas menos de uma vez por mês.

Ora se, por um lado, estes leitores continuam a pagar pelo serviço e a contribuir para a saúde financeira dos títulos, por outro, ao não interagirem com os conteúdos oferecidos, é provável que venham a abandonar a plataforma ao fim de um ou dois anos.

Desta forma, Ed Malthouse, o director de pesquisa daquele centro universitário, considera essencial que estes “sites” de jornalismo comecem a desenvolver estratégias de fidelização dos seus leitores.

Por outras palavras, Malthouse sugere que as plataformas de jornalismo local comecem a incentivar os cidadãos a desenvolverem hábitos regulares de consumo noticioso.

Para tal, aquele especialista sugere que os jornalistas destes títulos passem, por exemplo, a criar “newsletters”.
Com isto, os subscritores passariam a receber uma selecção dos principais artigos do dia, e sentir-se-iam aliciados a "clicar" nos “links” sugeridos.

Galeria

Nos últimos anos, os “media” locais têm vindo a estabelecer parcerias com “startups” de jornalismo, notou Joshua Benton num artigo publicado no “Nieman Lab”.

De acordo com o autor, este tipo de iniciativa é crucial para a revitalização do jornalismo local, já que alia as audiências dos “media” públicos, com o modelo de negócio digital promovido pelas “startups”.

Com isto, Joshua Benton considera que estas parcerias são as mais naturais e eficazes no panorama mediático.

O autor alerta, contudo, -- baseando-se num projecto da Universidade de Harvard -- que determinadas iniciativas podem gerar conflitos no interior das redacções, já nem todos os “media” tradicionais estão dispostos a implementar mudanças no seu “modus operandi”.

Como tal, Benton listou algumas sugestões, de forma a que todas as parcerias entre “media” locais e “startups” sejam bem sucedidas.

Estas dicas são aplicáveis a jornais, canais de televisão e, ainda, a estações de rádio.

Em primeiro lugar, o autor sugere que as redacções clarifiquem o tipo de parceria que pretendem estabelecer, bem como o nível de fusão entre as empresas.

Galeria

O Partido Democrata está a tentar restringir a liberdade de imprensa dos Estados Unidos, ao implementar medidas para condicionar a actividade dos “media” conservadores, denunciou, em editorial, a equipa do “Wall Street Journal”.

Com isto, o “WSJ” considera que a “Primeira Emenda [da constituição norte-americana] morre na escuridão dos ‘media’”.

De acordo com aquele jornal, os democratas Anna Eshoo e Jerry McNerney enviaram cartas a doze CEOs de empresas de tecnologia, para que estes rescindissem contratos com os meios de comunicação de direita, incluindo a Fox News.

Dois dias mais tarde -- indiciou o “WSJ” -- o Comité de Energia e Comércio promoveu uma audição sobre “desinformação e ‘fake news’ nos ‘media’ conservadores”.

Nesta ocasião, o deputado Mike Doyle, presidente da subcomissão de comunicação e tecnologia, declarou, nas alegações iniciais, que o comité tinha a obrigação de responsabilizar “este tipo de imprensa”.

Segundo indicou o “Wall Street Journal”, os deputados seleccionaram, neste sentido, algumas testemunhas, “para que fosse estabelecida a base retórica para as restrições à imprensa”.

 Além disso, ao longo da audiência, os deputados do Partido Democrata acusaram os “media” conservadores de partilharem “fake news” e de “porem em causa a segurança” dos cidadãos.

O representante Frank Pallone notou, por outro lado, que a Constituição norte-americana não protege a "desinformação que causa danos públicos".
Perante este cenário, o “Wall Street Journal” acusou os representantes do Partido Democrata de tentarem exercer o controlo sobre o conteúdo publicado nos “media”, para que este lhes seja favorável.

O que há de novo

O presidente do conselho de administração da Lusa, Nicolau Santos, defendeu, no Parlamento, que “é necessário encontrar um outro modo de financiamento” para a agência noticiosa.

“Esta dependência [do Orçamento do Estado] acarreta, normalmente, um atraso significativo na aprovação dos orçamentos anuais da agência”, afirmou.

Nicolau Santos apontou como exemplos a RTP e a agência de notícias espanhola EFE, que têm “financiamentos (...) muito mais estáveis, que não dependem do orçamento directamente (...) e que são muito mais previsíveis”.

Além disso -- reforçou Nicolau Santos -- os contratos daquelas empresas “são bastante mais alargados, o que dá mais capacidade para olhar para o futuro”.

O presidente da administração da Lusa foi recebido no âmbito de uma audição da comissão parlamentar de Cultura e Comunicação, requerida pelo PSD sobre as condições de funcionamento da agência.

As audições foram, assim, justificadas com a preocupação pela situação financeira da agência noticiosa.

Galeria

A pandemia veio agravar a crise da imprensa portuguesa que, no ano passado, registou, em média, uma quebra de 20% na circulação em papel, de acordo com o mais recente relatório da APCT.

Segundo a APCT, o “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias” e “Público”, os três diários generalistas auditados, venderam em média, e no seu conjunto, menos 29.902 exemplares por edição no último ano, o que representa uma quebra na ordem dos 23,1%, relativamente à circulação impressa paga registada no ano anterior.

Por outro lado, o semanário “Expresso” parece ter resistido aos efeitos da pandemia, ao registar uma quebra de apenas 0,13% na circulação.

Ainda assim, a maioria dos títulos nacionais reagiu bem à situação pandémica, já que se registou um crescimento significativo no âmbito das visitas “online” e das subscrições digitais.

Analisando o desempenho de cada um dos títulos, o “Correio da Manhã” mantém o estatuto de jornal com maior circulação impressa, com uma média de 58.165 exemplares vendidos por edição em 2020, o que representa uma quebra na ordem dos 20,2%, face ao período homólogo do ano anterior.

No mesmo sentido, o “Jornal de Notícias” desceu de uma média de 39.307 exemplares vendidos por edição em 2019, para uma média de circulação impressa paga de 28.172 exemplares ( menos 28,3%).

Por sua vez, o” Público”  desceu de uma circulação impressa paga de  17.323 exemplares registada em 2019 para os 13.237 no último ano.

Destaca-se, por isso, o semanário “Expresso”, cuja circulação começou a crescer a partir de Março. 

Galeria


Nos últimos meses, os “directos” -- ou “lives” -- tornaram-se uma tendência da rede social Instagram, já que permitem que os criadores de conteúdos mantenham o contacto com os seus seguidores e fãs.

Estes “lives” consistem numa espécie de programa de televisão ao vivo, em que cada apresentador tem a possibilidade de “chamar” um convidado de cada vez.

Durante o primeiro período de confinamento, este formato tornou-se extremamente popular um pouco por todo o mundo. Em Portugal, por exemplo, as sessões ao vivo do humorista Bruno Nogueira conquistaram audiências de várias dezenas de milhares.

Perante este cenário, a rede social decidiu lançar as “salas ao vivo”, uma ferramenta que começou por aparecer da plataforma Clubhouse, e que permite a participação de três ou mais convidados.

Com isto, os criadores de conteúdos têm, agora, a possibilidade de explorar novos formatos de entretenimento, como as entrevistas, ou os concertos ao vivo.

Além disso, estas “salas” poderão ser benéficas para os artistas que ficaram prejudicados com o encerramento das salas de espetáculo, já que permitem doações da audiência.
Tal como acontece nas emissões ao vivo “normais”, os espectadores poderão interagir com os artistas por via de mensagens escritas, que vão surgindo no ecrã.

 

Galeria

Com a era digital, o modelo tradicional de negócio dos “media” passou a ser considerado obsoleto e pouco sustentável.

Como tal, os empresários e os jornalistas passaram a apostar em novas formas de financiar os seus projectos, como as subscrições digitais e, mais recentemente, as angariações de fundos.

É esse o caso do projecto de jornalismo independente “The Narwhal”, que financia as suas iniciativas através de “mini campanhas”.

Em entrevista para o “site” “mailchi.mp”, Emma Gilchrist, co-fundadora do “Narwhal”, afirmou que esta é a forma mais eficaz de conquistar o interesse dos leitores e convencê-los a apoiar as causas do jornal.

Ou seja, cada vez que o “Narwhal” pretende lançar uma nova iniciativa, contratar um novo profissional, ou angariar fundos para uma determinada reportagem, a equipa editorial pede o apoio dos assinantes e leitores.

Assim, o “Narwhal” deixa ao critério dos consumidores as causas que valem, ou não, a pena apoiar.

De acordo com Gilchrist esta é uma forma mais orgânica de conseguir apoios, já que os objectivos de cada angariação de fundos são, relativamente, baixos, e têm uma causa concreta associada.
“Angariar fundos consiste em fazer do leitor o herói da história”, afirmou Gilchrist. “Podemos ter objectivos internos, para conquistar um determinado número de membros até uma determinada data, mas acho que é mais eficaz fazer ‘mini campanhas’ ao longo do ano, de forma a pedir aos leitores que apoiem um objectivo tangível e  específico”.

Galeria

O Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) apelou para que a publicidade institucional do Estado passe a abranger todos os “media” de origem portuguesa.

O Conselho Permanente do CCP dirigiu-se ao Presidente da República, ao Governo e à Assembleia da República para pedir a revisão da Lei 95/2015, no sentido de “integrar de forma obrigatória na publicidade institucional do Estado os órgãos de comunicação social de raiz portuguesa nas comunidades”.

De acordo com o CCP, este seria um mecanismo eficaz para evitar os “apoios extraordinários”, aplicados em 2020, que, “apesar de necessários, não alcançam a universalidade dos órgãos”.

Além disso, através desta medida, o Estado português cumpriria “com o dever de difundir no seio das comunidades a informação de carácter institucional, à qual os que vivem no estrangeiro têm pleno direito”, frisou o CCP no documento.

No comunicado, assinado por Flávio Alves Martins, presidente do Conselho Permanente, o CCP pediu, ainda, a realização, “com a devida urgência”, de um levantamento dos “media” nas comunidades, para obter “exacta informação de quantos e quais são esses órgãos, de raiz portuguesa, nos países de acolhimento”.

Galeria

O Centro Knight para o Jornalismo nas Américas vai promover, juntamente com a Google News Initiative, a 22ª Conferência Internacional de Jornalismo Online (International Symposium on Online Journalism).

O tema central desta edição -- que decorrerá entre 22 e 26 de Abril -- será a transição dos “media” tradicionais para o ecossistema digital.

Como tal, o evento contará com a participação de vários especialistas da área, como A.G. Sulzberger -- “publisher” do “New York Times” --, Katharine Viner -- editora-executiva do “Guardian” -- e Marty Baron -- editor-executivo do “Washington Post”

Esta edição terá, ainda, palestras de empreendedores como Anna Palmer e Jake Sherman -- fundadores do projecto “Punchbowl News” -- e das jornalistas Lauren Williams e Akoto Ofori-Atta -- co-criadoras da “start-up” “Capital B”.

De acordo com o Centro Knight, o programa completo será anunciado em breve, com dezenas de palestras sobre o actual panorama dos “media” “online”.
A conferência  será emitida “online” e estará aberta a todos os interessados, que poderão inscrever-se através do “site” do Centro Knight ou do “e-mail” isoj@austin.utexas.edu.

Galeria

Após disputas com o governo australiano, o Facebook pediu desculpa pelas decisões referentes àquele mercado e prometeu investir “pelo menos” mil milhões de dólares (822 milhões de euros), nos próximos três anos, em conteúdos noticiosos.

“Já investimos 600 milhões de dólares desde 2018 para apoiar a indústria dos ‘media’ e prevemos investir, pelo menos, mais mil milhões nos próximos três anos”, escreveu Nick Clegg, responsável pelos assuntos públicos da rede social, num artigo de “blog”.
“Reconhecemos, absolutamente, que o jornalismo de qualidade é crucial ao funcionamento das nossas sociedades, informando e valorizando os cidadãos, enquanto exige a responsabilização dos dirigentes”, continuou Clegg.
Aquele representante assegurou, da mesma forma , que “mais do que nunca, o Facebook quer associar-se com os editores de imprensa”.
Além disso, de acordo com Clegg, a intenção do Facebook nunca foi prejudicar a imprensa, mas expressar o seu desagrado perante ao “plano arbitrário" imposto pelo Governo de Camberra.

Galeria

O Grupo Impala “mantém ordenados em atraso” desde 2011 e conta, actualmente, com 174 ex-colaboradores à espera de receber créditos salariais, num valor acumulado de 2,85 milhões de euros.

A informação foi avançada por Luís Monteiro Pereira, responsável pela área comercial da editora, no âmbito de uma audiência dos colaboradores do Grupo Impala com a Comissão de Trabalho e Segurança Social, da Assembleia da República.

De acordo com a agência Lusa, Monteiro Pereira começou por revelar que a facturação produzida pela empresa base, a Impala Editores, foi transferida para a Impala Multimédia.

Com isto, a segunda empresa faturou vários milhões de euros, entre 2009 e 2011, com um máximo de cinco colaboradores ao seu serviço. Isto porque os restantes profissionais se mantiveram na “empresa-mãe”.

Monteiro Pereira revelou, neste sentido, que, ao longo dos anos, a “família” do empresário Jacques Rodrigues criou uma ''teia de mais de uma dezena e meia de sociedades à volta desta editora”.

Estas empresas não” têm qualquer actividade que não seja prestar serviços entre si, retirando os recursos financeiros à editora e criando uma falsa ideia de debilidade financeira para permitir, com base nisso (…) o sucessivo recurso ao instrumento PER – Plano Especial de Revitalização“, adiantou.
Aquele responsável especificou, igualmente, que o recurso aos PER congelou, entre Outubro de 2014 e Junho de 2017, o pagamento a ex-colaboradores.

Galeria
ver mais >